Correio Urbano

O Correio Urbano (1867 – 1889)

Resumo dos topicos cobertos nesta página:
  1. as agencias urbanas ( “agencias de letras”);
  2. os carimbos Correio Urbano
  3. os carimbos “Urbanos”

I. As agências urbanas 

Grande iniciativa do Decreto de 1865 foi o incentivo ao Correio Urbano, ou a entrega domiciliar em tes distribuições diarias. Uma das iniciativas foi a implantação de duas dezenas de agencias urbanas identificadas pelas letras de “A” a “Z”.

A primeira agência postal urbana, a Agência Rua Direita, foi criada por volta de 1865 na sede da Diretoria Geral. Acompanhando a rua, ela seria renomeada Agência 1º de Março em 1870. Essa agência seria reinstalada no mesmo endereço no final de 1877 após a inauguração do novo Edifício dos Correios, o primeiro a ser projetado especificamente para as necessidades postais.

A partir de 1868 começam a ser instaladas caixas de coleta em agências localizadas em pontos estratégicos da zona urbana do Município Neutro.

Obs.: Vale notar que à época algumas agências já funcionavam nos subúrbios. As primeiras criadas foram as de Paquetá (16 de agosto de 1841) e a do Curato de Santa Cruz (24 de novembro de 1842). Com a inauguração da E.F. D. Pedro II, agencias ferroviárias foram criadas nas estações da linha: Cascadura (12 de maio de 1862), São Francisco Xavier (10 de agosto de 1864), Sapopemba – atual Deodoro – e Engenho Novo (estas em 9 de agosto de 1865).

As 25 agências postais urbanas criadas entre 1868 e 1877 adotaram a identificação por letras, conforme apresentado na tabela a seguir, com as respectivas datas de funcionamento, conforme se vê na tabela abaixo:

AGENCIASURBANAS1 AGENCIASURBANAS2

Observações sobre a tabela:

  1. Fontes: Boletim Postal dos Correios, Almanaque Laemmert e notas publicadas pela Diretoria dos Correios na imprensa (Diario do Rio de Janeiro, Hemeroteca da Biblioteca Municipal do RJ).
  2. As datas da tabela são as publicadas na imprensa, onde textualmente se lê: “começa a funcionar a partir dessa data a agencia X”. Portanto, devem ser posteriores às informadas em documentos do Correio, geralmente datas de criação.
  3. Procurei listar todas as mudanças de nome das agencias registradas na documentação, embora reconheça que possa trazer certa complicação. As mudanças decorrem de mudanças de endereço  ou de alteração do nome do logradouro. Algumas são curiosas, como por exemplo as do Rio Comprido, que revelam, no vai-vem, uma certa indecisão politica.
  4. Observe que o conjunto de bairros atendidos reflete os limites conceituais de “zona urbana” à época. A expansão para a Zona Sul mostra a influencia da inauguração das linhas de bonde para Botafogo (1868), Jardim Botânico e Gávea (1871).
  5. A coluna MRJ indica o numero que atribuí a cada agencia ao longo deste trabalho. Elas estão classificadas em seu respectivo bairro, embora uma cópia completa de todas as imagens disponiveis esteja apresentada abaixo.

Essas agências utilizaram carimbos específicos, que Paulo Ayres classifica como carimbos de letras.

Vale lembrar que na República, a partir de 1890, foi criada uma rede de “Agências Urbanas” também identificadas pelas letras de “A” a “L”, embora sejam facilmente reconhecidas pelos carimbos circulares datadores que utilizaram. Essa iniciativa constituiu uma primeira tentativa de estabelecer uma rede de sucursais na região metropolitana. Mais informações no menu “SUCURSAIS”.

Tudo leva a crer que as agencias deixaram de utilizar esses carimbos por volta de 1881. O Almanaque Laemmert, que publicava a lista de caixas/agencias urbanas até 1880 no ano seguinte se refere somente a “70 caixas existentes”. A partir dessa data, observamos o uso dos carimbos genéricos ” correio urbano”.

Imagens dos carimbos das agencias urbanas

CRJ0137 IMPERIO AU CRJ0138 IMPERIO AU

II – Os carimbos “Correio Urbano”

Com o fechamento das Agencias Urbanas, a correspondência postada nas caixas urbanas passam a receber carimbos de texto com a legenda CORREIO URBANO provavelmente aplicados no Correio Central. Dois tipos são conhecidos, um retangular circulado no Imperio (1883-89) e outro eliptico na Republica (1890-97).

Imagens de carimbos do Correio Urbano

CRJ0139 IMPERIO TI

III – Os carimbos “Urbanos”

Outra série de carimbos – que denominei “Tipo Urbano” – foram utilizados pelas “Secções” do Correio Central na transição entre o Imperio e a Republica. A alcunha deriva das legendas C.U. – Correio Urbano e P.U.- Posta Urbana grafadas nas duas ultimas séries. Como exemplo, um Bilhete Postal de 1892 (coleção do autor).

posta-urbana

Os carimbos Tipo Urbano foram provavelmente utilizados pelo Correio Central para obliterar a correspondencia postada na caixas urbanas. Analisando a inscrição do quadrante superior do círculo interno e as respectivas datas de circulação, tomei a liberdade de classificá-los em três séries distintas, a saber:

  • 1a. série: quadrante com o florão ( ) na horizontal (1887-1890);
  • 2a. série: quadrante com as letras CU (1889-1890);
  • 3a. série: quadrante com as letras PU (1890-1894);

Observações:

  • Na 1a. série são usados turnos – manhã, tarde ou noite – ao invés das  1ª, 2ª ou 3ª turmas usados nos tipo CU e PU.
  • A 2a. série (CU) e a 3a. série (PU) só circularam na 1a. Secção.
  • Não encontrei exemplares da 2a. Secção, de nenhum tipo.
  • O catalogo Paulo Ayres registra vários carimbos que não encontrei. No entanto, não registra o tipo PU (3a. serie), talvez por terem sido emitidos na Republica.

A tabela abaixo apresenta de forma consolidada os tipos conhecidos e reserva linhas para os que possam existir. Já suas imagens estão apresentadas junto às Secções do Correio Central que os utilizaram (ver menu Secções).

TIPO URBANO

As imagens estão apresentadas nas respectivas “secções”.

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