Correio Geral da Corte

CORREIO GERAL DA CORTE (1843 – 1866)

O Primeiro Reinado publicou seu regulamento postal no Decreto s/n de 5 de março de 1829 onde, entre outras medidas, alterou o nome do serviço para Correio Geral da Corte, que dá origem ao título deste capítulo e às legendas superiores dos carimbos.

O Decreto 255 de 29 de novembro de 1842 introduziu o porte pré-pago e o selo postal. Também estabelecia o prazo geral de oito meses para ser implantada a nova sistemática. Esse prazo mostrou-se consistente com a primeira emissão dos selos olhos-de-boi em 1º de agosto de 1843.

No Rio de Janeiro, os primeiros exemplares utilizaram o mesmo carimbo pré-filatélico já em uso com a legenda “Correio Geral da Corte” sem cercadura (na imagem acima, um exemplar ‘filatélico’ de 6 de agosto de 1843 sobre olho-de-boi, coleção K.L.) Esse tipo está catalogado sob o nº PA 1185 no Paulo Ayres e abre oficialmente este trabalho, classificado aqui como tipo IMP 1.

Os tipos utilizados no período constam do catálogo PA sob o título “Circulares – Typo Primitivo Com Data“, números 1608 e ss. como se vê na reprodução abaixo.

A utilização desses tipos cessará por volta de 1866 com a publicação do Decreto 3.443 de 12 de abril de 1865 como veremos adiante.


OS TIPOS

IMP 1: PA 1608. Exemplos: carta para a Corte, porte interno de 60rs com par de olhos-de-cabra (danificado na abertura) e carimbo de recepção do tipo IMP 1 de 6/11/61 (coleção do autor).  Diversas reproduções de carimbos sobre olhos-de-boi extraídas do livro do Cel. Napier ilustram a apresentação do tipo. Adiciono como curiosidade uma imagem da folha comemorativa do centenário do selo postal emitida em 1943 com ilustração dos selos e carimbos baseados na emissão original.


IMP 2: carta postada em Pouzo Alto, MG (carimbo PA 1422) datada 19/12/1845 com destino ao Rio de Janeiro (coleção do autor) . Carimbo de recepção PA 1608 de 31/12/1845. Seguem-se mais imagens do livro do Cel. Napier.


IMP 3: este tipo está catalogado como PA 1609 e destaca-se por apresentar pela primeira vez “BRAZIL” na legenda inferior ao invés de espaçadores. Suas caraterísticas diferenciadoras são:

“RE” de CORREIO em diagonal com “CO” de CORTE
Legenda Inferior BRAZIL.
Diâmetro externo 33 mm

 

Na imagem abaixo, o fac-simile de carta (coleção K.L.) com carimbo de 15 de janeiro de 1852. Como correspondência oficial é isenta de porte (“I.P.” no envelope) pelo decreto de 1842. Postada na Corte com destino a Valença no estado do Rio.


IMP 4: O tipo 4 está catalogado como PA 1610. Trata-se de um desenho que apresenta falta de uniformidade dimensional ao longo do tempo, conforme se vê nas imagens a seguir. Por essa razão, preferi não tentar catalogar subtipos. Melhor é destacar as características que se mantêm:

“RR” de CORREIO em diagonal com “R” de CORTE
Legenda inferior BRAZIL.
Diâmetro externo 30 mm

 

A mais antiga carta que possuo é de 23 de agosto de 1852, um comunicado do Presidente da Provincia do Rio de Janeiro [1] enviado pela “Secretaria do Govº da Provª” à Camara Municipal de Paraty. Isenta de porte por ser documento oficial, foi postada em 26. No verso, nota-se em relevo o decalque do sinete (coleção do autor). 

A seguir, carta postada na Corte em 5 de janeiro de 1857 com destino a Rio Grande, RS. Franqueada no verso com numeral vertical de 60 reis, 1º porte do correio de terra (coleção do autor) . As três seguintes são reproduções de fragmento e cartas da coleção K.L datadas de 1860-61.

Notas

[1] Detalhes sobre o político: https://www.researchgate.net/publication/319089452


IMP 4b – carta da coleção do autor adquirida recentemente no exterior postada em 16 de outubro de 1860 e franqueada em 60 rs. Apesar das dimensões semelhantes ao IMP 4a, o carimbo é particularmente curioso por trazer um florão na legenda inferior. Não catalogado no PA.


IMP 5 – tipo catalogado por PA sob o numero 1611, cujas dimensões medidas no catálogo são 23x15mm. Não encontrei exemplares circulados. Anexo fac-simile do catalogo PA.


IMP 5a – o tipo 5a tem dimensões um pouco diferentes do anterior, 22,5x16mm e pequenos florões à guisa de separadores. A maior diferença no entanto é a legenda superior grafada em tipologia bastão quebrando o paradigma da tipologia em serifas grossas de todos os carimbos anteriores.  O centro do datador está em branco, ao menos no exemplar da coleção.


Os carimbos “de letras” – PA 1612 (IMP 6)

IMP 6a até 6h: o tipo 6 e suas variantes são os últimos tipos grafados com a legenda Correio Geral da Corte (PA 1612) e circularam de 1862 a 1866 . Eles possuem uma característica peculiar, com letras intercaladas no centro da cruz do datador formando diferentes combinações. O catálogo P.A. não se refere às combinações existentes.

As letras “E” e “I” significam respectivamente Exportação e Importação, ou seja, as seções de entrada e de saída da correspondência, enquanto as letras “M” e “T” indicam Manhã e Tarde, ou seja, os turnos de trabalho das equipes responsáveis. A combinação das letras produzem portanto quatro combinações de pares alfabéticos e duas das letras isoladas “M’ e “T” a partir de 1864. Esses tipos são decorrentes de alterações organizacionais introduzidas pelo Regulamento Interno de 1855 [2].

Se considerarmos também as variações tipográficas que identifiquei, com serifas ou não, teremos 6 subtipos com a legenda “CGC”, além de outros três já com a legenda Rio de Janeiro e portanto catalogados no menu seguinte (agencia 1º. de Março).

> Para mais detalhes, ver menu História Postal, item “carimbos com letras no datador“.

Os quadros abaixo resumem as principais características e imagens (clique na imagem para ampliar).

 


IMP 6 – reprodução do PA 1611. Paulo Ayres o apresenta com o mesmo formato do PA 1612, porem sem letras no centro da cruz do datador. Não encontrei carimbos.

IMP 6a – letras EM (turma Expedição, turno Manhã). A primeira imagem é da coleção P.R.L.C. A segunda é um fac-simile de carta de 1864 para Londres da coleção K.L. As duas seguintes são de cartas para o exterior da coleção do autor endereçadas a Montevidéu e ao Porto, ambas de 1863. Também anexo, carimbo sobre selo vertical de 60Rs de 1862.


IMP 6b – letras ET (turma Expedição, turno Tarde) – três fragmentos da coleção do autor com datas 1863 e 1864.


IMP 6c – letras IM (turma Importação, turno Manhã). Note que os carimbos são de recepção. Imagens:
1) Fac-símile de carta endereçada ao Rio de Janeiro (1863, coleção K.L.).
2) Uma interessante sobrecarta  de 1864 postada em Petrópolis (carimbo PA 1396) endereçada ao consulado dos EUA na Capital (coleção do autor). Ambos os carimbos aplicados no verso [1].

 

 


IMP 6d letras IT (turma Importação, turno da Tarde): não encontrei exemplares desse carimbo No entanto, o tipo IMP 7b (legenda superior Rio de Janeiro) possui essas mesmas letras.


IMP 6e: O carimbo tem uma única letra no datador: “M” (turno da manhã). Carta da coleção do autor postada no Rio de Janeiro em 28 de julho de 1865 endereçada a Amparo, Província de S. Paulo.


IMP 6f – O carimbo é similar ao anterior, mas note que, nesta variedade, o “M” tem fonte serifada. Como exemplos, duas cartas semelhantes postadas em 1864 no Rio de Janeiro com destino a Montevidéu (coleção do autor).


IMP 6g e 6h: as imagens de fragmentos mostram uma sutil diferenciação: a letra “T” no centro do datador é serifada no tipo 6h e bastão no 6g.

O tipo 6h foi o último a utilizar a legenda CGC – Correio Geral da Corte devido à edição do Decreto 3.443 de 12 de abril de 1865. Como vemos acima, seus derradeiros carimbos trazem a data fevereiro março de 1866.

No segundo semestre desse ano começam a aparecer carimbos com a legenda Rio de Janeiro. O assunto será tratado em seguida no capitulo “Agencia 1º de março“.


Somente para efeito comparativo, copio aqui os tipos IMP 7a e 7b, com letras “IM” e “IT” respectivamente, que foram emitidos já pela agencia 1º de março.


Notas:

[1]Carta apresentada como exemplo no tipo 6c

Nela, o mais interessante é o destinatário: “Illmo. Exmo. Snr. Gen. J Watson Webb Ministro Americano”. Note que o ano é 1864 e estamos em plena Guerra de Secessão norte-americana (1861-1865). O que faria um general americano no Rio? Veja o documento desse senhor que encontrei  na internet: “Slavery and its Tendencies” de 1856.

A resposta à pergunta sobre o que fazia Gen. Webb no Brasil é curiosíssima e a encontrei no trabalho da mestranda da USP Maria Clara Sales Carneiro Sampaio publicado em 2008.

[2] Regulamento interno de 1852: Seu Art. 1º dizia: Os Empregados (…) serão divididos em quatro Turmas, a primeira encarregada da Importação, a segunda encarregada da Exportação, a terceira da Contadoria e a quarta da Tesouraria. Além disso, acrescentava o Art. 7º, as Turmas da Importação e da Exportação trabalhariam em dois turnos: manhã e tarde.


A apresentação dos tipos do imperio continua no menu “agencia 1º de março”.

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