Cachoeiras de Macacu

MUNICÍPIO DE CACHOEIRAS DE MACACÚ

Origens

As origens desse município, situado nas fraldas da Serra dos Órgãos, remontam à Freguesia de Santo Antonio do Casseribu, instalada em 1612 e elevada à categoria de Vila em 15/05/1679 com o nome de Santo Antonio de Sá. Por algum tempo, ficou conhecida por Vila de Macacu. O local está hoje próximo à divisa com o município de Itaboraí (indicado em legenda azul no mapa).

Primeira Freguesia do estado, a saga de Santo Antonio de Sá está descrita em detalhe em artigo do menu História Postal. Clique aqui para conhecê-la.

Cachoeiras de Macacu

A partir de 1831, uma série de endemias provocou o esvaziamento da sede da vila, que acabou por ser transferida em 06/11/1868 para o Arraial da Santíssima Trindade de Santana do Macacú,  simplificado em 29/09/1877 para Santana do Macacú, e renomeado Santana do Japuiba (10/12/1898).

A sede foi novamente transferida em 27/12/1923, desta vez para a localidade de Cachoeira do Macacu, embora mantendo o nome Santana do Japuíba. Ela virá a ser renomeada Cachoeiras em 31/03/1938. Cinco anos mais tarde, em 31 de dezembro de 1943 recebe a denominação atual, Cachoeiras de Macacú.

AGÊNCIAS POSTAIS DO MUNCÍPIO DE CACHOEIRAS DO MACACU

 

HISTÓRIAS, CURIOSIDADES E IMAGENS SOBRE AS AGÊNCIAS 

ERJ 161 Cachoeira de Macacu (1860)
ERJ 162 Cachoeiras (1941)
ERJ 163 AC Cachoeiras de Macacu (1943)

O município é cruzado pela E F do Cantagalo, Linha 35 neste trabalho. São três as estações em seu território, todas com agencia: Sant’Anna (ERJ 165), Cachoeiras de Macacu (ERJ 161 e Boca do Mato (ERJ 164). Estão apresentadas na sequência.

Imagens da agencia da sede, nas três denominações ao longo do tempo:

ERJ 164 – Boca do Mato

Última estação do município antes da subida para Nova Friburgo, foi inaugurada em 18/12/1873. A agencia foi criada em 28 de fevereiro de 1900.


MRJ 165 – Sant’Anna (1832)
MRJ 166 – Santana de Macacu (1880)
MRJ 167 – Santana de Japuiba (1899)
MRJ 168 – Santana (1941)
MRJ 169 – Japuiba (1943)
MRJ 170 – AGC Japuiba (2000)

A profusão de denominações já prenuncia a rocambolesca história dessa localidade

O Arraial de Santa Anna tem sua origem ligada às rotas comerciais que ligavam a Corte ao interior do estado chegando a Cantagalo às margens do rio Paraíba do Sul. Nascida em território da Freguesia de Santíssima Trindade (B no mapa), seu rápido progresso a elevou a sede do município por algum tempo, como veremos a seguir. O mapa acima é de 1861 e permite visualizar grande parte do rio Macacu no qual o Santa Anna (C no mapa) aparece com destaque [1]

Santissima Trindade

A Capela de Santíssima Trindade foi construída no início do século XVII e elevada a Curato em 1675 (mapa B) [1]. O curato foi elevado a Freguesia por volta de 1736 [2] e anexada a Vila Santo Antonio de Sá, da qual distava cerca duas léguas rio acima (mapa A). Ficava entre dois afluentes do Macacu à margem direita (um deles o Milho) e logo se destacou na produção agrícola, assumindo a liderança entre as freguesias subordinadas a Santo Antonio.

Por outro lado, no início do século XIX o interior do estado se desenvolvia rapidamente e logo conheceria o ciclo do café. Rotas de comércio provenientes de cidades como Nova Friburgo e Cantagalo cruzavam a serra e desciam o vale do Macacu pela sua margem esquerda. Nessa privilegiada posição logística floresceram várias localidades, entre elas Santa Anna (mapa C), Papucaia (G) e o Porto das Caixas (N).

Santana de Macacu 

Um sinal do progresso do Arraial de Santa Anna é a criação da agência postal Santa Anna já em 16 de maio de 1832 [3]. Ao mesmo tempo, tomaram vulto os movimentos políticos que, a partir da década de 1840, pleiteavam a criação de uma nova freguesia independente de Trindade.

Seguiu-se um intrincado processo político e eclesiástico que pode ser acompanhado pela imprensa da época. Em resumo, a Assembleia Legislativa Provincial aprovou em 1850 a formação da Freguesia de Santa Anna mas revogou essa decisão quatro anos mais tarde. Após muita discussão, a AL finalmente chegou em 1856 à decisão salomônica de consolidar as duas freguesias sob a denominação de Santíssima Trindade em Santa Anna de Macacu.

Essa freguesia foi elevada a Vila (município) em 6 de novembro de 1868 com a extinção de Santo Antonio de Sá, cuja sede foi transferida para esse local adotando o novo nome [4]. Em 1877 adotou-se oficialmente o nome de Santana de Macacu pelo qual o antigo Arraial já era há tempos referido.

A agencia postal consta como Santa Anna de Macacu a partir do GP de 1880.

Em 1898 o agora município foi renomeado Santana de Japuíba (IBGE) e a agencia adotou esse nome em 24.3.1899.

Cachoeiras de Macacu

O progresso motivou a construção da E F Cantagalo em 1860. Seu primeiro trecho tinha três estações: Porto das Caixas (Itaboraí), Santa Anna e Cachoeiras sendo esta última no final do trecho navegável do rio (mapa L) [1]. Uma agencia postal foi criada nessa estação na mesma época.

Em 1923, a sede do município Santana de Macacu foi transferida para a povoação de Cachoeiras (L) mas conservando, em mais uma confusão política, o nome de Santana de Japuíba – que só foi alterado para Cachoeiras em 1938. Finalmente, em 1943 o município adota seu nome atual: Cachoeiras de Macacu. As diversas alterações dos nomes das agencias postais ao longo do tempo podem ser acompanhadas na planilha do topo da página.

Santana de Macacu é hoje distrito com o nome de Japuíba e, de Santíssima Trindade, restam apenas as ruínas de sua capela na imagem abaixo [5].

Notas e informações

[1] Mapa de 1861 por Bellegarde. Arquivo digital da Biblioteca Nacional.
Mais adiante no texto comento que o mapa registra em corpo grande , na posição “L”, o anódino nome de “Estação da E. de Ferro”. Bellegarde deveria estar desenhando o mapa nessa época e o nome não deveria ter sido ainda oficializado. Aos fatos:
    • A estação foi referida na imprensa no dia 11.04 como “a estação no Mendonça” (esse nome consta no mapa Bellegarde). Em 23.04.1860 foi inaugurada com a visita do Imperador e a imprensa registrou a parada na “estação da cachoeira” ou “na estação em frente à cachoeira”; Ralph a chama de “Cachoeiras” que é a primeira menção à estação que encontrei (no Correio Mercantil em 1868). Ou seja, na época não havia firmeza.
    • A agencia postal foi criada em nota no dia 12.06.1860 que diz textualmente: “creada uma agencia do correio ‘no ponto’ denominado Cachoeira”. Seria ela chama de Cachoeira? Aparentemente sim, pois há uma nota em 8.11.1860 no “Echo da Nação” sobre nomeação de agente do correio da Cachoeira. Mas o GP de 1880 -primeiro registro oficial – já a nomeia Cachoeira de Macacu.
[2] Visitas Pastorais feitas por Mons. Pizarro em 1794 (cit. F. Galdames, UFF 2007)
[3] Administrações e Agencias do Brasil Imperio 1798-1869 – Nova Monteiro 1934
[4] A informação oficial consta em matéria do Relatorio Ministerial de 1882. Aí há uma tabela com a relação de todos os municípios da Provincia naquela data e suas respectivas datas de criação. Por outro lado, vale acrescentar que o local da extinta Vila Santo Antonio de Sá está hoje em território de Itaboraí em cuja página pode ser vista sua história.
[5] Fonte: Google Maps 2020. Foto de Bernardo Costa.

 


A agencia Santa Anna e seu carimbo histórico

 A literatura filatélica não é clara ao atribuir a origem desse carimbo. Começando por analisar o próprio verbete do PA, vê-se que ele aponta 1866 como a data de emissão da série D. Pedro II sobre o qual foi visto pela primeira vez. No entanto, Bunselmeyer  o apresenta em seu catálogo sobre Olho-de-Boi, conforme reprodução abaixo [6].

Acrescenta ele: “é conhecido o uso postal relativamente frequente dessa emissão até 1848 [7].

Nacionalmente, há somente três agencias que atenderiam às premissas: Santa Anna de Parnahiba (MT) criada em 1848, Santa Anna de Mattos (RN) criada em 1846, além da Santa Anna do estado do Rio de Janeiro que, segundo Nova Monteiro, foi criada em 16 de maio de 1832 [8]. É a única agência “Santana” que consta dos Guia Postais da época no estado do Rio.

Minha opinião é que se trata da agencia fluminense. Para reforçar a hipótese, apresento alguns argumentos sobre a relevância geopolítica da localidade, resumindo fatos já apresentados na matéria anterior.

  • A Vila (Município) de Santo Antonio de Sá foi a primeira a ser criada no estado, estabelecida por alvará régio de 10 de fevereiro de 1647 e elevada à Vila em 1697.
  • A freguesia de Santíssima Trindade foi criada por volta de 1736 e chegou a ser  no sec. XVIII a mais importante da Vila de Santo Antonio de Sá
  • O Arraial de Santa Anna, à margem esquerda do Macacu, nos domínios daquela freguesia, tem origem tambem no sec. XVIII e, estando no margem esquerda do rio Macacu ficava na rota de comércio do interior do estado para a Corte.
  • Em 1832 recebeu agencia postal Santa Anna
  • Em 1850 foi elevada à Freguesia.
  • Em 1860 recebeu uma das tres primeiras estações da E F Cantagalo.
  • Em 1868 foi elevada à município com a transferência da sede da extinta vila de Santo Antonio de Sá [9].
  • No Almanaque Laemmert de 1853 a 1889 pode-se acompanhar menção à agencia na listagem de agencias e os roteiros de malas; neles, a agencia é citada por “Sant’Anna” até 1867 e a partir daí por “Sant’Anna da Santissima Trindade”, possivelmente para diferenciá-la da agencia na estação de Santana em Barra do Piraí (E F D PII) criada em 1864.

O documento abaixo é de 1838 e é a primeira referência à agencia que encontrei na imprensa. [10]

Concluindo, penso que a data de sua criação em 1832, a importância geopolítica da região fluminense na época, sua proximidade à Corte e sua localização em rota de comercio estadual a tornam natural candidata à adoção de um carimbo próprio. (Paulo Novaes, 2019-2021).

Notas:

[6] Catálogo ilustrado dos carimbos sobre olhos-de-boi, página 163, edição do autor de 2017 em Porto Alegre, por Henrique Bunselmeyer Ferreira..

[7] Ibid. pg. xxvii

[8] Artigo ‘Administrações e agencias postais do Brasil Império 1798-1869’. Nova Monteiro, setembro de 1934.Também Guia Postal de 1856 e Relatório dos Correios de 1858 (neste, na Tabella B em anexos há um quadro com as agencias ‘anteriores a 1854’ com âmbito nacional onde encontrei os dados).

[9] Ver artigo sobre Santo Antonio de Sá no menu “Historia Postal > Municípios Extintos” no link http://agenciaspostais.com.br/?page_id=18855

[10] Edição de 1938 da Folhinha Civil e Ecclesiastica (RJ) – 1836 a 1862. Seção roteiro de malas. (Hemeroteca da Biblioteca Nacional).


Carimbos de Santana do Macacu (obs. não possuo exemplares do MRJ 168)

Carimbologia: há controvérsias sobre o local de circulação do carimbo PA 1443. O artigo que está acima reproduz meu estudo sobre esse assunto.


MRJ 171 – Núcleo Colonial de Papucaia (1969)
MRJ 172 – AC Papucaia (1976)

Núcleo Colonial Papucaia: os aldeamentos jesuíticos tiveram grande importância na colonização do território fluminense. O de Papucaia é de 1571. Com o tempo, evoluiu para a Fazenda Nossa Senhora da Conceição de Papucaia, que no inicio do século XVIII  era considerada a maior produtora de mandioca do país. Com a expulsão dos jesuítas em 1749, a fazenda passa para a União. O governo Vargas, através do Decreto 30.077 de 19/10/1951 cria o Núcleo Colonial de Papucaia em terras de propriedade da União, cujos limites podem ser vistos no mapa de 1953 acima. A partir daí a história registra um confuso gerenciamento estatal através de uma sucessão de Institutos agrários.

Vale registrar uma agencia com esse nome que consta em uma nota isolada em 1969 no DOU e uma agencia “Papucaia” que aparece no GP de 1976, ainda ativa.


MRJ 173 – Subaio (1869)
MRJ 174 – Subaio (1887)
MRJ 175 – São Jose da Boa Morte (1887)

Freguesia de São Jose da Boa Morte à margem do rio Guapiaçu (#6 no mapa no topo da pagina) foi criada em 7 de agosto de 1834 com a elevação do Curato em 13 de março de 1759. Durante a febre que atingiu Santo Antonio de Sá, boa parte dessa população procurou este local pela sua salubridade e, reza a lenda, “para ter uma boa morte”.

Pelos mesmos motivos, a Freguesia também entrou em decadência no início de século XX e em 15.10.1906 sua sede foi transferida mais ao norte, para Subaio (#5 no mapa), que já era distrito de Santana de Macacu desde 1892. As ruínas da igreja ainda podem ser vistas na antiga localidade (a imagem abaixo foi publicada no O Globo de 19/03/2017 em matéria de Rafael Galdo).

 A primeira agencia que temos noticia curiosamente se chamava Subaio, criada em 17.03.1869. A nota dos Correios a localiza em Subaio, no “município de Santo Antonio de Sá” (nota da 3a.Secção da DGC publicada no J. Commercio de 20.03).

Sabemos no entanto que Santo Antonio de Sá havia sido extinto em 6 de novembro de 1868. A informação perde um pouco sua credibilidade.

A agencia deve ter fechado, pois o Relatório dos Correios de 1887 informa a criação de outra agencia “Subaio” em 06.06.1887. Porem, poucas semanas depois, o Diario de Notícias e a Gazeta de Noticias trazem ambos na edição de 21.07.1887 uma nota dizendo que “a agencia de Subaio, em Sant’Anna do Macacu, passa a denominar-se S. Jose da Boa Morte.

O que isso quer dizer? Ainda existiria outra Subaio? O local estava errado? O tema continua no próximo capítulo. Tudo por aqui é meio estranho, até mesmo a imagem abaixo. A legenda diz Provª do Rio. Provincia? em 1894? É a única que conheço.

 


MRJ 175 – Venda da Ponte (1890)
MRJ 176 – AP Subaio (1943)
MRJ 176A – AGC Subaio (2000)

Sabemos que o distrito teve sua sede mudada para a localidade de Subaio em 1906, o que nos faz imaginar que as agencias “Subaio” a partir de 1943 estejam nessa localidade. Mas confesso que não consegui localizar Venda da Ponte em nenhum mapa apesar de os GP de 1906 e 1931 reportarem as distancias. É um tema que ainda falta pesquisar. Faltam também imagens.


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