Correio Rural

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como escopo o histórico do desenvolvimento da estrutura logística dos Correios no Município Neutro imperial. Para efeito didático, dividi o trabalho em dois menus principais: o Correio Urbano, que descreve as iniciativas “dentro do perímetro urbano” e este Correio Rural que apresentará as iniciativas nos subúrbios, zona oeste e os limites ocidentais até Santa Cruz.

Relembro que o Ato de 24 de abril de 1798 é o início da organização dos Correios, com a instalação da Administração do Correio da Corte e da Província do Rio de Janeiro, ou seja, de sua primeira agencia postal. No Município Neutro, somente depois de mais 40 anos seriam criadas mais duas agencias, em seus extremos: Paquetá (1841) e Santa Cruz (1842), ambas ainda ativas.

O decreto 255 de 29 de novembro de 1842 introduz o conceito de pagamento adiantado do porte da correspondência, através do uso de selo postal, que por sua vez será inutilizado por carimbo. O sistema sem dúvida simplificava muito a logística dos Correios e foi um marco importante para o estabelecimento do Correio Urbano.

Os decretos e referencias podem ser encontrados no menu História Postal.


AS PRIMEIRAS AGENCIAS – MAPA POSTAL DE 1855

Começo por apresentar o Mapa Postal de 1855 que dá o devido destaque às duas primeiras agencias postais da Corte mencionadas na introdução. Nele, saliento Paquetá, local bucólico onde D. João VI esteve por diversas vezes e hoje Patrimônio Histórico e Santa Cruz onde a antiga fazenda dos jesuítas foi escolhida como local de veraneio da família real.

Mapa Postal de 1855 – Biblioteca Nacional

 


LINHAS POSTAIS E AGENCIAS NA ZONA OESTE (1853 – 1887)

Vimos no menu Correio Urbano as decorrências do Decreto de 1844 referente ao desenvolvimento desse serviço, que resultou no comunicado de 17 de fevereiro de 1852 assinado pelo Administrador do Correio Geral da Corte, estabelecendo as primeiras linhas do correio urbano na Corte.

Uma outra decorrência foi o estabelecimento em 1853 de uma linha de correio nas “freguesias mais distantes”. No caso, de Jacarepaguá a Guaratiba na zona oeste do município neutro. Reproduzo abaixo texto do Almanaque Laemmert de 1854:

Em 1857, no mesmo Almanaque, edição de 1858, algumas alterações de roteiro do Correio Rural seriam reveladas:

Novos pontos seriam adicionados a esse roteiro: Realengo (1862) e Várzea – Jacarepaguá (1864). Os mapas abaixo permitem visualizar esses roteiros. Nos mapas ilustrativos abaixo, de diferentes épocas, mas que permitem posicionamento geográfico, adicionei legendas numéricas destacando as agencias postais que seriam criadas nos anos seguintes:

Mapa Postal de 1888 (BIblioteca Nacional) As bandeiras indicam a agencia e sua classe.


 

LINHAS POSTAIS E AGENCIAS NOS SUBÚRBIOS – ZONA NORTE

O mapa postal de 1888 resume o trabalho feito pelos Correios nos anos 1860 e 1870 em incluir as novas regiões urbanas que se desenvolviam nos subúrbios. Parte dessa expansão demográfica deve muito ao processo de implantação de uma extensa rede ferroviária ligando a Corte à região suburbana, à baixada e à cidades dos demais município do Estado. Muitas de suas estações receberam agências postais e constituíram polos em volta dos quais muitos bairros surgiram.

Os números em vermelho que adicionei ao mapa mostram as agencias, descritas na tabela abaixo. No mapa original pode-se ver as “banderinhas” que identificam agencias e suas respectivas classes.

Mapa postal de 1888 – Biblioteca Nacional

Embora a maioria dessas agencias estejam de fato próximas às linhas, há exceções que passo a descrever. Uma vez que Paquetá já foi abordada na introdução, vou começar por Campinho. Vejam o que dia a Wikipedia:

“No cruzamento da Estrada Real de Santa Cruz (que são, atualmente,a Estrada Intendente Magalhães e a Rua Ernani Cardoso) com a Estrada de Jacarepaguá (atual Rua Cândido Benício) e a Estrada de Irajá (atual Rua Domingos Lopes), havia um local onde os viajantes descansavam, próximo a um campo onde havia uma feira de gado – o “Campinho”. No século XVIII, foi aberta uma hospedaria que Tiradentes frequentava, quando vinha ao Rio de Janeiro. Nas suas imediações existia pequena fortaleza, onde foi erguida uma capelinha (atual Igreja N.S. da Conceição).”

Essa posição logística privilegiada tornou o lugar importante ponto de passagem das linhas do correio para a Zona Oeste. Aliás, não só logística como estratégica, uma vez que no local foi construído em 1822 o Forte de Nossa Senhora da Glória do Campinho (hoje em ruínas).

Outra agencia a destacar nesse contexto é a Ilha (do Governador). Seu desenvolvimento teve forte impulso após a implantação em 1838 de linha de barcas que ligou a Freguesia ao centro da cidade. A agência é de 1874.

Deodoro, antiga Sapopemba, vale ser mencionada pela sua importância como entroncamento ferroviário. Estação original da E.F. D.Pedro II, de lá sai a linha de Mangaratiba (ligação com a Zona Oeste) e também a ligação com a Linha Auxiliar através do Ramal de Honório Gurgel. A agencia é de 1865.


UM POUCO DE HISTÓRIA

A integração da Zona Oeste tem seu marco com a Estrada de Santa Cruz, também conhecida por Caminho Imperial, que ligava o Paço de São Cristóvão à Fazenda Imperial de Santa Cruz. Coincidentemente, eu estava terminando de escrever este capítulo quando O Globo publicou matéria sobre o tema na edição de domingo 16 de setembro, que reproduzo parcialmente abaixo (clique na imagem para ampliar).

Reportagem de Renan Rodrigues, mapa da Editoria de Arte

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