Itaborai

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MUNICÍPIO DE ITABORAÍ

Um dos mais antigos municípios fluminenses, Itaboraí tem suas origens ligadas a uma capela fundada em 1597 e dedicada a São João Batista. A freguesia de São João de Itaboraí foi estabelecida ali em 18 de junho de 1696. Em 15 de janeiro de 1833 foi criado o município, mantendo esse mesmo nome, simplificado mais tarde para Itaboraí, quando a vila foi elevada a cidade em 16 de janeiro de 1890.

AGÊNCIAS POSTAIS

CURIOSIDADES, HISTÓRIAS E IMAGENS SOBRE AS AGÊNCIAS


ERJ 464 – ITABORAÍ e ERJ 468 – ITAMBI

  1. A região de Itaboraí no baixo Macacu

Começo por apresentar a região de Itaboraí no baixo curso do Macacu onde assinalei em vermelho as principais povoações objeto desta matéria. Escolhi o mapa de 1830 [6] acima pela clareza de seu desenho e a representação da importância de cada povoação na época. Todas estão atualmente dentro do município de Itaboraí.

  • Em (A), a pioneira Vila de Macacu ou Vila de Santo Antonio de Sá criada 5.08.1697 [7], cuja área abrangia na época os municípios de Itaguai e Cachoeiras de Macacu.
  • Em (N) o povoado de Porto das Caixas elevado a Freguesia em 1856 e destinado a ser o mais importante porto da região;
  • Em (T) a freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Tamby (ou Itambi) criada em 29.01.1755
  • Em (F) a Vila Nova de São José d’El-Rei, criada em 1722, sucessora da Freguesia de S. Barnabé apresentada acima.
  • Em (E) a Freguesia de Taboraí, criada em 18.01.1696 e que viria a ser elevada a Vila de Itaborahy em 15.01.1833.

 

  1. O Aldeamento de São Barnabé [1]

Os aldeamentos eram aldeias indígenas constituídas sob a tutela jesuíta. Resultado de parceria da Companhia de Jesus, em sua missão de catequização, e a Coroa, em seu interesse de proteger o território vizinho à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro de ataques estrangeiros e de tribos hostis [2]. O primeiro deles foi o de São Lourenço em 1568 [3] cuja origem ficou ligada à fundação de Niterói.

O Aldeamento de São Bernabé ou Barnabé foi fundado em 26 de agosto de 1579 na região do rio Cabuçu, tendo-se transferido em 1584 para as margens do Rio Macacu [3]. Em 1759 com as reformas pombalinas São Barnabé tornou-se Freguesia e em 1772 foi elevada à Villa Nova de São José d’El Rei. Foi o único aldeamento do Rio de Janeiro a obter esse status [4].

É interessante notar que os aldeamentos ocorriam simultaneamente à concessão de sesmarias, títulos de propriedades rurais onde se originavam engenhos e fazendas. Nestas eram construídas capelas, em torno das quais se formavam povoações que, com o crescimento, eram elevadas a Curato, recebendo um cura residente e, com o progresso, elevadas a Freguesias e Vilas. Um exemplo é a vizinha e pioneira Vila de Santo Antonio de Sá, objeto de artigo de História Postal neste site.

O aspecto postal será tratado no capítulo seguinte.

 

  1. A Vila Nova de São José Del Rei

A Vila Nova de São José Del Rei (F) foi criada em 1772 [8] com a elevação da Freguesia de S. Bernabé. Não teve vida muito longa. Com a criação da Vila de Itaboraí (E) por decreto de 15.01.1833, S. José foi extinta e seu território a ela incorporado [9].

Correio. A agência postal que aí funcionava foi também extinta “por já não ser necessária” em 26.03.1835, sendo desconhecida a data de sua criação. A nota ainda esclarece que São João de Itaborahy deve ser comunicada, pois nessa vila está localizada. Cabe ainda registrar que essa vila tem agencia criada em 28.08.1829.

O decreto não menciona a Freguesia de S. Barnabé, mas esta deve ter permanecido ativa pois encontrei em vários jornais referências a ela nas tabelas “Partidas dos Correios” no roteiro para Cantagalo publicadas de 14.03.1834 até 3.01.1842 [10]. O roteiro menciona tambem S. João de Itaborai, Santo Antonio de Sá e Santa Anna – clara indicação da rota para Cantagalo pelo vale do Macacu.

Correio. O fato de constar do roteiro não é garantia que tenha existido uma agencia postal em S. Barnabé, embora todas as demais citadas a possuíssem; mas, convenhamos, se houvesse agência, por que teria sido extinta a agencia S. José em 1835 “por não ser mais necessária”? Isso posto, para fins de registro decidi incluí-la na planilha de agências, sem indicar datas.

Uma pista do que virá a seguir vem com a sessão de 16 de julho de 1834 do Parlamento Brasileiro onde se lê representação da Camara Municipal de Itaborahy para que (..) a igreja matriz de Itamby se mude para a de S. Bernabé “no lugar da extincta villa de S. Jose de El-Rei”. Sem decisão.

A próxima é da sessão da Presidencia da Provincia de 24 de julho de 1835 publicada no Correio Official de 24.07.1835 (…) para remover as Imagens e Alfaias da Parochia de Tamby, em ruína,  para a Igreja da Freguesia de S. Bernabé.

 

  1. Itambi (do tupi-guarani Ita+Mbi “a pedra em pé)

A próxima informação que encontrei sobre o local está na transcrição da sessão da Assembleia Legislativa Provincial de 31.10.1836 [12] discutindo o projeto que propõe, em seu Art. 1º, a extinção da Freguesia de N. S. do Desterro de Tamby. Esse artigo é aprovado.

Na sequência apresenta-se várias propostas sobre destino “dos povos da extincta Freguesia”: a elevação do “Curato dos Indios” a Freguesia N. S. do Desterro; “reunir os povos na Freguesia de S. Bernabé” ou no Porto das Caixas, ou ainda metade em Itaborahy e metade na Freguesia de S. Barnabé. A sessão é suspensa para que se estude a melhor alternativa. Infelizmente não encontrei a sequência da discussão em sessões futuras.

Do exposto, depreende-se que a antiga Freguesia N. S. do Desterro de Tamby foi extinta e sua sede transferida para o local da extinta Vila de S. Jose d’El Rei [11].

O Anuário Geográfico 1964/5 do Rio de Janeiro (IBGE) reforça essa tese ao descrever o histórico do Distrito de Itambi no Município de Itaboraí (reprodução abaixo).  No segundo parágrafo ele cita a Lei provincial nº188 de 4/05/1840 que extinguiu a antiga Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Tambi (de 1755) e criou uma nova com o mesmo nome mas sem o Tambi. É aliás exatamente o que rezava o Art. 1º do projeto de 1836 que vimos anteriormente.

Resumindo o artigo do IBGE, fica criado em 1840 o distrito de N. S. do Desterro subordinado a Itaboraí. Confirmado em 1892, o distrito aparece em 1911 já com o nome de Itambi, depois Vila Nova (1933), Vila Nova de Itambi (1937) e finalmente voltando a Itambi (1938), seu nome atual como 3º distrito.

A agencia postal Desterro do Itambi é de 1862 renomeada Vila Nova do Itambi em 1874 e finalmente Itambi em 2000 (fechou em 2006).

A estação ferroviária Vila Nova do Itambi é de 1873.

O nome Tamby (ou Itambi)

Analisando acima a história do nome do distrito, nota-se dois nomes que resistiram ao longo do tempo: Vila Nova e Itamby.  Tamby aparentemente teria sido abandonado como se vê no IBGE, mas em 21.04.1846 sessão da AL decide pela criação “de uma escola de primeiras letras na extincta Villa Nova de S. José d’El-Rei, hoje Freguesia de Tamby, pertencente ao município de Itaborahy” [13]

O mapa abaixo é de 1866 [14] . Note a localização e o nome: Itamby/Villa Nova.

 

Fontes:

[1] Carta Topographica de Manuel Vieira Leão, 1767 (Biblioteca Nacional, RJ)
[2] “Os jesuítas, os índios e a capitania do Rio de Janeiro: usos e sentidos do espaço”. Tese de Eunícia B.B. Fernandes (Professora de Pos-Graduação da PUC-Rio) apresentada no XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011.
[3] http://www.pensario.uff.br/node/120
[4] http://www.puc-rio.br/pibic/relatorio_resumo2009/relatorio/his/livia_u.pdf
[5] Guia Postal ou Boletim Postal da Diretoria dos Correios
[6] Mapa de 1830 Lithographia Schlicht (Biblioteca Nacional, RJ)
[7] Santo Antonio de Sá tem sua história contada em detalhe no menu Historia Postal – Municípios Extintos
[8] Corographia Brazilica ou Relação historico-geografica do Reino do Brazil, do padre Manuel Aires de Casal, foi a primeira corografia impressa no Brasil, no ano de 1817. (Wikipedia)
[9] Coleção de Leis do Imperio, 1833
[10] Partida dos Correios, Freguesia de S. Bernabe – imagem do J. Commercio de 15.03.1834

[11] O local da freguesia extinta é hoje conhecido por Visconde de Itaboraí. Ele recebeu uma estação ferroviária em 1874 com esse nome.
[12] Transcrição da sessão da AL na edição de 2.11.1836 do J. Commercio
[13] Transcrição da sessão da AL na edição de 21.04.1846 do J. Commercio
[14] Mapa de 1866 Laemmert & Cia (Biblioteca Nacional RJ)

 


ERJ 487 – O MUNICÍPIO DE SANTO ANTONIO DE SÁ (hoje extinto)

As ruínas do convento de São Boaventura é o que restou do povoado.

Em 1567 foi erigida às margens do Rio Macacu a capela de Santo Antonio . O povoado foi elevado a Curato em 1612 e a Freguesia pelo alvará régio de 10 de fevereiro de 1647 com o nome de Santo Antonio do Caceribu. Foi primeira a se estabelecer na baixada fluminense. Em 5 de agosto de 1697 foi elevada à Vila, com o nome alterado para Santo Antonio de Sá.

O município foi extinto  em 1875 e sua tumultuada história está contada em detalhes neste site no menu Historia Postal. Clique aqui para conhecê-la.

É de lamentar que minha coleção não contenha um único carimbo desse município.


ERJ 491 – SÃO FRANCISCO DE SÁ

Tenho somente fragmentos sobre a localização dessa agência. O fato que as datas de criação e fechamento – ambas em 1896 – constam claramente nos respectivos Boletins Postais. Considerei a hipótese que o boletim tivesse confundido São Francisco com Santo Antonio de Sá mas, nesse ano, a agencia postal dessa última ainda estava ativa, pois foi fechada somente em 17 de setembro de 1897.

A unica referencia que o buscador encontra com essa nome está em http://viscondedouruguai.blogspot.com/2009/06/ponte-sobre-o-paraiba.html  Desta selecionei o seguinte trecho:

“O Relatório começa informando a instalação da Diretoria de Obras Públicas, criada pela Lei Provincial de 19 de dezembro de 1836, organizada em quatro seções geográficas e chefiada pelo Coronel João Paulo dos Santos Barreto. O detalhamento é feito seção a seção, com grande riqueza de informações e descrições. (…) A terceira seção tinha por limites a fronteira com Minas Gerais, o rio Macacu e os municípios de Niterói e Maricá. Compreendia os extremos de Nova Friburgo, Cantagalo e Itaboraí e mais o de Macacu. O engenheiro Carlos Rivière era seu chefe. As principais obras eram os consertos na estrada de Cantagalo, a ponte do Casseribu, a estrada do Tipoda, em São Francisco de Sá, o canal entre os rios Macacu e Casseribu”.

Por outro lado, na nota 26 do artigo de 1937 intitulado “Vilas Fluminenses Desaparecidas – Santo Antonio de Sá”, de autoria do Dr. José Matoso Maia Forte, consta o seguinte parágrafo:

A viagem a Santo Antonio de Sá faz-se pela estrada tronco norte fluminense até Venda das Pedras. Aí toma-se a estrada para Porto das Caixas e nesse lugar toma-se outra estrada, o Aterrado do Tipotá, e chega-se às terras de uma fazenda que se atravessa para chegar ao outeiro sobre o qual foi construída a vila”.

Da análise dessas referências, parece-me que ambas se referem ao Aterrado do Tipotá, (ver mapa abaixo), ou seja, ao mesmo local geográfico, mas em épocas diferentes: a primeira em 1836 e a segunda em 1937 – ambas distantes de 1896, data da agencia. Permanece o mistério.


ERJ 467B – VILLA NOVA DE SÃO JOSÉ D’EL-REI

  1. O Aldeamento de São Barnabé

Aldeamentos eram aldeias indígenas constituídas sob a tutela jesuíta. Resultado de parceria da Companhia de Jesus, em sua missão de catequização, e a Coroa, em seu interesse de proteger o território vizinho à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro de ataques estrangeiros e de tribos hostis [1]. O primeiro deles foi o de São Lourenço em 1568 [2] cuja origem ficou ligada à fundação de Niterói.

O Aldeamento de São Barnabé foi fundado em 26 de agosto de 1579 na região do rio Cabuçu, tendo-se transferido em 1584 para as margens do Rio Macacu [3]. Em 1759, com as reformas pombalinas, São Barnabé tornou-se freguesia e em 1772 e foi elevada a vila com o titulo de Villa Nova de São José d’El Rei. Foi o único “aldeamento” do Rio de Janeiro a obter esse estatuto [2].

É interessante notar que os aldeamentos ocorriam simultaneamente à criação de curatos e freguesias, estes tendo origens em povoados em torno de capelas erigidas em fazendas que, com o tempo, eram elevadas a Curato, possuindo um cura residente. Um exemplo é o vizinho Santo Antonio de Sá, objeto de artigo de Historia Postal neste site

  1. A Villa Nova de São José d’El-Rei

A Vila Nova de São José Del Rei, além de anexar regiões próximas ao aldeamento que já existia, incorporou também, na última década do século XVIII, a vizinha Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Itambi ou Tambi [4]. Não teve contudo vida muito longa, tendo sido extinta e seu território incorporado à Itaboraí, quando este foi elevado a Vila em 15 de janeiro de 1833 (colecção de leis do Imperio de 1833).

Da agencia Villa Nova de São Jose d’El-Rei só tenho notícias através de uma nota do Correio Official  comunicando sua extinção 23/06/1835 “por ja não ser hoje necessaria” (de fato, o município tinha sido extinto em 1833). Falta-me lamentavelmente a DCA, por supor que seria uma das mais antigas agencias do estado. Não tenho conhecimento de carimbos. Quem sabe um colega?

3. Itaboraí

A Vila de São João de Itaborahy foi composta pela Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Rio Bonito, pela incorporação da Vila Nova de São José d’El Rei e pela Freguesia de São João Batista de Itaboraí, sendo esta última a sede da vila [4].

A agencia postal de Itaboraí foi criada em 28 de agosto de 1829 [5].

 

4. Itambi

Pela Lei Provincial nº 188, de 14-05-1840, é criado o distrito de Vila Nova e anexado ao município de São João de Itaboraí (IBGE); em 1911 o distrito foi renomeado Itambi, nome atual.

A agencia postal de Vila Nova do Itambi seria criada em 12 de abril de 1874 [5].

Fontes:

[1] “Os jesuítas, os índios e a capitania do Rio de Janeiro: usos e sentidos do espaço”. Tese de Eunícia B.B. Fernandes (Professora de Pos-Graduação da PUC-Rio) apresentada no XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011.
[2] http://www.pensario.uff.br/node/120 A Carta Topografica de Manuel Vieira Leão -1767 (Acervo digital da Biblioteca Nacional)
[3] http://www.puc-rio.br/pibic/relatorio_resumo2009/relatorio/his/livia_u.pdf
[4] “A Vila de Santo Antonio de Sá: configuração político-territorial” Tese de Gilciano Menezes Costa, Doutorando pelo Programa de Pós-graduação em História da UFF apresentada no XVIII encontro de história da Anpuh-Rio
[5] Guia Postal ou Boletim Postal da Diretoria dos Correios

ERJ 485 – Porto das Caixas

Embora nunca tenha sido sede de freguesia, sua importância estratégica e econômica a manteve sempre entre as principais localidades de Itaboraí. Sua origem está na construção em 1595 da capela dedicada a Nossa Senhora da Conceição. Essa capela seria substituída em 1718 por uma igreja de grandes proporções. Quando os religiosos abandonaram o Convento de São Boaventura em 1850, a imagem do santo foi trazida para essa igreja. Por outro lado, sua localização estratégica a tornou o ponto de encontro das tropas do interior para embarque em seu porto. Daí deriva seu nome. Em 1856 foi elevado a distrito do então município de Itaboraí e em 1860 foi o local escolhido para a estação inicial da EF Cantagalo.

 

ERJ 489 – Sambaetiba

A exemplo das demais localidades às margens da EF Cantagalo, Sambaetiba se beneficiou da situação logística e sua estação recebeu uma agencia postal em 1897. O Relatório Postal de 1898 já faz referência a uma agencia “Sambaetiba” e o Guia Postal de 1906, bastante detalhado, registra o verbete “Sambaitiba, est.-ag.”

O reconhecimento político veio com a transferência da sede do distrito em 1910, que deixava a histórica Santo Antonio de Sá (foi o seu último suspiro). O registro está no site do IBGE: “em virtude da lei estadual n° 966 de 31 de outubro desse ano (1910) a sede distrital foi transferida para a povoação de Sambaetiba, passando o distrito a ter essa denominação”.

A agência dos correios de Sambaetiba foi desativada em 1999 e substituída por uma AGC – agencia comunitária – que permanece ativa (site dos Correios). Sucessora de uma história que completará em breve 200 anos.

 


Carimbos de Itaboraí

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