Miguel Pereira

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MUNICÍPIO DE MIGUEL PEREIRA

Barreiros, nome primitivo da localidade, teve o nome alterado para Fazenda da Estiva, em 1898, após a construção da EF Melhoramentos.  Em 1918 o topônimo foi alterado para Professor Miguel Pereira. Em 31 de dezembro de 1943 foi criado o distrito de Miguel Pereira, subordinado a Vassouras. Finalmente, o município conseguiu sua independência em 25 de outubro de 1955, mantendo o mesmo nome.

AGÊNCIAS POSTAIS

REDE FERROVIÁRIA

O mapa de 1953 permite visualizar a posição geográfica, apesar de o município ainda pertence a Vassouras (como também Paty).

miguel-pereira-mapa-1953

No menu Correio Ferroviario a Linha 18 (EF Melhoramentos, depois Linha Auxiliar) está também apresentada. Clique para ser redirecionado.


FATOS, HISTÓRIAS E IMAGENS SOBRE AS AGÊNCIAS


ERJ 684 – Marcos da Costa (1896-1898)

Marcos da Costa esteve no trajeto do Caminho Novo da Corte para Minas Gerais no início do século XVIII. Veja mapa mais abaixo.
No Arquivo Público Nacional há referências a várias sesmarias concedidas na região nessa época, entre as quais a de Marcos da Costa da Fonseca Castelo Branco em 1708, antigo almoxarife da Fazenda Real do Rio de Janeiro.

Como se vê ao lado na nota de 03/12/1896 da Gazeta de Petrópolis, a “estrada n. 9” teve seu projeto aprovado em 1896 “do Bomfim ao Bingen em Petrópolis, passando por Marcos da Costa”. Talvez tenha sido essa a razão pela qual a agencia postal tenha sido criada no mesmo ano. É a mais antiga do município (imagem da Gazeta de Noticias de 14/03/1896).

Não possuo imagens de carimbos.


ERJ 674 – Estiva (1897-1929)
ERJ 675 – Prof. Miguel Pereira (1929-1943)
ERJ 676 – Miguel Pereira (1943- )

 

Em verde, o trajeto da Estrada do Comercio em mapa de 1892 com anotações do Autor.

Miguel Pereira (*) é um município situado na divisa entre os antigos territórios das Vilas de Iguassu e Vassouras. Ambos cruzados por rotas comerciais que subiam as serras ligando a Corte ao rio Paraíba e às Minas Gerais. Duas delas passaram por Miguel Pereira e assim serão aqui apresentadas:

O caminho de Pilar (1699-1704)

A antiga ligação da Corte com Minas Gerais era feita por mar até o porto de Paraty e daí subia a serra. Era longa e perigosa, sujeito a ataques de piratas. O chamado Caminho Novo teve o traçado original aprovado em 1699 e ficou conhecido por Caminho de Pilar, por se originar no rio homônimo, em cujas margens estava estabelecida a Freguesia de Pilar.
Garcia Rodrigues Paes Leme, filho do bandeirante Fernão Dias Paes Leme (o famoso Caçador de Esmeraldas), foi encarregado de abrir o novo caminho, concluído em 1704. Passou por Xerém e subiu a Serra do Couto até Marcos da Costa e Paty do Alferes.

Estrada do Comercio (1813-1817)

No início do século XIX mais um caminho cruzaria o município. Conhecido por “Estrada do Comércio”, escolheu o rio Iguaçu como ponto de partida, passando pela Freguesia de Iguassu e cruzando a Serra do Tinguá pela Freguesia de Santana das Palmeiras. Governador Portela e Estiva (futura Miguel Pereira) estariam no seu traçado, que em parte seria utilizado pela EF Melhoramentos.
Os “caminhos novos” serra acima estão apresentados em detalhe no menu História Postal, tema “Estrada Real”.

(*) Miguel da Silva Pereira (São José do Barreiro, 1871 — Miguel Pereira, 23 de dezembro de 1918), foi um médico sanitarista e professor brasileiro, membro da Academia Nacional de Medicina.

***
A Estrada de Ferro Melhoramentos (1898)

Ao final do século XIX, o congestionamento do traçado da linha do Centro no trecho da serra motivou o projeto de uma linha alternativa até Paraíba do Sul. Esse foi o motivo da fundação em 1890 da Cia. Estrada de Ferro Melhoramentos do Brasil. A linha tinha início na estação Mangueira, cuja escola de samba até hoje celebra o nome “Estação Primeira”. Seu traçado no trecho da Serra, obra do engenheiro Paulo de Frontin, foi objeto do bem-humorado comentário do Ministro da Viação: “a Central tem mais obras de arte, mas a Melhoramentos tem mais arte”.

Após subir a serra a partir de Belém, seguia pela região da divisa anteriormente citada, cruzando atuais municípios serranos de Miguel Pereira e Paty do Alferes até se entroncar com a Linha do Centro da EFCB em Werneck, às margens do Rio Paraíba. A tabela no alto da página descreve seu traçado em território de Miguel Pereira. Nessa mesma tabela se nota que a maioria das agencias postais do município estiveram no traçado dessa ferrovia.

Imagens de carimbos da sede de Miguel Pereira


ERJ 679 – Governador Portela (1898 – ) (*)

Falamos dessa localidade em ERJ 674 por ter sido passagem da Estrada do Comercio. A estação foi inaugurada em 1898 e a agencia postal no mesmo ano. É distrito desde 1927 em Vassouras, sendo anexado a Miguel Pereira em sua emancipação.

(*) Francisco Portela (Oeiras, 22 de julho de 1833 — Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 1913) foi um médico e político brasileiro. Governador do estado do Rio de Janeiro entre 1889 e 1891.


ERJ 681 – Conrado Niemeyer, estação (1940-1948)

O nome do distrito deve-se ao coronel do Corpo Imperial de Engenheiros Conrado Jacob Niemeyer que assumiu em 1842 a empreitada das obras de calçamento da Estrada do Comércio.
A povoação cresceu em torno do outeiro de uma igreja inaugurada em 1901. Ela possui a imagem de Santana e o sino que estavam na igreja matriz de Santana das Palmeiras, povoação da serra do Tinguá cuja história está contada a seguir.
O distrito de Conrado pertenceu a Vassouras até 1988 data em que foi transferido a Miguel Pereira, recém elevado a município. Ver também Sertão (ERJ 693) mais à frente. Não tenho imagens.


ERJ 682 – Vera Cruz (1898-1907)
ERJ 682 – Vera Cruz (1908-1943)
ERJ 683A – AGC Vera Cruz (1999 – )

A estação foi construída no século XVIII em terras da Fazenda Santa Cecília (antiga Nossa Senhora da Piedade de Vera Cruz), que é uma antiga fazenda de café de arquitetura neoclássica. Teve vários proprietários entre os anos de 1788 e 1848, quando Francisco Peixoto de Lacerda Werneck (futuro Barão do Paty do Alferes) a herdou e a recompôs. Ela pertenceu à família Werneck até o ano de 1891. não tenho imagens de carimbos.


Sant’Anna das Palmeiras [2]

Para continuar com a descrição das estações de EF Melhoramentos, será necessário fazer um parêntese e relembrar a história dessa antiga Freguesia em Nova Iguaçu. Criada em 8 de outubro de 1855 (IBGE) era um importante entreposto do café proveniente do vale do Paraíba. Instalada na serra do Tinguá, na rota da Estrada do Comércio (ver mapa acima), seu território abrangia a serra até a divisa com Vassouras (Miguel Pereira só existiria em 1955 – um século mais tarde) e sua área era a maior entre todas as freguesias que compunham a vila de Iguassu – o equivalente a um terço de todo o seu território.

Pode-se imaginar que houve disputa nas divisas pelo controle dos territórios próximos às rotas de comercio. O mapa de 1921 acima [1] tem claras pistas sobre isso. Destaquei a divisa municipal com uma linha azul desenhada sobre a marcação do mapa original, cujo significado consta em sua legenda:

• (- – – – -): divisas municipais
• (………): divisas municipais duvidosas (o grifo é meu)

O trecho duvidoso trata-se de um desvio na linha do divisor de águas da serra na direção da bacia do rio de Sant’Anna, onde se localizavam duas povoações importantes: Santa Branca e Bomfim. Ambas, mais (Sant’Anna das) Palmeiras, estão também sinalizadas em azul no mapa e serão protagonistas de uma série de notas do DGC, mudando agencias de local, que descreverei a seguir.

A decadência da freguesia de Palmeiras começou com a perda de importância da Estrada do Comercio com a  concorrência das ferrovias. A própria sede do município de Iguaçu, porto de entrada da rota de comercio, foi transferida em 1891 para Maxambomba, estação da EFCB.

A agencia postal de Santana das Palmeiras, que existia desde 1857, foi transferida em 15 de julho de 1892 para a localidade de Santa Branca das Palmeiras (fig.1) e, numa sucessão em menos de 30 dias, para Livramento das Palmeiras (fig. 2) e depois para a Ponte da Estrada de Bonfim (fig. 3), já então uma estação da Melhoramentos.

Vale salientar que, como se lê nas notas ao lado, a documentação dos Correios, todas publicadas no DOU [3], deixa claro que todos os locais citados, ou seja, Santa Branca das Palmeiras, Livramento das Palmeiras  e Ponte da Estrada de Bonfim, estavam no município de Iguaçu e na freguesia de Sant’Anna das Palmeiras.

 

 

 

As próximas informações estão na página de Nova Iguaçu do IBGE:

  • Pela Lei Estadual n.º 1.634, de 18-11-1919, o distrito de Santana das Palmeiras passou a denominar-se Santa Branca
  • Pela Lei Estadual n.º 1.799, de 08-01-1924, o distrito de Santa Branca passou a denominar-se Bonfim

Ou seja, o que os Correios registraram em 1892, o Estado confirmaria 30 anos depois: a sede do antigo distrito de Santana está agora em Bonfim.

Mais tarde, o Decreto-lei Estadual n.º 1.056, de 31-12-1943 traria novidades:

  • Desmembra do município de Nova Iguaçu os distritos de (…) e Bonfim para formar o novo município com a denominação de Duque de Caxias.
  • Distrito criado com a denominação de Miguel Pereira, com áreas desmembradas do distrito de Governador Portela, subordinado ao município de Vassouras.

Esse decreto-lei é extenso, mexendo com vários municípios; eu não consegui examiná-lo para ver se explica essas mudanças na divisa. Mas o fato está registrado no mapa de 1953, que mostra que Vassouras adquiriu grande parte do antigo distrito de Nova Iguaçu e agora domina os contrafortes da serra do Tinguá quase até o local da antiga Sant’anna de Palmeiras.

Elevado à categoria de município com a denominação de Miguel Pereira, pela lei estadual 2.626 de 25-10-1955, desmembrado de Vassouras. Sede no antigo distrito de Miguel Pereira. Pela lei estadual nº 3494, de 04-12-1957, é criado o distrito de Conrado e anexado ao município de Vassouras, com terras desmembrada do distrito de Sacra Família do Tinguá.

Atualmente o município é constituído de 3 distritos: Miguel Pereira, Conrado e Governador Portela.

Esse tema está coberto também em outra matéria deste site no menu Historia Postal item Municípios Extintos/Vila de Iguaçu.

***

Fechando este longo parênteses explicativo, vou continuar com a relação das agencias; todas as abaixo têm relação com o texto acima.

ERJ 868 – Sant’Anna das Palmeiras
ERJ 685 – Santa Branca das Palmeiras (15/07/1892 – 21/07/1892)
ERJ 686 – Livramento das Palmeiras (21/07/1892 – 09/08/1892)
ERJ 687 – Ponte da Estrada do Bomfim (09/08/1892 – ca.1904)
ERJ 688 – Ponte do Bonfim (ca. 1904 – 09/03/1935)
ERJ 689 – Ponte do Bomfim (04/09/1936 – 14/01/1941)
ERJ 690 – Bonfim (14/01/1941 – ca. 1963)
ERJ 691 – Santa Branca, estação (1897-1902)

Notas:
• Bonfim foi renomeada Arcadia em 25 de agosto de 1945.
• Em Santa Branca a linha atravessava o rio Santana. A ponte metálica ainda pode ser visitada. Na imagem vê-se uma placa na entrada que diz “Mirante de NS de Aparecida. Bem-vindo a Santa Branca”. Resumindo o que já foi dito acima, o local teve uma agencia por poucos dias em 1892. A estação foi inaugurada em 1898 e teve uma agencia postal de 1897 a 1902 instalada na estação. Santa Branca foi também sede de distrito (1919-1924) em Nova Iguaçu, transferida de Santana das Palmeiras.
• Livramento das Palmeiras não consegui localizar.


ERJ 693 – Sertão (1899-1952)
ERJ 694 – Conrado (1952-2002)
ERJ 694AA – AGC Conrado (1999- )

Já falamos sobre a origem do nome Conrado na ERJ 681 mais acima.


ERJ 696 – Paes Leme, estação (1910-1936)
Essa agencia foi transferida para a localidade de Ponte do Bonfim e deu origem à ERJ 689.

ERJ 696A – AGC Cilandia (No extremo sul do município, há uma menção única em 1999)

ERJ 697 – CDD Miguel Pereira


Notas

[1] Mapa Augusto Guignon, Rio de Janeiro 1920-22. Imagem Hemeroteca da B.N.

[2] Texto extraído do menu Nova Iguaçu neste site.

[3] datas das publicações no DOU; Fig1 – 15/7/1892; Fig2 – 22/07/1892; Fig3 – 10/08/1892.


 

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1 pensou em “Miguel Pereira

  1. O carimbo de Conrado é um primor de criatividade… provavelmente essa “ilustração” jamais foi autorizada. Abraço Victor.

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