Carimbologia

 AGÊNCIAS POSTAIS E CARIMBOLOGIA

APRESENTAÇÃO

CARIMBOLOGIA (ou MARCOFILIA)

Ainda no Brasil colônia, muito antes do selo postal, carimbos já eram utilizados para franquear a correspondência, sendo conhecidos como pré-filatélicos. Destes, os mais representativos são os “grafados” (nome do local ou da agência), com ou sem cercaduras. O período pré-filatélico não é objeto deste trabalho mas foi amplamente estudado pelos primeiros carimbologistas, sendo pioneira a publicação do catálogo clássico de Paulo Ayres em 1937 sobre os carimbos do Império.

CARIMBOS DO IMPÉRIO

Essa situação alterou-se significativamente com o Decreto 255 de 29 de novembro de 1842, que, entre outras importantes medidas, instituiu o porte pré-pago e introduziu os selos postais. Como decorrência, surgem os carimbos mudos e os diversos tipos de carimbos circulares. A história dos carimbos neste trabalho tem início com este decreto.

Os primeiros carimbos com datador foram utilizados nos selos postais pioneiros, os famosos Olhos-de-Boi, a partir de agosto de 1843, e traziam na legenda principal “Correio Geral da Corte“. Cataloguei 5 tipos diferentes, que podem ser vistos diretamente na pagina http://agenciaspostais.com.br/?page_id=14591

Estes foram utilizados até 1865, quando foi sancionado o Decreto 3.443 de 12 de abril. Entre outras coisas, esse novo regulamento extinguia o cargo de Administração dos Correios da Corte, que seria acumulado pelo D.G. dos Correios. Como decorrência, a legenda dos carimbos passou a ser “Rio de Janeiro” e utilizados pela recém-criada agência “Primeiro de Março”. Cataloguei 13 tipos, que podem ser vistos diretamente na pagina http://agenciaspostais.com.br/?page_id=11558

Os mais conhecidos dessa época são os do tipo “carimbo francês”, considerado o primeiro de expressão nacional, sendo utilizado em mais de 300 agências no território nacional. Por isso, o incluí no item carimbos clássicos.

A agência postal Primeiro de Março seria reorganizada a partir de 1881 em 4 “Secções”, também previstas no decreto de 1865. A partir daí, os carimbos passaram a trazer a seção devidamente identificada na legenda inferior até o final do Império. Eles podem ser vistos na página http://agenciaspostais.com.br/?page_id=11505

Para ajudar os que se dedicam aos carimbos do Império, veja no menu Imperio uma tabela-resumo com os tipos circulados até 1889

CARIMBOS REPUBLICANOS

Muitos dos carimbos iniciais do período republicano continuam utilizando tipos do final do império durante as primeiras décadas da república. O único diferenciador entre eles é a própria data de circulação.

Tipicamente circulares, esses carimbos trazem informações sobre a  origem geográfica e a data de postagem. Assim, é possível sua catalogação por cidades e por agências postais. No entanto, a contínua ampliação da malha postal no século XX e a consequente proliferação de agências tornou necessária uma especialização, a bem da precisão. Assim, decidi focar este trabalho no Estado do Rio de Janeiro (o estado do Espirito Santo, acrescentado posteriormente, utiliza basicamente os mesmos tipos).

AGÊNCIAS POSTAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Falar em carimbos implica pesquisar a sua origem, ou seja, as agências postais. São elas que os utilizam para franquear a correspondência em combinação com o selo postal. Se o selo indica o valor do porte, o carimbo acrescenta várias outras informações, como o local e a data de postagem, o tipo de porte, e até o horário da distribuição. Conhecer a história da agência, o local e o período onde ela funcionou é o primeiro passo para um trabalho de catalogação consistente.

O mapeamento das agências postais, que existem ou existiram em algum momento no Município e no Estado do Rio, resultou em mais de 2500 agências listadas entre a capital e o interior. Cada uma delas, naturalmente, utilizou dezenas de carimbos diferentes ao longo de sua existência.

Um capítulo especial foi dedicado ao Correio Central da cidade do Rio de Janeiro, com seus carimbos utilizando com as legendas “Rio de Janeiro” ou “Capital Federal”. Compreende também os correios ferroviário e aéreo.

As imagens dos carimbos, a maioria de minha coleção e outras cedidas por colegas, estão apresentadas por agência. Constitui um extrato da infinidade de modelos e variedades utilizados ao longo da história.

 

SEÇÃO 1 – INTRODUÇÃO À CLASSIFICAÇÃO DE CARIMBOS

Se o primeiro passo é a catalogação das agências, o segundo é a classificação pelo formato do carimbo. Assim, torna-se necessário um estudo de carimbologia que mapeie e classifique os tipos de carimbos utilizados no Estado. É disso que trata este capítulo.

Decidi, para efeito didático, organizar os diversos formatos de carimbos em três grandes períodos, ou eras:

  1. ERA CLÁSSICA (1870-1925)
  2. ERA MODERNA (1926-1972)
  3. ERA CONTEMPORÂNEA (1973-hoje)

Obs.: é útil relembrar que, no período do Império, diversos outros carimbos foram utilizados e estão descritos acima no subtitulo Carimbos do Império.

A era clássica foi caracterizada por carimbos circulares, com datador em três linhas e legenda superior informando a agência postal, estilo baseado nos últimos carimbos do Império.  Foi inaugurada com o tipo “Francês” por volta de 1870, o primeiro a ser usado em todo o território nacional, circulando até 1910 aproximadamente. O ícone do período, no entanto, foi o carimbo circular de 24x13mm (tipo 4) usado sobre a série Madrugada – um dos mais populares tipos da carimbologia.

A era moderna trouxe diâmetros maiores, datas em uma linha e legendas inferiores com BRASIL ou DR-RJ. Ela é inaugurada com o tipo “Avenida” – o primeiro a usar diâmetro interno maior. O ícone deste período pode ser considerado o tipo “Romanos” com formato 30 x 19 mm e datador com o mês em algarismos romanos. Foi utilizado ao longo de 30 anos, tendo sido contemporâneo das mais populares séries de selos regulares: vovó, netinha e bisneta.

 A era contemporânea foi marcada por uma renovação completa nos modelos de carimbos, a começar pelo “D31” (tipo 20). Este não possui círculo interno, tendo o externo  31mm; o mês é grafado em números arábicos. As “orelhas” não são mais usadas. Outra característica desta era é que não foram mais emitidos carimbos pelo Correio Central (ou seja, com “Rio de Janeiro” como legenda superior). O ícone desse período é o tipo “Novo Francês”, um carimbo metálico de boa qualidade largamente usado em todo o país por quase 30 anos. Ele deve seu nome ao uso de um asterisco no espaço dos dígitos de controle, semelhante ao clássico “Francês”.

QUADRO DE TIPOS

As imagens abaixo permitem uma visão panorâmica dos 30 tipos principais. Eles serão apresentados individualmente, em detalhes, nas próximas páginas (acompanhe pelo menu lateral que está organizado seguindo a numeração e os nomes dos tipos abaixo).

Obs.: há alguns tipos do Império nessa classificação. A razão disso é sua utilização em vários estados, tornando-os tipos nacionais. É o caso do já falado tipo francês.

Carimbologia Intro pg1Carimbologia Intro pg2Carimbologia Intro pg3Carimbologia Intro pg4

Tabelas de tipos: nas subdivisões deste menu, além das imagens, vou anexar planilhas com as descrições técnicas de cada tipo ou subtipo. Veja abaixo uma explicação mais detalhada do significado de cada legenda da planilha.

Tipo: um conjunto de características físicas que definem um carimbo. Entre elas, a tipologia e arranjo do datador, os diâmetros, as orelhas e as legendas. Acrescentei uma alcunha a cada um deles para facilitar a referência. Na seção seguinte, ao tratar em detalhes cada um deles, descreverei também os subtipos.

Formato: dimensões em milímetros dos diâmetros externo e interno. Na maioria dos tipos, existem variações, às vezes inúmeras, dependendo do fabricante escolhido; nesse caso, eu indico o range de variação que pode ser encontrado.

Datador: escolhi uma notação simplificadora que tem a forma geral LINHA-MÊS-ANO Exemplos: 1L-R-2 (28 VIII 32), ou 3L-A-4 (22/SET/1947).

  • Os primeiros dois dígitos informam se a data está grafada em uma linha (1L) ou em 3 linhas (3L);
  • No terceiro dígito, a letra A indica o mês grafado em alfabético; a letra R, o mês grafado em algarismos romanos e a letra N o mês grafado em algarismos arábicos.
  • O dígito seguinte representa o número de algarismos com que o ano está representado (podem ser 2, 3 ou 4).
  • Pode haver ainda mais alguns dígitos em situações especiais, antes ou depois da data. Notados como DC, são posições suplementares, ou “dígitos de controle”, utilizados para vários tipos de informação (exemplo: 1L N 2 – DC).

Período: intervalo aproximado das datas de utilização do carimbo. É sempre bom observar que a data inicial é sempre mais precisa que a final, que depende de cada agência.

Geografia: local em que foi utilizado: CRJ (correio central do RJ), MRJ (município do RJ), ERJ (estado do Rio) ou BR (uso nacional).

Referências e Bibliografia

O primeiro Guia Postal publicado tem como título “Administração e Agências do Correio do Brasil em 1856”. Foi publicado no Rio de Janeiro em 1857 por Thomaz José Pinto Serqueira e impresso na Typographia Nicolau Lobo Vianna & Filhos. Em sua primeira parte (“Administração”), estão listadas as 434 agências postais existentes nas 20 Províncias. A segunda parte (“Guia do Correio do Brasil”) traz uma extensa lista de localidades servidas pelo Correio em todo o país.  Infelizmente apresenta muitos erros.

No âmbito oficial, o primeiro Guia Postal foi publicado no Rio de janeiro em 1880 pelo Ministério da Agricultura – a quem era subordinado o Correio – e intitulado “Guia Postal do Império do Brazil – Publicação Official” e impresso na Typographia Nacional. Nota-se o crescimento do número de agências no período, estando aqui listadas 1196 agências postais no território nacional.

Outra fonte de informação importante no Império foi o “Almanaque Laemmert”, publicado entre 1844 e 1889 pela Editora Laemmert no Rio de Janeiro. Está integralmente disponível na internet em fac-símile. Na República, são abrangentes as informações do “Boletim Postal” publicado mensalmente pela Diretoria Geral dos Correios no Rio de Janeiro de janeiro de 1890 ao inicio dos anos 1940.

Dentre as publicações especializadas, consultei o “Catálogo de Carimbos Brasil-Império” de Paulo Ayres, edição 1937, e o “Carimbos Postais Brasileiros – Período Republicano” de Victor A. Petrucci, edição de 2012 (deste último emprestei a classificação dos “Padrões Nacionais”, que acrescento como informação em cada tipo).

 Paulo Novaes

© 2012-2018 www.agenciaspostais.com.br – agosto de 2018

5 ideias sobre “Carimbologia

  1. Paulo
    Dei uma olhada no texto todo. Parabéns, foi um grande avanço no esforço de classificação e proposta de tipos.
    Abraço
    Victor Petrucci

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