Carimbologia

60 AGÊNCIAS POSTAIS, CARIMBOLOGIA E HISTÓRIA POSTAL

APRESENTAÇÃO

“Se os sêlos constituem o corpo, os carimbos são a alma das coleções”
Mário de Sanctis, filatelista

CARIMBOLOGIA (ou MARCOFILIA)

As primeiras coleções de história postal foram formadas no começo do século XX quando estudiosos começaram a manifestar interesse em carimbos e marcas postais, cunhando o termo marcofilia. O estudo dos carimbos se desenvolveu como um ramo paralelo da filatelia mas com o tempo seu foco se expandiu para muito além do selo postal, tanto temporalmente, estudando períodos anteriores ao uso do selo, quanto ampliando seu foco para temas correlatos como rotas postais, taxas, estrutura organizacional, características politico-geográficas e meios logísticos tais como marítimos, aéreos ou ferroviários.

Um pouco de história

Ainda no Brasil colônia, bem antes do selo postal, carimbos já eram utilizados para marcar a correspondência, sendo conhecidos como pré-filatélicos. Destes, os mais representativos são os “grafados” (nome do local ou da agência), com ou sem cercaduras.

O período pré-filatélico não é central ao escopo deste trabalho, primeiro para limitar a abrangência e tambem  por ser um tema amplamente estudado pelos primeiros carimbologistas, sendo pioneira a publicação do catálogo clássico de Paulo Ayres de 1937 sobre os carimbos do Império e pré-filatélicos.

CARIMBOS DO IMPÉRIO

Essa situação alterou-se com o Decreto 255 de 29 de novembro de 1842, que, entre outras importantes medidas, instituiu o porte pré-pago e introduziu os selos postais. Como decorrência, surgem os carimbos mudos e os diversos tipos de carimbos circulares. A história dos carimbos neste trabalho tem início com este decreto.

Os primeiros carimbos com datador foram utilizados nos selos postais pioneiros, os famosos Olhos-de-Boi, a partir de agosto de 1843, e traziam na legenda principal “Correio Geral da Corte“. Esses tipos podem ser vistos diretamente na pagina http://agenciaspostais.com.br/?page_id=14591

Estes foram utilizados até 1865, quando foi sancionado o Decreto 3.443 em 12 de abril. Entre outras coisas, esse novo regulamento extinguia o cargo de Administração dos Correios da Corte que seria acumulado pelo D.G. dos Correios. Como decorrência, a legenda dos carimbos passou a ser “Rio de Janeiro” utilizados pela recém-criada agência “Primeiro de Março”. Cataloguei diversos tipos, que podem ser vistos diretamente na pagina http://agenciaspostais.com.br/?page_id=11558

Os mais conhecidos dessa época são os do tipo “carimbo francês”, considerado o primeiro de expressão nacional, sendo utilizado em mais de 300 agências no território nacional. Por isso, o incluí no item carimbos clássicos.

A agência postal Primeiro de Março seria reorganizada a partir de 1881 em 4 “Secções”, já previstas no decreto de 1865. A partir daí, os carimbos passaram a trazer a seção devidamente identificada nas legendas até o final do Império. Eles podem ser vistos na página http://agenciaspostais.com.br/?page_id=11505

Para ajudar os que se dedicam aos carimbos do Império, veja no menu Império uma tabela-resumo com os tipos circulados até 1889.

CARIMBOS REPUBLICANOS

Muitos dos carimbos iniciais do período republicano continuam utilizando tipos do final do império durante as primeiras décadas da república. O único diferenciador entre eles é a própria data de circulação.

Tipicamente circulares, esses carimbos trazem informações sobre a  origem geográfica e a data de postagem. Assim, é possível sua catalogação por cidades e por agências postais. No entanto, a contínua ampliação da malha postal no século XX e a consequente proliferação de agências tornou necessária uma especialização, a bem da precisão. Assim, decidi focar este trabalho no Estado do Rio de Janeiro (o estado do Espirito Santo, acrescentado posteriormente, utiliza basicamente os mesmos tipos).

Quase tudo que tratei até aqui refere-se aos carimbos manuais obliteradores utilizados para inutilizar o selo e informar a data e o local de postagem. Carimbos mecânicos e franqueadores automáticos serão descritos na sequência.

AGENCIAS POSTAIS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO

Falar em carimbos implica pesquisar a sua origem, ou seja, as agencias postais. São elas que os utilizaram para franquear a correspondência em combinação com o selo postal. Se o selo indica o valor do porte, o carimbo acrescenta várias outras informações, como o local e a data de postagem, o tipo de porte, e até o horário da distribuição. Conhecer a história da agencia, o local e o período onde ela funcionou é por isso o primeiro passo para um trabalho de catalogação consistente.

O mapeamento das agencias postais, que existem ou existiram em algum momento no Município e no Estado do Rio, resultou em mais de 2500 agências listadas entre a capital e o interior. Cada uma delas, naturalmente, utilizou dezenas de carimbos diferentes ao longo de sua existência.

Um capítulo especial foi dedicado ao Correio Central da cidade do Rio de Janeiro, com seus carimbos utilizando com as legendas “Rio de Janeiro” ou “Capital Federal”. Compreende também os correios ferroviário e aéreo.

As imagens dos carimbos, a maioria de minha coleção e outras cedidas por colegas, serão apresentadas por município, por bairro e por agencia. No menu Índice Geral, há uma tabela por legenda dos carimbos.

INTRODUÇÃO À CLASSIFICAÇÃO DE CARIMBOS

Se o primeiro passo é a catalogação das agências, o segundo é a classificação pelo tipo do carimbo. Assim, torna-se necessário um estudo de carimbologia que mapeie e classifique os tipos de carimbos utilizados. É disso que trata este capítulo.

Já comentei sobre os pré-filatélicos. Quanto aos mudos, trata-se de um antigo desdobramento do carimbo entre as funções obliteração – feita pelo carimbo mudo – e datação, feita por um carimbo geralmente circular independente. Sobre esses, há também várias obras que os estudaram em profundidade [1].

Vou me concentrar portanto em duas famílias de carimbos, cuja principal diferença está no modo de aplicação: processo manual no primeiro caso, e mecânico no segundo, que evoluiu até a inclusão da própria franquia, dispensando o uso de selos. Clique para se dirigir à pagina desejada:

Notas:

[1] registro em particular as obras dos filatelistas Paulo Ayres e Klerman Lopes.

 Paulo Novaes, autor e editor

© 2012-2010 www.agenciaspostais.com.br – agosto de 2020

7 pensou em “Carimbologia

  1. Paulo
    Dei uma olhada no texto todo. Parabéns, foi um grande avanço no esforço de classificação e proposta de tipos.
    Abraço
    Victor Petrucci

  2. Prezado Sr Paulo Novaes,

    Conheci seu trabalho através do projeto “SPP Conecta”. Gostaria de externar minha sinceras congratulações e profunda admiração. Seus esforços agregam imenso valor à filatelia brasileira. Parabéns! Também adianto que seus estudos tem sido de grande utilidade para a estruturação e o desenvolvimento da coleção que estou desenvolvendo (“História Postal do Vale do Paraíba Fluminense: dos pré-filatélicos à década de 1930”). Nesse sentido lhe sou muito grato.
    Mais uma vez parabéns por seus esforços e dedicação.
    Cordialmente

    Luciano Cabral

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