Vassouras

MUNICÍPIO DE VASSOURAS

O município de Vassouras foi criado por decreto imperial a 15 de janeiro de 1833 e elevado à cidade em 29 de setembro de 1857. Nessa época, sua capital, polo de comércio e agricultura, era conhecida como “a capital do café”.

Histórico dos distritos de Vassouras (em azul, os quatro atuais)

Vila de Vassouras elevada em 15 de janeiro de 1833, substituindo a Vila de Paty do Alferes, que passa a seu distrito (sede na freguesia abaixo)

  • Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Vassouras (1837)
    • Vassouras (1857) ao ser elevada à cidade
  • Freguesia de São Sebastião dos Ferreiros (1864)
    • Ferreiros (1909)
    • São Sebastião dos Ferreiros (1933)
    • Ferreiros (1936)
    • São Sebastião dos Ferreiros (1966)
  • Pati (1909)
    • Estação do Pati (1933)
    • Pati (1938)
    • Andrade Pinto (1938)
  • Comercio (1910)
    • Sebastião Lacerda (1931)

Antigos distritos desmembrados para formar outros municípios

  • Belém (1892)
    • Macacos (1906)
    • Belém (1909)
    • Paracambi (1933)
    • Tairetá (1938)
    • Desmembrado em 1960 para formar o município de Paracambi
  • Vila do Paty do Alferes criada em 4.9.1820 desmembrada da cidade do Rio de Janeiro
    • Vila extinta em 15.01.1833 com a formação da Vila de Vassouras, da qual passa a ser distrito.
    • Desmembrado em 1987 para formar o município de Paty do Alferes
  • Rodeio (1872)
    • Rebaixado a povoado (1906)
    • Rodeio, distrito restabelecido (1909)
    • Soledade de Rodeio (1943)
    • Engenheiro Paulo de Frontin (1946)
    • Desmembrado em 1958 para formar o município de Engº Paulo de Frontin; de 1960 a 1963 retorna à condição de distrito de Vassouras
  • Freguesia de Sacra Família do Caminho Novo do Tinguá (1750)
    • Vila de Sacra Família do Tinguá (1775)
    • Vila extinta voltando a distrito, anexado à nova Vila de Vassouras (1833)
    • Sacra Família do Tinguá (1909)
    • Desmembrado em 1958 para formar o município de Engº Paulo de Frontin; de 1960 a 1963 retorna à condição de distrito de Vassouras
  • Governador Portela (1927)
    • Desmembrado em 1955 para formar o município de Miguel Pereira
  • Miguel Pereira (1943)
    • Desmembrado em 1955 para formar o município de Miguel Pereira
  • Avelar (1943)
    • Desmembrado em 1987 para formar o município de Paty do Alferes
  • Conrado (1957)
    • Desmembrado em 1987 e anexado ao município de Miguel Pereira

AGÊNCIAS POSTAIS

 

REDE FERROVIÁRIA

> Mapa Laemmert de 1953 com destaque para as ferrovias de Vassouras 

A linha do Centro foi construída entre 1864 e 1868; O mapa e a tabela ferroviária mostrados acima nos permite observar que a maioria das agencias de Vassouras se localizou às margens do rio Paraíba uma vez que o traçado da ferrovia corria na margem direita do rio, em território de Vassouras, com exceção de um pequeno trecho em Valença onde está a estação de Barão de Juparaná (por motivos políticos que estarão destacados nas respectivas estações).

A segunda linha, a Auxiliar, cruzava o território sul do município onde se localizavam outras tantas agencias. Entretanto, com o tempo, toda essa área acabou por se desmembrar de Vassouras formando três novos municípios. Assim, nessa linha restou apenas um pequeno trecho com a estação de Andrade Costa, inaugurada em 1898 já na divisa com Paraíba do Sul.

Por último, uma terceira linha foi construída ligando a Auxiliar e a do Centro e passando por Vassouras, que ouviu o apito do trem em 1914.


HISTÓRIA, CURIOSIDADES E IMAGENS SOBRE AS AGÊNCIAS


Vassouras (Local 1 no mapa)

Vassouras atingiu seu apogeu na década de 1850. A economia prosperava, tornando-se também importante centro cultural; a “Cidade dos Barões” chegou a possuir 25 deles entre seus moradores. A família imperial brasileira, até hoje, tem seus ramos conhecidos como “de Petrópolis” e “de Vassouras”. O mau uso do solo, entretanto, fez com que toda a região tivesse queda de produtividade, o que a levou a um progressivo declínio no cenário brasileiro. Seu centro histórico guarda vestígios da época e é protegido pelo patrimônio histórico (imagem atual do centro).

Um pouco mais de história

> mapa de 1892 com o traçado das rotas comerciais

O desenvolvimento da região de Vassouras está fortemente atrelado às rotas comerciais entre Minas Gerais e a Côrte, que estão descritas no menu História Postal > Estrada Real. Resumindo o artigo, no início do século XVIII o governo central resolveu construir um caminho novo para as minas, já que anterior que partia de Paraty era considerado longo e inseguro. Para tanto, contratou Garcia Rodrigues Paes Leme, filho do famoso bandeirante, que o concluiu em 1704. Assinalado em magenta no mapa, ficou conhecido por “Caminho do Pilar” pois tinha origem nessa freguesia. Outro caminho teve origem com o início do ciclo do café. Com origem no porto de Iguassú, cruzada a serra do Tinguá pela freguesia de Santana das Palmeiras e se entroncava com o anterior em Paty do Alferes. Concluída em 1822, ficou conhecida por “Estrada do Comércio” em verde.

Razões de segurança fiscal dos antigos caminhos motivaram o Intendente Geral de Polícia Paulo Fernandes Viana a contratar Custódio Ferreira Leite, futuro Barão de Airuoca [1] a construir um caminho que, partindo do porto da Pavuna [2], subisse a serra até Vassouras passando por São Sebastião dos Ferreiros. De Vassouras, seguia para o rio Paraíba, que cruzava por Desengano, e subia por Valença até o rio Negro (trajeto da futura EF União Valenciana – ver em Valença). Foi aberta entre 1815 e 1820 e passou a ser conhecida por “Estrada da Polícia” (em roxo).

O sucesso dessa estrada foi um diferencial para Vassouras. Para avaliar, basta saber que em 15 de janeiro de 1833 a sede da Vila de Paty do Alferes, estabelecida em 1820, foi transferida para Vassouras, adotando esse nome. Paty passou a ser seu distrito e só seria novamente elevada à município em 1987, 150 anos depois.

A Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Vila de Vassouras seria criada em 1837, simplificada para Vassouras quando da elevação à cidade em 1857. Sua agência postal foi criada em 17 de setembro de 1832.

Carimbos da sede:

ERJ 1513 – Vassouras (1832-  )
ERJ 1546 – CDD Vassouras (2012 –  )

Carimbos mecânicos da sede:


A estação de Vassouras na EF D.Pedro II (local 2 no mapa)


O traçado da estrada de ferro pioneira na região (E F dom Pedro II, depois E F Central do Brasil) acompanhava o leito do rio Paraíba distante 5 km de Vassouras. Lá foi inaugurada em 1865 a Estação de Vassouras que era ligada à sede por um ramal ferro-carril. A foto acima é do site estaçoesferroviarias.com.br e nota-se que se trata de um prédio de dois andares encimado por torreão.

 

Quando da construção do ramal de Vassouras, em 1914, que interligava a Linha Auxiliar à EFCB, uma nova estação foi erguida no centro de Vassouras.  A nova estação “Vassouras” é considerada uma das mais belas do estado.

A antiga nesse momento foi renomeada Barão de Vassouras. Com o tempo, foi sendo abandonada e hoje, como vemos na imagem atual do Street View, é um fantasma do que foi um dia.

vassouras-estacao

A agência postal junto à EFCB chamou-se Estação de Vassouras (ERJ 1514) criada em 1865. Posteriormente, mudou para Barão de Vassouras (ERJ 1515) para acompanhar a estação. A da cidade, Vassouras (ERJ 1513), foi criada em 1832 muito antes da estação e nunca mudou seu nome.

ERJ 1514 – Estação de Vassouras (1865-1917)
ERJ 1515 – Barão de Vassouras (1917-1963)

 


Sebastião de Lacerda / Demétrio Ribeiro (Local 3 no mapa)


Sebastião de Lacerda é uma estação criada mais tarde na linha, em 1898. Nome homenageava Sebastião Eurico Gonçalves de Lacerda, nascido em Vassouras em 1864. Estudou na Faculdade de Direito de São Paulo e fez carreira política, sendo Ministro de Transportes no governo Prudente de Morais e ministro do STF.

Uma curiosidade é que em 1931 a estação foi renomeada Demétrio Ribeiro mas na mesma data seu antigo nome nome rebatizou uma estação mais à frente na linha, a tradicional Commercio, também em Vassouras.

Demétrio Nunes Ribeiro nasceu em Rio Grande (RS) em 1853. Formou-se engenheiro na Escola Politécnica do RJ e voltando ao RS trabalhou na EF Uruguaiana-Porto Alegre. Fez carreira política, fundou o Lloyd Brasileiro e participou do planejamento de diversas linhas ferroviárias no país. Faleceu no Rio de Janeiro, em dezembro de 1931.

ERJ 1516 – Sebastião de Lacerda (1898-1931)
ERJ 1517 – Demétrio Ribeiro (1931-1963)

Não lhes possuo imagens.


Bacia das Pedras / Itakamosi (Local 4 no mapa)


Uma povoação à margem do rio que teve uma estação que consta dos guias ferroviários de 1953 e 1960 (hoje demolida, restando só a plataforma, bem longa, aliás, como se vê na imagem obtida no Facebook) .

Teve agencia postal, ainda ativa como uma AGC! Tenho registro da agencia “Bacia de Pedras” nos GPs de 1957 e 1963; mais tarde, Itakamosi nos GPs de 1989 e 1992 e, finalmente, como AGC a partir de 2001.

Aliás, Itakamosi em tupi significa Bacia de Pedras. Hoje a simpática localidade fica num entroncamento rodoviário com a BR-393.

Consegui imagens de localização, da parada ferroviária e até da agencia AGC para compensar a falta total de carimbos…

ERJ 1518 – Bacia de Pedras (1957-1963)
ERJ 1519 – Italamosi (1989-1992)
ERJ 1519A – AGC Itakamosi (2001 –  )

 


Ypiranga / Ipiranga (Local 5 no mapa)


Ypiranga é uma das estações originais da linha, a primeira dentro do território de Vassouras. Em 1948 foi renomeada Aristides Lobo, considerado um dos pais da república brasileira. Com a desativação da estação de passageiros pouco sobrou dela (imagem) e o local está em decadência com o fechamento da grande olaria local.

ERJ 1520 – Ipiranga (1865-1963)

 


Concórdia / Teixeira Leite (Local 6 no mapa)


A estação de Concordia é um pouco mais recente, tendo sido inaugurada em 1879, mesmo ano da agencia. Ambas foram renomeadas Teixeira Leite – a estação ca.1925 e a agencia ca.1948. O nome homenageava Francisco José de Teixeira Leite, o Barão de Vassouras.

Quando comentei em Valença sobre a estação anterior da linha, Barão de Juparanã, a única a passar por aquele município ao fazer um desvio da linha, reproduzi o texto do site estacoesferroviarias.com.br que copio novamente s seguir:

Porém, há uma história que diz que a disputa entre os valencianos, comandados pelo Barão de Juparanã, venceram a disputa com os vassourenses, representados pela família Teixeira Leite. O Barão teria vencido a disputa fazendo a linha passar pelo território de Valença tendo doado à E. F. Dom Pedro o terreno para a passagem da linha e a estação. Para comemorar a vitória, deu (à estação) o nome de Desengano por causa da decepção de seus rivais (Aníbal Magalhães)”.

Falando agora sobre Vassouras, reproduzo outro texto do mesmo site: “Dizem que Teixeira Leite, para provar que não guardava ressentimento do Barão de Juparanã, nomeou a estação (já em território vassourense) como Concórdia” (Jorge A. Ferreira, 01/2007)”.

ERJ 1521 – Concordia (1879-1948)
ERJ 1522 – Teixeira Leite (1948-1963)

 


Comercio / Sebastião de Lacerda (Local 8 no mapa)


O nome original “Commercio” indica seu passado como parte de movimentada rota comercial cujo indício é a quantidade de carimbos existentes no final do século XIX, como se vê abaixo. Em 1931 foi renomeada Sebastião de Lacerda ao herdar o nome da estação no local 3 descrita acima. A estação é de 1866, da época de implantação da ferrovia. A agencia postal foi criada alguns anos depois em 1879. Ambas fecharam nos anos 1960. O pequeno movimento local é por ser traçado da estrada Barão de Ipiabas que atravessa o rio pela ponte Sebastião de Lacerda. É sede de distrito desde 1910. O nome homenageia o ministro dos transportes nascido em Vassouras.

ERJ 1523 – Comercio (1867-1931)
ERJ 1524 – Sebastião de Lacerda (1931-2002)

 


Aliança (Local 9 no mapa)


Na época da construção da ferrovia o local chamava-se Arraial do Dias. Passou a ser conhecido por Aliança em função da fazenda homônima, uma das maiores propriedades das redondezas [1]. Foi o nome atribuído em setembro de 1881 à agencia postal e à bela estação da EF D. Pedro II cujo prédio, hoje em ruínas como se vê na imagem [2], reflete a pujança econômica do local na época. O local entrou em decadência no final dos anos 1960 com a desativação da estação de passageiros e da agencia postal. O local é de acesso precário, sendo ligado a Massambará na BR-393 por estrada de terra.

ERJ 1525 – Aliança (1881-1969)

 


Massambará (Local 10 no mapa)


Embora fora do traçado da ferrovia, Massambará está situação privilegiada em rota de comércio, servida hoje pela BR-393 que liga Vassouras a Paraíba do Sul. Foi local de importantes fazendas de café, inclusive a bela São Fernando que ilustra este tópico [3]. Sua agencia postal é de 1921.

ERJ 1526 – Massambará (1921-1963)
ERJ 1526A – AGC Massambara (2001 – )

 


Cazal (Local 11 no mapa)


A data de inauguração dessa estação está listada nos guias ferroviários como 01/10/1867. Achei estranho, pois nenhuma tabela de horários da EFDP2 a menciona até 1875. Em 14/11/1876 temos a portaria do Ministério da Agricultura estabelecendo as tarifas para “a nova estação do Cazal” (imagem ao lado da edição de 15 do Diario do RJ). Data que eu penso ser mais adequada, até por ser do mesmo ano em que a agencia postal foi criada e instalada no mesmo prédio da estação.

Diz o site estacoesferroviarias.com.br que o nome homenageava uma fazenda próxima. Hoje, observando o Google Maps, é um lugar totalmente deserto; é de admirar que aí que tenha funcionado uma agencia postal por quase 100 anos e que se revela pela quantidade de carimbos postais disponíveis.

ERJ 1528 – Cazal (1876-1963)

 


Ubá, Paty e Andrade Pinto (Local 12 no mapa)


No início do século XIX, o ciclo do ouro estava se esgotando e o café despontando como a grande força econômica. Em 1811 a Junta de Comércio do Rio de Janeiro sugeriu a abertura de novo caminho, que ficaria conhecido por Estrada do Comércio [4]. Com origem no porto de Iguassu, atravessando a Serra do Tinguá e passando por Estiva (atual Miguel Pereira), atingiu em 1822 seu destino, o porto de Ubá (atual Andrade Pinto) no rio Paraíba, seguindo em parte o curso do rio Ubá.

A região era importante polo de suprimentos das tropas que desciam de Minas Gerais para Côrte. Nessa época, seu centro era a fazenda Ubá localizada um pouco a jusante no rio Ubá, afluente do Paraiba, de propriedade do Barão de Ubá. Sua história está na nota [5]. Novo impulso foi dado à região com a chegada da EF D. Pedro II, inaugurando a estação “Ubá” em 1867 em cujo prédio se instalaria uma agencia postal dois meses depois. Era o auge do lugar.

Tanto a estação quanto a agencia postal foram renomeados “Paty” em 1886 e “Andrade Pinto” mais tarde. Em 1909 a povoação recebeu a sede do novo “Distrito de Pati”. O distrito seria renomeado Andrade Pinto [6] em 1938 e a estação e a agencia acompanhariam em datas diferentes, conforme se vê na tabela ferroviária no alto da página.

Como se vê no Wikimapia no alto desta matéria (com anotações deste autor), a cidade é hoje bem servida pelas rodovias BR-393 e RJ-125 (Ary Schiavo), esta última ligando-a a Miguel Pereira.

Lembro ainda que existem carimbos semelhantes em Ubá, Minas Gerais. Esses carimbos têm um (C) na legenda inferior.

ERJ 1529 – Ubá (1867-1886)
ERJ 1530 – Paty (1886-1929)
ERJ 1531 – Andrade Pinto (1929-2002)
ERJ 1532 – AGC Andrade Pinto (2001 –  )


Andrade Costa (Local 13 no mapa)


Com a emancipação dos municípios de Paulo de Frontin, Miguel Pereira e Paty do Alferes o traçado da EF Melhoramentos do Brasil, depois Linha Auxiliar, ficou praticamente fora dos limites de Vassouras. Um pequenino trecho o corta pouco antes de entrar em Paraíba do Sul. Próxima à divisa está a estação de Andrade Costa, que homenageia um engenheiro da ferrovia, e foi inaugurada em 1898. A agencia foi criada em 1906 e está ativa como AGC; o prédio, como se vê na imagem do Google Maps, está totalmente reformado.

ERJ 1533 – Andrade Costa (1906-1963)
ERJ 1534 – AGC Andrade Costa (2009 –  )

 


Ribeirão / Providência (Local 14 no mapa)


Não é fácil localizar esse povoado. Além da imagem do mapa postal de 1930 acima, o GP de 1931 a coloca a 7 km de Paty e o mapa de 1953 às margens do rio Ubá. É o local 14 no mapa. A agencia é de 1910 (foi criada na mesma data de São Luiz de Ubá – que apresento a seguir – mas não consegui relacionar as duas). Também não consegui exemplares.

ERJ 1535 – Ribeirão (1910-1943)
ERJ 1536 – Providencia (1943-1963)
ERJ 1537 – AGC Povidencia (2000-2002)

 


São Luis de Ubá (Local 15 no mapa)


O local também está no mapa postal de 1930 e no GP de 1931. No entanto, este tem uma longa história que descrevo na nota [7]. A família Gomes Ribeiro de Avellar, principalmente com os irmãos Paulo e Quintiliano, desenvolveram respectivamente as fazendas São Luiz e da Boa Sorte.

Resumindo a longa história que está na nota, os herdeiros de Paulo venderam em 1870 a fazenda São Luiz à João Barbosa dos Santos Werneck, que a renomeou São Luiz de Ubá. Sua filha Francisca Adelaide, casada com João Gomes dos Reis, a herdou em 1874 (veja seu obituário publicado na Gazeta de Notícias em 3 de abril de 1910 ao lado, citando a “capela da Fazenda de São Luiz de Ubá”). Já os herdeiros de Quintiliano, falecido em 1888, enfrentaram dificuldades econômicas e as fazendas foram a leilão sendo arrematadas pelo mesmo João Gomes dos Reis em 1891. Com as propriedades unificadas, a fazenda passou a ser conhecida por São Luiz da Boa Sorte. A imagem ao lado é do necrológio de Francisca Adelaide em 1910 ‘na fazenda São Luiz de Ubá’.

A agencia postal do local foi criada em 1910 com o nome de “São Luiz”, conforme Boletim Postal dessa data. No entanto, já aparece no Guia Postal de 1914 como “São Luiz de Ubá”. Não tenho o registro oficial da mudança do nome.

ERJ 1538 – São Luiz de Ubá (1910-1943)

Não lhe possuo exemplares.

 


Ferreiros / São Sebastião dos Ferreiros (Local 16 no mapa)


São Sebastião dos Ferreiros é a mais antiga sede de distrito de Vassouras, datando de 1864. Situado em rota comercial, seu nome deriva das oficinas de reparo das ferraduras dos animais e foi se alternando entre as duas versões do nome diversas vezes ao longo da história. Situada na ampla “Praça da Matriz” a singela igreja homônima da imagem acima é de 1907 segundo a placa no alto do edifício (imagem Google StreetView).

ERJ 1540 – São Sebastião dos Ferreiros (1867-1941)
ERJ 1541 – Ferreiros (1941-1985)
ERJ 1542 – São Sebastião dos Ferreiros (1985-2001)
ERJ 1543 – AGC São Sebastião dos Ferreiros (2001 – )

 


Vargem do Manejo / Vargem Grande do Manejo (Local 17 no mapa)


O Wikimapia assinala em amarelo a localidade de Vargem do Manejo que, como se vê, ficou dividida entre os municípios de Vassouras e Paty do Alferes quando da criação deste, sendo que a estrada Miguel Pereira a Vargem do Manejo (marcada em “B”) coincide nesse trecho com o limite entre os municípios (como está na lei que o criou).

O wikimapia assinala também a “histórica fazenda de Vargem do Manejo” no local que marquei com “A”. O resumo a seguir é do site ecoviagens.com.br que traz informações sobre esse local que julgo pertinentes:

“Sesmaria fundada em 1743 às margens do Caminho Novo do Tinguá, aberto em 1728, tem sua casa-grande datada de 1753. Foi grande produtora agrícola e nos anos 1800 foi utilizada para adestramento das tropas de Caxias que atuaram na Guerra do Paraguai (…)”.

Sobre as agencias postais: criada como “Vargem do Manejo” em 1887 segundo nota na publicação Novidades em 8/10/1887 cujo texto informa que a agencia foi transferida da localidade de S. José da Rolinha (esse local fica à margem da mesma estrada no município de Miguel Pereira – ver ERJ 677). A partir do GP de 1914 a agencia passa a ser referida por “Vargem Grande do Manejo”.

Cabe ainda registrar a agencia “Quartel da Vargem” que aparece no mapa postal de 1888 indicando o trajeto de sua mala através da estação “Commercio” em Vassouras. Sobre ela registrei informações do site Ecoviagens que postei no parágrafo anterior.

ERJ 1544 – Vargem Grande do Manejo (1887-1963)
ERJ 1545 – Quartel da Vargem (1888)


Notas e Informações


[1] Fazenda Aliança

O texto a seguir é um resumo das informações do site do Instituto Cidade Viva, que a descreve em seu cadastro. “Segundo historiadores locais, seria a antiga São José das Nogueiras, conforme registro de 1856 em nome da família Werneck, sobre a qual falamos na página de Paty do Alferes, entre outras. Não se sabe por que ou quando seu nome foi alterado, mas, como sabemos, a estação já tem esse nome em 1881. Na década de 1950 foi adquirida por Júlio Avelino de Oliveira que se dedicou à criação de cavalos Mangalarga; a propriedade continua com seus descendentes”.

[2] Foto de Ralph Giesbrecht, estacoes ferroviárias.com.br

[3] Fazenda São Fernando

O texto a seguir é baseado nas detalhadas informações do site do Instituto Cidade Viva, que a descreve em pormenores em seu cadastro – e que tentarei resumir.

“O capitão Antônio Luis dos Santos, nascido em 1772 em Sacra Família, filho de José Luiz dos Santos, português pioneiro no cultivo dessas terras. Em 1769, casou-se com Luísa Maria Angélica, uma das filhas do capitão Ignacio de Souza Wernek. Desse casamento, nasceu Fernando Luis dos Santos Werneck, fundador da Fazenda São Fernando, que rapidamente se expandiu.

Com o falecimento de Luísa Maria em 1825 , Fernando Luis casou-se com Jesuína Polucena. Desta união nasceram 12 filhos, que se tornaram figuras de proeminência na sociedade local. Junto com eles, Fernando Luís impulsionou a propriedade, que nos anos 1850 atingiria seu apogeu, contando com 87 mil pés de café, cujos lucros propiciaram melhorias nas construções. Fernando Luis faleceu em 1850, aos 54 anos e, a essa altura, a fazenda já estava formada.

Sua esposa Jesuína Polucena contraiu novas núpcias com o Dr. João Arsênio Moreira Serra, espanhol de Leão, naturalizado brasileiro. Homem culto, ele preocupou-se com a educação dos enteados e introduziu melhorias e novos hábitos de vida na fazenda, dotando-a inclusive de uma biblioteca, além de investir em melhores condições de vida dos seus escravos. Em 1855 faleceria Jesuína, que teve enterro nobre na Vila de Vassouras, e em 1865 seria a vez de João Arsênio.

O declínio da produção cafeeira já se fazia sentir e os herdeiros logo a venderam. Após passar por vários proprietários, na década de 1980 o médico Pedro Alberto Guimarães e sua esposa, Astrid Monteiro de Carvalho, residentes no Rio de Janeiro, adquiriram a Fazenda São Fernando e a expandiram com terras de propriedades vizinhas bem como constituíram uma empresa que é hoje sua proprietária. Encontra-se atualmente em excelente estado de conservação”.

[4] Estrada do Comércio, ver http://agenciaspostais.com.br/?page_id=23002

[5] Fazenda Ubá

O texto a seguir é baseado nas detalhadas informações do site do Instituto Cidade Viva, que a descreve em pormenores em seu cadastro e que tentarei resumir.

“O fazendeiro José Rodrigues da Cruz em 1801 vende para seu sobrinho João Rodrigues Pereira de Almeida [7] sua participação na Fazenda Pau Grande e se transfere para as margens do Paraíba onde funda a Fazenda Ubá, às margens do rio Ubá, afluente do Paraíba.

As terras de Ubá se estendiam pelo Vale e tornou-se um importante polo de suprimentos das tropas que faziam o percurso entre a Côrte e Minas Gerais. O profícuo trabalho de Cruz não duraria muito. Ele vendeu em 1806 a Fazenda Ubá a seu sobrinho, João Rodrigues Pereira de Almeida, que construiu a bonita casa-sede como lá está até hoje. João também foi um dos precursores no cultivo de café e pela repercussão de seu sucesso recebeu de D. Pedro I o título de Barão de Ubá em 1828.  Era um homem de estudo e sociedade. De fato, lê-se na obra de Saint-Hilaire sobre Ubá:

Durante a minha estadia no Brasil não tive em parte alguma dias tão felizes. Eu fazia longas excursões nas florestas e, às margens do rio, entregava-me ao trabalho’.

Com sua morte do Barão em 1830 a fazenda passou a seu filho, José Pereira de Almeida, que lá residiu e cultivou café até sua morte em 1874. Foi, portanto, o senhor do estabelecimento durante o auge do ciclo do café. Durante todo o século XX, a fazenda pertenceu a uma empresa agrícola, a Companhia Centros Pastoris, que durante anos teve como titular Armênio Rocha Miranda. Na década de 1970, passou a José Luiz de Magalhães Lins e sua esposa Nininha, que reformaram a casa-grande com total respeito às características originais.“

 

[6] José de Andrade Pinto, antigo subdiretor da ferrovia, foi o engenheiro responsável pela construção em 1907 da Ponte dos Marinheiros sobre o Canal do Mangue no Rio para a passagem da Linha Auxiliar. Há uma lenda em torno dessa ponte, cujo projeto tinha fatores inovadores para a época. Diz-se que Andrade Pinto teria se suicidado às vésperas da passagem do primeiro comboio ferroviário pela ponte com medo de haver falhas no projeto. Na verdade, ele foi colhido nos trilhos por uma locomotiva poucos dias depois da inauguração; testemunhos provaram ter sido um acidente. A foto acima é da matéria especial de cinquentenário do evento na revista Manchete em 1957, conforme registra o site estacoesferroviarias.com.br (imagem abaixo)

 

[7] Fazendas São Luiz e Boa Sorte

O texto a seguir foi resumido de várias fontes, entre as quais o Instituto Cidade Viva, fonte da imagem da fazenda, e o site bomtempo-turismo.com.br, que publica uma extensa biografia das famílias envolvidas. É um texto longo.

“A história começa em 5 de maio de 1788 quando os irmãos Antônio Ribeiro de Avellar e José Rodrigues da Cruz unem-se ao cunhado Antônio dos Santos e criam a Sociedade Avellar & Santos. No entanto, em 1794 falece Antônio Ribeiro, um dos três sócios. Sua esposa Antônia Maria da Conceição assume o inventário auxiliada pelo seu genro Luiz Gomes Ribeiro, e se muda para a fazenda de Pau Grande [8], mesmo sem concluir o processo. Luiz era um competente gestor, já enriquecido pela mineração em Minas Gerais, casado com Joaquina Matilde de Assumpção, filha de Antônio Ribeiro.

Preocupados com a possibilidade de um longo processo de inventário, os dois sócios restantes resolvem em 1797 vender suas respectivas quotas para Luiz Gomes Ribeiro. O casal Matilde e Luiz teve dois filhos, Maria Izabel de Assumpção (1808), futura baronesa de Paty do Alferes, e Paulo Gomes Ribeiro de Avellar (1809) futuro Barão de São Luiz. O casal resolve em 1817 deixar Pau Grande e se mudar para a Fazenda Guaribu onde tiverem mais um filho, Quintiliano Gomes Ribeiro de Avellar (1819).

O ano de 1835 encontraria os irmãos Paulo e Quintiliano Gomes Ribeiro de Avellar instalados respectivamente nas fazendas vizinhas ‘São Luiz’ e ‘Boa Sorte’. Isso porque seu pai, Luiz, já havia anos antes feito testamento em favor dos filhos com essas áreas já demarcadas. Ele faleceu em 1839.

Em 1846, já casado com Dona Feliciana, Paulo finaliza a construção do casarão e aplica na fazenda ‘São Luiz’ toda experiência adquirida na administração das terras e bens da família, que logo desponta como uma das maiores produtoras de café. Moderno e ligado às novidades da capital, Paulo é dos primeiros a introduzir máquinas a vapor para beneficiamento do café. A São Luiz passa a ser referência. Paulo seria também vereador por várias legislaturas. Faleceu em 1870. Sua esposa, D. Feliciana, decide vender a fazenda a João Barbosa dos Santos Werneck, que a renomeia ‘São Luiz de Ubá’ para diferenciá-la de outra fazenda dos Werneck.

O futuro Coronel Quintiliano casou-se e gerenciou a fazenda Boa Sorte cuja casa-grande recebeu diversos melhoramentos. Faleceu em 1888. Os negócios iam mal e três anos depois os bens da família foram a leilão, sendo arrematados por João Gomes dos Reis. Este era casado com Francisca Adelaide Werneck, filha de João Barbosa que, como dissemos no parágrafo anterior, havia comprado a São Luiz de Ubá em 1870. Com isso, em 1891 pela primeira vez ambas as fazendas estavam sob a direção de um mesmo casal, João Gomes e Francisca Adelaide. É neste momento que as fazendas reunidas passam a se chamar ‘São Luiz da Boa Sorte’.

João Gomes dos Reis era um afamado jogador e namorador contumaz, pelo que se conta de histórias em Vassouras. Diz-se que namorou e procriou com várias das empregadas de suas fazendas. Sabemos ainda que a propriedade foi vendida em 1942 pelos seus herdeiros. Atualmente, a fazenda pertence ao Conselheiro do Tribunal de Contas da Cidade do Rio de Janeiro Nestor Martins Rocha, que vem realizando trabalhos de recuperação do conjunto arquitetônico.

 

[8] A fazenda Pau Grande aparece também na página de Paty do Allferes, na estação de Avellar, onde são mencionadas figuras da família Ribeiro de Avellar. Lá há também uma imagem dessa fazenda, bem conservada, que é um primor.

 


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