T04 – Clássico

 TIPO “CLÁSSICO”

O tipo clássico é provavelmente o mais conhecido e colecionado de todos os carimbos. Seu estilo tem círculos duplos concêntricos e data em três linhas, com o ano alfabético.

Diretamente derivado dos últimos formatos usados no Império, ele é encontrado sobre as primeiras emissões de selos regulares da República, tais como Cruzeiro, Cabecinha, Tintureiro e, principalmente, a Madrugada, a mais clássica delas. Os quatro primeiros subtipos mencionados abaixo são dessa época, de 1889 ao final dos anos 1910.

Com variações de tipologia, continuou sendo usado ainda nas emissões seguintes, tais como Próceres, Alegorias e Vovó.

O tipo clássico, abrangendo todos os subtipos mencionados, circulou por um período de quase 50 anos. Assim, é natural que existam uma infinidade de pequenas variações, sempre bastante difíceis de serem classificadas. Para facilitar o colecionador e evitar excesso de detalhes, limitei o numero de subtipos às características facilmente reconhecíveis, tais como o numero de dígitos do ano, a existência de orelhas, ou o período de circulação. São eles:

O Subtipo [4a] (Padrão Nacional BR-03): circulou logo nos primeiros meses da República com o ano grafado em dois dígitos até 1899. Alguns desses carimbos já circulavam com o mesmo estilo no último ano do Império. Veja um exemplo na coleção, na 3ª. Secção EXP (CRJ 048) datado de fevereiro de 1889. Há uma grande variedade de legendas inferiores, notadamente os ferroviários e a designação das “secções” emitentes. No início de 1890 encontrei a primeira menção do estado entre parênteses (“RIO DE JANEIRO”).

O Subtipo [4b] (Padrão Nacional BR-04): é similar ao anterior, mas a data passa a ser grafada em quatro dígitos a partir de 1900, o que traz ligeiras modificações no desenho. Circulou principalmente no interior do estado.

Os subtipos a seguir parecem não ter tido circulação nacional:

O Subtipo [4c] semelhante ao T[4a], mas com orelhas. É de todos o menos comum, até porque circulou só até 1899. Foi utilizado basicamente pelo Correio Central do DF.

O Subtipo [4d] análogo ao T[4b], porém com orelhas como principal característica. Circularam somente na Capital Federal e – raramente – em Niterói. As orelhas são utilizadas principalmente para acrescentar mais uma informação, o turno no qual foi feita a distribuição. Não tenho notícia de outras capitais brasileiras que as tenham utilizado nessa época. Ele foi utilizado até, aproximadamente, 1908, quando começou a circular o T[4f], geralmente sobre a série Próceres. Vale no entanto uma observação: a partir de 1908, tipos com orelhas começam a alterar seu formato, aproximando-se do Clássico II, onde deveriam estar de fato classificados. Eu não fiz isso para não criar mais um subtipo, o T[4f] com orelha, para acomodar poucos exemplares. Quem tiver curiosidade, pode pesquisar na coleção, na 3ª. Secção a partir do nº50 e na 4ª. Secção a partir do nº68.

Os três últimos subtipos têm algumas características próprias:

Subtipo [4e] “Clássico em uma linha” é em tudo semelhante aos anteriores, com a particularidade de ter a datação em uma única linha. Só foi utilizado (até 1899) em duas secções do Correio Central do DF e raramente em outras capitais do Brasil.

O subtipo [4f] “Clássico II” tem como ponto de convergência o período de uso, a partir de 1910, quase simultaneamente com a emissão Próceres. Traz pequenas variações de tipologia e formato, tendo circulado principalmente até o final dos anos 20, embora existam exemplares até os anos 1940. Outra particularidade é nunca ter utilizado orelhas. Nem sempre é fácil fazer a distinção para o subtipo seguinte.

O subtipo [4g] “Legendas Grandes” tem como característica um espaço de mais de 7mm para as legendas (diferença entre os raios dos círculos externo e interno) e usa família e tamanho de corpo que a preenche totalmente. Seu período de utilização é muito similar ao [4f] e às vezes é difícil fazer a distinção. A partir de 1920 começam a aparecer exemplares onde o nome do estado na legenda inferior está grafado entre florões, pontos ou espaçadores ao invés de parênteses. Petrucci os classifica separadamente, como Padrão Nacional BR-05. Neste trabalho, eu os confundo com o tipo [4g].

O subtipo [4h] “Legendas Grandes com orelhas” é idêntico ao anterior, mas tem orelhas. Ele só apareceu no uso como carimbo ferroviário ambulante.

TIPO 4 “CLÁSSICO”
Subtipos Øext Øint Datador Orelhas Geografia Período
Tipo 4a 22 a 26 12,5 a 15 3L-A-2 sem MRJ-ERJ-BR 1889-99
Tipo 4b 23 a 29 12,5 a 15 3L-A-4 sem MRJ-ERJ-BR 1900 -10
Tipo 4c 24 13 3L-A-2 com MRJ 1889-99
Tipo 4d 23 a 28 13 a 15,5 3L-A-4 com MRJ 1900-30
Tipo 4e Data uma linha 23 a 26 15 1L-A-2 com MRJ 1891-99
Tipo 4f Classico II 23 a 28 12,5 a 16 3L-A-4 sem MRJ-ERJ-BR 1910-48
Tipo 4g Leg Grandes 26,5 a 29 13 a 14 3L-A-4 sem MRJ-ERJ-BR 1910-50
Tipo 4h Idem c/OR 27 a 28 12,5 a 13 3L-A-4 com AMB 1926-28

Carimbologia T4a

Carimbologia T4b

Carimbologia T4h

Comentários sobre o quadro acima:

T[4a]: selecionei exemplares para mostrar a grande variedade de formatos no diâmetro externo existentes nessa série. Começo com um exemplar da 3ª.S com 21,5×12,5mm; depois, o clássico 24x13mm da 4ª.S; segue o Engenho de Dentro com 25x15mm, fechando com o MP da 5ª.S com 29x15mm.

T[4b]: a clássica legenda (E.do RIO) e a rara (E.do R.de Janº)

T[4c]: Legenda “RIO DE JANEIRO”, o primeiro tipo com orelha, circulado nos primeiros dias da República; legenda “CAPITAL FEDERAL” na 2ª.S e a rara legenda superior  “D.FEDERAL” na 7ª.S

T[4d]: um tipo bem comum da 5ª.S; um exemplar “SUCCURSAL” de 27x15mm, formato muito usado por todas as Sucursais do DF e por ultimo um exemplar com legenda “CAPITAL FEDERAL”.

T[4e]: selecionei exemplares das duas secções que os utilizaram, a 1ªS. e a 5ªS. Note que há dois formatos: 25x15mm e 23x15mm, este último utilizado por ambas.

T[4f]: pela dificuldade em descrever as diferenças, preferi selecionar exemplares de agências onde fosse possível comparar com o [4b]. De qualquer modo, a maneira prática é identifica-los pela data (ou pelo selo, já que o 4b circulou até a série Madrugada).

T[4g]: as imagens mostram exemplares típicos. No entanto, as variações de diâmetro podem torná-los semelhantes aos do tipo anterior.

T[4h]: imagens dos exemplares conhecidos do correio ambulante.

© www.agenciaspostais.com.br – julho de 2013 (revisado fevereiro de 2014)

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