Ecoporanga

ECOPORANGA TN

ECOPORANGA

O distrito de Ecoporanga foi criado em 29 de dezembro de 1953 com terras desmembradas de Barra de São Francisco e incorporado ao então município de Joeirana. Disputas políticas pelo controle da região (vide município de Joeirana abaixo) levaram a sede de Joeirana a ser reinstalada em Ecoporanga em 12 de janeiro de 1955.  Embora essa data seja oficialmente considerada como a de formação do município, o ato oficial do governo com alteração de nome só seria publicado em 16/10/1956. Ver mais abaixo matéria sobre o Contestado.

Município de Joeirana: o distrito de Joeirana foi criado em 31/12/1943 e desmembrado de Barra de São Francisco em 24 de dezembro de 1948 formando o município de mesmo nome. No entanto, situado em região disputada pelos estados de Minas Gerais e Espirito Santo (o chamado Contestado), levou à formação e incorporação do distrito de Ecoporanga em 1953.

Com sua antiga sede ocupada por autoridades de MG, decidiu-se transferi-la para o distrito de Ecoporanga. Nesse momento, o município de Joeirana, com sede em Ecoporanga, compunha-se dos distritos de Ecoporanga, Cotaxé, Novo Horizonte, Joaçuba e Joeirana. Pouco tempo depois, no entanto, ato do governo do ES de 16 de outubro de 1956 renomeou o município como Ecoporanga. Por força do acordo sobre o Contestado em 1963, o distrito de Joeirana passou para MG, sendo incorporado pelo município de Ataléia. Curiosamente, o IBGE ao descrever a história política desse município, não menciona Joeirana nem o Contestado.

Histórico dos distritos:

  • Ecoporanga (1953) subordinado a Joeirana. Elevado a município em 1955.
  • Joeirana (1955)
    • desmembrado e transferido para Minas Gerais em 1963
  • Cotaxé (1955)
  • Joaçuba (1955)
  • Novo Horizonte (1955)
    • não consta da relação de 2011
  • Imburana (1976)
  • Santa Luzia do Norte (1976)
  • Santa Terezinha (1995)
  • Muritiba (2011)
  • Praia dos Baianos (2011)

Planilha de agencias postais:


HISTÓRIA, CURIOSIDADES E IMAGENS

O Contestado (1900-1943) [1]

As divisas com Minas Gerais ao norte do estado sempre foram objeto de controvérsias. No início do século XIX assinou-se o acordo conhecido por “Auto de 1800” cujo texto apresentava dubiedades que permitiam grandes diferenças de interpretação. No início do século XX, a chegada da ferrovia Vitoria a Minas ao Rio Doce em 1906 e a construção da ponte em Colatina sobre o rio em 1928 [2] impulsionaram a colonização da região ao norte e os confrontos se tornaram mais explícitos.

Em 1904 os governos do ES e MG haviam assinado um acordo de divisas abrangendo todo o território ao norte do rio Doce até a divisa com a Bahia, estabelecendo como divisor a serra dos Aimorés. Isso gerou confusão pois as partes não atentaram para a existência de dois maciços com essa denominação. Entrementes, a fronteira agrícola mineira começou a descer os rios em direção ao mar, de encontro à expansão dos colonos vindos de Colatina, cujo território chegava até Barra de Itabapoana ao norte (em violeta no mapa Moraes abaixo).

A violência se exacerbou a partir da década de 1940 quando o Contestado sofreu grande explosão demográfica, quando fazendeiros e grileiros chegaram à região e, por meio de jagunços e pistoleiros, buscavam a posse das terras pela violência, com a participação das guardas estaduais. Tal situação alcançou maior notoriedade na área do atual Ecoporanga, onde a luta camponesa apresentou contornos mais brutais.

Finalmente, em 17 de setembro de 1963, os governadores de ambos os estados assinaram um acordo de divisas definitivo que permanece em vigor [3].

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Para analisar o efeito das alterações de divisas trazidas pelo acordo, fiz uma superposição das divisas do mapa atual sobre o mapa Moraes de 1944. Os municípios que estiveram dentro da nona do contestado estão assinalados com um ponto azul correspondente à posição de suas respectivas sedes. Destes, quatro foram formados em terras de Barra de São Francisco e portanto foram afetados diretamente pelo acordo de divisas. São eles Ecoporanga, Agua Doce do Norte, Mantenópolis e, evidentemente,  o atual Barra de São Francisco.

Apesar das imperfeições dos mapas (e do meu traçado manual), dá para notar que o acordo de divisas impactou quase exclusivamente o antigo território de Barra de São Francisco (em laranja no mapa).

Notas e informações

[1] Bibliografia: tese de mestrado de Leonardo Z. Foletto (UFES, Vitoria 2019); matéria do Diário Digital Capixaba de 23/02/2021 e mensagem apresentada ao Congresso Legislativo do Estado do ES pelo Gov. Moniz Freire em 1903.

[2] A famosa ponte de Colatina sobre o rio Doce (Ponte Florentino Avidos, governador do ES entre 1924 e 1928) foi construída dentro do projeto da EF Norte do Rio Doce que pretendia ligar Colatina a São Mateus, passando por Nova Venécia. Esse último trecho foi de fato construído entre 1924 e 1929 e ficou conhecido como EF de São Mateus. Mas o restante da linha não se viabilizou e a estrada só avançou por 7 quilômetros e parou. Os trilhos da ponte foram arrancados e recobertos por tábuas de modo a permitir (e incentivar) a ocupação dos territórios ao norte.

[3] Matéria do J. Commercio RJ publicada nessa data.

 

Agencias Postais


Ecoporanga – Local 1 do mapa


EES 451 – Ecoporanga (1963 – )

 

Não possuo imagens das demais agencias, basicamente AGCs localizadas nas sedes dos respectivos distritos.

 


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