Paquetá

Paquetá é um arquipélago no fundo da baía de Guanabara. Ainda no século XVI recebeu duas sesmarias, doadas por Estácio de Sá, em territórios que a dividiram em duas partes, norte e sul, sendo a divisa em sua parte mais estreita. Em 1810 seria criada por D. João VI a Freguesia do Senhor Bom Jesus do Monte da Ilha de Paquetá com sede na igreja construída em meados do século XVII na parte sul da ilha. Conta-se que D. João VI era um visitante frequente e se hospedava na casa de um amigo, conhecida como Solar Del Rei e hoje tombada pelo Patrimônio.

A imagem acima, segundo informa o aviso no portão, é da “Casa da Moreninha” de 1812 que – sem nenhuma prova – se arvora como ambientação do livro homônimo de Joaquim Manuel de Macedo lançado em 1844 e considerado o primeiro  romance brasileiro.

A ilha de Paquetá pertenceu ao município de Magé até 23 de março de 1833, quando foi anexada ao município da Corte. Veja o Decreto no anexo [1].

No lado esquerdo do arquipélago vê-se ilha de Brocoió, residência de férias do governador do Estado adquirida em 1944 (Imagem abaixo). Em estilo normando, foi construída nos anos 1930 por Otávio Guinle e atualmente está em desuso. Há um video que mostra a casa ( https://globoplay.globo.com/v/5085917/ )

Lugar aprazível e tradicional ponto turístico, Paquetá tem como curiosidade a proibição total de circulação de veículos motorizados (com exceção dos Correios…).

Quadro de agencias

 


HISTÓRIA E IMAGENS 

A criação da agência em Paquetá em 16 de agosto de 1841 chama a atenção pela inusitada forma com que foi criada. Foi a primeira agencia a ser criada no Segundo Reinado, iniciado em 23 de julho de 1840  com a declaração de maioridade de Pedro de Alcântara. A nota de criação constituiu ato de S.M. o Imperador (através de seu ministro e secretario de estado) e não da estrutura formal do Correio Geral da Corte.

O texto do Ato de criação é incomum por buscar embasamento no artigo 30 do Regulamento de 5 de março de 1829 que reproduzo abaixo:

A leitura do texto me leva a concluir que Paquetá não era considerada “dentro de capital da Província” (apesar de transferida ao município em 1833 como vimos acima). A nota está assinada pelo Senador Candido José de Araújo Vianna, o Marquês de Sapucaí, recém nomeado ministro e secretário de estado dos negócios do Império [2].

Vale também registrar que Paquetá seria a primeira agencia dos Correios a ser criada no Município Neutro depois de mais de 40 anos da agencia Central e numa época em que o projeto de correios urbanos ainda nem engatinhava. Mais um motivo para crer numa subordinação política especial.

Minha opinião atual sobre a agencia é que se tratou um ato para reforçar os laços de subordinação da ilha com a Corte, já que um ato recente (1833) a havia retirado de Magé. Acredito que o texto desse ato apresentado na Nota 1 reforce minha tese.

Há comentários adicionais na agencia MRJ532 em Santa Cruz.

 

MRJ 460 – Paqueta (1841 –  )

O primeiro carimbo tem legenda simples com cercadura. Não consta em PA, mas Koester nos reproduz imagem que revela os resquícios da cercadura. Meu exemplar é reprodução do livro de Bunselmeyer sobre olho-de-boi.

Notas e anexos

[1] Abaixo fac-símile do decreto de anexação de Paquetá ao município do Corte.

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[2] Candido José de Araújo Viana


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