História e imagens dos carimbos aéreos.

 A LEGISLAÇÃO INICIAL

A primeira menção ao transporte aéreo na legislação brasileira aparece no regulamento contido no Decreto de 16 de março de 1921 [1] em seu artigo 162 § 3º: “O transporte de objectos de correspondencia será feito (…) nas linhas aéreas”.

A regulamentação do artigo, no entanto, se arrastou e somente após o Decreto 16.983 de 22 de julho de 1925 [2] o Ministério da Viação emitiria a Portaria de 17 de março de 1927 [3] aprovando as Instrucções (…) para a execução do transporte aéreo de correspondencias postaes” onde são fixadas as taxas dentro do território nacional.

A partir desse momento, o volume de correspondência aérea no Rio de Janeiro simplesmente explodiu. Se em 1927 foram expedidos no D.F. 585 objetos, em 1928 foram 57 mil, em 1929 180 mil, em 1930 322 mil e em 1933 mais de 1 milhão. Em todo o Brasil, nesse último ano, mais de 3 milhões de objetos, num total de 48 toneladas [4].

Selos específicos para o Correio Aéreo tiveram origem em 28.12.1927 quando os Correios relançaram a série de selos oficiais de 1913 com sobrecarga preta “SERVIÇO AÉREO” e novos valores. Em 1929 a série “aeronáutica” já trazia na legenda “Serviço Postal Aéreo”. O Capítulo 8  relata o fim dos selos aéreos.

*

 

Para facilitar a navegação nesta página, preparei um índice geral:

  • Capítulo 1 (AER 1 – 1925) carimbos provisórios dos voos de estudo
  • Capítulo 2 (AER 2 até AER 8 – 1927-1934) início do transporte aéreo oficial através das companhias aéreas particulares.
  • Capítulo 3 (1927-1934) no mesmo período, algumas agencias urbanas foram autorizadas a receber correspondência aérea, usando carimbos próprios

  • Capítulo 4 (AER 9 até AER 25 1930-1971) carimbos do Correio Central
  • Capítulo 5 (1931) C.A.N. Correio Aéreo Nacional
  • Capítulo 6 (1933-1938) a 9ª Secção
  • Capítulo 7 (1946-1967) carimbos de agencias urbanas autorizadas. Uma retomada dos tipos
  • Capitulo 8 Encerramento dos selos e carimbos aéreos

 


Capítulo 1 – Carimbos provisórios utilizados pelo Correio Brasileiro (1925)


Tipo AER 01 (1925)

Esse tipo foi usado exclusivamente na postagem de correspondência que seguiu nos voos de estudo da Latecoère no Brasil em 1925.


 


Capítulo 2 – Oficializado o Transporte Aéreo da Correspondência (1927-1934)

 

Com essas “instrucções a título precário” em 17 de março de 1927 fica autorizado o transporte aéreo de correspondencia postal. Várias companhias foram autorizadas a operar no país e a franquear a correspondência em suas agencias comerciais

 

Tipo AER 2 (1927-1931)

O belo carimbo AER 2 tem ao centro um aeroplano estilizado. As primeiras imagens que conheço, gentileza do colecionador Orio Massari, foram postadas entre 31 de maio e 3 de junho de 1927, poucas semanas após a publicação das instruções ministeriais.

O AER 2  original circulou somente em 1927 e tem o datador em formato “americano” mm dd aaaa.

Exemplos de porte: Os carimbos triangulares provisórios da Condor Syndikat datados de 31 de maio de 1927 correspondem a 2$000 de taxa aérea de carta até 20g no percurso até 1500km e os selos no valor de 1$000 referem-se a $200 de porte de carta até 20g mais $800 de taxa expressa. Ambos obliterados por carimbo aéreo do correio central do Rio de Janeiro datado de 2 de junho de 1927.

No segundo envelope, carimbo Condor de 1$300 de porte aéreo de carta até 20g e percurso até 500km datado de 1º de junho e 1$000 de porte de $200 até 20g mais $800 de taxa expressa obliterado em 2 de junho no correio central.

 

O tipo AER 2a (1928-1929) mantém exatamente as mesma dimensões do tipo base AER 2 mas passa a usar o datador “brasileiro” dd mm aaaa que será usado em diante.

  verso

 

O tipo AER 2b (1930-1931) os carimbos mantém os espaçadores “de bolinha” e cresce 1mm nas dimensões.

A partir desse tipo o datador assume o formato “brasileiro” dd mmm aaaa

O tipo AER 2c (1930-1931) tem traços grosseiros, troca o espaçador para um borrão disforme e aumenta em ainda mais 2mm suas dimensões.

Existe ainda uma variante com traços ainda mais grosseiros e dimensões recordes de 46 x 32 mm.

 


Agencias comerciais de Companhias Aéreas

Lembro que os Correios, entre 1928 e 1º de julho de 1934, autorizaram as companhias aéreas precursoras a franquear correspondência diretamente em suas agencias no país. A franquia aérea era cobrada pela companhia aérea e a postal pela agencia central.

Segue a relação das principais companhias que utilizaram carimbos próprios apresentados a seguir. A história de cada uma pode ser vista nos respectivos menus.

Latecoère (1924-1926) Ver menu ao lado

CGA – Aéropostale   (1926-1931) Ver menu ao lado

Air France (1933 – ) Ver menu o lado

ZEPPELIN (1930-1937) Ver menu ao lado

ETA  (1928-1929) Ver menu ao lado

NYRBA  (1929 – 1930) Ver menu ao lado

Panair  (1930-1965) Ver menu ao lado

Pan American (1930) Ver menu ao lado

Condor Syndikat  (1927) Ver menu ao lado

Syndicato Condor (1927-1943) Ver menu ao lado 

VARIG  (1927-2000) Ver menu ao lado

VASP  (1933-2005) Ver menu ao lado


Tipo AER 03 (Aéropostal)

O tipo AER 3 é resultado da autorização dada pelos Correios para o franqueamento da correspondência diretamente nas agencias das companhias aéreas em operação no país. A Cia CGA-Aéropostal foi uma delas, inaugurando assim essa nova era. A CGA havia comprado a precursora Latecoère em 1927 (Ver menu CGA ao lado)

Há dois subtipos:

  1. O tipo 03 é um circular datador cujo layout tem um pequeno sol como separador; sua legenda usa o grafia com AERO e POSTAL separados (1928-1929)
  2. O tipo 03a é tem um enfeite :: como separador e a legenda não é interrompida (1930-1932)

A CGA-Aéropostale utilizou também máquinas franqueadoras em sua loja. O tipo 3A (1931-1934) tem legenda C.G.A. e o tipo 3B (1933-1934) já utiliza a legenda “AIR FRANCE” – empresa criada em 1933 e que adquiriu as operações da Aéropostale.

Tipos franqueadores CGA


Tipos franqueadores Air France

 


Tipo AER 04 (ETA)

A ETA – Empresa de Transportes Aéreos também obteve autorização para usar seus carimbos (e também sua emissão postal) em sua agencias. Ver menu ETA ao lado

As imagens apresentam envelopes postados em alguns de sus voos mais marcantes de sua breve existência. As duas primeiras imagens devem ter sido postadas em agencias dos Correios. As duas seguintes, nas agencias da companhia.



A autorização para o transporte de correspondência aérea pela ETA foi suspensa por nota do DGC publicada no Jusbrasil em 25 de fevereiro de 1930 que comunica “que está suspensa a autorização dada à ETA para executar o serviço postal aéreo (…)”.


NYRBA, PANAIR e PAN AMERICAN

O layout dos próximos três tipos é muito feliz e será usado também no tipo Condor que apresentarei em seguida. As três empresas aéreas tiveram ligação acionária entre si e por isso as apresento em conjunto. Os envelopes estão descritos em detalhe na página das companhias.  Ver menu Nyrba ao lado

Tipo AER 5 NYRBA (New York – Rio – Buenos Aires) 1929

Tipo AER 6 – PANAIR DO BRASIL (1931)

Tipo AER 7 – PAN AMERICAN ARWAYS


Tipo AER 8 (Condor)

Ao contrário das outras empresas citadas até aqui, a Condor terá uma vida longa e será uma das grandes empresas aéreas do país. Seu amplo uso desse carimbo é um amostra do que virá.  Ver menu Syndicato Condor ao lado 

Os parágrafos a seguir são copiados da página da Condor, onde há mais detalhes sobre as imagens de envelopes.

Os carimbos AER 8 do Syndicato Condor (AER 8) seguem o mesmo layout dos AER 5 (Nyrba) AER 6 (Panair) e AER 7 (Pan Am) e também tiveram permissão para obliterar os selos das emissões regulares bem como da emissão particular “syndicato condor” encomendados pela “Syndikat Condor” na Alemanha em 1927.

Diferentemente das anteriores, os carimbos da Condor utilizaram uma linha de pontos como separadores das legendas superior e inferior. Curiosamente, existem 5 subtipos com o número de pontos variando de 3 a 7 (AER 8a a 8e). No caso dos utilizados no Rio de Janeiro, encontrei tipos com 3, 4 e 7 pontos. Já com 5 e 6 pontos, somente em outras cidades. Para ilustrar, também os apresentei juntamente com os do Rio.

Existe ainda um separador em forma de hélice que aparentemente foi utilizado basicamente no Rio (*). Ele está numerado como subtipo 8f. Vale dizer que o de sete pontos também só encontrei no Rio de Janeiro).

(*) Recentemente, o Boletim da SPP (nº 236, dezembro de 2019) publicou um artigo de Wady Nagem Vidal intitulado “Syndicato Kondor” onde ele aborda os tipos Condor. Lá, encontrei menção a Cuyabá também com separador em hélice.

Tipo AER 8a (1928-1930)

Tipo AER 8b (1829-1930)

Tipo AER 8c (ND no RJ)

Tipo 8d (1929)

Tipo 8e (1929-1930)

Tipo 8f (1930-1933)

 


Capítulo 3- O Serviço Aéreo em agencias urbanas autorizadas no DF (1928-1943)


Além da agencia central e das agencias das companhias aéreas que descrevi acima, até 1934 também agumas agencia urbanas foram autorizadas a franquear aéreos.

Em 18 de janeiro de 1928 a Diretoria dos Correios publica resolução [8] autorizando as sete sucursais e algumas agencias urbanas (av. Rio Branco e Copacabana) a receber correspondência aérea da CGA, com distribuição pela 2a. Secção.

Poucas utilizaram carimbos específicos; seguem as três que conheço.


2a. secção do correio central (1930-1932) – CRJ 91

Carimbos obliteradores aéreos aparecem brevemente na 2ª Secção do Correio Central, que na época era a seção responsável pela recepção e distribuição da correspondência aérea (como aliás salientado no próprio comunicado acima).

***

Em 14 de junho de 1929 as autoriza também a receber correspondência da ETA [9] e, em 7 de fevereiro de 1930, da NYRBA [10]. Em 30 de outubro de 1929 a DGC estabelece esse serviço também na agencia da Câmara dos Deputados.

Em 4 de agosto de 1931 a DGC informa que (além das citadas anteriormente) estendeu o serviço aéreo, através da rede de aviação militar, às agencias Estação D. Pedro II, Arsenal de Marinha, Largo Santa Rita, Praça 11 de Junho, Praça 15 de Novembro e Largo da Lapa. A Sucursal Nº 7 fica encarregada da correspondência aérea expressa.

Comunicado semelhante em 9 de setembro de 1931 inclui também a agencia de Botafogo (o que é muito estranho, pois nessa data a agencia Botafogo já tinha dado lugar à Sucursal).

***

Sucursal nº7 (1928-1943)

O uso do carimbo T106 é sintomático por ser este o mesmo primeiro carimbo que o correio central do DF usou (AER 2).

Mas o que realmente chama a atenção é que a Sucursal nº7 foi a única estação postal a continuar a franquear correspondência aérea após a suspensão da autorização às estações urbanas a franquear a correspondência aérea em 1934. Mais estranho ainda é a data de 3/8/1943 do envelope para Fortaleza (quase um FDC), visto que teoricamente a rede de sucursais havia sido desmantelada por volta de 1940.

 

Av. Rio Branco (1929)

Outro exemplo do uso dos carimbos primitivos por agencias regulares. No caso, em 1929.

Esta agência seria novamente autorizada a franquear correpondência aérea a partir de 146. Ver Capítulo 7


Capítulo 4 – Continuação do Correio Central (1930-1960)

O Correio Central é claramente o grande usuário de carimbos aéreos, com dezenas de tipos, muitas vezes difíceis de distinguir. Por isso, preparei um quadro com uma resumo das principais características para ajudar a classificação.

 


Os primeiros dois tipos (9 e 9A) ainda são contemporâneos das empresas privadas, o que explica sua relativa escassez.

Tipo AER 9 (1930 – 1933) 

O envelope de 9/10/1931 endereçado a São Paulo pagou franquia de $200 segundo a nova tabela publicada em janeiro desse ano, e taxa aérea de $350. O carimbo de recepção em São Paulo tem a mesma data e a indicação “Correio Aéreo” na legenda.

O segundo envelope é de 9 de outubro de 1933. Pagou $200 de franquia mais $100 de sobretaxa com um “carrapato” (decreto de 5 de abril desse ano). Taxa aérea de $500 “via Condor”; no verso, há um carimbo tipo AER 8 da Condor com a mesma data (nessa época, cada empresa tem sua tabela própria). O carimbo de recepção em Cachoeira é do dia 11.


 

O tipo AER 9A (1931-1934) tem um elegante desenho cujo layout está catalogodo sob o nº T6 no meu estudo de carimbologia.

Estes foram os últimos exemplares que circularam no mesmo período dos particulares.

O envelope foi postado no Rio em 3 de setembro de 1934 com destino a Curitiba. Porte aéreo e registrado. Nessa época, foi autorizado o uso de selos regulares e aéreos indiferentemente e a sobretaxa havia sido englobada. Também já existia uma tabela aérea unificada. Valores de franquia: 1º porte interior $300; tarifa registrada $400 e tarifa aérea 1$200 (parece-me que foi cobrado indevidamente $200 pelo porte).

 


O MONOPÓLIO DO CORREIO CENTRAL

Relembrando, em julho de 1934 a Diretoria Geral dos Correios desautorizou o franqueamento em agencias urbanas e comerciais e portanto todo o tráfego postal aéreo foi cabalizado para o Correio Central. Por essa razão, aumentou-se o efetivo de pessoal, que foi organizado em turmas ou turnos.

Essa estrutura passará a constar das legendas dos carimbos ampliando assim as informações com o horário de seu processamento.

 

O tipo AER 10 (1932-1935) já apresenta nas legendas a informação de quatro turmas e tem datador com o ano abreviado para 3 dígitos, layout que no meu estudo de carimbologia tem o nº T7 sendo o serviço aéreo o primeiro a utilizá-lo.

1a. Turma (AER 10A)

2a. Turma

3a. Turma

O envelope postado em 3 de agosto de 1932 no Rio com destino a Florianópolis possui o mais antigo carimbo tipo T7 da coleção. Franquia de 1º porte $200 mais taxa aérea de $500 (cia aérea não especificada).

4a. Turma

Envelope postado no Rio de Janeiro em 20.11.1932 com destino a Recife. Franquia de 1º porte $200 mais taxa aérea de $750 em selos aéreos (cia aérea não especificada).

**

O tipo AER 11 (1932-1935) mantém as 4 turmas mas volta a ter o ano grafado em quatro dígitos e traz pela primeira vez “Districto Federal” grafado na legenda inferior.

Tipo AER 11 (1933-1943)

1a. Turma

2a. Turma

O segundo envelope foi postado no Rio de Janeiro em 17.06.1939 com destino a Alemanha pelos serviços aéreo e registrado tem a franquia recorde de 10$800, valor que eu não consegui calcular.

Envelope postado no Rio em 27.06.34 pagou porte aéreo “argentina-uruguai” de 1$200. Fiquei curioso para saber por que havia uma franquia mecânica sobre a qual se colaram selos comemorativos. Por transparência, consegui ler que a franquia era também de 1$200; talvez alguém tenha dito que a mecânica não se aplicava… aí, por garantia… quem sabe?

3a. Turma

4a. Turma


 

O tipo AER 12 (1938-1960) ao invés das turmas inova ao grafar a pomposa fórmula Serviço Postal Aéreo nº1 a nº4

Nº 1

Nº 2

A peça a seguir recolheu franquia de 5$600 através de máquina franqueadora.

Nº3

Nº4


 

O tipo AER 13 (1935-1941) é muito semelhante ao AER 11 mas com duas diferenças. O datador agora está com o mês em romanos e a legenda inferior está abreviada para “D. FEDERAL”. Uma curiosidade é que só o conheço na 2a. turma.


Obs. o tipo AER 14 não existe.


O tipo AER 15 (1938-1940) é bastante similar ao AER 11 mas o datador tem o mês em romanos. Nota-se também algumas diferenças na tipologia. De modo similar ao anterior há também uma curiosidade: só o conheço na 4a. turma.

 


 

O tipo AER 16 (1938-1940) confunde-se à primeira vista com o 13 (embora deste só se conheça a 2a. turma), sendo as diferenças os diâmetros e a tipologia e distribuição das legendas na circunferência. Voltam a aparecer as 4 turmas

1a. Turma

Cabe aqui uma explicação sobre peças onde se vê o carimbo do serviço aéreo aplicado sobre uma franquia mecânica. O que acontece é que o Serviço Aéreo recebeu uma máquina de franquear do correio central com a genérica “Rio de Janeiro”. Assim, para cumprir o protocolo de apor ao objeto o local de postagem, o setor o marcou com o carimbo utilizado na seção.

O uso de carimbos “genéricos” no município do Rio está descrito em detalhes no menu Franquias Mecânicas Rio de Janeiro.

2a. Turma

Envelope postado em 1º de maio de 1944 no Rio de Janeiro com destino a São Paulo via Panair do Brasil. Pagou franquia de Cr$ 1,20 que corresponde a porte aéreo interestadual até 5g. De quebra, o envelope recebeu o carimbo comemorativo de “primeiro correio aéreo noturno” da Panair nessa rota.

3a. Turma

Envelope postado no RJ com destino aos EUA em 26.06.1938 via Panair. Franquia aérea de 5$000, taxa para Américas central e do norte, paga com carimbo mecânico franqueador. Recebeu também carimbo da agência para cumprir o protocolo.

4a. Turma


 

O tipo AER 17 (1940-1941)  apresenta um novo tipo de carimbo que tem como diferenciais as “orelhas” (letras ou números no lugar dos separadores) e legenda inferior *BRASIL* cujo layout está classificado na minha carimbologia sob o nº T11. É também composto por quatro turmas (embora me falte a 2a.).

1a. Turma

Envelope postado em 8.9.1941 no Rio de Janeiro com destino à Suíça porte aéreo via USA pela Condor. Foi submetido à censura em tempo de guerra. Taxa de 9$000.

2a. Turma

Envelope com destino a Genova  via aérea pela empresa LATI – Linee Aeree Transcontinentali Italiane que operou voos Itália – América do Sul entre 1939 e 1941 (ver LATI no menu aéreo ao lado). Taxa aérea de 5$400.

3a. Turma

Envelope comemorativo da viagem inaugural Rio-Recife em 1942 da Cia. Navegação Aerea Brasileira SA que operou voos entre o Rio e Recife com escalas em Belo Horizonte entre 1942 e 1948 (Ver NAB no menu aéreo ao lado)

O cartão comemorativo do 4º aniversário do estado novo não é uma peça de qualidade filatélica, mas está copiado para mostrar com nitidez as orelhas do carimbo AER 17C – 3AªT – DF uma vez que existe uma rara variante sem o T (de turma) apresentada abaixo no AER 17Ca 3=A. DF. Fiz uma colagem em destaque para mostrar a diferença.

Envelope com destino a Nova Iorque postado em 2.9.1942 que passou por censura. Taxa de 5$000 para Américas central e norte que no ano seguinte já seria expressa em cruzeiros Cr$ 5,00 conforme tabela de preços publicada na imprensa. O mesmo vale para o envelope da 4a. turma aparesentado abaixo.

4a. Turma

 

 


O tipo AER 18 (1944-1955) tem como particularidade substituir nas orelhas as quatro turmas por três turnos M, T e N (manhã, tarde e noite). Valores em cruzeiros, nova moeda do Brasil a partir de 1º de novembro de 1943.

Turno da Manhã

Envelope postado em 1.8.1951 com destino à Alemanha via aérea e registrada. Porte de Cr$ 7,60 que não consegui identificar.

Turno da Tarde

Envelope postado em 25.7.1955 com destino à Alemanha. Porte de Cr$ 8,30 que não consegui identificar.

O envelope é um FDC do centenário da ACM no mundo postado em 10.6.1944 durante e exposição filatélica juvenil no Rio. Em seu verso, o certificado de registro no Correio Central do Rio com carimbo do Serviço Aéreo, turno da tarde, objeto deste bloco.

A curiosidade da peça está em passar pelo guichê do correio aéreo uma carta de trajeto urbano do centro para são cristóvão.

Turno da Noite

Curiosa a legenda do envelope, um aerograma da Panair do Brasil e com menção ànova controladora da empresa, a Pan American Airways System.


 

O tipo AER 19 (1941) foi criado exclusivamente para o lançamento de ações da estatal Companhia Siderurgica Nacional criada por decreto federal em 9 de abril de 1941. Só o conheço na 4a. turma.

4a. Turma

O envelope a seguir foi franqueado à máquina na sede da Mesbla S/A em 5$000. Por ser aérea, foi encaminhada ao Correio Central , Serviço Aéreo, onde foi aplicado o carimbo publicitário em tela.

 


O tipo AER 20 (1946-1955) é um tipo de transição, que mantem as orelhas com indicação de turmas mas o datador volta a ter o mês alfabético, coisa que o tipo 21 oficializará, como veremos. Só os conheço em duas turmas.

1a. Turma

2a. Turma

 


Tipo AER 21 (1949-1957)

Em seu livro, Petrucci informa que em 1947 acontece uma reformulação gráfica dos carimbos utilizados no país e que novo tipo foi lançado com alarde pelos Correios, tendo sido objeto de reportagens nas seções filatélicas dos principais jornais. Acrescenta que esse tipo é tradicionalmente conhecido por “1947”. No capítulo de carimbologia neste trabalho, eu o numerei T15.

Esse é o carimbo usado no AER 21. O datador é alfabético (dd.mmm.aa) e as orelhas agora indicam o local de postagem (DR-DF).  A legenda superior acrescenta a indicação do turno. Só conheço em dois turnos.

1º turno

2º turno


 

O tipo AER 22 (1954-1958) é semelhante ao 21, com troca de posição da indicação de turnos na legenda superior. Parece existir em 4 turnos, apesar de eu não possuir o 3º.

1º turno

2º turno

Não conheço exemplares do 3º turno

4º turno

 


 

O tipo AER 23 (1954-1961) já tem novo layout, onde desaparecem as orelhas e a legenda inferior coloca o estado (DR-DF) no lugar de Brasil. Note-se que ele volta a falar em turmas, que são duas.

1a. Turma

O envelope é de tipo especial para remessa de valores. No verso, os correios aplicaram uma etiqueta adesiva aparentemente para reforçar o fecho e o carimbaram com o mesmo carimbo utilizado na frente.

2a. Turma

 


Do tipo AER 24 (1961) só conheço um exemplar na 4ª turma. Não se se existirão as demais.

 


O tipo AER 25 (1958-1961) fecha os tipos de carimbos aéreos. Sua legenda superior é bem original, e menciona “guichet” além da turma (só tenho do 2º). A palavra também é utilizada em registrados e expedição.


A Agencia Central do Rio de Janeiro (1963-1971)

Em 30 de novembro de 1962, por ato do diretor geral “centralizando os serviços existentes no saguão” (do edifício central dos Correios na rua 1º de Março) foi criada a Agencia Central do Rio de Janeiro abandonando-se portanto a estrutura em “secções” que havia sido criada em 1865 e que vinha paulatinamente sendo desmontada nos últimos anos. Natural sucessora no trânsito da correspondência aérea, seus primeiros carimbos aparecem em 1963 com a legenda “guichet-aéreo”

 


Capítulo 5 – O CORREIO AÉREO NACIONAL


A origem do CAN tem origem em 12 de junho de 1931 quando o Correio Aéreo Militar iniciou suas operações com o voo de um monomotor pilotado por dois oficiais do exército transportando uma mala postal do Rio de janeiro para S. Paulo. Em 1936 foi criado o Correio Aéreo Naval ampliando a cobertura e a capacidade do transporte postal aéreo.

Com a criação do Ministério da Aeronáutica em 20 de janeiro de 1941 houve a fusão desses dois serviços consolidando assim o CAN – Correio Aéreo Nacional que passou a operar subordinado à Força Aérea Brasileira. [5]

Até onde sei, não há carimbos especificamente utilizados pelo CAN, sendo a correspondência por ele transportada originada em agencias do Correio Central. O selo de 1956 ao lado é comemorativo dos 25 anos de serviço.


Nova série de agencias autorizadas 

Não encontrei base nos regulamentos autorizando novamente o franqueamento de correspondência fora do correio central. De fato, o regulamento de 1946 publicado no Boletim Postal descreve as atribuições de oito seções e atribui à 8a.Seção o “correspondência aéra de qualquer natureza”, inclusive o CAN. A 9a.Seção, que havia sido criada ad hoc foi aparentemente extinta. Curiosamente, nenhum dos carimbos aéreos da época traz qualquer referência à 8a.Seção.


Av. Rio Branco, 2º período (1946-1967)



Lapa (1961-1965)

Praça Mauá (1954-1956)

 


A 9a. Secção


A Portaria 1.302 de 8 de novembro de 1933 [7] publica o primeiro Regulamento dos Correios para o DF no Estado Novo. Como novidade, introduz uma 9ª Secção com atribuições específicas para o serviço aéreo. De fato, carimbos “9ª Secção Expressas” já circulam em dezembro desse ano.

Em 1940, aparecem brevemente carimbos com legendas “Aeroporto” (vide CRJ 162). Note o carimbo adicional indicando o transporte via VASP.

Há também registro do uso de carimbos propagandísticos pela 9a. Secção


Capítulo 8 – O fim dos selos e carimbos específicos para o correio aéreo


A partir de janeiro de 1941 os selos aéreos foram equiparados aos regulares para efeito de franquia. Em 14 de janeiro de 1941 foi lançado o primeiro selo com layout “aéreo comemorativo”, o do recenseamento nacional. Eles traziam menção ao “Correio Aéreo” em seu desenho.

O último selo aéreo comemorativo foi lançado em 31 de julho de 1966 pelo centenário do pintor Eliseu Visconti (1866-1944). A imagem é a uma reprodução do seu famoso quadro “Gioventù” (1898) aportuguesado para “Juventude” no layout.

Como vimos mais acima, o último carimbo que tenho na coleção está aplicado sobre o selo da Brapex 1966 emitido no mesmo ano.

 


Notas e Informações

  1. Diário Oficial da União – Seção 1 – 14/4/1921, Página 7287
  2. Diário Oficial da União – Seção 1 – 28/8/1925, Página 16934
  3. Diario Oficial da União – Seção 1 – 19/3/1927, Paginas 6463/4
  4. Relatorio dos Correios de 1934, quadro de movimento, pg 93
  5. Texto baseado na Wikipedia e na FAB.  Encontrei um carimbo “Correio Aéreo Naval” que me parece ser um carimbo administrativo aplicado sobre “selo” idem. Seria bom ver a peça original. Segue imagem.
  6. Vago
  7. Diario Oficial da União de 9 de novembro de 1933 pg 21271
  8. Diario Oficial da União de 18 de janeiro de 1928 pg 34 (*)
  9. Diario Oficial da União de 14 de junho de 1929 pg 23
  10. Diario Oficial da União de 7 de fevereiro de 1930

(*) As sete sucursais são as de Botafogo, Praça Duque de Caxias (rua do Cattete), Praça Municipal, São Cristóvão, Estácio de Sá (Largo do Rio Comprido), Vila Isabel e Sucursal Nº7 (Rua 13 de Maio) e as agencias regulares a  Av. Rio Branco e Copacabana.

 


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