Lembrando que a introdução ao tema ferroviário foi dividida em várias páginas. Assim, em cada linha há detalhamento das respectivas agencias e das linhas de ambulante (só clicar para ser dirigido).
Agencia ferroviaria é como os filatelistas brasileiros se referem às agencias do correio instaladas dentro ou próximas de estações ferroviárias. Não é um termo usado pelos Correios, pois elas são parte da mesma estrutura organizacional das demais agencias fixas – organizadas da mesma forma, com agentes postais próprios e com as mesmas atribuições. O que as diferenciam é o fato de estarem instaladas em estações ferroviárias o que as tornam importantes nós logísticos de coleta e distribuição de malas postais transportadas por via ferroviária.
A menção a “ESTAÇÃO” ou às abreviaturas “EST.” e “E” nos seus carimbos simplesmente complementa a informação de sua localização, ou as diferenciam de eventuais homônimos, ao mesmo tempo que as tornam colecionáveis pelos filatelistas, que adotaram essa nomenclatura (entre os quais me incluo).
Vale lembrar que existiu no Regulamento de 1890 um artigo que exigia que fosse criada uma agencia postal numa estação inaugurada em local que não dispusesse de serviço postal (imagem).
A primeira “agência ferroviária” brasileira foi a de Belém (atual Japeri), criada em 1859 na estação homônima do primeiro trecho da EF D.Pedro II no municipio de Japeri (RJ). A imagem é do “Relatorio de Agencias do Imperio de 1885”.
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Critérios de classificação de uma agencia ferroviária
Não existe um critério preciso na definição de uma determinada agência como ferroviária. Só há uma certeza: ela precisa estar em localidade servida por uma linha ferroviária.
Proponho alguns indicadores que determinam sua classificação em tipo de relevância que a tabela abaixo apresenta. Esses tipos qualificarão as agencias ao longo deste trabalho.
Em 2020, identifiquei 120 agencias tipo “A”, 80 tipo “B” e 300 tipo “C”.
EXEMPLOS:
- Agencias tipo A
O tipo A é determinante, sendo adotado pelos filatelistas como o critério básico para a inclusão em suas coleções. No entanto, são conhecidas algumas exceções grafadas com essas legendas em locais não servidos por ferrovia. Eu as apresentarei no anexo I mais adiante.
2. Agencias tipo B, exemplos
As notas de sua criação são claras, mas sua inclusão na coleção dependerá de se encontrar um carimbo com a legenda especifica. Por enquanto não encontrei, por isso a relacionei no tipo B. Exemplos:
- Estação da Saudade (ERJ 79 em Barra Mansa) criada “na estação” em 19/09/1883 no ramal Bananalense (nota na Gazeta de Noticias de 21/09).
- Estação Vargem Alegre (MRJ 71 em Barra do Piraí) criada na estação em 01/03/1871 no ramal da Cachoeira (nota oficial no Diario do Rio de Janeiro em 28/02)
- Estação do Iguassu, criada na estação na EF Rio d’Ouro (nota no Boletim Postal de 5 agosto de 1890)
3. Agencia tipo C
Como adiantei acima, trata-se de observar nos verbetes de guia postal a descrição do local como estação. Exemplos:
- Gavião, est.- agencia no Guia Postal de 1906
- Belfort Roxo, est. – Guia Postal de 1940
4. Agencias com indicador “em branco” ou “tipo D”.
Uma agencia que não possua nenhum dos pré-requisitos mencionados nos tipos anteriores. Um bom exemplo é a estação de Resende, na sede desse município fluminense. O muncipio já possuía agencia no centro da cidade décadas antes da inauguração da ferrovia. Esta no entanto chegou pela margem esquerda do rio Paraíba, enquanto a cidade se desenvolveu na margem direita. Não fazia nenhum sentido em realocar a agencia longe do centro e assim, entre a estação e a agencia, existiu uma linha de estafetas de mala postal.
Quadro das agencias Tipo A no Estado do Rio (rev set/2020)
O quadro abaixo apresenta em ordem alfabética as 120 agencias que apresentam as características do tipo A.
Cada linha apresenta uma agencia e sua respectiva estação; caso esta tiver o mesmo nome da agencia, grafado “idem”. O numero da estação refere-se à linha. Por exemplo, Aguas Claras 30.06 é a sexta estação da linha nº 30.
Quadro das agencias Tipo B no Estado do Rio (rev out/2020)
As agencias do Tipo C estão apresentadas no Anexo II, incluídas no quadro geral que lista todas as agencias A, B e C em ordem alfabetica.
Anexo I – as exceções de critério em algumas agencias
Este anexo traz um dado importante ao relativizar um critério aparentemente definitivo de classificação. Há locais onde os carimbos trazem a legenda “estação” em agencias situadas em locais distantes de linhas ferroviárias. Apresento dois exemplos, com recortes de texto do GP de 1906.
Exemplo 1 – Cachoeiros de Macaé (como toda “cachoeira”, seu nome tem grafia variável ao longo do tempo).
O BP de outubro de 1892 traz uma nota bem clara de criação da agencia de “Cachoeiro” em 28.09.1892. Nela, o DGC determina que as malas sejam expedidas em trânsito de Indayassú (na época, estação do ramal do Rio Bonito inaugurada em 1888, no então município de Barra de Sao João). Atual Casimiro de Abreu – sede do municipio homônimo). Sua agencia postal é de 1888.
Vale mencionar que pelos Decretos Estaduais n.ºs 1 de 08-05-1892 e 1-A, de 03-06-1892, foi criado o distrito de Cachoeira e anexado ao município de Macaé (IBGE). Portanto, a agencia foi criada em decorrência.
Como se lê no verbete do detalhado GP de 1906 as malas da agencia “Cachoeiros de Macaé” (povoado, ERJ 605) seguiam pela EF Leopoldina (Ramal do Rio Bonito) até a estação de Rocha Leão e “dahi ao destino por estafeta”. A estação ficava a 18 km no vizinho município de Casimiro de Abreu. Vale ressaltar que Rocha Leão também possuía agencia própria desde 1888. Nenhuma referencia a estação.
Exemplo 2 – Córrego do Prata:
A agencia foi criada em 17 de agosto de 1885 segundo nota em O Paiz edição de 19.08
No GP de 1906 lê-se que as malas da agencia Córrego do Prata (povoado), no município do Carmo (ERJ 361) seguiam peo ramal do Sumidouro até a estação de Bacellar e, por estafeta, passando pela cidade do Carmo, até Córrego do Prata da qual dista 18km. Sem menção a estação. Vejo também que anta Rita da Floresta também segue na mala, mas seus carimbos da mesma data não possuem nada de estação.
Conclusões:
Não ficam claros os motivos pelos quais existiram essas exceções, ou seja, localidades não servidas por linha ferroviária e que utilizavam ‘estação’ em seus carimbos . A esse respeito compartilho teses que me ocorreram ao longo deste estudo, mas que não explicam a contento.
Começo por analisar as dezenas de agencias que de fato estavam localizadas em estações e que usaram essa distinção em seus carimbos. Qual seria a razão, já que são localidades sem homônimos onde a menção a estação poderia ser um diferencial? Essa tese tem respaldo na análise do endereçamento de cartas da época – é comum que seja adicionado algo como “na linha tal” ou “estação tal” no endereço de destino. No entanto, em ambos os casos apresentados, não existiram homônimos.
Há entre os colegas uma corrente que levanta a hipótese de a agência da localidade destacar um funcionário para representá-la na estação. Acho pouco provável, e no caso de a estação ter também agencia (como nestes exemplos) como seria a convivência dos dois? Como o cliente decidiria a quem entregar, ou buscar, sua carta?
Só me resta uma prosaica explicação: os carimbos foram fabricados por equívoco.
Tema pendente.
Anexo II – Quadro com a relação das agencias e sua localização no site
Exemplo: Aguas Claras, agencia criada em 24 de outubro de 1886
- Ela tem o numero ERJ 1308 no município de São Jose do Rio Preto.
- É uma estação ferroviária tipo A pois seu carimbo reza “estação”, “ramal” ou “linha” na legenda, conforme a definição que utilizei neste site
- Foi criada em 24 de outubro de 1886
- No correio ferroviário, está listada na linha 30 (ramal de S. Jose do Rio Preto), sendo a 6ª estação da linha.
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