Mapa Oschenek 1899 – sobre o qual desenhei todas as linhas fluminenses com suas conexões paulistas e mineiras.
Introdução
Os carimbos ambulantes são manipulados dentro de linhas ferroviarias que, por sua natureza, transcendem as divisas estaduais ampliando assim os limites geográficos previstos para este site. Particularmente entrelaçados estão os estados de SP, RJ e MG, como mostra o mapa esquemático apresentado a seguir. Vê-se à esquerda a EF Mogiana paulista e à direita a EF Leopoldina mineira, conectadas pela EF D.Pedro II. Como exemplo, uma carta do interior de Minas para o interior de S.Paulo poderá apresentar carimbos ambulantes de até três ferrovias e ela será catalogada neste site.
Essa introdução caberá a diversas linhas ferroviárias. Neste caso da linha10, ela faz parte da rede de ferrovias do sudoeste mineiro juntamente com as das linhas 13A e 16, com as quais tem história entrelaçada, como vemos na planta a seguir [1]
Mapa da Rede Sul-Mineira da década 1920 com o traçado das ferrovias do sudoeste mineiro, entre as quais as linhas 10, 13A e 16 deste site
Estrada de Ferro Minas e Rio (Linha 10)
Sua origem foi a concessão do governo em 1875 para uma ferrovia que conectasse a bacia do rio Verde à EF D. Pedro II – que vinha margeando o rio Paraíba – como meio de transporte de cargas agrícolas, especialmente o café, além da circulação de passageiros entre cidades do Sul de Minas e o vale do Paraíba. Essa concessão foi transferida em 1880 a uma empresa britânica recém constituída denominada The Minas and Rio Railway Co. Ltd.
Os estudos para o traçado consideraram para a estação inicial cidades da região como Resende e Queluz, mas a decisão final privilegiou a estação de Cruzeiro que havia sido recentemente inaugurada em 1878.
O Decreto Imperial nº 7734 de 21.06.1880 autorizou a construção e os trabalhos foram iniciados em Cruzeiro [2]. O famoso túnel na serra da Mantiqueira entre Perequê e Passa Quatro foi inaugurado em 1883 e a estrada chegou a Três Corações em 14.06.1884 sendo inaugurada com a presença da família imperial.
O Ramal de Lavras
Já sob administração da Rede Sul Mineira (1910), foi construído o Ramal de Lavras, uma conexão entre as EF Minas e Rio e Oeste de Minas. Inaugurado em trechos, chegou a Lavras em 1º de setembro de 1926. Já existia uma estação Lavras da EF Oeste de Minas desde 1888, inaugurada como final da linha antes de cruzar o rio Grande. Decidiu-se que esta estação seria renomeada Rio Vermelho e a nova receberia o nome Lavras.
Continuando a história da Minas e Rio, em 1902 a companhia britânica devolveu a concessão ao governo federal, que a repassou a um grupo nacional. Em 1908, a ferrovia incorporou as linhas da EF Muzambinho, descrita a seguir.
A Estrada de Ferro Muzambinho
Essa estrada foi concebida no final do século XIX como uma ferrovia margeando o vale do rio Verde fazendo a conexão no município de Muzambinho entre a EF Minas e Rio e a EF Mogiana paulista. A linha está destacada em azul no mapa com o numero 10A.
O trecho entre Três Corações e Varginha foi aberto ao tráfego em 1892 e chegou a Areado em 1897, onde parou. Encampada pelo governo mineiro em 1907, foi incorporada em 1908 pela EF Minas e Rio. Sob nova direção, a linha foi estendida a Engº Trombowski chegando a Tuiuti (Juréia) em 1909, onde aguardou a chegada da Mogiana.
O Ramal de Tuiuti da EF Mogiana paulista
Nesse meio tempo, a paulista Cia. Mogiana de Estrada de Ferro havia obtido os direitos de construção do chamado Ramal de Tuiuti, um trecho de 70km construído inteiramente em território mineiro, ligando Guaxupé a Tuiuti (atual Juréia), onde chegou em 1914. No trajeto, entre outras, foi inaugurada a estação de Muzambinho, aberta em 1913, que deu nome à ferrovia. Com isso, foi aberta a conexão entre as redes ferroviárias Mogiana e Sul Mineira, o que permitiria que os fazendeiros da região pudessem optar pelos portos de Santos ou do Rio de Janeiro.
A Rede Sul Mineira
A criação da Rede Sul Mineira em 1910 representou uma reorganização administrativa das ferrovias regionais do Sul de Minas Gerais, que até então operavam de forma independente e sob diferentes regimes de concessão. Fizeram parte da Sul Mineira aa linhas 10- EF Minas e Rio e a 13A -Viação Férrea Sapucahy, cuja história completa está na página da Linha13 deste trabalho.
Inicialmente operou sob regime de arrendamento, que centralizava a gestão, mas mantinha a operação nas empresas originais. Esse regime operacional foi mudado em 1922 quando foi estatizada pelo governo mineiro.
A RMV – Rede Mineira de Viação
O Decreto 9.882 do governo de Minas Gerais publicado em 11 de março de 1931 trazia o regulamento de criação da RMV, cujo Art.1º rezava: “Fica criada a Rede Mineira de Viação que se comporá de duas estradas de ferro: a EF Oeste de Minas e a EF sul de Minas”.
A RMV assumiria a gestão da Linha 10, da Linha 13 e da Linha 16, como se pode conferir graficamente no quadro acima.
OS CARIMBOS
Após essa longa introdução, vamos apresentar os carimbos. Como nas demais linhas, começo por apresentar os carimbos ambulantes e depois comento as agencias ferroviarias.
Parte 1 – Correio ambulante
Logicamente era preciso incluir neste trabalho uma EF que traz “Rio” no seu nome. Seu correio ambulante certamente utilizou conexões com ferrovias fluminenses.
Ainda não possuo carimbos originais, assim apresento os desenhos esquematicos extraídos do trabalho da colega Jay Walmsley. O último exemplar, de 1914, já foi usado sob administração da Rede Sul Mineira, que conservava o nome das ferrovias sob sua administração.
Parte 2 – Agencias Ferroviárias [4]
Ver nota [4]
A estação inicial da ferrovia foi sediada em Cruzeiro, que já possuía estação da EF D.Pedro II inaugurada em 4 de setembro de 1878. Nessa estação foi criada, com o mesmo nome, uma agencia postal em 13 de novembro do mesmo ano. Essa agencia ficou subordinada à DR-RJ por quatro anos até 15.12.1882, dessa forma constituindo uma agencia fluminense “de divisa” [3].
Portanto, eu a classifico aqui como uma agencia ferroviária de divisa compartilhada pela EFDP II e a EF MeR
Notas e informações
[1] A planta de 1920 foi encontrada em https://viagemnostrilhos.blogspot.com/ que faz referência ao livro “Uma Viagem pelo Trilhos da Centro Oeste” de autoria de Ricardo Resende Coimbra, Grafica e Editora Novo Mundo 2009 – São Lourenço MG. Livro que adquiri como fonte complementar para a edição deste capítulo.
[2] Curiosamente, na imprensa mineira não encontrei nada nessa época e na carioca só pequenas notas. Por isso transcrevo nota sobre a autorização oficial no The Rio News (com atraso, em ed. de 5 de dezembro) e do processo de aquisição do terreno em Cruzeiro no Anglo Brazilian Times ed. de 24.07.1881
Sobre o citado Major Freitas Novaes vale consultar meu artigo sobre a estação e a agencia postal em Cruzeiro no município de Resende.
[3] Verbete “Estação de Cruzeiro” no Guia Postal de 1880, confirmando a subordinação à DR-RJ
[4] Agencia ferroviaria é como os filatelistas brasileiros se referem às agencias do correio instaladas dentro ou próximas de estações ferroviárias. Não é um termo usado pelos Correios, pois elas são parte da mesma estrutura organizacional das demais agencias fixas – organizadas da mesma forma, com agentes postais próprios e com as mesmas atribuições. O que as diferenciam é o fato de estarem instaladas em estações ferroviárias o que as tornam importantes nós logísticos de coleta e distribuição de malas postais transportadas por via ferroviária.
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