1899 Mapa Oschenek com ilustrações do editor mostrando todas as linhas do estado e mais abaixo a Linha 11 – Ramal de SP em detalhe
Pelo alto tráfego postal entre as duas maiores cidade do país, com consequente volume de carimbos circulados, achei aconselhável distribuir a apresentação da Linha 11 em quatro páginas, a saber: (clique para direção automatica)
- Linha 11 – Ramal SP – Introdução (esta página)
- Linha 11 – Correio Ambulante
- Linha 11 – Agencias Ferroviárias
- Linha 17 – EF do Norte (SP)
Um pouco de história
Começo por apresentar o interessantíssimo mapa Chemin de Fer de D.Pedro II datado de 1863 que encontrei no site Wikipedia, com a visão do traçado original da ferrovia. Note-se que nessa data a ferrovia estava ainda prestes a inaugurar em 1864 sua 2ª Secção na estação de Barra do Piraí às margens do rio Paraíba. A partir desse ponto, a ferrovia se bifurcaria e ambas as linhas seguiriam o rio Paraíba, cujas estações finais estavam já apontadas no mapa:
- A Linha Tronco seguiria a jusante, direção leste, até Porto Novo do Cunha, onde chegou em 1871 (história detalhada na página da Linha 1).
- O Ramal de S. Paulo ou Linha da Cachoeira seguiria a montante, direção oeste, chegando a Resende em 1873, cruzando em seguida a divisa com S. Paulo até Cachoeira, estação terminal, onde chegou em 1875.
O Ramal de S. Paulo (Linha da Cachoeira)
Vale comentar o motivo do traçado da ferrovia até Cachoeira. Nesse local, como o nome sugere, o leito fluvial era interrompido por corredeiras, de modo que era necessário que mercadorias em trânsito fluvial [Nota 1] fossem aí descarregadas para seguir por terra para Minas Gerais (pela Estrada Real, que ligava Paraty a Ouro Preto) ou para o Rio de Janeiro. A EFDPII vinha a atender essa segunda rota, cuja demanda aumentava com a produção cafeeira do Vale do Paraíba.
A EF do Norte (Cia. EF S.Paulo e Rio) – Linha 17 neste trabalho
Com o mesmo objetivo, empresários paulistas também haviam projetado a Estrada de Ferro do Norte, que começou a ser construída em 1875 pela Cia Ferroviária S. Paulo e Rio de Janeiro em bitola métrica a partir da Estação do Norte da capital e seguiria o rio até Cachoeira, onde se entroncaria com a D. Pedro II.
A conexão das ferrovias
Wikimapia atual com ilustração do editor
A D. Pedro II chegou a Cachoeira pela margem esquerda do Paraíba, como se vê no mapa acima. Nesse ponto, deveria cruzar o rio para chegar ao povoado. Entretanto, a obra do pontilhão atrasou e assim decidiu-se construir uma estação provisória e uma ponte temporária de madeira que permitiria o trânsito de mercadorias para o povoado. A estação provisória foi entregue em 20.07.1875.
As obras definitivas foram inauguradas oficialmente em 8 de agosto de 1877, quando ficaram prontas a ponte ferroviária, a nova estação e a ferrovia S.Paulo e Rio. Para o evento um trem especial, com a presença do Conde d’Eu representando o Imperador, saiu da Côrte e chegou a S. Paulo após baldeação em Cachoeira devido à diferença de bitolas entre as linhas.
Para resolver o problema da diferença de bitolas, o governo republicano emitiu em 30 de agosto de 1890 o Decreto 701 encampando aquela ferrovia e incorporando-a à EF Central do Brasil. Entre 1901 e 1908 a Central retificou trechos e alargou a bitola da antiga ferrovia, finalmente permitindo o tráfego mais rápido e econômico entre as capitais.
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Os Correios homenagearam o centenário da ligação ferroviária Rio-S.Paulo com a emissão comemorativa em 8 de julho de 1977 do centenário da ligação ferroviária entre as cidades (embora não tenha existido nenhum túnel no local…). A imagem é da coleção do editor.
O Correio Ambulante entre Rio e S.Paulo
Como vimos, somente a partir de 1877 haveria uma ligação ferroviária contínua entre
as duas capitais, permitindo o estabelecimento de um correio ambulante entre elas. Em 1890 a então EFCB encampou a linha paulista e em 1908 as bitolas foram unificadas. Portanto, havia Correio Ambulante partindo de ambas as cidades e percorrendo toda a linha, que continuou denominada Ramal de S. Paulo como vemos no quadro de horarios de trens publicado no Almanak Laemmert de 1929.
Na página de IDA, saindo da estação D.Pedro II e chegando à estação do Norte em SP.
O correio ambulante por sua natureza tende a ampliar a abrangência da região colecionável e assim aqui no site tanto a linha 11 quanto a Linha 17 têm seus carimbos apresentados.
As agencias postais ferroviárias
Não custa relembrar forte ligação entre os Correios e as ferrovias, que representaram um grande avanço nas linhas postais atendendo muitas localidades diariamente e com horários marcados.
Também vale comentar mais uma vez o Decreto 9912A de 26 de março de 1888, publicado na edição de 21.04 da Gazeta de Noticias (RJ).
Nos interessa aqui o Artigo 118 e seu § 1º, do qual transcrevo trechos: ” As agencias de 4ª classe serão creadas (…), após verificação (…) não só do numero de moradores da localidade em torno de 5 km e a distância da agencia mais próxima (…) excepto nas estações de estradas de ferro onde, sempre que fôr necessário, devem ser creadas essas agencias“.
Apesar de um tanto vago, dá a entender que o traçado das ferrovias naquela época exigiu a construção de estações em muitos locais que possuíam essas características.
Segue para a página Linha 11 – Correio Ambulante
Notas e informações
[1] nota do Diario do RJ em 18/3/1875 citando matéria do Correio do Norte paulista.
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