Linha 13 EF Santa Isabel do Rio Preto

Mapa de 1899 com ilustrações do autor, com detalhe da Linha 13

INTRODUÇÃO – Linha 13

Em 1875 o governo concedeu autorização para construção da EF Santa Isabel do Rio Preto sendo seus estatutos aprovados em 1879. Partia de Barra do Piraí, importante entroncamento viário servido pela EF D. Pedro II, onde dispunha de plataforma própria vizinha a essa estação. Em 1881 foi entregue o primeiro trecho até Paulo de Almeida passando por Ipiabas. Em 22 de novembro de 1883, com a presença do Imperador, a linha foi inaugurada até Conservatória.

A data de abertura da próxima estação – Joaquim Mattoso – está na Tabela de Horários publicada pela EF santa Isabel do Rio Preto que informa abertura da “estação terminal da ferrovia” no dia 6.04.1886 [1]

Sabemos também, pelo item 77 do edital de condução de malas para o ano de 1889 publicado no Diario de Noticias em 10.11.1888, da existência uma linha postal entre a estação e a agencia de Santa Isabel do Rio Preto (criada décadas antes, em 4.11.1853).

Concluindo, o fato da estação não receber o nome da cidade, e precisar de uma linha de malas do correio, fundamenta a tese da estação estar distante da cidade. A pesquisa nos mapas da época revelou que um baixio onde desaguava um afluente do rio S. Fernando tornava necessária a construção de uma ponte para chegar à cidade. No entanto, se o objetivo principal da ferrovia era escoar a produção agrícola da região, não havia necessidade imediata de tal investimento, sendo escolhido um local próximo às fazendas. O mapa abaixo mostra o possível local onde ela teria sido construída.

Em 21 de setembro de 1889 a empresa foi comprada pela EF Sapucaí, que havia sido fundada em 1877. Esta por sua vez foi liquidada pelo governo mineiro em 1891 e incorporada à Companhia Viação Férrea Sapucaí – VFS (Linha 13A neste trabalho).

Entre 1892 e 1893 esta expandiu sua linha para o sul até Santa Rita do Sapucahy e cruzando a divisa fluminense a Santa Isabel construindo as pontes que permitiram sua conexão com a linha da EF Santa Isabel até Barra do Piraí. A estação Mattoso foi mais tarde reposicionada no centro da cidade e em 1935 tomou o seu nome.

A Ponte do Zacharias

Vale abrir parênteses para comentar sobre a divisa entre os estados de MG e RJ feita pelo Rio Preto. Muito antes das ferrovias, me chamou a atenção a criação em 1874 de uma agencia postal nesse local, conhecido por Ponte do Zacharias, onde posteriormente seria construída pela VFS a ponte ferroviária citada acima. Esse estudo está no menu História Postal deste site. Clique para transferir.

Na mesma época, a VFS adquiriu também a EF Pirahyense (EF de Santana, linha 12 neste trabalho), que ligava Santana a Passa Três passando por Pirai. Para conectar essa linha com a EF Santa Isabel, a VFS obteve em 1891 a permissão para o uso de faixa paralela à EFCB para construir a linha Santana – Barra do Piraí. Mais tarde o trecho de Santa Rita a Passa-Tres será conhecido por Linha da Barra, mas projeto de prolongamento da ferrovia até o litoral fluminense foi abandonado. Detalhes sobre a EF Pirahyense está no menu Linha 12. Clique para ser dirigido.

Por sua vez, a VFS seria absorvida pela Rede Sul-Mineira em 1910 e esta, juntamente com a EF Oeste de Minas (linha 16 deste trabalho), formariam em 1931 a RMV – Rede Mineira de Viação.

 


Linha 13 – Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto


Parte 1 – Correio Ambulante

 

 

Parte 2 – Agencias Ferroviarias nota [2]

 


Notas e Informações

Nota [1] A data de inauguração (ou abertura) da estação Joaquim Mattoso consta da tabela de horários da EF Santa Isabel publicada no Jornal do Commercio RJ ed. 25/04

O nome da estação homenageia Joaquim Mattoso Duque-Estrada Camara, eleito deputado federal pelo Espírito Santo em 1886. Em abril desse ano foi ele indicado diretor do Banco Auxiliar no Rio e em fevereiro de 1891 aparece como membro do conselho fiscal da Viação Ferrea Sapucahy. Essa já é uma boa pista para o nome da estação. Outra é o nome de quem assinou a tabela de horários: José Mattoso, chefe do tráfego.

Nota [2]

“Agencia ferroviária” é o termo usado pelos filatelistas para designar agencias postais instaladas em estações ou próximas a elas.  Oficialmente o nome não existe, já que são agencias regulares dos Correios administradas por um agente postal subordinado à mesma estrutura das demais agencias fixas. O fato de constar “Estação” ou “Est.” nos carimbos é simplesmente um indicador de sua localização. Listar essas agencias nesta página tem objetivo de apoio aos colecionadores (entre os quais me incluo). No entanto, a exemplo das agencias regulares, cada uma delas tem sua história e imagens dos carimbos nos seus respectivos municípios.


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