Linha 21 – Estrada de Ferro Rio do Ouro
Um pouco de história [1]
Nos anos 1870, o crescimento da cidade do Rio de Janeiro esgotou a capacidade de geração de água do maciço da Tijuca, tornando necessária a busca de novos mananciais. O local escolhido foi a serra do Tinguá, mais precisamente o rio d’Ouro, onde estariam os reservatórios. O Decreto 2.639 de 22.09.1875 [2] autorizou e dotou verbas para o empreendimento.
A ferrovia
A distância da Corte exigia a construção de uma ferrovia para o transporte de material de construção. A via férrea partiria da “Quinta do Imperador” [3] e a linha tronco seguia paralela à EFDP2º. As obras tiveram início em 6 de agosto de 1876 e foi construída no ano de 1876. Ficou conhecida por ramal de São Pedro (atual ramal de Jaceruba). Desenhei em verde o traçado do trecho inicial sobre o mapa de 1922 do Serviço Geográfico Militar.
Com o fim das obras, foi aprovado por aviso de 25.10.1880 o estabelecimento de um serviço de passageiros inaugurado em 15 de janeiro de 1883, data que é a registrada como a inauguração das estações originais da linha.
Em 1885 iniciou-se o Ramal do Tinguá – entre Cava e Tinguá – em busca de novos mananciais, entregue em 3 de outubro de 1886 (data da estação 21.43, ponta da linha). Algumas agencias postais foram criadas nas estações, entre as quais eu citaria Iguassú, antiga capital do município (que não está indicada no mapa, junto ao rio Iguaçu). O mais extenso dos ramais, o de Xerém, entre o Brejo (Belford Roxo) e Xerém foi aberto em 22.09.1911.
A nova estação inicial Francisco Sá na Praça da Bandeira
Com o aumento do tráfego, tornou-se necessária uma alternativa para uma estação inicial mais próxima ao centro. Com isso, o Congresso atraves do decreto 14.116 de 26.03.1919, aprovou a construção da estação Francisco Sá na Praça da Bandeira, onde já funcionavam as estações da Linha Auxiliar e da EF Leopoldina. desenhei em verde o novo traçado, que se entroncava com o antigo (tracejado) logo após a antiga estação de Benfica.
Uma palavra sobre a área. Já se chamou praça do Matadouro que aí funcionou até 1881 na rua Lopes de Souza. A região chegou a ser conhecida por Praia Formosa, pois existiu uma praia de mar com esse nome antes da urbanização do manguezal com o canal que hoje margeia a avenida Francisco Bicalho. Em 1911 ela foi oficialmente batizada de Praça da Bandeira, nome que atualmente dá nome ao bairro, embora a praça propriamente dita praticamente não exista mais. Ver estudo detalhado, com a localização das estações, na nota [4]. Remanescente das antigas estações, a Francisco Sá ainda existe no final da rua Ceará, mas abandonada desde os anos 1970.
Correio Ambulante
A ferrovia não teve carimbos ambulantes.
Agencias Ferroviárias [5]
Na tabela, os ramais de Xerem e Tingua estão listados na linha tronco e não como linha separadas. Vale ainda registrar também que a estação/agencia de Inhauma (21.10) está na variante e não na linha original, conforme veremos mais abaixo. Essas agencias estão com fundo em amarelo para destacá-las.
A estação/agencia da Pavuna (21.28) tem uma história interessante que está contada em artigo especial no menu de História Postal “Pavuna e Meriti“.
A variante da E F Rio do Ouro
O mapa abaixo com desenhos do autor sobre guia de ruas atual permite ver em vermelho a variante de 1898 e a linha original da ferrovia construída em 1883. A variante, com traçado mais retilíneo, sai da estação Liberdade e chega a Engenho do Mato, duas estações da linha original. No trajeto há apenas uma estação, a de Inhaúma, cuja agencia postal é um pouco mais antiga que a linha (16.05.1895).
Clicando no mapa pode-se ver mais detalhes, como os traçados das linhas do Centro e da Auxiliar, bem como a EF do Norte.
Notas e Informações
Nota [1]: o mapa foi extraído do livro A Formação das Estrada de Ferro no Rio de Janeiro, de Helio Suêvo Rodrigues, publicado em 2004, no qual o texto foi também em grande parte baseado. Recomendo a leitura desse capitulo, bem detalhado e ilustrado.
Nota [2] fonte em https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-2639-22-setembro-1875-549700-publicacaooriginal-65213-pl.html
Nota [3] A Quinta do Imperador ficava na ponta do Caju e foi o local escolhido para os banhos medicinais prescritos para o imperador D.João VI. a história está descrita na página do bairro do Caju.
Nota [4] A Praça da Bandeira, centro ferroviário
Sobre o mapa Wikimapia atual, cuja área central modifiquei, com a eliminação da linha vermelha, por exemplo, localizei as estações construídas nas primeiras décadas dos anos 1920. Em verde a EF Rio do Ouro objeto desta página.
Nota [5] “Agencia ferroviária” é o termo usado pelos filatelistas para designar agencias postais instaladas em estações ou próximas a elas. Oficialmente o nome não existe, já que são agencias regulares dos Correios administradas por um agente postal subordinado à mesma estrutura das demais agencias fixas. O fato de constar “Estação” ou “Est.” nos carimbos é simplesmente um indicador de sua localização. Listar essas agencias nesta página tem objetivo de apoio aos colecionadores (entre os quais me incluo). No entanto, a exemplo das agencias regulares, cada uma delas tem sua história e imagens dos carimbos nos seus respectivos municípios.
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