A Linha de Manhuaçu conectava a estação de Recreio (na Linha do Centro da EF Leopoldina) a Santa Luzia (atual Carangola). Sua construção ficou a cargo da Companhia Alto Muriaé estabelecida em 1880. Em 2.05.1883 a empresa foi incorporada pela Leopoldina. Uma alteração de traçado da linha levou a Leopoldina a cruzar um pequeno trecho dentro do território fluminense.
Nesse trecho foi criada uma estação em Pangarito e feita uma conexão em Santo Antonio do Carangola (atual Porciúncula) que era a estação terminal da EF Carangola que vinha de Campos dos Goytacazes. De volta a Minas Gerais, a linha chegou em 1887 à importante povoação de Santa Luzia do Carangola (atual Carangola), onde parou por algum tempo. De 1911 a 1915, a Leopoldina continuou a linha até Manhuaçu, seu ponto final, e que acabou por nomear a linha.
Parte 1 – Correio ambulante
Como vimos, a Linha do Manhuaçu teve um pequeno trecho em território fluminense, no qual há duas estações com agencias postais, o que justifica a inclusão dos seus carimbos ambulantes neste trabalho. Vale salientar que os três primeiros registram um roteiro bem interessante: a ligação da Linha do Centro da Leopoldina com a EF Carangola, esta em território fluminense.
De fato, como se vê no canto esquerdo inferior do mapa, a Linha do Centro da Leopoldina (L.61) sai de Porto Novo do Cunha onde faz conexão com a EFCB através do Ramal de Porto Novo. Ao chegar a Recreio, entronca-se com a Linha de Manhuaçu. Esta por sua vez corre paralelamente á divisa com o estado do Rio de Janeiro e tem saídas para a EF do Carangola, que atende ao norte fluminense, e mais adiante saída para o Ramal Sul do Espirito Santo, como se vê no canto superior direito. Constituindo-se assim um importante ramo da malha ferroviária do sudeste brasileiro.
AMB 390 – Linha do Centro da Leopoldina à EF Carangola (1896)
As legendas M2 e M3 entendo se referirem a trens mistos
AMB 391 – Linha do Centro da Leopoldina à EF Carangola (1896)
A legenda Ex.2 entendo se referir a trem expresso. A arte aqui reproduzida é da colega birtânica Jay Walmsley.
AMB 393 – Recreio a Santa Luzia (1899)
A legenda ( A ) não consegui entender. A arte aqui reproduzida é da colega birtânica Jay Walmsley.
AMB 395 – Recreio a Carangola (1900-1904)
O envelope é interessante por corroborar minha introdução ao correio ambulante pela linha de Manhuaçu. Postado em Santa Luzia do Carangola com destino ao Rio de Janeiro, percorrendo várias ferrovias e ramais mineiros e fluminenses interligados.
Recebeu carimbos ambulantes na linha de Manhuaçu e no Ramal de Porto Novo da EF Central do Brasil (legenda SR), com recepção no Correio Central do Rio de Janeiro.
AMB 396 Recreio a Carangola (1924)
Aparentemente postado diretamente no trem.
Parte 2 – Agencias Ferroviarias [1]
Entre todas as agencias em estações nos trechos mineiros da linha de Manhuaçu, não encontrei nenhuma agencia de divisa, ou seja aquelas criadas em territorio mineiro com subordinação à DR-RJ por algum tempo. Faço esta menção porque as encontrei em várias outras linhas mineiras descritas neste trabalho.
No trecho fluminense, duas estações tiveram agencia postal Pangarito/Dona Emilia e Porciúncula. A agencia desta última (ERJ 994) está descrita na Linha do Carangola, onde foi criada (Linha 55).
Portanto, há uma única agencia ferroviária fluminense nesta linha, Pangarito/Dona Emilia. Ela tem a curiosidade de ter mudado de nome várias vezes, no que foi acompanhada pela estação (nem sempre na mesma época). Transcrevo abaixo a matéria publicada originalmente na página de Porciúncula neste site (texto do autor).
Agência Pangarito ou Dona Emilia (ERJ 997 e estação 57.02)
A dificuldade que tive em obter dados desse local acabou por render uma história curiosa. Tanto a estação quanto a agencia postal alternaram seus nomes entre Pangarito (Pedra do Pangarito, um dos pontos culminantes da região) e Dona Emilia (que seria o nome da proprietária das terras cruzadas pela ferrovia).
Pangarito foi o nome original da estação, inaugurada no final de 1894 na Linha de Manhuaçu. No entanto, adotou Dona Emilia por três vezes, sendo que na última vez, a partir dos anos 1940, definitivamente.
A agencia postal foi criada em 19 de dezembro de 1894 com o mesmo nome, provavelmente instalada na estação. Também adotou Dona Emilia por duas vezes mas Pangarito, diferentemente da estação, acabou por se tornar o nome definitivo da agencia. Esta fechou por volta de 1963 e os trens deixaram de circular no final dos anos 1970. Como se vê no mapa atual, o local nem mais aparece, resumindo-se a duas duzias de casas. O local parece-me que conserva o nome de Fazenda D. Emilia.
Com a ajuda da Wikimapia e do Bing Mapas capturei a imagem abaixo e localizei (assinalada em vermelho) a antiga estação, que permanece em pé e bem conservada como moradia. A imagem na sequencia, com o nome D. Emilia ainda visível está no site do Ralph Giesbrecht.
Fonte: site http://www.estacoesferroviarias.com.br/ mantido por Ralph Giesbrecht. A foto é de Amarildo Mayrink, maio de 2019.
Notas e Informações
[1] “Agencia ferroviária” é o termo usado pelos filatelistas para designar agencias postais instaladas em estações ou próximas a elas. Oficialmente o nome não existe, já que são agencias regulares dos Correios administradas por um agente postal subordinado à mesma estrutura das demais agencias fixas. O fato de constar “Estação” ou “Est.” nos carimbos é simplesmente um auxiliar de sua localização. Listar essas agencias nesta página tem objetivo de apoio aos colecionadores (entre os quais me incluo). No entanto, a exemplo das agencias regulares, cada uma delas tem sua história e imagens dos carimbos nos seus respectivos municípios.
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