Linha 8 EF Rio das Flores

Mapa Oschenek de 1899. Mas cabe uma correção no: onde está “Rio das Flores” (ao lado do 7 vermelho) deveria ser “Porto das Flores”.

LINHA 8 – ESTRADA DE FERRO RIO DAS FLORES

Um pouco de história:

O Vale do Rio Preto (trecho Porto das Flores a Afonso Arinos)

A região do vale do Rio Preto no final de século XIX vivia uma florescente riqueza proveniente da cultura do café. As fazendas se enfileiravam entre os municípios de Valença, Paraíba do Sul e Santa Thereza de Valença, este independente de Valença a partir de 1890 e posteriormente renomeado Rio das Flores. Para escoar sua produção, várias iniciativas ferroviárias foram implantadas. Já vimos na linha 7 em Valença que se estendeu até Santa Rita em MG. Por outro lado, a EF D. Pedro II chegava a Paraibuna em 1874, estação junto ao rio homônimo e próxima a foz do Rio Preto.

A Linha Ferro-Carril de tração animal

O Decreto nº 8.857 de 19 de janeiro de 1883, assinado pelo Imperador Dom Pedro II, aprovou os estatutos da Companhia Ferro-Carril Parahybuna a Porto das Flores, com tração animal, para construir a linha Paraibuna a Porto das Flores [1]. O início da obra na estação de Paraibuna foi comemorado festivamente em 25 do mesmo mês [2].
Em 7.08.1888 o governo estadual aprovou requerimento da Ferro-Carril solicitando dispensa da construção do trecho Santa Rosa a Porto das Flores (o que incluía Três Ilhas), ficando Santa Rosa como estação terminal da linha [3]. A linha Paraibuna-Santa Rosa está apresentada tabela de horários no Almanak Laemmert de 1884 para o trecho de Parahybuna às estações de Santa Mafalda, Três Ilhas e Santa Rosa [4].

Companhia Estrada de Ferro Commercio a Rio das Flores

Pelo decreto 6055 de 14 de dezembro de 1875 foram aprovados os estatutos da empresa e os trabalhos foram iniciados em 1876. Em 14.09.1882 abriu-se ao tráfego a 1ªseção até Taboas e em 1.08.1883 a 2ªseção até Santa Teresa (futura Rio das Flores). Com a liquidação dessa empresa, foi constituída em 7.08.1885 a Cia. Estrada de Ferro Rio das Flores com o compromisso de entregar a linha até Porto das Flores, o que aconteceu em 29 de agosto de 1885 [5].
Em 11 de janeiro de 1889 a empresa teve aprovado seu pleito para estender a linha de Porto das Flores a Santa Rosa [6].  A data de inauguração dessa estação adotei a da nota dos Correios em O Paiz de 23.02.1890 informando a troca de agente na estação de Três Ilhas, na EF Commercio e Rio das Flores.

Interpretando literalmente a nota, depreende-se que a EF Rio das Flores já havia aberto a estação de Três Ilhas e, portanto, também a de Santa Rosa que ficava anterior na linha.
Desse modo, na estação de Três Ilhas haveria a conexão com a Ferro-Carril que vinha de Paraibuna.

A Rede Viação Fluminense

Esse quadro seria impactado com o decreto de 1910, quando a EFCB constituiu a RVF – Rede de Viação Fluminense que seria composta, entre outras, pela Linha Auxiliar (Linha 18), a União Valenciana (Linha 7), e a Rio das Flores (Linha 8) com importante reflexo na região, a saber:

  • Continuação da EF Rio das Flores no trecho Três Ilhas até a estação de Barra Longa na EFCB, esta construída em 1911 e única estação dessa linha em território fluminense.
  • Construção da ligação Valença-Taboas. A EF Rio das Flores passaria assim a ter dois trechos iniciais, este vindo de Valença e o original vindo de Commercio.
  • Este último foi extinto em 1922 e assim a EF passa a ser referida como Ramal de Barra Longa, depois Ramal de Afonso Arinos, novo nome da estação em 1918.
  • Desativação em 1913 da linha ferrocarril de Paraibuna.

Ambos os trechos estão em tracejado no mapa que abre esta página. Resumindo as informações sobre as estações (ver também a planilha que vem no proximo parágrafo).

  • Santa Rosa:
    • Estação Ferro-Carril 1884; estação EF Rio das Flores: 1890
    • Agencia Postal: 1892
  • Três Ilhas
    • Estação Ferro-Carril 1884; estação EF Rio das Flores: 1890
    • Agencia Postal 1881
  • Santa Mafalda
    • Estação Ferro-Carril 1884; estação Rede Viação Fluminense 1913
    • Agencia Postal 1889

O Guia Postal de 1906 é muito didático ao descrever as linhas de malas do correio como se vê nas imagens:

 


Correio Ambulante

Não tenho informações sobre carimbos ambulantes nessa linha.


Agencias Ferroviarias [7]

 


Notas e Informações


[1] texto completo em https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/1824-1899/decreto-8857-19-janeiro-1883-544232-publicacaooriginal-55253-pe.html

[2] Inicio das obras na Gazeta de Noticias, ed.26

[3] Dispensa de construção do trecho, nota no Jornal do Commercio, ed.10

[4] Tabela de horários do Laemmert, ed.1884

[5] Texto baseado no livro A formação das Estradas de Ferro no Rio de Janeiro, de Helio Suêvo

[6] Extensão da linha no O Fluminense, ed.16.11.1889 imagem

[7] “Agencia ferroviária” é o termo usado pelos filatelistas para designar agencias postais instaladas em estações ou próximas a elas.  Oficialmente o nome não existe, já que são agencias regulares dos Correios administradas por um agente postal subordinado à mesma estrutura das demais agencias fixas. O fato de constar “Estação” ou “Est.” nos carimbos é simplesmente um indicador de sua localização. Listar essas agencias nesta página tem objetivo de apoio aos colecionadores (entre os quais me incluo). Detalhes históricos e imagens estão no menu ERJ por muncipio.

 


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