Carangola é o nome do rio que nasce em Minas Gerais e entra pelo estado do Rio até desaguar no rio Muriaé proximo a Itaperuna. Vários povoados ribeirinhos, posteriormente municipios, adotaram seu nome como adjunto adnominal. Por exemplo, no mapa abaixo, Santa Luzia do Carangola (atual Carangola-MG), Tombos do Carangola (atual Tombos-MG), Santo Antonio do Carangola (atual Itaperuna-RJ) e Natividade do Carangola (atual Natividade-RJ).
Mapa Oschenek de 1899 do arquivo digital da Biblioteca Nacional (RJ). Sobre essa base, acrescentei em cores o traçado das ferrovias e, em azul claro, o leito dos principais rios acompanhados pelas ferrovias, cujos nomes foram adotados também por algumas importantes localidades e linhas ferroviárias.
A imagem é um detalhe do mapa Laemmert de 1953 da coleção do IHGB (RJ) que acrescenta ao anterior uma atualização das localidades e as divisas dos municipios.
A Estrada de Ferro do Carangola foi projetada no inicio dos anos 1870 dentro da visão de completar a ligação entre as capitais dos estados do Rio e do Espirito Santo (linha 51 em azul), com direito a um ramal para Carangola em Minas Gerais. Seus estatutos foram aprovados pelo decreto 5.890 de 20 de março de 1875 (Gazeta Juridica) e o primeiro trecho ligando Campos a Murundu aberto em 1876. A partir daí, a linha se bifurcaria para Itabapoana e para Carangola.
Correio Ambulante
Desde 2014, quando esta página foi ao ar pela primeira vez, procuro carimbos ambulantes da Linha do Carangola. Finalmente, em 2026 consegui o carimbo apresentado a seguir com a legenda “Centro a Carangola” datado de 22.09.1908 (de fato, não muito legível, mas que fica melhor com aumento). A data faz sentido por estar sobre o tipo RHM 103, emissão 1902/1905 (margens grandes).
AMB 380 – Centro a Carangola (1908)
Vale um esclarecimento sobre a legenda. “Centro” se referia à Agencia Central de Campos, a única em operação nessa época (*). Carangola era o nome da estação final da linha, criada como Santo Antonio de Carangola em 1886 e renomeada Porciúncula em 1904. Sua agencia postal homônima, criada no mesmo ano de 1886, demorou para acompanhar a estação e somente seria renomeada Porciúncula em 21.10.1930.
Sabemos também que a EF Leopoldina por volta de 1905 havia adquirido o controle de toda a malha ferroviaria de Campos. Sua principal estação seria a “Coroa” (**) que, mesmo não tendo agencia postal, receberia a mala postal da Central por estafeta (a tabela de horários abaixo registra “Campos” como estação, mas na verdade a leitura correta seria “estação em Campos”.
A tabela de horários da Linha de Carangola em 1904, publicada no Almanaque Laemmert, lista as estações de toda a linha Campos a Porciúncula
Notas
(*) pode parecer estranho chamar a agencia de origem por “centro” de uma região distante como Porciúncula. No entanto, quando a ferrovia foi inaugurada em 1886, o seu traçado corria inteiramente dentro do municipio de Campos.
(**) na página Campos – sede do municipio há um estudo histórico da rede ferroviária de Campos descrevendo e localizando as suas primeiras estações.
Agencias Ferroviárias
As imagens estão apresentadas nos respectivos municipios.
© 2014-2026 agenciaspostais.com.br rev out/2026





