INTRODUÇÃO
Devido ao elevado número de agencias do município, decidi apresentá-las em cinco páginas, sendo a primeira um guia geral de localização das agencias nas diversas páginas.
Esta é a da região da sede. Caso deseje ver outra região, clique no respectivo link para redirecionamento a cada uma das páginas.
A região metropolitana está destacada em escuro no mapa acima, sendo (1) o tradicional centro da cidade e (2) o antigo distrito de Guarus, este criado em 1759 e reanexado à sede em 06/02/1967 (IBGE)
CAMPOS DOS GOYTACAZES, um pouco de história
Ela remonta ao sistema administrativo das Capitanias Hereditárias implementado pela Coroa Portuguesa no Brasil em 1534.
A Capitania de São Tomé deve seu nome ao cabo de S. Tomé no município de Campos e foi concedida a Pero de Góis da Silveira pela Coroa Portuguesa por Alvará de 10 de março de 1534 como uma das quinze parcelas do território brasileiro entregues por Dom João III de Portugal a donatários em regime de hereditariedade. Ela ficava compreendida entre as atuais cidades de Itapemirim (Espírito Santo) e Macaé (Rio de Janeiro) [1].
Mapa do século XVI, cf. livro de 1928 “História do Estado do Rio de Janeiro” de Clodomiro Vasconcellos – Edições Melhoramentos.
A Vila de São Salvador foi criada em 29 de maio de 1677 em local próximo à capela de São Salvador, que foi construída em 1652 e que era administrada por beneditinos. Em 1833, foi criada a Comarca de Campos e em 28 de março de 1835 a vila foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Campos dos Goytacazes [2]. Foi o início de um período de grande progresso trazido pela implantação da cultura de cana de açúcar na região da Baixada Campista entre o rio Paraíba e a Lagoa Feia. Em 1875 contava-se mais de 200 engenhos.
Fatos marcantes e pioneiros na cidade
O município foi palco de importantes acontecimentos: recebeu quatro vezes o imperador D. Pedro II, foi a primeira cidade da América Latina a ser dotada de luz elétrica [4] e também de uma rede urbana de abastecimento de agua tratada em 1880 [2] , teve um campista na Presidência da República (Nilo Peçanha) e outros no governo estadual. A cidade também se sobressai pelos seu conjunto arquitetônico e em decorrência foi uma das únicas quatro cidades do interior do estado registradas como de interesse máximo com três estrelas na única edição impressa do Guia Michelin do Rio de Janeiro em 1990 [3]
O Correio em Campos, a primeira agencia postal do país
Campos teve a honra de sediar a primeira agência postal do Brasil criada em 16 de junho de 1798, além de ser o municipio onde cataloguei o maior número de agências postais – 132 até esta data.
Abaixo reproduzo documento assinado em 13 de junho de 1798 por D. Maria I de Portugal, que consta do arquivo da Câmara Municipal, e que reproduzo do livro de Feydit [1] O grifo é meu, destacando a data de 16 de junho de 1798 como a da criação da agencia).
(…) Na página seguinte: “Em 5 de dezembro de 1798, que era uma quarta-feira, saía de Campos o primeiro estafeta (para o Rio de Janeiro) (…) O porte de cada carta era de 480 réis.”
A rede ferroviária do município
Como em vários outros municípios, as estradas de ferro deram origem à maioria das agências do município. Seis delas o cruzavam, conforme se pode observar no mapa abaixo que consta no menu Correio Ferroviário neste site e do qual reproduzo também a numeração das linhas.
As letras (A-E) indicam a cronologia de inauguração das ferrovias e estações iniciais.
-
- A – Ramal de S. Sebastião (1873 – em azul) linha 49
- B – E.F. Macaé e Campos (1875 – em laranja) linha 43
- C – E.F. do Carangola (1877 – em vermelho) linha 51
- D – Linha Campos a S. Fidelis (1891 – em amarelo) linha 53
- E – Ramal de Campista, ou de Atafona (1896 – em violeta) linha 48
- Em verde, a linha de Barão de S. José, que não cruza a cidade.
O traçado das linhas na região urbana
O objetivo deste estudo foi mapear os traçados das linhas e a localização das estações inciais, algumas das quais tiveram agencias postais instaladas. O mapa base é o Topographico do Annuario Campista de 1920 com minhas anotações. A apresentação segue a sequencia cronológica apresentada acima, em dois mapas que permitem visualizar a reestruturação da rede feita pela prefeitura em conjunto com a Leopoldina no incio da século XX.
Mapa 1 (1870-1890)
**
Mapa 2 (1890-1940)
**
Seguindo a ordem cronológica:
A – A EF Campos a S. Sebastião (3 de julho de 1873) pode ser vista no canto inferior direito do Mapa 1, com traçado partindo da Estação do Rocio em frente ao Largo homônimo e subindo a rua Marechal Deodoro até o bairro do Becco, seguindo então a rua homonima para o interior. Essa foi a primeira estação do município e atendia, é claro, a região canavieira da baixada campista. Com o tempo, ao longo dessa linha foram criadas mais 5 agencias, porém nenhuma delas na região metropolitana. O prédio da antiga estação foi preservado e é hoje a sede da Faculdade de Direito de Campos (imagem).
Como se vê no Mapa 2, a Leopoldina Railway alterou o traçado em 1913 fazendo-o acompanhar a nova via pública construída entre 1895 e 1900 e que ficou conhecida por “Passeio Municipal”. A estação inicial passou a ser a Avenida, inaugurada em 1907 [6]. A autorização para esse traçado já havia sido concedida à Leopoldina em 1889.
Sua localização precisa pode ser vista assinalada no mapa atual do Google abaixo. Os trilhos seguiam pelo centro da avenida.
Uma agencia “Avenida” foi criada em 1º de maio de 1921 mas não há indícios suficientes para localizá-la no prédio da estação. Não tenho carimbos.
**
B – EF Macaé e Campos (14 de janeiro de 1875) Importante ferrovia que ligava as duas maiores cidades da região. Seu traçado acompanhava o canal homônimo construído em 1861 como uma hidrovia para escoar a produção canavieira da região. No Mapa 1, vê-se à esquerda o traçado da EF cruzando a periferia da cidade e chegando até às margens do rio Paraíba – onde foi construída a Estação Central da EF Macaé e Campos. Nesse local foi criada a agencia postal homônima em 18.02.1881 por ordem do Ministério como se vê na imagem abaixo.
Gazeta de Noticias de 19 de fevereiro de 1881
Não possuo exemplares. Koester – no verbete Macaé – descreve um sinete relativamente frequente na emissão de 1878 e também um oval que reproduzo abaixo, embora meu exemplar esteja quase ilegível. Koester também apresenta um exemplar da estação de S. Sebastião (final de linha) e já da república. Eu o reproduzo ao lado.
Em 1887 a Cia. Leopoldina comprou a ferrovia. Mais tarde a Leopoldina Railway a herdou e construiu a ponte ferroviaria sobre o Paraiba para fazer a conexão da Macahe e Campos com a EF Carangola. Com o aumento da demanda decorrente da consolidação das duas ferrovias, foi construída em 1910 a Estação Central Leopoldina, um pouco antes na linha, que ficou conhecida por Estação do Sacco, o nome do bairro. A estação anterior passou a ser conhecida por Campos – Cargas.
Uma agencia postal homônima foi criada em 8.06.1911. Pela data, faria sentido estar na nova estação. Talvez tenha sido transferida da estação antiga… mas não consegui documentação.
Infelizmente só possuo exemplares dessa agencia bem mais recentes (imagem).
**
C – E.F. do Carangola (19 de novembro de 1877) A data é a da inauguração do primeiro trecho da ferrovia até Travessão. A estação inicial foi construída em 1881 na margem esquerda do Paraiba, em frente à ponte de armação metálica recém construída, a primeira a cruzar o rio e que tinha largura para permitir o tráfego de carga por carroças. Ficou conhecida por “Ponte de Pau” por ter o piso em táboas. A estação, por sua vez, foi construída em 1881 e denominada Estação Central do Carangola.
Nela foi instalada uma agencia postal homônima em 10 de setembro de 1889, segundo nos informa o Relatório dos Correios de 1889.
Quanto a carimbos, aparecem com certa frequência bissectados e trissectados com legenda estação central de carangola. Sempre desconfiei deles, principalmente por apresentarem datas anteriores à criação da agencia. Mestre Koester também os descreve e manifesta a mesma opinião. Assim, deixo de apresentá-los.
A EF foi comprada pela Macahe e Campos em 1889 que a transferiu para a Leopoldina em 1890. Conforme vimos no parágrafo anterior, por decreto de 10 de outubro de 1905 a Leopoldina Railway, sucessora da Leopoldina, recebeu autorização do governo para estabelecer conexão entre as EF do Carangola e da Macahe e Campos, ambas de sua propriedade, “através de um ramal atravessando a ponte metallica”. Essa conexão pode ser vista, ou melhor, adivinhada bem no alto do Mapa 2. Com isso, a antiga “Estação Central” junto ao rio foi desativada e a estação inicial da Carangola passou a ser a Central da Leopoldina na antiga linha Macae e Campos.
Note-se que na conexão consta ter sido construída uma nova estação que é referida na documentação por “Estação Campos-Carangola” entre Campos e Travessão no distrito de Guarus, como se vê na imagem a seguir [5].
O prédio dessa estação, embora descaracterizado, ainda resistia até recentemente como se vê na imagem abaixo (Google 2011). À direita, a linha da Leopoldina e, à esquerda, a avenida construída sobre o antigo traçado da EF Carangola.
**
D – A linha Campos a S. Fidelis (1º de agosto de 1891) teve sua licença concedida em 1885 à EF Macahe e Campos porem só foi construída em 1891, após ser incorporada pela Leopoldina, como um ramal da linha principal que partia do futuro local da estaçao Central da Leopoldina, como se vê no Mapa 1. Ela seria posteriormente estendida até MIracema com a fusão com outras ferrovias. A imagem é da estação em S. Fidelis.
**
E – O Ramal de Campista (31 de outubro de 1895) ligava Campos a São João da Barra pela margem direita do rio Paraiba. Originalmente sua estação inicial foi construída na rua dos Goytacazes esquina com a rua Saturnino Braga, em frente á Fábrica do Gás, de onde seguia paralelamente ao rio (Mapa 1). Com a construção do Passeio Público a Leopoldina Railway fechou a “estação do Gazômetro” e passou a estação inicial para a Estação Avenida inaugurada em 1907. Ver o novo traçado no Mapa 2.
Vale mencionar que a primeira estação dessa linha esteve em frente ao Solar dos Ayrizes, citado no Guia Michelin como prédio histórico e que dizem ter inspirado o romance “A Escrava Isaura”.
O local teve agencia postal de 1895 a 1940 com o nome de “Dores de Ayrizes”. Tenho reprodução, embora com pouca qualidade.
Como observação final, as agencias que apresentei acima serão reapresentadas em suas respectivas áreas, seguindo a ordem cronológica da tabela em excel.
Notas e Informações
[1] Livro “Subsídios para a história de Campos dos Goitacases” de Julio Feydit (Campos, 1845-1922) pela Editora Esquilo, Rio de Janeiro 1979 (reedição atualizada da obra original de 3 de janeiro de 1900). O autor foi industrial, vereador e prefeito de Campos no periodo de 1908 a 1910. O nome da capitania foi tomado do Cabo de São Tomé, nomeado em 1501 na costa sudeste do município de Campos.
[2] Wikipedia (2025)
[3] Michelin et Cie, Propriétaires-Éditeurs -1990 ISBN 2.06706.570 – Printed in Brazil
[4] Campos dos Goytacazes (RJ) foi a primeira cidade da América Latina e a primeira do Brasil a ter iluminação pública elétrica, em 1883, após a instalação de uma usina termoelétrica na cidade. Este feito foi tão significativo que o dia 24 de julho foi instituído como o Dia Nacional da Iluminação Elétrica. (IA Google, 2025)
[5] Estatistica das Estradas de Ferro, 1930
[6] Materia na Gazeta de Noticias de 8.06.1908 cita a construção da estação
Avenida “no governo Rodrigues Peixoto” (que foi prefeito de Campos em 1907). A estação foi incendiada em 1908 em protesto contra a Leopoldina. Consta ter ela sido provisoriamente construída em madeira e, depois do incendio, reconstruída em alvenaria, como se vê na foto.
Tabela das agencias da sede do município de Campos dos Goytacazes
(Local 1 no mapa)
ERJ 192 – CAMPOS (1798-1988)
O exemplar mais antigo tem o registro PA1135 sobre emissão de 1844 (inclinados). RHM também o apresenta no Catálogo Enciclopédico sob o nº P-RJ-4, conhecido sobre exemplares de 1826 a 1838 (pré-filatélicos portanto).
A carta da qual tenho reprodução da frente é da coleção de Peter Meyer e, segundo ele mesmo me escreve, (…) “a peça que está na minha coleção foi escrita no dia 19 de fevereiro de 1836 para Benavente com porte de 100 réis e carimbos ITAPEMERIM + S+I+DECAMPOS (apagado). Tudo indica ser Serviço Imperial e entraria no capítulo de marcas de isenção postal caso seja encontrada uma peça isenta de porte com este carimbo. Como eu faço (ou procuro fazer) o catálogo apenas com peças que me são apresentadas pessoalmente, eu não faria esta mudança”.
É claro que ele se referia ao carimbo +S+I DE CAMPOS, sobre o qual vou voltar a falar nos carimbos de serviço. Eu a apresentei aqui para datar a carta acima em 19/02/1836 no carimbo de trânsito em Campos, carimbo apontado pelo circulo azul, que é o objeto deste bloco.
A segunda reprodução é de carta com carimbo semelhante, provavelmente pre-filatélica mas da qual não possuo mais dados.
*
O segundo carimbo tem carimbo PA1256 sobre emissão 1843. Dele tenho reprodução do livro de H.B.F sobre par de OdB 30Rs. RHM também o apresenta no Catálogo Enciclopédico sob o nº P-RJ-4, conhecido sobre exemplares de 1839 a 1843.
*
O primeiro circular que aparece é o “francês” tipo T1a. Dele possuo dois exemplares.
- O primeiro sobre carta de 1872 postada em Campos em 19.09, transita pelo Rio dm 20, chega a Bordeaux em 14.10 e ao destino (Multien) em 16.
- O segundo, carimbo sobre emissão D. Pedro percé datado de 1880
A próxima série é do tipo T2. Possuo exemplares de três subtipos: 2a, 2b e 2c. Com suas respectivas variedades de legenda, compõe um grupo de seis tipos.
- T2a – sem legenda inferior, datas 1884-1888
- T2b – com caracteres na legenda inferior. Neste caso, o numeral (2) 1881-1888
- T2b – legenda inferior (CIDADE) em tipos pequenos (1889)
- T2b – idem, em tipos bem maiores (1889-1891)
- T2c – com florão tipo1 na legenda inferior (1891-1894)
- T2c – com florão tipo2 (1894-1896)
Nº 1 – note-se que os algarismos do ano curiosamente se alternam entre pequenitos (caso da carta-bilhte de 1886) e grandes (1888 por exemplo)
Nº2 – Essas legendas grafadas (1), (2), etc. já foram objeto de varios estudos, mas sem conclusão. Uma corrente alega que é para diferenciar localidades homônimas. Em 1880 há de fato um outro Campos em Sergipe, DCA 1845. Mas Campos-RJ tem DCA 1798 – não deveria portanto ser a nº1? Outra alternativa seria para numerar o guichê de atendimento.
Nº3 e Nº4 – Estes trazem (CIDADE) na inferior, talvez um diferencial. O primeiro (com diâmetro e tipos menores) eu supus por analogia que tenha a mesma legenda. As datas são cronologicamente distintas do Nº2 (1889-1891)
Nº5 e Nº6 – o tipo T2c, já na epública, tem dois florões diferentes que parecem seguir a cronologia (1891-94) e (1894-96).
**
A próxima série de carimbos é do tipo T4, circulados na república e que apresentam como diferencial a clássica legenda fluminense (E.do RIO). Deles, possuo três subtipos, com caracteristicas próprias
- T4a – seu datador tem o ano em dois dígitos, tendo circulado no século XIX
- T4b – datador em quatro dígitos. Consta que os carimbos precisaram ser refeitos para acomodá-los, tendo às vezes diâmetros internos pouco maiores. Circularam sobre as primeiras séries da república, até Madrugada
- T4f – estes circularam nas décadas seguintes, a partir da emissão Alegorias, e apresentam pequenas diferenças de diâmetros e tipologia. São raros neste grupo.
Com suas variedades de legendas, compõem um grupo de 12 layouts diferentes, circulados entre 1897 e 1912, que apresentarei na sequência de suas legendas.
Legenda Campos, a mesma dos tipos anteriores
A série seguinte inaugura menção a diferentes distribuições, que informam o horário aproximado do periodo do trânsito das peças. Tenho exemplares da 1a.D e da 3a.D, fatando a 2a.D (talvez da tarde?). Um detalhe de carimbologia: o primeiro grupo (T4b 1904-1910) tem diâmetros externos menores (24mm) e o segundo grupo (T4f 1910-12) os tem maiores (25,5mm).
Os da 3a.D pertencem ao primeiro grupo (1906, 24mm).
Esse solitário tipo inaugura o período noturno; legenda (E.do Rio – noite)
Os próximos exemplares voltam a mencionar “cidade”, agora na legenda superior. Campos é oficialmente cidade há mais de 50 anos. Qual seria a finalidade dessa legenda? Circularam aproximadamente de 1895 a 1909, ou seja, contemporâneas dos dois últimos tipos (que também tinham E.do Rio na inferior. Ou seja, 4 tipos circularam ao mesmo tempo nesses 10 anos. Qual a razão? Na verdade, havia uma segunda agência, na estação central, criada em 1881. Talvez por isso, não sei.
Além disso, há duas legendas diferentes: “C. DE CAMPOS” em 4 subtipos e “CID. de CAMPOS” em 3 subtipos.
Tipos C. de Campos (repare que os 4 tipos têm sequência cronológica)
Tipo 1 – ano em dois digitos (1895-97)
Tipo 2 – ano em 4 digitos, diametro 25mm (1907-1908)
Tipo 3 – idem, d=24mm (1908-1909)
Tipo 4 – idem, d=23mm (1910-1911)
Tipos Cid. de Campos
Tipo 1 – ano em dois digitos (1898-99)
Tipo 2 – Letras pequenas (1902-1906)
Tipo 3 – Letras maiores (1903-1907)
Termina aqui a apresentação das séries clássicas comuns.
Vale aqui uma observação. Faltam-me exemplares de Campos datados entre 1912 e 1930. Digo, exemplares regulares, pois eles existem nos serviços registrado, expresso e na tesouraria, que veremos mais adiante.
Isso me leva a formular a hipótese que o serviço de captação e recepção da correspondência tenha sido delegado para as novas agências criadas no perímetro urbano, permanecendo na “central” somente os serviços especiais. Vou reapresentar um trecho do quadro de agencias que mostra as datas de criação dessas agencias:
Reparem: Beco, Coroa, Covas d’Areia, Lapa, Estação Central, Saco e Avenida – todas criadas entre 1910 e 1920. Como dizem os italianos, se non è vero, è bene trovato. Não lhes parece?
Os carimbos regulares, que voltam a aparecer no inicio dos anos 1930, serão apresentados na sequência dos tipos, ou seja, aproximadamente uma ordem cronológica. Começando com o tipo T7.
Franquias Mecânicas
Obliteradores Mecânicos
CARIMBOS DE SERVIÇO
Os primeiros carimbos de uso administrativo são reproduções sem data, mas que reforçam a importância histórica da agencia de Campos no cenário nacional.
O primeiro traz o brasão imperial do Brasil de 1822 que reproduzo abaixo. É uma rara ilustração em selos postais.
O segundo traz menção à 1ª Classe, o que me levou a pesquisar o tema. Descobri que o primeiro Regulamento dos Correios a mencionar a classificação das agencias em quatro classes foi o de 1888. Nele são relacionadas as agencias de 1ª Classe: Niteroi e Campos (RJ) Santos e Campinas (SP) e Rio Grande e Pelotas (RS). O conceito foi mantido no primeiro regulamento republicano de 1890. Assim, podemos atribuir essa data ao carimbo em tela.
O terceiro, de 1929, intitulado “Agencia Especial do Correio de Campos” tem curiosamente o datador em francês, com a abreviação de Juillet. O conceito de “agencia especial” aparece pela primeira vez no artigo 348 do Regulamento de 1909 como uma classe superior às quatro tradiconais. São relacionadas apenas três agencias dessa classe no território nacional: Campos, Santos (agencia de 1845) e Rio Grande (esta última, a mais antiga cidade do RS, com agencia criada em 1848).
Realmente, é de impressionar a importância nacional da agencia de Campos na época.
Serviço Aéreo
Nota: a próxima página é reprodução de um trabalho gentilmente cedido por Orio Massari. Apesar de não ter sido postada em Campos, vale pelo registro histórico do primeiro vôo do serviço aéreo dessa companhia para Campos em 17.06.1929, que havia sido autorizado pela DGC em 14 de junho de 1929 pela portaria 844 E/1ª (fonte DOU de 14/06 pag 13582). Os dois carimbos seguintes também estão citados, embora sem descrição. Pelas datas, suponho que tenham ambos sido criados para uso nesse serviço aéreo que, no entanto, durou pouco e a linha foi desativada em 16 de novembro do mesmo ano.
Nos carimbos regulares, cinco páginas acima, apresentei uma segunda carta postada em Campos em 21 de junho de 1929 (ERJ 192 – T10 “Campos-Tarde” ). Infelizmente foi utilizado um obliterador comum apesar de ter recebido um carimbo de serviço “Pelo Correio Aéreo da ETA”).
De qualquer modo, Campos mais uma vez mostrava sua presença de vanguarda.
***
Serviço Imperial
A marca postal S+I+DECAMPOS tem aparecido nos catálogos RHM, pelo menos desde 2008, no capítulo referente a carimbos pré-filatélicos sob o nº P-RJ-05 com a observação que uma única peça é conhecida (no caso, um envelope circulado em 19 de fevereiro de 1836 – acervo Peter Meyer).
Como me dedico especialmente à historia postal do Estado do Rio, perguntam-me vez por outra se tenho informações sobre a peça, o que eu vinha negando. Numa revisão recente do site em 2021, voltei a me debruçar sobre o tema.
Orientei minhas pesquisas para o significado da abreviatura ( S+I+ ). Dentre as alternativas, a que me pareceu mais adequada foi “Serviço Imperial” até porque também aparecia assim em Portugal. No entanto, esse epíteto aparece relacionado a uma grande variedade de coisas, tais como meio de transporte, empregados ou até serviço de porcelana.
Um documento finalmente atraiu minha atenção. Foi publicado pelo Anuário do Museu Imperial de Petrópolis em 1942. Trata-se da “Instrução para o Correio Público estabelecido entre esta capital e as vilas de Jundiaí, São Carlos, Itú e Sorocaba.”
O artigo “Vinte Hum” desse documento reza (sic): “Somente as cartas e papéis dirigidos pelas Authoridades constituídas ou pelos seus Secretarios, ou Escrivaens, que houverem por objecto o Serviço Imperial, e Nacional, serão isentos de taxas, e para o que se deve expressar nos subscriptos o titulo da Authoridade, que os dirigir (…)”
Está assinado e datado “Sam Paulo, vinte e cinco de Novembro de mil oitocentos e vinte e quatro – o Secretario do Governo Joaquim Floriano de Toledo.”
O grifo (meu) remete naturalmente ao detalhado capítulo “Marcas de Isenção de Porte” que está às pgs. 21-23 do Vol. I do catálogo RHM de selos do Brasil 59ª edição de 2016. Os tipos descritos sob o nº MIP-m4 e MIP-m4A se referem exatamente ao Serviço Imperial e Nacional. Mais adiante, à pg. 23, são reportados exemplos de serviço COM SUFIXO. Finalmente, à pg. 27, trata-se de marcas de isenção aplicadas por carimbo. A pergunta que fica é: o carimbo S+I+DECAMPOS não deveria estar classificado nessa seção do catálogo ao invés dos pré-filatélicos?
Enderecei essa questão ao Peter Meyer, editor do referido catálogo, que me enviou o seguinte comentário:
(…) “a peça que está na minha coleção foi escrita no dia 19 de fevereiro de 1836 para Benavente com porte de 100 réis com carimbos ITAPEMERIM e S+I+DECAMPOS (apagado). Tudo indica ser Serviço Imperial e entraria no capítulo de marcas de isenção postal caso seja encontrada uma peça isenta de porte com este carimbo. Como eu faço (ou procuro fazer) o catálogo apenas com peças que me são apresentadas pessoalmente, eu não faria esta mudança”.
Com a questão em suspenso, conforme opinião do colega, eu incluí a imagem nos carimbos de serviço de Campos acompanhada por este artiguete de esclarecimento.
Serviço Registrado
Tenho exemplares (esassos) circulados entre 1911 e 1958.
Carimbos de Serviço Expresso
Circulados entre 1928 e 1969
Carimbos da Tesouraria
Circulados entre 1914 e 1942
Achei interessante apresentar um detalhe do Vale Postal de 1920 acima, no qual notei um grampo de metal que talvez tenha sido usado para anexar algum documento ao vale, mas do qual não há vestígio. Mas trata-se de um grampeador sui generis que possui inscrição “CORREIO BRASIL” em relevo. Alguém conhece?
ERJ 193 – Campos dos Goytacazes (1988)
Em 1988 a cidade retomou seu nome tradicional, com a grafia Goytacazes (inicialmente com I e posteriormente com Y) , acompanhando o Acordo Ortográfico de 1990, que acrescentou as letras K, Y e W ao abecedário nacional.
OUTRAS AGENCIAS DA REGIÃO METROPOLITANA
Algumas dessas agencias estiveram localizadas em estações ferroviárias, ou próximas a elas, nas várias linhas que foram construídas nas últimas décadas do século XIX. Abaixo incluo um pequeno histórico dessas linhas, o que ajudará na localização das agencias. Minhas anotações no Wikimapia abaixo mostram os traçados.
Linha 49 EF Campos a São Sebastião foi autorizada pela Lei 1407 de 24/12/1868. Os estatutos foram aprovados em 10/11/1871 inaugurando-se o tráfego até São Gonçalo em 21/06/1873. Essa foi a primeira estação inaugurada na cidade e ficava situada na Rua Formosa (hoje, Rua Tenente Coronel Cardoso), em frente ao Largo do Rocio, de onde subia pelas ruas do Principe (atual Mal. Deodoro) e Ipiranga até encontrar a Rua do Beco (atual 28 de Março) e continuar para São Sebastião. Em 1889 foi adquirida pela Cia Macaé e Campos e esta posteriormente pela Leopoldina em 1890. Com a construção do Passeio Público (atual 28 de Março) em 1908 (ou 1913 em outra fonte) todo o trecho entre o Rocio e a 28 de março foi desativado, passando a estação inicial a ser na estação Avenida na mesma rua. O antigo imóvel da estação foi cedido à municipalidade e hoje abriga a Faculdade de Direito de Campos.
Linha 43 EF Macaé e Campos foi construída pela Cia Macaé e Campos autorizada a funcionar pelo Decreto 4803 de 18/10/1871. Em 10/08/1874 inaugurou-se o primeiro trecho Imbetiba-Carapebus e entregue até Campos em 13/06/1875, com festividades com a presença do Imperador. Sua estação inicial foi a Central de Macaé e Campos na região conhecida como Coroa, junto à margem do rio Paraíba. Em 1906 a Leopoldina, que adquiriu a ferrovia em 1889, construiu uma ponte ferroviária sobre o Paraíba, permitindo conexão dos trilhos da EF Carangola com os da EF Macaé e Campos. Em 02/03/1907 foi inaugurada a nova estação Central da Leopoldina no local da anterior de 1875. Ficou conhecida por Estação do Sacco.
Linha 55 EF de Carangola teve aprovado seu estudo em 15/04/1875 pelo Decreto 6167. Em 10/08/1876 foi inaugurado o trecho até Murundu. Deste local partiriam posteriormente as linhas de Santo Eduardo (1879) e Carangola (1886). Sua estação inicial, a Central de Carangola, é de 1877 e ficava na região de Guarus junto à margem norte do rio. Esse era o local onde terminava a “Ponte de Pau”, a primeira ponte construída sobre o rio em 1873, em estrutura metálica mas como piso de madeira para pedestres e carroças. Em 1906 a Leopoldina construiria a ponte ferroviaria sobre o rio Paraíba conectando a Carangola com a EF Macaé e Campos. A antiga estação junto ao rio e seu trecho inicial foram desativados. Com o aumento do tráfego, a antiga Central da Macaé e Campos ficou sobrecarregada. A Leopoldina decidiu em 1910 construir a 1km do rio uma nova que fico conhecida como Estação do Sacco (bairro que lhe ficava em frente) e a antiga como Estação Campos – Cargas (ou Estação da Corôa, nome do bairro ribeirinho). Essa estação foi substituída nos anos 1940 por um imponente edificio que atualmente está preservado por ser ocupado por órgãos públicos.
Linha 48 EF Campista recebeu licença pelo Decreto 130 de 16/10/1894 para a linha de Campos à foz do rio Paraíba em S. João da Barra. O tráfego foi aberto provisoriamente em 11/04/1896 até Atafona. Sua estação inicial foi construída na “rua do Gás” (atual Goitacazes) em frente ao Gasômetro. Seu traçado seguia em rua paralela ao rio. Ao ser construída a estação Avenida na 28 de março, o Leopoldina destivou todo esse trecho e a Avenida passou a ser a estação inicial. Desse modo, a Leopoldina pôde integrar toda a rede ferroviária na cidade.
***
Histórico das agencias. Becco e Corôa são bairros próximos à estações ferroviárias, mas nada no histórico oficial as liga diretamente a estações. Não tenho imagens de nenhuma das quatro primeiras
ERJ 194 – Becco (1910-1934)
ERJ 195 – Corôa (1913-1969)
ERJ 196 – Covas d’Arêa (1910-1948)
A rua Covas d’Area é a atual Jose do Patrocínio.
ERJ 197 – Lapa (1911)
A Lapa fica à beira-rio junto ao antigo porto.
ERJ 198 – Estação Central da EF Macaé e Campos (1881)
Eata é uma das duas agencias da cidade localizadas em estação.
A estação central da EF Macahe e Campos foi inaugurada em Campos em 13 de junho de 1875 e a agencia postal é de 18 de fevereiro de 1881 (nota na Gazeta de Noticias). Trata-se de agencia instalada no prédio da estação. Infelizmente não lhe possuo carimbos.
ERJ 199 – Sacco (1911-1992)
A agencia Sacco é de 08.06.1911 (O Fluminense de 10.06). Em 1910 a Leopoldina inauguraria na região sua nova central, mas nada na literatura indica que a agencia funcionasse no mesmo prédio. Os GPs mais recentes dos anos 1980 a indicam em ruas do centro.
ERJ 200 – Turf Club (1941)
Turf Club é nome de um bairro próximo ao centro.
ERJ 201- Avenida (1921)
Não creio que haja ligação com a estação homônima, que é de 1913.
ERJ 201A – Parque Rosário (1969)
Infelizmente não possuo carimbos do início do século xx. Os poucos que tenho, apresentados abaixo, são bem mais recentes.
ERJ 202 a ERJ 209 – Agencias Franqueadas
ERJ 202 – ACF Barão do Amazonas
ERJ 202A – ACS Shopping estrada
ERJ 203 – ACF Tavares
ERJ 204 – ACF Pelinca
ERJ 204A – AGF Pelinca Campos
ERJ 205 – ACF Posto Treze
ERJ 206 – ACF Princesa Isabel
ERJ 206A – AGF IPS
ERJ 207 – ACF Progresso
ERJ 207A – AGF Rodoviaria
ERJ 208 – ACF Projevitor
ERJ 209 – ACF Gedri
PARTE II – GUARUS (local 2 no mapa)
No livro de registro da Câmara Municipal consta em 22 de julho de 1739 a doação de uma légua de terra na parte do norte do Paraíba para a aldeia dos índios Guarulhos. Em 3 de janeiro de 1759 o IBGE nos informa ter sido criado o distrito de Guarulhos. incorporado a São Salvador de Campos. O distrito será renomeada Guarus em 31/12/1943 e extinto em 6/12/1967 sendo seu território incorporado a Campos. Lamento não possuir imagens das três primeiras denominações do distrito e somente duas de Guarus. Quem sabe, um dia…
Tabela das agencias
ERJ 210 – Santo Antonio de Guarulhos (1898)
ERJ 211 – Guarulhos (1898-1899)
ERJ 212 – Guarulhos (1899-1943)
Uma das iniciativas do governo Vargas foi reestudar a divisão territorial das UF, o que resultou no Decreto-Lei 5.901; Baseado nele, o DGC emitiu esse comunicado renomeando dezenas de agencias no país de modo a minimizar a existência de homônimos. Escolhi 31.12.1943 como data de implementação.
No nosso caso, Guarulhos foi uma delas.
ERJ 213 – Guarus (1943-1992)
Em 06/02/1967 o distrito de Guarus foi extinto e seu território anexado a Campos. A agencia Guarus fechou por volta de 1992 e na virada do século não havia nenhuma agencia aberta no distrito, nem mesmo terceirizada, com exceção da Unidade Operacional CDD Guarus, que apresento mais abaixo.
ERJ 214 – Estação Central de Carangola (1889-1896)
Em 1877, a linha Campos-Carangola foi inaugurada na margem esquerda do rio atendendo o norte do Município. A estação foi construída em 1881 na beira do rio em 1881 em frente à “Ponte de Pau”, recém-construída, permitindo assim que que cargas pudessem atravessar o rio em carroças. A ponte de pau foi a primeira a ser construída dobre o Paraíba. Seu nome atual é Barcelos Martins.
Quando a Leopoldina construiu em 1907 a ponte ferroviária junto à estação Campos-Cargas, foi possível fazer a conexão entre a EF Macahe e Campos com a EF Carangola através de um prolongamento da linha. Com isso, tanto a Estação Central quanto o trecho inicial da ferrovia foram desativados. Na junção das ferrovias foi construída uma estação local aparentemente no ano de 1925 quando os guias ferroviários passaram a se referir a uma “Campos-Carangola”.
Quanto a carimbos, aparecem com uma certa frequência carimbos bissectados ou trissectados e datados do final dos anos 1870. Koester em seu verbete se refere a esses carimbos considerando-os falsos, com o que tendo a concordar pois a agencia só seria criada em 1889. Não encontrei nenhum original.
***
Agencias Franqueadas de Guarus
ERJ 216 – ACF Tancredo Neves
UNIDADES OPERACIONAIS DE CAMPOS
ERJ 219 – CDD Campos dos Goytacazes
ERJ 220 – CDD Guarus
Veja as demais agencias nas outras regiões de Campos (só clicar)
© 2011-2026 agenciaspostais.com.br (revisado em janeiro de 2026)





















































































