Comendador Levy Gasparian

 

MUNICÍPIO DE COMENDADOR LEVY GASPARIAN

povoado de Serraria remonta ao final do século XIX no município de Paraíba do Sul. Em 1938 a região passa a ser subordinada ao município de Três Rios onde, em 18 de janeiro de 1955 é criado o distrito de Serraria. Renomeado Comendador Levy Gasparian em 1963. Em 23 de dezembro de 1991 o distrito é emancipado formando o município de Comendador Levy Gasparian e instalado em 01.01.1993. Afonso Arinos é seu único distrito.

QUADRO DE AGÊNCIAS POSTAIS

 REDE FERROVIÁRIA

Incluí no município de Levy Gasparian as agencias de divisa criadas em Minas Gerais nas estações ferroviárias próximas. Um total de 14 agencias, todas em estações ferroviárias. Estão listadas no quadro abaixo, com a exceção de Barra Longa (depois renomeada Afonso Arinos) que, por ter sido criada em territorio fluminense, não se constutiu como agencia de divisa.

No caso do Ramal de Serraria, inclui para efeito didático as demais estações da ferrovia, sem mencionar as eventuais agencias mineiras nos locais.

A descrição da ferrovia está na página da Linha 62 no menu ferroviário.

 


Um pouco de história da região – as estradas interprovinciais


Comendador Levy Gasparian ocupa uma posição geográfica privilegiada por onde passaram ao longo da história as principais vias de comunicação entre a Côrte e Ouro Preto que, fundada em 1698, foi o epicentro do ciclo do ouro do século XVIII, tornando-se uma das maiores e mais ricas cidades da colônia e primeira capital de Minas Gerais.

1704 – O Caminho Novo da Estrada Real (em azul)

No início de século XVIII foi construído o “Caminho Novo” [nota 1] ligando a região das minas gerais à Corte e facilitando o transporte do ouro lá extraído. Como se vê no mapa acima, o caminho vinha pelo município de Paraíba do Sul e seguia rumo norte até encontrar o rio Paraibuna, local em que o cruzava, seguindo ao norte em território mineiro até o povoado de Santo Antonio de Paraibuna que em 1853 seria elevado à cidade e renomeada Juiz de Fora em 1865 (local marcado por uma bolinha azul escondida mais acima).

1711 – O Registro de Paraibuna

Nesse local o rio passava por uma garganta entre maciços graníticos formando um estreitamento dos caminhos que seguiam pela margem do rio e que se revelou um local ideal para a instalação de um posto fiscal. Desse modo, aí foi construído na margem esquerda o Registro Geral de Paraibuna, inaugurado em 1711 (ponto 1 no mapa).

O aumento do trânsito comercial trazido pelo Caminho Novo justificou a construção de uma ponte no local – que uma pintura da época a mostra com cobertura (ponto 3 no mapa). Ela foi inaugurada em 1825. Na margem fluminense (à direita), não tardou a se formar um povoado, futura Monte Serrat da qual falarei mais adiante.

Em  26.03.1840 seria criada a agencia “Registro do Paraibuna” e instalada no prédio. Esta seria a 36ª agencia pré-filatélica do estado do Rio. As imagens abaixo reproduzem os documentos históricos [nota 2].

Diario do Rio de Janeiro, maio de 1840

Copio também trecho do Relatório Ministerial do império do ano 1840 apresentado pelo Diretor Geral dos Correios que contém outra referencia ao local, acrescentando “ponte do Rio” ao nome da agencia.

 

1861 – A estrada União e Industria (em verde)

Por volta de 1730 um novo caminho foi projetado partindo do Porto da Estrela e subindo a serra na direção da futura Petrópolis e acompanhando o rio Piabanha até Pedro do Rio, de onde descia para encontrar o caminho antigo em Paraíba do Sul.. Em 1802 o caminho foi parcialmente calçado e tornou-se a rota preferida dos comerciantes. Mais tarde, era o caminho que Pedro I fazia para Minas Gerais e, encantando-se com a região, comprou a Fazenda dos dois Córregos, onde seu filho Pedro II encomendou a construção de Petrópolis.

Com o progresso, a Corôa aprovou o projeto de uma ligação rodoviária entre Petrópolis e Juiz de Fora em meado dos anos 1850. Seu traçado acompanhava o Piabanha até sua foz em Três Rios e, cruzando o rio, subia pela margem direita do Paraibuna até Monte Serrat, onde cruzava o rio seguindo para o norte até Juiz de Fora.  Ela foi inaugurada pelo imperador em 1861 (ponto 4 no mapa). Foi a primeira rodovia calçada do país.

1874 – A Ferrovia D. Pedro II (em preto)

Vindo de Barra do Piraí acompanhando o rio Paraíba, chegou a Três Rios em 1867, quando se decidiu prolongá-la até Juiz de Fora acompanhando o rio Paraibuna pela margem esquerda (mineira) do rio (ponto 6 no mapa). A Estação de Paraibuna foi inaugurada em 28.09.1874 junto à ponte e praticamente vizinha ao Registro (ponto 2 no mapa). Conforme praxe dos Correios, uma agencia postal seria instalada no prédio da estação em 1875. Presumo, pela proximidade, que ela tenha sido transferida do Registro.

Uma imagem atual permite ver com precisão os locais descritos no bloco acima (fonte: Google Maps 2018, com minhas anotações em vermelho).

Monte Serrat

Na margem direita do rio (fluminense), desde o início do século XVIII um núcleo populacional se organizava sob invocação de Nossa Senhora de Monte Serrat (ponto 7 no mapa), igreja inaugurada por D.Pedro II em 1869 [nota 3]. Com o progresso, conseguiriam em 1884 o predicativo de Freguesia e também em 06.11.1886 a transferência para sua sede da agencia da estação, que seria renomeada Monte Serrat. Curiosamente, seus carimbos manteriam a legenda “EST” (estação) até pelo menos 1928.

Notas e informações

Nota [1] a história do Caminho Novo está detalhada no menu História Postal, Vila da Estrela. Consulte aqui

Nota [2] como exemplo, possuo uma carta postada em 11 de agosto de 1859 no Rio de Janeiro endereçada a Albino de Cerqueira Leite no Regº do Parahibuna. Albino era de  família originária de Barbacena e um de seus irmãos, Pedro de Alcântara, foi presidente da Província de Minas Gerais entre 1864 e 1865. Importantes cafeicultores, possuíam fazendas em Simão Pereira e Matias Barbosa (locais marcados no mapa de 1853 abaixo, onde alguém rabiscou em vermelho o traçado do caminho novo).

Nota [3] fonte: institutoestradareal.com.br

 


Um pouco mais de história – as “Agencias Postais de Divisa”


Tomei a liberdade de criar essa nova classificação de agencia postal para definir um tipo muito particular de agencia, que não encontrei na literatura filatélica. Trata-se de agência criada em uma UF (Unidade Federativa) mas subordinada temporariamente a uma DR (Diretoria Regional dos Correios) sediada em uma segunda UF – normalmente vizinha.

Ficam situadas em estações de ferrovias federais ou em regiões fronteiriças. Este é o caso típico das agencias de divisa próximas à fronteira entre RJ e MG. No período  em que ficaram subordinadas à DR-RJ seriam agencias fluminenses, embora em território mineiro. Existem 15 delas classificadas em Comendador Levi Gasparian por ser o município fluminense atual mais próximo.

Elas existem por decisão do Correio Central por razões que presumo serem decorrentes de necessidades logísticas ou organizacionais. O assunto está abordado em mais detalhe na página de Historia Postal / Agencias de Divisa. Clique para ser transferido.

As 15 agencias serão apresentadas na sequencia do quadro de agencias que está no alto da página.


FATOS, HISTÓRIAS E IMAGENS DAS AGÊNCIAS


Após essa longa introdução histórica, passo a apresentar os respectivos carimbos seguindo a numeração do Quadro de Agencias Postais.


Local 1 no mapa – Sede do município


ERJ 369 – Comendador Levy Gasparian (1976- )

O Comendador Levy Gasparian, um visionário de origem armênia, adquiriu nos anos 1950 uma fazenda em Serraria. Nesse local construiu uma indústria têxtil, o Lanifício Alto da Boa Vista. Empreendedor, ele trouxe vários melhoramentos para a localidade e teve importante participação política. Em sua homenagem o distrito, e posteriormente o município, receberam o seu nome. Gasparian faleceu em 1972 e o lanifício fechou em 1997.

 


Afonso Arinos – Local 2 no mapa


ERJ 370 – Barra Longa, estação (1912-1941)

Única estação na margem fluminense do Paraibuna foi Barra Longa, inaugurada já no século XX e renomeada Afonso Arinos em 14/01/1941, poucos dias depois da postagem da primeira peça apresenta abaixo, postada em  1º de janeiro. O carimbo é do tipo 4g, com datador em quatro dígitos e circulada nos anos 1940.

A próxima peça datada de 1º de julho já tem a legenda alterada para o novo nome. Uma curiosidade filatelica é que ambas as peças têm o mesmo selo de 100Rs da série vovó com a filigrana N “correinho” de 1936. Carimbo T4g.

Da AGC 371A não possuo imagens.


Paraibuna e Monte Serrat – Locais 3 e 4 no mapa


Nota do autor: antes de mais nada, é preciso apresentar o município paulista de Paraibuna, ao sul de S. José dos Campos, às margens do rio homônimo e atualmente de uma represa na serra do mar. O fato de ser freguesia em 1812, município em 1832 e ter agencia criada em 1844 torna difícil distinguir os carimbos de ambas as localidades. Como não sou especialista em S. Paulo, me socorri do trabalho de R. Koester onde ele propõe as devidas classificações apresentando imagens dos tipos paulistas que reproduzo abaixo.


ERJ 372 – Registro de Paraibuna (1840-1875)

Agencia de Divisa

Este é o prédio do Registro de construção quase bicentenária, cujo porte revela sua importância. Sua agencia de 1840 é pré-filatélica, a 36ª mais antiga do RJ. Trata-se de uma “agencia de divisa” por ter sido criada em território mineiro mas subordinada à DR-RJ (o que pode ser confirmado no GP de 1856). Diferentemente das demais, esta agencia não acabou por mudança de subordinação ao ser transferida à DR-MG pois antes disso foi realocada na estação de Paraibuna (ERJ 373), que apresento a seguir.

Para apresentar carimbos do Registro, valho-me mais uma vez de R. Koester, que atribui ao RJ esse carimbo manuscrito sobre emissão de 1844 e portanto certamente dessa agencia. Não conheço outro exemplar.

 

ERJ 373 – Paraibuna, estação (1875-1886)

Agencia de Divisa

A agência da estação de Paraibuna foi criada em 1875, logo após a inauguração da estação em 1874 como era praxe dos Correios. É quase certo que ela tenha sido transferida do Registro que ficava a poucos metros de distância. A agencia da estação continua a ser por sua vez uma “agencia de divisa” por estar em território mineiro e subordinada à DR-RJ. Como sua antecessora, também não foi transferida para a DR-MG pois antes disso foi realocada em 1886 para Monte Serrat no RJ.

A imagem abaixo é de 1884 por Marc Ferrez (Instituto Moreira Salles) e apresenta a Estação Paraibuna com a ponte à esquerda. A curiosidade está no bonde de tração animal que ligava essa estação a Três Ilhas em Rio das Flores (*) e que pode ser visto estacionado à esquerda do comboio na linha principal.

Uma imagem mais recente da estação:

Nota

(*) A estação de Três Ilhas na EF Rio das Flores (que vinha da estação Commercio na EFCB no rio Paraíba) ficava à margem do rio Preto, afluente do Paraibuna, e só seria inaugurada em 1889, sendo seu ponto final até 1911, quando a linha vinda de Valença foi prolongada pela RVF até Barra Longa (futura Afonso Arinos) onde se entroncaria novamente com a EFCB.

Portanto, fazia todo o sentido que essa linha de bondes fizesse a ligação nessa época. Ela certamente cruzava a ponte antiga, que sai à esquerda, para prosseguir até  Barra Longa acompanhando o traçado da União e Indústria até a foz do rio Preto, cujo curso passa a seguir até o destino. A nota no Almanack Gazeta de Noticias de 1887 nos informa que a partir dessa data a linha ferro-carril seria prolongada até Porto das Flores.

A linha principal também atravessaria o Paraibuna, em ponte ferroviária 1 km. mais adiante.

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ERJ 374 – Monte Serrat (1886-1969)

A igreja de Monte Serrat foi inaugurada em 1869 na margem direita do rio,  próxima à cabeceira da ponte.

 

A estação ferroviária Paraibuna nunca teve seu nome alterado e sempre foi registrada em MG. Mas, como veremos, a agencia teve uma história diferente.

A nota da Gazeta de Noticias comunica que a agencia da estação de Parahybuna foi renomeada Monte Serrat de 06/11/1886.

A constatação filatélica de que seus carimbos continuaram a trazer (EST.) na legenda até a década de 1930, quando passaram a usar o tradicional (E.do Rio), deu margem à dúvida sobre sua localização física. Mas acabei concluindo que a agencia foi de fato transferida para a cidade, pois a GP de 1900 se refere a ela como “mont serrat, ag.3ª.c” sem menção a estação e o detalhado GP de 1906 não deixa dúvidas ao informar a existencia de estafeta entre os dois locais “fronteiros”.

A data é importante por estabelecer o período de existência da Agencia de Divisa (estação) Parahybuna, que fica portanto registrada como 1875-1886. Mas resumindo, essa agencia jamais foi transferida para a DR-MG, tanto que Paula Sobrinho não a registra em seu trabalho sobre as agencias mineiras.

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Carimbos 

Os primeiros carimbos são do tipo T2b, circulados no império com caracteres na legenda inferior

Seguem os do tipo T4, do qual possuo dois subtipos:

  • T4b – datador com ano em 4 dígitos, diâmetros 24 x 13mm
  • T4g – idem, com diâmetros 27,5 x 12,5 mm nas décadas de 1930/40 e com legenda E. do RIO sem parênteses (tipicos do 4g)

 


AGENCIAS DE DIVISA: Locais 5 a 12 no mapa abaixo


Eu havia mencionado a existencia de 15 agencias de divisa catalogadas neste município. Duas delas já apresentei anteriormente, Registro e Estação de Paraibuna.

Reapresento o quadro geral de agencias de Levy Gasparian para facilitar o acompanhamento.

 

O traçado da ferrovia construída entre 1874 e 1880 passava por algumas importantes cidades mineiras que já possuíam agencias postais. Dou como exemplo Juiz de Fora (1851), Palmyra – atual Santos Dumont (1863), Chapéu d’Uvas – atual Paula Lima (1843) e Barbacena (1829) como se vê no mapa. Entretanto, entre elas havia trechos pouco povoados pontilhados por grandes fazendas. Assim, em várias estações foram criadas agencias postais para atender a região – como era praxe dos Correios na época. Por razões logísticas e administrativas elas ficaram subordinadas ao correio central e, para diferenciá-las, as denominei Agencias de Divisa.

No mapa de 1899 abaixo essas agencias estão assinaladas em azul (na Linha 1) ou magenta (na LInha 60) e seus dados constam dos respectivos quadros a seguir.

 

Na coluna “fechamento” estão as datas em que passaram à subordinação mineira. Saliento que a curiosa repetição da data de “fechamento” das agencias de divisa são as datas que Paula Sobrinho apresenta como DCA em seu trabalho (ou seja, a data em que as agencias foram transferidas para a subordinação da DR-MG.

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Vou apresentá-las pela ordem de construção e inauguração, começando por Serraria


SERRARIA


Como veremos, Serraria é caso raro de agencia criada fluminense que posteriormente viu sua agencia ser transferida para território mineiro e, ao manter a subordinação, viu-a transformada em “agencia de divisa” por algum tempo.

Mapa de situação de Serraria Wikimapia  openstreetmap.org

A povoação de Serraria se desenvolveu em território fluminense na margem direita do Paraibuna – onde a agencia foi criada em 17.10.1861 (local A no mapa) como nos informa nota no Correio Mercantil ed.19.10

O local teria forte impacto com a chegada da EF D.P.II. Ela vinha pela margem esquerda do rio e inaugurou em 21.09.1874 a estação de Serraria em em frente ao povoado (local D no mapa). A imagem é de O Globo ed.22.

O impacto economico da era ferroviária foi forte na comunidade. Não esquecer que, além da EF DPII, uma segunda ferrovia tinha sua estação em Serraria. Trata-se da EF União Mineira, que entregou o primeiro trecho em 1879. Pela imprensa soubemos que a agencia, ainda em território fluminense, foi elevada em 10.05.1882 à 2a. classe, uma importante distinção (imagem da Gazeta de Noticias, ed. 15)

Talvez isso tenha sido um ato preparatório para transferir a agencia do povoado para a estação pois, em nota da Gazeta de Noticias tivemos a informação da nomeação de agente de correio na estação da Serraria em 15.11.1883.

Assim, depreendemos que a agencia foi transferida da povoação para a estação, ou seja, em território mineiro, tornando-se portanto uma “agencia de divisa” por continuar subordinada à DR-RJ. Assim esteve até 19 de fevereiro de 1891 quando o Boletim Postal publicou a portaria que transferia a subordinação da agencia para a Administração dos Correios de MG.

A estação de Serraria, sem data. Foto Preserve (estacoesferroviarias.com.br)

ERJ 375 – Serraria povoado (1861-1883)

Vamos aos carimbos. O mais antigo conhecido está cadastrado no PA1501, conhecido sobre emissão 1866, que é a do exemplar da minha coleção. Há também uma do Everaldo sobre vertical 60Rs, mas circulada em 18/08/1865 como ele indica. Como vimos anteriormente, esta agencia será transferida para a estação em 1883, conforme veremos no próximo verbete.

 

ERJ 375A – Estação de Serraria (1883-1891)

Essa transferência de local a colocou em território mineiro, pois a estação foi inaugurada lá, embora tenha permanecido subordinada à DR-RJ. Assim, no período 1883-1891 ela ficou sendo uma Agencia de Divisa

O primeiro tipo da estação é o T2a (sem ornamento) que possuo em reprodução, circulado sobre emissões de 1883 e 84.

O tipo 4b é republicano de 1991 com legenda (EST.) bem usual nessa época.

Tenho também como exemplo exemplares mineiros circulados no final dos anos 1890 1899 e, portanto, mineiros embora a legenda ferroviaria não seja tão precisa.

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ERJ 376 – Espirito Santo (1875-1881) – Local 6 no mapa

Estação de Sobragy, antiga Espirito Santo (www.estacoesferroviarias.com.br)

A agencia foi criada em 23.11.1875 por nota do DGC publicada no Diario do RJ e consta no GP de 1880 como estação no RJ. Teve sua subordinação trasferida para MG em 15.07.1881 como registra o colega JF Paula Sobrinho em seu livro.

Da era fluminense não possuo carimbos. O colega Marcio Protzner me enviou alguns carimbos de sua coleção, todos mineiros, que apresento para comparação.

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ERJ 376A – Matias Barbosa (1875-1881) Local 7 no mapa

A imagem é reprodução do site www.estacoesferroviarias.com.br

Não encontrei na imprensa nota específica de criação da agencia com esse nome. Entretanto, ela consta no roteiro de malas do Almanaque Laemmert a partir de 1875 (edição para 1876). E também consta no GP de 1880 como estação no Rio de Janeiro. Portanto, faz sentido que uma agencia tenha sido criada em 1875. Examinando a vizinha Espirito Santo, vemos que ela foi inaugurada na mesma data que Mathias e teve agencia em 23.11.1875. Seria portanto possível que as agencias também fossem criadas na mesma data. Foi o que decidi.

Teve sua subordinação trasferida para MG em 15.06.1881 como registra o colega JF Paula Sobrinho em seu livro.

Vale consultar a página do menu historia postal sobre a controvérsia sobre a data de criação da agencia.

Não tenho imagens de carimbos do período fluminense.

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ERJ 377 – Cedofeita (1876 – 1881) Local 8 no mapa

Do site estacoesferroviarias.com.br: A estação, ainda a original, de Cedofeita em 1935 (Foto Eurico Pedroso Filho – acervo Maria Cristina de Gusmão Lobo Pedroso).

Nota sobre a criação da agencia Cedofeita na estação (O Globo de 21.01.1876)

Como se vê na nota acima, a abertura da agencia foi no dia 21.01.1876. A agencia de Cedofeita consta como estação no RJ no Guia Postal de 1880.Teve sua subordinação trasferida para MG em 28.09.18781 como registra o colega JF Paula Sobrinho em seu livro.

O primeiro carimbo está catalogado no PA sob o nº 1275 sobre emissão de 1866, a mesma da reprodução que possuo. É possivelmente um exemplar ainda da época fluminense que vai até 1881.

Os exemplares seguintes, da minha coleção, já são da era mineira.

O envelope acima é de 1907 e foi postado na agencia de Cedofeita, já subordinada à Minas, como se lê na legenda inferior. A carta seguiu pela EFCB até Montserrat (esta no Rio de Janeiro) que presumo fosse o ponto mais próximo à referida fazenda, o que me levou a pesquisar a família Cerqueira Leite, proprietários de terras na zona da mata mineira próximas a Juiz de Fora.

Pedro de Alcântara Cerqueira Leite nasceu em 1807 em fazenda próxima a São João Nepomuceno, onde seu pai, o Capitão José Cerqueira Leite, possuía muitas terras – entre as quais a fazenda Cabuhy (ou Cabuí, no envelope nomeada Cambuhy). Pedro chegou a ser agraciado em 1881 com o título de Barão de São João Nepomuceno.

O destinatário da carta foi seu irmão, Coronel Albino Cerqueira Leite, na fazenda Cabuí. Ele era genro do senador Manuel de Melo e Souza, 1° Barão do Pontal e ex-presidente da província de Minas Gerais (1831-33).

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ERJ 377A – Retiro (1877-1881) Local 9 no mapa

Estação de Retiro em 1915 (Foto do Álbum de Juiz de Fora, de Albino Esteves, cf. site estacoesferroviarias.com.br)

A agencia na Estação de Retiro foi criada no mesmo ato de Bemfica em 24.021877 (cf. nota do O Globo). A nota do Correio Geral (da Corte) não deixa dúvidas a quem ela se subordinaria. O GP de 1880 a aponta em MG, mas no meu entender não haveria nenhuma razão para que ela fosse difirente de todas as vizninhas de linha.

O colega Paula Sobrinho informa em seu livro sua criação em MG  em 15/07/1881 o que nos permite supor um período entre 1877 e 1881 em que tenha ficado subordinada à DR/RJ como agencia de divisa. Desse período, não conheço carimbos.

Os demais exemplares, gentileza do Márcio Protzner, são da era mineira.

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ERJ 377B – Bemfica (1877-1881) Local 10 no mapa

Estação de Benfica em 1921 (Acervo Jorge A. Ferreira) cf estacoesferroviarias.com.br

Inicialmente eu havia relacionado essa agencia na estação Benfica na EF Rio d’Ouro no bairro homônimo do Rio de Janeiro. Posteriormente surgiram informações que colocaram em dúvida a localização – o que me levou a pesquisar o tema, resultando no estudo apresentado no anexo 1 (ver a íntegra ao pé desta página).

Minha conclusão é que se trata de uma agência “de divisa” criada em território mineiro mas se reportando à DR-RJ entre 24.02.1877 e 15.07.1881. O GP de 1880 confirma o fato classificando-a no Rio de Janeiro.

O primeiro exemplar conhecido está classificado no PA sob o nº1237, emissão de 1876, como aliás mostra a reprodução do colega Fuad. Assim, é bem provável que a peça tenha circulado sob administração fluminense.

Nota do Autor

Benfica está além de Juiz de Fora na linha tronco da EFDP2º e as duas outras agencias listadas a seguir estão a mais de 100 km da divisa com o Estado do Rio o que motiva colegas a me perguntar como é possível que agencias situadas tão no interior de Minas possam se reportar à DR-RJ.

A EFDP2º era uma empresa estatal sediada na Corte que construiu a ferrovia e inaugurou estações ao longo da linha. Era política do Correio Central criar agencias postais nas estações em locais rurais que não possuíssem agencias anteriormente. A linha ferroviária era o meio principal por onde transitavam as malas postais geradas no Correio Central e portanto fazia sentido que sua administração fosse centralizada. Nas linhas corriam também carros especiais dos Correios onde ficava o correio ambulante. Mais tarde, com o progresso das comunidades, havia a possibilidade de transferi-las para as administrações locais.

Essas são as agencias que convencionei denominar “de divisa”, ou seja, criadas em um estado mas temporariamente subordinadas a outro vizinho.

Ver também matéria sobre Bemfica ao final desta página.

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ERJ 377C – Mantiqueira (1879-1881) Local 11 no mapa

A agencia foi criada através de nota do Correio Geral (da Corte) na Gazeta de Noticias RJ informando a data de 16.06.1878. O GP de 1880 a informa como estação no Rio de Janeiro. Teve sua subordinação trasferida para MG em 28.09.1881 como registra o colega JF Paula Sobrinho em seu livro.

Esta agencia ficou por pouco mais de dois anos subordinada à DR-RJ e infelizmente não conheço exemplares desse época.

Da era mineira, o colega Marcio Protzner me mandou essa bela quadra circulada em 1908 e também alguns comentários sobre o local. A estação de Mantiqueira foi criada para servir ao distrito de Dores do Paraibuna, situado a 8 km ao sul, e que na época ainda não possuía agencia postal. Da estação, partiria mais tarde um um pequeno ramal de 6 km para servir à primeira fábrica de laticínios no Brasil, a Companhia de Laticínios da Mantiqueira, que produzia o famoso “Queijo do Reino” com tecnologia holandesa.

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ERJ 377D – João Ayres (1879-1881) Local 12 no mapa

O coronel José Ayres Gomes, casado com D. Maria Ignácia de Oliveira, era proprietário da fazenda Borda do Campo desde 1790. O local foi palco de reuniões de inconfidentes com a presença eventual de Tiradentes. Em 1792, com o julgamento da Conjuração, José foi condenado a 8 anos de degredo na prisão de Inhambane em Moçambique onde faleceu. Seu filho João Ayres Gomes, herdou a fazenda e o nome da estação inaugurada em 1878 o homenageia.

Compartilha exatamente das mesmas datas da anterior, tanto de criação como de transferência a MG. Dessa era fluminense não possuo carimbos.

Seguem peças mineiras a partir de 1885, gentileza do colega Marcio Protzner.

 


ESTRADA DE FERRO UNIÃO MINEIRA

ou RAMAL DE SERRARIA


Serraria foi também a estação inicial da EF União Mineira e suas primeiras estações tiveram estações cujas agencias também ficaram temporariamente subordinadas à DR-RJ, ou seja, “agencias de divisa”.  Por essa razão eu as incluo nesta página de Comendador Levy Gasparian.

A empresa Cia. União Mineira teve aprovados seus estatutos pelo decreto 6471 em 18 de janeiro de 1877 onde se propõe a  construir uma ferrovia entre Serraria e a cidade mineira de Mar de Hespanha. O trecho inicial está indicado por “E” no gráfico acima.

A nota é do Diario do RJ edição de 29.01.1877

A Cia. Leopoldina incorporou a Cia. União Mineira em 1884, quando a estrada já havia inaugurado cinco estações iniciais.  As primeiras estações do chamado “Ramal de Serraria” foram inauguradas em 13 de maio de 1879, como se vê no quadro a seguir.

Agencias postais

Para facilitar o acompanhamento, copio novamente o quadro apresentado no alto da página:

Nas estações foram criadas agencias postais, como era norma dos Correios, com subordinação ao Correio Central (DR-RJ). As datas de criação consegui apurar em notas oficias do Correio Geral na imprensa. São elas:

 

1º junho de 1879 Gazeta de Noticias edição 28.05

 

 

 

1º de outubro de 1879

Gazeta de Noticias edição de 28.09

 

 

Quanto às datas em que foram transferidas para a DR-MG, reproduzi as informadas pelo colega Paula Sobrinho em seu livro, todas em 15.07.1881 (*). Foi essa a data que usei, embora não tenha conseguido uma confirmação na imprensa da época.

(*) de fato, no livro de JFPS não consta o verbete referente a Fernando Lobo. A que ele menciona é a nova construída ela Leopoldina na linha de Caratinga. Mas como em todas as demais ele fornece a mesma data, decidi por usar a mesma.

Vale dizer que todas as cinco listada a seguir constam na pg. VI do Guia Postal de 1880 como agencias em estações subordinadas Rio de Janeiro, comprovando a classificação de “agencias de divisa” ou seja, criadas em território de MG mas subordinadas à DR-RJ. A imagem a seguir é a do referido GP 1880

ERJ 377E – Silveira Lobo, estação (1879-1881)

ERJ 377F – Sossego (Socego), estação (1879-1881)

Desta, possuo carimbo já da DR-MG, gentileza de Marcio Protzner

ERJ 377G – São Pedro, estação (1879-1881)

ERJ 377H – Santa Helena, estação (1879-1881)

ERJ 377K – Bicas, estação (1879-1881)

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A EF Leopoldina e o novo traçado

No entanto, em 1904 a Leopoldina decidiu por construir um novo trecho inicial que, partindo de Três Rios, entrava em território mineiro passando por Santana do Deserto e se entroncava com a antiga linha da União Mineira em uma nova estação, também chamada de Silveira Lobo, prosseguindo na linha anterior em direção a Mar de Hespanha.  Essa linha ficou conhecida por Ramal de Caratinga. O trecho antigo Serraria – Silveira Lobo (antiga) foi desativado e mais tarde transformado em rodovia.

 


AGÊNCIAS MINEIRAS “DE DIVISA”

Situadas em território fluminense mas subordinadas à DR-JFA


Falamos até aqui de agencias mineiras subordinadas à DR-RJ. No entanto, anos mais tarde, a DGC decidiu fazer o inverso, com agências fluminenses passando a ser subordinadas temporariamente à DR-JFA (Juiz de Fora). Isso ocorreu no período de 1948 a 1963 (*), com as agências de Afonso Arinos e Monte Serrat, assim como outras em municípios fluminenses vizinhos. Temos portanto em Levy Gasparian agências de divisa também em território fluminense. Com isso, de fato as agencias de divisa conhecidas no município passam para 17, não é?

Vale apresentar os verbetes do GP 1957, com indicação da subordinação à JFA das duas agencias então existentes na região.

(*) Não encontrei documentos oficiais específicos; o GP de 1948 foi o primeiro a registrar em JFA, e o de 1963 as lista de volta à DR-RJ.

 

 



Anexo 1

ESTUDO: ESTAÇÃO DE BEMFICA

A agencia Estação de Bemfica é um bom exemplo das controvérsias que permeiam a história postal. Neste caso, a que local se referia o carimbo PA 1237, que aparece sobre emissão de 1876?

O estudo pode ser lido em matéria especial no menu História Postal.

 


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4 pensou em “Comendador Levy Gasparian

  1. Gosto de memorizar e me situar no mapa já que sou ciclista e vivo pedalando para diversos municípios… E as histórias de emancipação dos municípios e seus documentos são interessantíssimas! Parabéns por essa coleta de informações.

  2. Caro expedicionário, obrigado pelos comentários. Também já fui ciclista, pedalei muito minha Trek. Depois me aposentei…
    Conto com suas andanças para me mandar boas histórias para incluir no site. Abraços

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