Nota do autor: a posição geográfica das agencias está assinalada no mapa de 1953 apresentado mais abaixo em ferroviario
MUNICÍPIO DE PARAÍBA DO SUL
Um dos municípios mais antigos do estado, suas origens remontam a 1683, data de criação do curato de Nossa Senhora da Conceição e Apóstolos São Pedro e São Paulo, que foi elevado a Freguesia em 2 de janeiro de 1756, sob a denominação de São Pedro e São Paulo da Paraíba do Sul. Elevada a vila em 15 de janeiro de 1833 e a cidade em 1871, teve seu nome simplificado para Paraíba do Sul.
Histórico dos distritos (os atuais estão em azul):
- Freguesia de São Pedro e São Paulo da Paraiba do Sul (1756)
- Municipio de Paraiba do Sul (1833)
- Cidade de Paraiba do Sul (1871)
- Santana de Cebolas (1839);
- Santana de Tiradentes (1896);
- Inconfidência (1938)
- Bemposta (1855); transferido para formar Entre Rios (1938)
- Encruzilhada (1855);
- Santo Antonio da Encruzilhada (1936);
- Encruzilhada (1938);
- Salutaris (1943)
- Werneck (1951)
Distritos que se desmembraram ao longo do tempo
- Entre Rios (1890);
- desmembrado para formar municipio de Entre Rios (1938)
- Areal (1891)
- transferido para formar Entre Rios (1938)
- Monte Serrat (1884);
- transferido para formar Entre Rios (1938)
- Afonso Arinos (1938);
- transferido para Três Rios (1943)
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O CAMINHO REAL
Fundada às margens do rio Paraíba do Sul, ao qual deve seu nome, foi sempre importante rota comercial no caminho de Minas Gerais. Por exemplo, a famosa Estrada Real cruzava seu território e várias agencias estavam a ela vinculadas. O Caminho Velho utilizava o porto de Paraty, cruzava o Vale do Paraiba em São Paulo e seguia até Ouro Preto. Caminho difícil e inseguro, foi substituído pelo Caminho Novo, que partia do porto de Pilar na Baia de Guanabara e passava por Paty do Alferes. Concluído em 1707, logo revelou a inadequação do traçado na subida da serra. Foi substituído pela chamada Variante do Proença em 1724.
Esta partia do Porto da Estrela (próximo a Pilar, e o mesmo local de onde partiria a futura EF Mauá mais de um século depois) e seguia por Petrópolis, Pedro do Rio e Secretário cruzando a divisa de Paraíba do Sul com Minas Gerais no Registro de Pampulha, dotado de um Posto da Guarda da alfandega imperial. Abaixo o mapa de 1892 no qual indiquei em rosa o caminho original e em azul a variante.
Aos interessados em aprofundar o conhecimento sobre a estrada Real, há uma matéria extensa publicada no menu História Postal > Estrada Real neste site. Clique para ver.
AGÊNCIAS POSTAIS
REDE FERROVIÁRIA
O advento das ferrovias trouxe grande impacto e uma série de agências postais criadas junto às estações. No mapa abaixo apontei em vermelho a localização de cada agencia (ver coluna “mapa” na tabela de agencias).
Mapa CNG de 1953 que apresenta as ferrovias em destaque
A seguir, uma planilha completa com as estações ferroviárias e suas respectivas agencias postais na sequência da ferrovia.
CURIOSIDADES, HISTÓRIAS E IMAGENS SOBRE AS AGÊNCIAS
Paraiba do Sul – Local 1 no mapa
Em 1681 Garcia Rodrigues Paes, filho do Bandeirante Fernão Dias, descobriu um remanso no Rio Paraíba do Sul. Sabendo que o local era próximo ao Rio de Janeiro, viu a possibilidade de ali abrir um novo caminho que aproximasse o tráfego entre as minas de pedras preciosas (descobertas pelo seu pai) ao porto do Rio de Janeiro.
Segundo documentação, em 1682 Garcia firma um contrato prometendo abrir “o mais direto caminho que pode haver entre as minas e o mar”. Recebendo em troca pelos serviços prestados terras e privilégios, desde que descoberto ouro e pedras preciosas.
No ano de 1683, surge a ocupação inicial com a Fazenda de Garcia que deu origem à cidade. Após 15 anos, com a descoberta e exploração do ouro em Minas Gerais, iniciou-se a abertura do Caminho Novo (texto página do IBGE)
A agencia postal da sede do município é de 1832 o que a torna a 24ª mais antiga pré-filatélica do estado. Uma segunda agencia dessa época seria criada em seu território em 1840 – a do Registro do Paraibuna. Esta está listada atualmente no município de Levy Gasparian.
ERJ 893 – Paraiba do Sul
O primeiro carimbo conhecido é o PA 1583 que o registra sobre emissão olho-de-boi. Tenho reproduções sobre essa emissão e sobre verticais.
Também foi catalogado por PA 1381 sobre emissão D. Pedro, a mesma que possuo exemplar. Tenho também reprodução do livro de E.Santos datada de 1871.
Uma terceira também consta do PA 1109 sobre D. Pedro percê. É uma das poucas que PA informa a origem. Eu a tenho sobre emissão de 1866.
A seguir vem o primeiro circular tipo T1 (francês) do que tenho reprodução datada de 1867.
Segue o tipo T2, do qual tenho dois subtipos e variedades
- T2a – sem legenda inferior. Tenho cinco exemplares (1883-1888)
- T2c – florão tipo 1 (1882-1885)
- T2c – variedade, florão tipo 2 (1894-1897)
- T2c – variedade, florão tipo 3 (1891-1897) não faço idéia da razão de haver dois tipos de ornamento circulados simultaneamente
O próximo tipo é o circular T4 do qual possuo três subtipos:
- T4a – ano em dois digitos; legenda inf. (Tarde- E do Rio) (1896-1897)
- T4b – ano em quatro digitos; leg. inf. (Manhã – E. do RIO) (1906)
- T4b – idem, leg. inf. (Tarde – E. do RIO) (1900-1904)
- T4b – variedade legenda superior (Parah. do Sul – Tarde) (1906-1907)
- T4f – legenda superior (Parah. do Sul) diâmetros 25×13,5 mm (1912)
- T4f variedade legenda superior (Parahyba do Sul) d=26×13 mm (1914-16)
Carimbos regulares.
Infelizmente não possuo exemplares de 1916 a 1951. Vale mencionar que a grafia da cidade perdeu o “Y” mas não o “H” até os anos 1950.
Carimbos de serviço
Unidades Operacionais
ERJ 918 – CDD Paraiba do Sul
Avellar ou Desvio da Boa Vista (local 2 no mapa)
Às vezes me consultam sobre a origem e o verdadeiro nome dessa agencia. Não é para menos, pois a história de fato é bastante peculiar.
A Fazenda Boa Vista
A sede da fazenda, hoje pertencente ao governo federal.
Seu primeiro proprietário foi o Comendador Manuel Joaquim de Azevedo, que construiu um engenho no local. Teve uma única filha, que se casou em 1831 com João Gomes Ribeiro de Avellar, homem de importante família de fazendeiros e políticos de Paty do Alferes e futuro Barão e Visconde da Parahyba (Rio de Janeiro, 1805 – Paraíba do Sul, 1879) que a transformou em grande produtora de café. A sede foi construída em 1834 e é considerada uma das mais belas do Vale do Paraíba; o imperador chegou a nela pernoitar em uma de suas viagens.
O Desvio da Boa-Vista
FIG.2 No retângulo vermelho, a sede da fazenda. As duas linhas ferroviárias podem ser vistas em diagonal. O tracejado em vermelho indica o “Desvio da Boa Vista”, uma linha paralela à principal, para atender à estação local. Em azul, a linha principal, onde se vê à direita um comboio em trânsito. A rodovia BR 393 foi construída bem depois, na década de 1950. O rio Paraíba está logo abaixo, fora da imagem. O mapa é Google.
Um pouco de história ferroviária
A Linha do Centro da EF D. Pedro II cruzou o município em 1867 pela margem esquerda do rio Paraíba mas somente a estação da sede, Paraíba do Sul, foi construída nessa época. No local da fazenda Boa Vista, uma segunda linha, com quase 2 km de comprimento, foi construída em paralelo à linha principal, para escoar a produção de café. Não está claro quando teria sido construída. Essa linha ficou conhecida por “desvio da boa vista”.
A estação ferroviária
Gazeta de Noticias, edição de 3 de julho de 1875
A estação foi aberta ao tráfego em 5 de julho de 1885 em uma nota do secretário da EF D.Pedro II comunicando a nova estação do Avellar, antiga Parada do Barão. A inauguração da nova estação contou com vários políticos e representantes da imprensa que vieram em comboio da estação Central. Foram recebidos por representantes da família, Manuel de Avellar e Luiz Gomes Ribeiro de Avellar que, após a cerimônia, convidaram todos para um almoço na Fazenda Boa Vista.
Sobre o nome da estação, creio que a nota da Revista de Engenharia deixa claro que a estação inaugurada no Desvio da Boa-Vista recebeu o nome de Avellar.
A agencia dos Correios
Essa nota corrobora a suposição que fiz no item anterior. Sim, realmente o desvio tinha antes uma parada, a “Parada do Barão”, o que já a relacionava com a família, no caso, o Barão da Parahyba. Na falta de informação mais precisa, adotei como a data de construção do ramal e da sua parada o ano do primeiro anuncio (da FIG.3) .
Gazeta da Tarde, edição de 13 de setembro de 1884
Essa nota, comunicando a criação de “uma agencia do correio no desvio em frente à fazenda Boa Vista”, foi publicada em 13.09.1884 e portanto quase um ano antes da inauguração da estação. Portanto, deve ter sido instalada na “Parada do Barão”, nome que vimos acima era o anterior do local. mas não deixa claro seu nome.
Gazeta de Noticias, edição de 3 de novembro de 1884
A nota de nomeação cita o “agente do correio do Desvio da Boa Vista” e portanto podemos supor ser esta o nome da agencia naquele momento, apesar da frase um tanto ambígua que não deixa claro ser este o nome da agencia ou do local onde está a agencia. O fato é que tenho carimbos de 1886 e 1887 com a legenda “Desvio da Boa Vista. Portanto, até essa data podemos afirmar ser este o nome da agencia.
ERJ 894 – Desvio da Boa Vista (1884-1888)
Carimbos tipo T2c – com ornamento na legenda inferior
ERJ 894A – Avellar (1888-1897)
Carimbo tipo T2c – com ornamento na legenda inferior
No entanto, em 1888 o mapa registrou a agencia no local como Avellar 3a.classe. é a única informação oficial que possuo da época. Mas tenho também um exemplar de 1889 com a nova legenda “Avellar” (reprodução).
ERJ 895 – Boa Vista (1897-1924)
Em 1º de novembro de 1897 o Boletim Postal nos informa que a agencia postal “Avellar” foi renomeada “Boa Vista”. Isto porque o nome Avellar teria sido “requisitado” pela familia Ribeiro de Avellar para nomear uma nova estação inaugurada em suas terras pela Linha Auxiliar (EF Melhoramentos do Brasil).
Resumindo, Avellar aparece em dois locais:
- Paraiba do Sul (EFDPII ou EFCB) de 1884 a 1897
- Paty do Alferes (EFMB ou Linha Auxiliar) de 1897 a 1924
ERJ 896 – Vieira Cortez (1924-1973)
No entanto, Boa Vista tinha também homônimos na EF Macaé e Campos e no Ramal de SP da EF Caentral do Brasil. Na desambiguação esta nossa estação recebeu o nome de Vieira Cortez, engenheiro que trabalhou na ferrovia.
Não possuo exemplares de ambos
Barão de Angra (local 3 no mapa)
O local, por coincidência, homenageia dois ilustres brasileiros e barões do Império.
O Barão de Guaraciaba
Na localidade da estação funcionou a Usina Cerâmica cujo envelope abaixo ilustra o carimbo da agencia local. Francisco Paulo de Almeida, Barão de Guaraciaba (Lagoa Dourada MG 1826 – Rio de Janeiro 1901) foi fazendeiro e banqueiro. Distinguiu-se por ter sido o mais bem-sucedido negro no Brasil monárquico. Figura notável, possuiu diversas fazendas e foi sócio-fundador de vários bancos. Agraciado com o título de barão em 1887, foi por algum tempo dono do “Palácio Amarelo” em Petrópolis, atual sede do legislativo municipal. Sua história está contada no livro cuja capa está ao lado.
O Barão de Angra
A estação “Barão de Angra”, de 1912, foi a última a ser inaugurada em território de Paraíba do Sul e só teve agencia postal em 1927. O nome é uma homenagem a Elisiário Antonio dos Santos (Lisboa, 1806 – Rio de Janeiro, 1883), almirante que participou da Guerra do Paraguai (1864-1870) tendo recebido em 1871 o título de Barão de Angra. A homenagem lhe foi prestada pelo filho, então diretor da EFCB (Wikipedia).
ERJ 897 – Barão de Angra (1927-1966)
Santana da Lapa (local 4 no mapa)
Um local que possuiu uma agencia dos Correios por 36 anos (1895-1931), num município antigo e importante, não pode simplesmente desaparecer. Pois tive muita dificuldade em localizá-la e, para tanto, precisei juntar algumas evidências.
No período de sua atividade, dois dos Guias Postais traziam pistas de sua localização: os de 1906 e 1931. Pois ambos apontam a estação de Avellar ou Boa Vista (no Desvio da Boa Vista) como local de destino a partir do qual a entrega era feita por estafeta. Na verdade, entre 1900 e 1919 a imprensa publica a licitação para uma linha de condução de malas entre as duas agencias. Essas informações nos levam a localizar a agencia nos contrafortes da serra das Abóboras próximo à divisa com Rio das Flores.
O mapa é 1868 e mostra a região da serra das Abóboras antes da emancipação de Santa Theresa em 1890 (Futura Rio das Flores em 1943), cujo território tomou parte dos municípios de Valença (em verde) e da Paraiba do Sul (em amarelo).
No local havia várias fazendas. O Almanaque Laemmert nos anos 1910 cita pelo menos 3 delas servidas pelo correio de Sant’Anna da Lapa: Bom Successo e Santa Rita em Paraiba do Sul e Santa Gertrudes em Santa Theresa. Próximas também estão as fazendas Sincorá (assinalada no mapa atual no topo da pagina) e Santa Vitória (assinalada no local 4 no mapa de 1953 do CNG no topo da página).
A fazenda Bom Sucesso (também conhecida por Barão do Rio de Ouro) está arrolada entre as notáveis do Vale do Paraíba pelo Instituto Cultural Cidade Viva, onde encontrei as informações a seguir. Foi propriedade do Comendador Ignácio Pereira Nunes, que possuía várias fazendas na região da Serra das Abóboras. Seu filho Brás herdou a fazenda e em 1881 foi agraciado com o título de Barão do Rio do Ouro. A propriedade hoje se encontra abandonada (FIG.7)
Resumindo, creio haver suficientes evidências que me permitem propor o local 4 no mapa como localização da agencia.
ERJ 898 – Santana da Lapa (1895-1931)
Estações do Sub-Ramal de Afonso Arinos (locais 6 e 7 no mapa)
A linha ligava Rio das Flores a Afonso Arinos em Tres Rios, região que mais tarde formou o município de Comendador Levy Gasparian. A linha atravessava Paraiba do Sul por sua divisa norte, o rio Preto e tinha três estações no seu território; São Fidelis (que não teve agencia), Engenheiro Carvalhaes (1912) e Santa Mafalda (1889), que tiveram agencia por poucos anos. Ver tabela ferroviária ao alto.
ERJ 900 – Engenheiro Carvalhaes (1913-1918) sem imagem
ERJ 901 – Santa Mafalda (1889-1912)
Santo Antonio da Encruzilhada (local 8 no mapa)
Santo Antonio da Encruzilhada é distrito (freguesia) de Paraiba do Sul desde 1855. Em 1943 foi renomeado Salutaris, nome que a agencia adotou.
Diz a tradição local que a devoção a Santo Antônio surgiu com a negação de sepulcro, por medo de contágio, ao menino Antônio que em 1832 morreu de varíola. No ano de 1855 criou-se a paróquia a Santo Antônio dos Pobres da Encruzilhada com seu próprio cemitério e a Igreja foi terminada em 1872. A agencia é de 1876 e está atualmente ativa sob a forma de AGC.
Atenção Há carimbos circulados na mesma época com grafia simples “Encruzilhada” em localidades homônimas
no Rio Grande do Sul (como o da imagem ao lado) e em Minas Gerais. Koester no seu trabalho discorre sobre algumas diferenças.
ERJ 902 – Santo Antonio da Encruzilhada (1876-1941)
ERJ 903 – Encruzilhada (1941-1943) sem imagens
Comentava eu no verbete anterior sobre os homônimos, uma praga para os Correios e também para os filatelistas. Finalmente o governo Vargas se debruçou sobre o assunto, o que resultou no citado decreto-lei 5901. Em decorrência, os Correios publicaram uma norma renomeando centenas de agencias do país justamente para minimizar os homônimos. Entre eles, nossa Encruzilhada em 31.12.1943.
ERJ 904 – Salutaris (1943-2002)
ERJ 905 – AGC Salutaris (2004 – ) sem imagens
Estações da Linha Auxiliar (locais 9 e 10 no mapa)
A EF Melhoramentos do Brasil foi projetada em 1890 para desafogar A EFCB no trânsito da serra, permitindo uma alternativa na ligação da capital com Paraíba do Sul. Incorporada pela EFCB em 1903, foi renomeada Linha Auxiliar. A linha vem por Paty do Alferes, cruza um pequeno trecho de Vassouras (na estação de Andrade Costa) e atravessa Paraiba do Sul, cruzando o rio Paraiba em ponte de ferro e compartilhando a estação central com a EFCB. Segue compartilhando os trilhos até Tres Rios.
No trecho do município, duas estações tiveram agencia e serão aqui descritas: Werneck e Cavarú, ambas inauguradas em 1898 quando da abertura da linha.
A Fazenda “Glória do Mundo”
A família Werneck tinha origem alemã e seu patriarca foi Inácio de Souza Verneck (Barbacena, 1742 – Paty do Alferes, 1828) fazendeiro e militar, também conhecido por Padre Werneck, que se estabeleceu em Paty do Alferes. Foi ele quem fundou a Fazenda Glória do Mundo em terras desmembrada da grande Fazenda da Várzea.
Em 1851 ela foi vendida ao tenente-coronel Luiz Quirino da Rocha, filho de José Quirino da Rocha, 1º Barão de Palmeiras; ao casar com Francisca das Chagas Werneck deu origem ao tronco dos Rocha Werneck, estabelecidos em Paraíba do Sul. Com sua morte, a fazenda passou para seu filho João Quirino da Rocha Werneck 2º Barão de Palmeiras (Paty do Alferes, 1846 – Vassouras, 1926), fazendeiro e político – foi vereador e deputado estadual por Paraíba do Sul.
O remanescente da fazenda é o prédio do engenho, com sua chaminé, hoje em ruínas (http://historiasdeps1633.blogspot.com).
Estação Werneck
A família Rocha Werneck teve grande influência na construção da EF Melhoramentos e as terras para a linha e a estação foram doadas por João Quirino da Rocha Werneck. A imagem mostra a estação (que tomou seu nome) em 1992 quando ainda conservava o projeto original de Paulo de Frontin. (imagem do site estaçõesferroviarias.com.br)
Werneck é distrito de Paraiba do Sul desde 1951.
Estação Cavarú
Situada em zona rural e turística, possui várias fazendas ao seu redor. A estação é de 1898, também projetada por Paulo de Frontin, e a agencia postal é um pouco mais recente, de 1925.
A linha voltou a funcionar por algum tempo no início dos anos 2000 com o projeto turístico “Trem da Estrada Real” entre Paraiba do Sul e Cavarú.
Carimbos das estações:
ERJ 906 – Werneck (1900-2002)
Tipos T4, do qual possuo dois subtipos:
- T4b – d=24×14 mm legenda Est. Werneck EFM do B (1915)
- T4g – d=27×13 mm legenda Werneck (1916-1938)
Carimbos regulares
ERJ 907 – AGC Werneck (2000 – )
ERJ 908 – Cavaru (1927-1963)
Santa Anna de Cebolas (local 11 no mapa)
A placa azul da Estrada Real diz “Seja bem-vindo a Inconfidência” mas, como se vê na placa menor, o nome turístico é “Sebollas”.
A história da Estrada Real do Comércio foi abordada na introdução desta página. Principal ligação entre a Corte e Minas Gerais entre 1725 e 1822, o chamado “Caminho Novo” da Estrada Real passava por Petrópolis e por Cebolas. Nesse local, uma capela com invocação Santa Anna de Cebolas foi ereta em 1770 e elevada a Curato em 1789. Pela lei provincial nº 153, de 07-05-1839 é criada a freguesia de Santana de Cebolas e anexada ao Município de Paraíba do Sul.
Rumo da Lage
O mapa Rensburg de 1867 mostra “Cebollas” no centro do vale do Rio Fagundes, afluente do Piabanha. No Almanak Laemmert dos anos 1850 são catalogados profissionais nos locais de Cebollas, Lage, Pampulha, Fagundes, Secretário, Gameleira, Piabanha e Cruz, entre outros locais que podem ser vistos no mapa Rensburg (marcados em azul).
Há indicações que Rumo da Lage era a sede da freguesia anos 1880, tanto que a agencia postal “Rumo da Lage” foi criada lá em 6 de novembro de 1882. Os roteiros de condução de malas na época são licitados entre Rumo da Lage e Campo da Gramma. Ainda nos anos 1880 uma nova matriz de Santana de Cebolas foi ereta em Rumo da Lage e escolas são lá instaladas (FIG. )
Em 20 de dezembro de 1895 a Assembleia Municipal de Parahyba do Sul mudou o nome da sede do “distrito de Rumo da Lage” para “Inconfidência”. Curioso é a sede do distrito ser renomeada e o próprio distrito só acompanhar em 1938.
Com a formação dos municípios de Petrópolis (ao sul) e Areal (a oeste) seu território seria drasticamente reduzido.
Inconfidência mineira
Um dos líderes do movimento de independência do Brasil então colônia de Portugal, conhecido por Inconfidência Mineira, Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, nascido em Minas Gerais em 1746, foi nomeado comandante do destacamento de patrulha do Caminho Novo em 1781. Cebolas seria um dos locais por ele frequentado ao longo dessa década. Envolvendo-se com a conspiração, foi preso em 1789, julgado por traição e levado à forca pelo governo colonial em 1792. Parte de seus despojos foram enterrados na capela a que nos referimos acima.
O preâmbulo histórico explica os motivos que levaram Cebolas a homenagear o herói trocando, já na República, o nome do distrito de Santana de Cebolas para Santana de Tiradentes pela lei estadual nº 299, de 03-12-1896. Em 1938 nova lei a renomearia Inconfidência, nome atual e que homenageia o movimento separatista. A localidade hoje é hoje turisticamente conhecida por Sebollas e possui um pequeno museu dedicado a Tiradentes. A imagem é da Igreja de Sant’Anna de Sebollas (que pode ser vista no centro de Inconfidência).
Carimbos das agencias:
ERJ 909 – Rumo da Lage (1882-1896)
ERJ 910 – Inconfidencia (1896 – 2000)
ERJ 911 – AGC Inconfidencia (2000 – ) não possuo imagens
Cruz das Piteiras (local 12 no mapa)
Cruz das Piteiras é uma pequena localidade, próxima a Pampulha, na antiga Estrada do Fagundes que liga Secretário a Cebolas e portanto na rota da Estrada Real. Hoje, não consegui localizá-la no Google.
ERJ 912 – Cruz das Piteiras (1891 – 1963)
A agencia é republicana de 1891 e os dois primeiros exemplares são do tipo T2 (com florão na legenda), sendo o primeiro T2c do século XIX (1896-98) e o segundo T2d do séc. XX (1901-1904).
Este de 1918 é tipo T4 com a legenda clássica fluminense (E. do RIO)
Povoações rurais de Paraíba do Sul na freguesia de Cebolas (13,14 e 15 no mapa)
Tenho poucas informações sobre essas localidades que pertenciam à antiga Freguesia de Cebolas, hoje Inconfidência. Localizadas no sula do atual município, são Sardoal, Sertão do Calixto e Pampulha.
ERJ 913 – Sardoal (1887- 2000)
Os primeiros exemplares são do tipo T2; dele tenho dois subtipos:
- T2a (sem ornamento) postado logo depois da criação da agência (1887)
- T2c (com ornamento) sobre carta postada em junho de 1888.
Segue tipo T4g, com diametros d=28×13 mm
e carimbos regulares
ERJ 914 – AGC Sardoal (2000 – )
ERJ 915 – Sertão do Calixto (1890- 1906)
ERJ 916 – Povoado do Sertão (1906 – 1963)
Destes não tenho exemplares
Pampulha
Esta é a mais antiga e com história mais rica das povoações ao redor de Cebolas Como já vimos acima, Pampulha ficava na Estrada Real, trecho do “Caminho Novo” entre Secretário e Cebolas. Aí se cruzava o rio Fagundes, entrando-se em território de Paraiba do Sul. No local, a Coroa estabeleceu em meados do sec. XVIII um de seus “registros”, posto de fiscalização e controle, que ficou conhecido por “Guarda da Pampulha”. Das edificações do local, restam ruínas, como se vê na imagem acima (IHG de Paraiba do Sul).
ERJ 917 – Pampulha (1855 – 1889)
Pampulha é registrada no PA 1380 sobre emissão D.Pedro, da qual tenho reprodução. Tenho também original sobre emissão 1850.
Segue exemplar circular tipo T2a (sem ornamento). Deste tenho exemplar na coleção sobre D. Pedro datado de 1878.
Com isso encerro a página de Paraiba do Sul, marco histórico do estado.
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