Pinheiral

pinheiral

MUNICÍPIO DE PINHEIRAL

O planejamento original da Estrada de Ferro D. Pedro II previa a construção de dois ramais a partir de Barra do Piraí: um na direção de Porto Novo do Cunha, na divisa com Minas Gerais e outro para Cachoeira em S. Paulo. Deste último, inaugurou-se em 1871 o primeiro trecho até Barra Mansa e uma de suas estações foi construída em terras da Fazenda São José do Pinheiro, de propriedade do Comendador Breves [1].

Já em 1890, a fazenda foi desapropriada pelo governo republicano que a transferiu para o Ministério da Guerra e em 1899 para o da Agricultura que nela instalou em 1912 o Posto Zootécnico Federal de Pinheiro (inscrição que pode ser lida no frontispício do casarão já em ruínas – a bela imagem mais abaixo é de Aloysio Breves). O local abrigaria várias instituições de ensino agrícola – atualmente é o Instituto Federal Rio de Janeiro – Campus Pinheiral.

As terras da fazenda formaram em 1916 o distrito de Pinheiro, subordinado a Piraí. Em 31 de dezembro de 1943 a estação e o distrito trocam o nome, passando de Pinheiro a Pinheiral. Nos anos de 1986 e 1990 incêndios de grandes proporções destruíram a sede da fazenda, cujo casarão original encontra-se hoje em ruínas. A imagem abaixo mostra o que restou (foto de Alexsandro Percy).

Em 13 de junho de 1995, o distrito de Pinheiral se emancipa.


[1] Joaquim José de Sousa Breves (São João Marcos, 1804 – Passa Três, 1889) conhecido como Comendador Breves, foi o primeiro cafeicultor a receber a alcunha de “Rei do Café” na época do Brasil Império.
Casou-se com sua sobrinha, Maria Isabel de Moraes Breves, filha dos barões de Piraí. Foi feito comendador da Imperial Ordem de Cristo, oficial da Imperial Ordem da Rosa e coronel da Guarda Nacional pelo imperador D. Pedro II.

Possuía terras que iam do litoral sul-fluminense até o sul do estado de Minas Gerais e que deram origem a diversas cidades nessas regiões, como as fluminenses Mangaratiba, São João Marcos, Rio Claro, Piraí, Engenheiro Paulo de Frontin, Barra do Piraí, Pinheiral, Mendes, Vassouras, Valença e Rio das Flores.

AGÊNCIAS POSTAIS

REDE FERROVIÁRIA

 


HISTÓRIA, CURIOSIDADES E IMAGENS DE AGÊNCIAS


Ruínas da sede da fazenda, antigo Posto Zootécnico Federal de Pinheiro.

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Pinheiro x Pinheiros

  • Como vimos, a fazenda do Comendador Breves chamava-se São José do Pinheiro.
  • A agencia postal nos primeiros Guia Postais é grafada “Pinheiros”. No entanto, a partir do GP de 1906 a grafia é Pinheiro. Os carimbos foram grafados sempre “Pinheiros” até pelo menos 1910. O exemplar de 1941 no entanto está no singular.
  • A tabela de horários oficial da EFDPII em 1871 publicada nos jornais a grafa “Pinheiros” na inauguração. No entanto, a estação chamou-se sempre “Pinheiro” nas “Estatísticas” do Ministério de Viação (já na época da EFCB). A “Planta Geral da EF D. Pedro II” publicada em 1879 grafa “Pinheiro”.

Definitivamente não há consenso sobre o nome. É possível que em algum momento na virada do século tenha havido uma instrução pelo singular. Apresento alguns dos documentos pesquisados para conhecimento.

A de cima foi publicada no Diario do RJ de 23.03.1871; a segunda é do Anuário de 1920 “Estatísticas das EF” publicada em 1924 pelo Ministério da Viação. Abaixo, o mapa descrito acima.


A agência de Pinheiros é contemporânea da estação, tendo sido instalada no mesmo prédio. Ela acompanhou também a mudança de nome do distrito e está ainda ativa. Vamos aos carimbos:

ERJ 974 – Pinheiro (1871-1943)

O primeiro carimbo foi catalogado por PA 1403 sobre emissão D. Pedro de 1866. Na coleção possuo reprodução da obra de E.S. sobre emissões de 1887 e 1888.

Como se espera, seguem emissões tipo T2. Dele tenho exemplares de dois subtipos:

  • T2a – (sem legenda inferior) (1886-88)
  • T2b – com caracteres no legenda inferior, neste caso (EST.). Repro de RK (1887)

Exemplar similar ao ao T2b mas com dimensões reduzidas 22x12mm

  • T4a – ano grafado em dois digitos, republicano leg. EST. (1892)

Seguem os demais tipo T4, já com a clássica legenda fluminense (E.do RIO). Dele tenho exemplares de quatro dos subtipos

  • T4a – ano grafado em dois dígitos (1896-1899)
  • T4b – idem, ano em quatro dígitos (1903)
  • T4f  – na década de 1910, o carimbo costume ser refeito, com aumento do diametro para 25mm; neste caso, ao inverso o diametro reduziu para 23,5mm
  • T4g – idem, década de 1940 diametros 27,5 x 14. Nesse tipo, E.do Rio não tem parenteses. A legenda é Est. de Pinheiros.

O bilhete postal possui um carimbo histórico da portaria do Posto Zootechnico Federal de Pinheiro, sobre o qual me referi na introdução histórica.

 

ERJ 975 – Pinheiral (1943-  )

Em 1943 o governo Vargas reestuda a divisão terrtorial dos estados e procura desambinguar denominações de distritos e desuas agências postais. Centenas de agencias mudam de nome e um GP especial publicado em 1944 traz a relação das alterações. Lembro que na época Pinheiral estava subordinado ao município de Piraí.

A agencia portanto altera as legendas de seus carimbos que agora rezam “Pinheiral”.

 


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4 pensou em “Pinheiral

  1. Parabéns pelo excelente trabalho. Fiquei surpreso em descobrir selos com a antiga denominação de Pinheiral, Pinheiros ou Pinheiro. Um dos motivos da mudança do nome da vila era o encaminhamento das correspondências para o Estado de São Paulo.

  2. Olá, Clovis
    Obrigado pelos elogios.
    Quanto à mudança de nome, forneça mais detalhes, por favor. A minha informação é que a mudança ocorreu antes de 1944. Nessa época, não me consta que existisse uma agencia importante chamada Pinheiro em São Paulo.
    Mande noticias
    abraços

  3. Desculpe-me mas só agora entrei no site novamente. A confusão dos nomes não sei se era por causa de Pinheiros, bairro paulista ou Pinheiros em Cruzeiro – SP. Vou procurar a legislação que alterou o nome para Pinheiral. Abraços

  4. Olá, Clovis
    à época da mudança, a localidade era conhecida por Pinheiro
    Ao final de 1943, houve uma grande mudança de nomes nas agencias do Brasil
    a única Pinheiro que está listada como agencia em 1948 é no Maranhão. Talvez por isso.
    abrs

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