O mapa abaixo adiciona a região mineira onde se vê o traçado da EF Leopoldina na Linha do Centro (local 11) e Ramal de Pirapetinga (local 12 – aqui, notar que “Estrela Dalva” é o nome atual de São Sebastião de Pirapetinga ERJ 1342K). Mais detalhes da localização das agencias estão adiante no texto explicativo de cada agencia.
MUNICÍPIO DE SAPUCAIA
A região prosperou com a chegada dos colonos atraídos pelo cultivo de café, sendo o Arraial de Santo Antônio do Sapucaia nomeado em 1856. A inauguração da estação de Sapucaia em 1871 pela EFDPII motivou sua elevação a Freguesia em 16 de setembro desse ano e à Vila de Sapucaia em 7 de dezembro de 1874 com território desmembrado de Magé e de Paraíba do Sul. Elevada à cidade em 27 de dezembro de 1889.
AGÊNCIAS POSTAIS
REDE FERROVIARIA
UM POUCO DE HISTÓRIA
Esta é a página de Sapucaia, cuja rica história remonta aos tempos da chegada da familia real ao Brasil. Farei uma introdução que vale para todo o trecho de divisa, baseada na matéria sobre as “agencias postais de divisa” do menu Histório Postal.
Este trecho da divisa entre a Zona da Mata mineira e a Província do Rio de Janeiro acompanhava o leito do rio Paraíba do Sul, conforme ilustrei no mapa de 1823 do Real Archivo Militar de Lisboa.
A região tem uma curiosa história, a começar pelo sugestivo título de “Minas do Canta Gallo” denominando a região entre o rio Paraíba e a vertente norte da Serra da Boa Vista que se manteve fechada “aos europeus” por força de cartas régias e, como se lê, “habitado por Gentio” por quase todo o século XVIII.
Com o objetivo de coibir o contrabando de ouro, as cartas estabeleciam áreas proibidas à ocupação coibindo a abertura de novas estradas. A mineração de ouro era feita nos rios Negro, Macuco e Grande. O nome Cantagalo está ligado à história do contrabandista de ouro conhecido por “Mão de Luva” que havia invadido o território proibido em busca de ouro. Conta a lenda que uma expedição enviada pelo governador de Minas para prendê-lo teria finalmente encontrado o arraial onde ele se escondia guiados pelo canto de um galo.
Em 1784 o governador mineiro Luiz da Cunha Menezes, preocupado com o contrabando, mandou construir um porto no rio Paraíba de modo a canalizar o trânsito e assim poder instalar um “Registro” que facilitasse a fiscalização e taxação do tráfego de ouro. O local passou a ser conhecido por Porto do Cunha.
As rotas comerciais
Com a chegada da família real ao Brasil em 1808 e o esgotamento das jazidas a região começou a ser liberada ao comércio e à colonização.
O mapa a seguir é o Bellegarde de 1839 (BN) que escolhi por apresentar informações de época valiosas, entre as quais os portos e o traçado das principais rotas comerciais interprovinciais que procurei destacar pela cor.
O mapa registra os municipios fluminenses ribeirinhos da época, Parahiba do Sul e Cantagallo, que atualmente correspondem aos de Três Rios, Sapucaia, Carmo e Cantagalo.
A Rota nº1 acompanhava o rio Piabanha até a atual Areal, onde se dividia em dois ramais. O da esquerda abandonava o rio seguindo para o rio Paraíba, que atravessava no local denominado “Porto do Mar d’Hespanha” segundo lemos no mapa. O da direita seguia o afluente Rio Preto, passando por São José (atual sede de municipio) e mais adiante encontrando a Rota nº2. Esta foi licitada em 1836 e ficou conhecida por Estrada dos Portos que ligava Magé ao Porto Novo do Cunha e também ao porto de Sapucaia.
A Rota nº3, a “Estrada do Paquequer”, saía de Magé seguindo norte até o rio Paquequer (local da futura Teresópolis) que acompanha por um trecho até passar por Sumidouro quando toma direção nordeste passando pelo “Arraial do Tapeira” (futura Duas Barras) e chegando a Cantagalo. Nesse local, encontra a estrada que vem do Porto (Velho) do Cunha.
Além dos citados portos, o mapa não menciona nenhuma povoação ribeirinha. Eu tomei a liberdade de acrescentar Sapucaia, Chiador e Mar de Espanha para efeito didático. Nota-se que essas rotas comerciais teriam sido estabelecidas por fatores geológicos como topografia e hidrografia que facilitassem o tráfego comercial das caravanas.
Os principais portos
Com o tempo, Sapucaia e Porto Novo da Cunha se tornariam os principais pontos de travessia do Paraíba. Em ambos haveria Registros de controle.
Sapucaia tem sua origem com a migração de colonos suíços vindos de Nova Friburgo no início do século XIX. Em 1842 a localidade de Aparecida recebeu o predicamento de Freguesia e Santo Antonio do Sapucaia em 1856, sendo elevado a município em 1874.
Em Porto Novo do Cunha não havia povoações ao ser instalado o porto em 1836. Entretanto, do lado mineiro, a cerca de 10 km rio abaixo, o padre Miguel Antonio de Paiva fez erguer em 1818 uma capela para atender aos viajantes. No local é criado em 1832 o distrito de S.José d’Alem Paraíba que seria elevado a municipio em 1880. Como veremos a seguir, havia uma grande independencia entre elas.
As Agencias Postais
Em Sapucaia, a agencia postal é de 21.08.1846 e ainda ativa.
Em Porto Novo do Cunha a agencia foi criada em 11.07.1851 (Diario do RJ). Provavelmente instalada no Registro junto ao porto. Após a inauguração da estação da EFD.PII em 1871, suponho que a agencia tenha sido realocada para a estação.
Em Alem Paraiba, a agencia postal foi criada em 29.02.1864.
Comentário. Curioso haver duas agencias postais em locais próximos tão pequenos em meados dos anos 1860. Isso indica a independência entre eles. De fato, o GP de 1880 traz os dois verbetes: S.José d’Além Parahyba (MG) e Estação de Porto Novo do Cunha (RJ), confirmando o status de “agencia de divisa” desta última. Isso mudaria em 11.07.1885 quando a agencia terá sua subordinação alterada, passando a responder à DR-MG – essa é a data lançada como DCA em MInas pelo colega Paula Sobrinho. Mais curioso ainda é que o GP de 1906 continua a registrar ambas as agencias, agora no mesmo municipio mineiro, e ainda informa que “trocam malas entre si”.
A Estrada de Ferro
Outro ponto que chama a atenção é que a construção dessa linha até Porto Novo consta do projeto original da EF D. Pedro II. Veja a imagem de 1863. Nela consta também a estação de Sapucaia.
Quadro das estações da linha e suas respectivas agecias postais.
O Ramal de Porto Novo (mapa postal de 1930)
Ligando Três Rios a Porto Novo da Cunha, o ramal foi construído pela EF Dom Pedro II e inaugurado em 1871. Porto Novo era o local onde as barcas atravessavam o rio Paraíba, ligando os estados do RJ e MG.
As “estações de divisa”
A ferrovia foi construída às margens do rio Paraíba e, por razões da topografia, parte no território fluminense a parte no mineiro sendo subordinada à administração da sede da EF D.Pedro II no Rio. As agencias postais criadas nas estações em território mineiro se reportaram por algum tempo à DR-RJ. Estão nessa caso as agências de Santa Fé, Chiador,Ouro Fino, Conceição e Porto Novo do Cunha. As datas em que elas passaram à subordinação da DR-MG estão indicadas na coluna “fechada”. Veja o trecho do Mapa Postal de 1928 na imagem acima.
HISTÓRIA, CURIOSIDADES E IMAGENS
Sapucaia (Local 1 no mapa)
Um pouco de história:
Transcrevo a seguir os primeiros parágrafos do texto da Wikipedia (“Sapucaia – Rio de Janeiro”) que me pareceram bastante esclarecedores..
“As primeiras penetrações de origem europeia verificadas nas terras do atual município de Sapucaia datam do início do século XIX. Sua ocupação se efetuou a partir de 1808 após o Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas. Antônio Inácio Lemgruber e Vicente Ubherlato foram importantes colonizadores das atuais terras ocupadas hoje pelo município. Por iniciativa de fazendeiros da região, construiu-se uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição Aparecida. Pela Lei 262, de 26 de abril de 1842, a localidade recebeu o título de freguesia.
A difusão da notícia sobre a fertilidade dos solos, própria para cultivo do café, provocou fluxo contínuo de colonos para a região, entre os quais Jämes François Perret (*), o coronel Joaquim Luiz de Souza Breves, Honório Hermeto Carneiro Leão – Marquês de Paraná, Deputado provincial do Rio de Janeiro, Brigadeiro de Cavalaria Inácio Gabriel Monteiro de Barros, filho do Visconde de Congonhas, Major José de Souza Brandão, o barão de Aparecida, permitindo o surgimento de arraiais, como o que se desenvolveu em 1856 e que recebeu a denominação de Santo Antônio de Sapucaia. A rapidez com que o povoado prosperou o levou a atingir, em 1871, o predicativo de Freguesia de Santo Antônio de Sapucaia e, em 1874, através do Decreto 2 068, de 7 de Dezembro, a categoria de Vila de Sapucaia, constituindo-se sede do novo município, instalado em 03 e abril de 1875.
O primeiro momento de crescimento deu-se com a construção da estrada entre Magé (Porto Piedade) e Sapucaia iniciada pelo Capitão Francisco Leite Ribeiro e seu irmão, Custódio Ferreira Leite – Barão de Ayuruoca.”
Nota (*) – sobre esse cidadão, ver matéria em Peão no local 6 mais abaixo.
***
Comentando o texto acima, saliento que a freguesia e a agencia postal de Aparecida são mais antigas que as de Sapucaia. No entanto, Aparecida foi anexada a Magé e Sapucaia nesse meio tempo prosperou sendo elevada a município – com a anexação da antiga Aparecida. Assim, a única agencia pré-filatélica do município é essa última.
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A estrada comercial que ligava a Côrte a Minas Gerais era administrada desde os anos 1840 pela “Companhia Estrada de Magé a Sapucaia”, responsável também pela conservação da ponte, onde havia uma barreira fiscal do governo. Em 1853 o Presidente da Provincia de MG apresentou relatório sobre a situação das pontes, informando que a de Sapucaia havia desmoronado, mas que sabia da intenção da Cia. em construir uma nova.
Esta foi construída no modelo pênsil, como se vê na imagem, e foi aberta ao tráfego em dezembro de 1856. Foi uma das primeiras obras desse tipo no país. Diz o relatório apresentado à Assembleia Legislativa do RJ em 1857: “(A ponte pênsil de Sapucaia) é digna de nota pela firmeza de sua construção e elegância de suas formas. Lançou-se sobre o Rio Paraíba, aproveitando duas margens pedregosas…e já se encontra aberta ao tráfego.”
Agencia postal
Toda essa introdução com as pontes explica por que a agencia local foi denominada “Ponte de Sapucaia” ao ser criada em 21 de agosto de 1846, pois, com vimos no bloco anterior, o Arraial de Santo Antonio de Sapucaia só surgiu em 1856 e foi elevado a Freguesia somente em 1871. Não tenho notícia de que tenha havido uma nota oficial de alteração do nome, mas desde o início os textos filatélicos se referem a ela como “Sapucaia”, o que permanece até hoje. A estação é de 1871, o que provavelmente motivou sua elevação a Freguesia.
Quanto aos carimbos, nada menos do que oito deles estão catalogados no trabalho de Paulo Ayres, começando pelos dois tipos da sede do município:
Os carimbos
ERJ 1328 – Sapucaia (21/08/1846 – )
Comecemos pelo PA 1492 sobre emissão de 1876 grafado “Sapocaia”. Tenho dessa mesma emissão um exemplar na coleção e uma reprodução da emissão de 1881.
O segundo é o PA 1493 sobre emissão 1866 do qual não tenho nem reprodução.
O primeiro circular é um tipo T2a sem ornamento datado de 1887
Do tipo T2c (com florão) possuo diversos exemplares datados de 1890 a 1898 – todos do periodo reprublicano.
Seguem os tipos regulares
Unidades de Serviço (também no local 1, sede do municipio)
ERJ 1342A – UD Sapucaia (2013- )
A legenda superior “UD Sapucaia” é incomum. Penso que se refira a “Unidade de Distribuição” que usualmente é referida por CDD – Centro de Distribuição Domiciliária”.
Localidades no interior do município
Novo Sertão (Local 2 no mapa)
Situado entre Sapucaia e Aparecida, como se vê no Mapa Postal de 1930, o local teve agencia por poucos anos, entre 1893 e 1907; até estranho que ainda figure nesse mapa, embora o círculo em branco indique que não há agencia no local.
ERJ 1329 – Novo Sertão (1893-1907)
Do curto período republicano em que funiconou, tenho exemplares clássicos mas que, em vez do tradicional (E. do RIO) tm legenda (POVOAÇÃO)
Vargem Alegre de Sapucaia (Local não identificado)
A agencia foi criada em 1896 e fechada em 1899, em datas bem documentadas. Na localidade de Vargem Alegre em Sapucaia encontrei algumas notas na imprensa sobre movimentação de professores, todas mais ou menos nessa mesma época. Depois, mais nada. Imagens não tenho.
ERJ 1330 – Vargem Alegre de Sapucaia (1896-1899)
Anta (Local 4 no mapa)
Foto Jorge A. Ferreira (estacoesferroviarias.com.br)
Anta é a primeira estação do Ramal de Porto Novo em território fkluminense. Ela foi inaugurada em 1875 e a agencia postal foi criada logo em seguida e instalada no mesmo edifício. A foto, da estação já desativada, é de 2009 – pouco antes de serem retirados os trilhos.
ERJ 1331 – Anta (1875-2000)
ERJ 1332 – AGC Anta (2000 – )
Seu primeiro carimbo consta no PA 1202 sobre emissão de 1878. Meu exemplar é sobre emissão de 1884.
Segue o primeiro circular, do tipo 2. Dele tenho alguns subtipos:
- T2a – sem ornamento, datado de 1883
- T2c – com florão e do período republicano (1891)
O clássico tipo 4, republicano com legenda (E. do RIO), está representado por 3 subtipos:
- T4a com ano em 2 dígitos (1894-1898);
- T4b com ano grafado em 4 dígitos (1901-1906)
- T4g com diâmetro maior (28mm) ca.1940
Dos regulares, só um de 1998, quase no fim da agencia, que passa a ser do tipo AGC (não tenho exemplares)
Nossa Senhora da Aparecida (Local 5 no mapa)
A criação do arraial de Nossa Senhora Aparecida em alguns aspectos se confunde com a da fazenda homônima e se deu com a vinda dos primeiros desbravadores por volta de 1825. Entre eles estava o Sr. Manoel Afonso Vellado, rico fazendeiro que, tendo se curado de grave doença devido à graça alcançada por intercessão da Virgem, fez generosa doação de uma área de sua fazenda para que no local fosse edificada uma capela dedicada à santa. A fazenda ainda está sob a guarda dos herdeiros (texto e foto do Instituto Cidade Viva)
Com o progresso trazido pelo café, a capela foi elevada a Freguesia em 1842. A agencia “Aparecida” é do mesmo ano, criada em 16 de novembro de 1842 sendo portanto a mais antiga e única pré-filatélica do municipio de Sapucaia.
Apparecida tem local homônimo em S. Paulo, hoje bem mais conhecido por ser um importante local de peregrinação com sua enorme basílica. No entanto, no século XIX era ainda um local pequeno, que só foi elevado a distrito em 1891. O “Relatorio de Agencias do Imperio de 1885” registra a criação da agencia paulista em 1877, mas o fato é que ela ainda não consta do Guia Postal de 1880. Penso que a agencia deve ter sido criada entre 1877 e 1880.
ERJ 1333 – Aparecida (1842-1943)
ERJ 1334 – Nossa Senhora da Aparecida (1943-2002)
ERJ 1335 – AGC Nossa Senhora da Aparecida (1999- )
R. Koester em seu trabalho comenta sua dificuldade em classificar os carimbos das duas localidades homônimas. No entanto, acaba por se dizer “induzido” a classificar os quatro primeiros carimbos que apresento na minha coleção como fluminenses, com o que concordo, dada a maior importancia social e econômica da localidade na época.
OS TIPOS
Tipo ERJ 1333 – RHM
Como informa RK, esse tipo não consta do PA, mas eu o encontrei listado no Catalogo Enciclopedico RHM de 1999 no Grupo 7. RK nos apresenta esse carimbo sobre um par de inclinados; essa emissão é de 1844 e portanto bastante provável ter sido postado nessa agencia, que é de 1842.
Tipo ERJ 1333 – T 2a (“Apparecida”)
RK nos diz conhecer carimbos datados entre 1877 e 1881; meu exemplar é de 1881.
Tipo ERJ 1333 – T 2b [ “Apparecida (Freguesia)” ]
RK os conhece de 1884 a 1885. Meu exemplar é sobre emissão “cifra branca” de 1885 mas o ano está ilegível.
Tipo ERJ 1333 – T 2c “Freg. d’Apparecida”
RK os reporta de 1888 a 1890. Meus exemplares são de 20/06/1889 sobre emissão de 1888 e 17.11.1892 sobre Tintureiro
TIPOS DE SP (como exemplos comparativos)
Os quatro acima foram os tipos apontados por RK como fluminenses. Em seguida ele nos diz que “a agencia não existia em 1869” e em seguida, não sei por que, atribui a S. Paulo o manuscrito de 1872 que penso ser também fluminense, uma vez que a agencia de SP é posterior. Assim, aponto o carimbo da sua fig. 7 com legenda S. Paulo e datado 11.1880 como o primeiro paulista (que não constaria do GP de 1880 por este ter sido concluido em abril de 1880). O exemplar com carimbo francês na Fig.8 é também atribuído a SP.
Continuando com os tipos fluminenses:
Os tipos seguintes são os clássicos republicanos que, para evitar confusão, já trazem o respectivo estado grafado na legenda inferior. A agencia está ainda ativa sob a forme de AGC. A diferença entre os tipos 4a e 4b são dígitos do datador que, antes com 2 dígitos tiveram que ser refeitos para acomodar os 4 dígitos do século XX.
Peão (Local 6 no mapa)
Peão é uma agencia criada em 1879 e fechada em 1892, provavelmente sob influência do ciclo do café.
Possuo na coleção uma carta de 1845 endereçada à Fazenda Boa Esperança (em Apparecida, cono se lê no envelope, que na época englobava o local de Peão) que me chamou a atenção e resultou em matéria que publiquei na revista Filacap em 2021. Os que tiverem interesse podem consultar o artigo “Carta Perret” clicando no link em azul. Recomendo a leitura.
ERJ 1336 – Peão (1879-1892)
Mais um local calssificado no PA, este no nº1338 sobre emissão de 1876, a mesma da imagem cidade peo colega Fuad. Curioso o erro do desenhista ao grafar “Leão”.
O exemplar seguinte é do tipo T2a circular sem ornamento datado de 1881, imagem de RK que apresenta também o oval Peão completo.
Pião / Vila do Pião / Volta do Pião (Local 6A no mapa)
O local me parece um pouco distante do antigo Peão no local 6
A região está próxima às encostas montanhosas que possuem o pico mais elevado da região, conhecido como Pico do Pião. Como se pode ver no mapa Wikipedia que abre o bloco, o local conhecido por “Volta do Pião” se estende por três municípios: Sapucaia, São José do Vale do Rio Preto e Teresópolis, com extensa divisa com Sumidouro.
Isso é motivo para controvérsias, como se pode ver na matéria do jornal O Globo de março de 2021. Eu a mantenho em Sapucaia porque assim o fazem os Correios. O local é sede de distrito desde 1964.
ERJ 1337 – Pião (1976-2002)
ERJ 1337A – AGC Vila do Pião (2000 – )
Infelizmente não possuo peças postais para ilustrar a discussão.
Jamapará (Local 7 no mapa)
Jamapará é sede de distrito de Sapucaia desde 1953. A agencia só chegou em 1976 e hoje atua com uma AGC. Sem imagens.
ERJ 1337B – Jamapara (1976-2002)
ERJ 1337C – AGC Jamapara (1999- )
***
Com isso, termino a apresentação das agências criadas no município de Sapucaia. Há no entanto outras que foram criadas em território de Minas Gerais mas com subordinação à Diretoria Regional do Rio de Janeiro. Por razões históricas e de geográficas eu as incluí neste município. Eu as denominei “agencias de divisa”
AS “AGÊNCIAS DE DIVISA”
Como se nota no quadro de agências subordinadas a Sapucaia, há mais agencias listadas após a ERJ 1337. De fato, encontrei mais 13 agencias catalogadas no estado do Rio apesar de terem sido criadas em território mineiro. Sao as de divisa.
Em alguns períodos, os Correios priorizaram critérios logísticos ou gerenciais sobre os geográficos, subordinando temporariamente uma agência criada em um estado a uma diretoria regional dos correios de um estado vizinho. Normalmente, agencias localizadas em áreas próximas a divisas. São essas as agencias “de divisa” assim referenciadas neste trabalho. Mais detalhes no menu Hitória Postal. Clique no título para ler ⇓⇓ o texto original ou acompanhe o resumo a seguir.
Agencias de divisa no Ramal de Porto Novo na Estrada de Ferro D. Pedro II
Um pouco de história
Na imagem, a região de Sapucaia através de um detalhe do mapa ferroviário de 1899 que abrange a área em que foram criadas as agencias de divisa que descreverei mais adiante.
Sugiro começar nossa história quando a Estrada de Ferro D. Pedro II que vinha do Rio chega à cidade de Entre Rios no canto inferior esquerdo do mapa. No mapa, as duas linhas ferroviárias em traço vermelho espesso que partem dessa cidade, uma para o norte e outra para leste seguindo o rio Paraiba, superpõem aproximadamente as divisas entre o Rio e Minas.
O governo tinha como objetivo um projeto de união nacional de ligação da Corte com o rio S. Francisco cruzando o território mineiro. Para isso, avaliaram-se duas alternativas.
Uma, seguir o curso do Paraíba a leste passando por Sapucaia; esse era o projeto original e a defendida pelos fazendeiros de café do vale do Paraíba. Outra, seguir para o norte passando por Juiz de Fora, opção defendida por empresários estabelecidos na rodovia União Indústria que seguia nessa direção.
Tomou-se uma decisão salomônica. A DP2º seguiu para leste com o ramal de Porto Novo do Cunha. Ao mesmo tempo, ajudou a levantar recursos para constituir a EF Leopoldina que seguiria para o norte a partir desse ponto. Ao mesmo tempo, continuar em direção a Juiz de Fora acompanhando o rio Paraibuna e daí para o norte de Minas. No mapa, são as duas linhas ferroviárias em traço vermelho espesso que, aproximadamente, representam as divisas entre o Rio e Minas.
As agencias do Ramal do Porto Novo
A linha para o norte será objeto de outro capítulo deste estudo. Aqui vou explorar as agencias do Ramal de Porto Novo. A imagem é um detalhe do mapa postal de 1888, onde estão assinaladas com bandeirolas as agencias postais criadas na maioria em estações ferroviárias. Em azul, as localizadas em Minas e em vermelho as no Rio.
As vermelhas já foram apresentadas no bloco de Sapucaia. Por outro lado, todas as agencias em azul ficaram subordinadas à DR-RJ por algum tempo. Essas são as “agencias de divisa” que descreverei a seguir. Vale dizer que muito resumidamente, pois elas estão apresentadas em detalhe e com imagens e ilustrações no menu de história postal (ver o link Agencias de Divisa – Introdução mais acima).
O quadro acima apresenta as estações ferroviárias da EFDP2º no ramal de Porto Novo nas quais foram criadas agencias dos correios. As localizadas em território mineiro estão marcadas com [1] na coluna Nome. São essas as que decreverei a seguir.
A coluna “Criação” traz as datas em que as agencias foram criadas e a “Fechamento” indica a data em que elas tiveram sua subordinação transferidas para Minas Gerais.
No próximo bloco, indico a fonte da documentação dessas datas e apresento imagens da agencia enquanto subordinadas à DR-RJ. Volto a dizer que há mais informações na página de História Postal.
ERJ 1338 – estação de Santa Fé (1869-1888)
A data de criação no RJ é a informada pelo colega Nova Monteiro. No GP de 1880 também consta no RJ. A última data antes da transferência de subordinação a MG é a sua menção no Mapa Postal de 1888 que apresenta agencias fluminenses; é a que adotei. Vamos aos carimbos:
O primeiro está listado no PA 1487 sobre emissão de 1866 (ou seja, no período em que esteve subordinada ao Rio). O exemplar da minha coleção é um 80Rs dessa emissão.
O seguinte é o usual tipo T2a, um circular sem ornamento. A reprodução é de 1885 do trabalho de F.M.
ERJ 1339 – estação do Chiador (1869-1909)
A estação do Chiador foi a que permaneceu no estado do Rio como agencia de divisa por mais tempo – 40 anos. A data de sua criação no RJ é a indicada pelo colega Nova Monteiro. No GP de 1880 também consta no RJ. A data de transferência para MG consta oficialmente no Boletim Postal de dezembro de 1908, o que é uma rara e preciosa informação que confirma o processo de transferência de subordinação.
Vamos aos carimbos:
O primeiro carimbo consta no PA 1277 sobre emissão 1844. Meu exemplar é da emissão de 1878, dentro portanto do pe´riodo de subordinação fluminense;
Segue o usual tipo T2, dos quais apresento dois subtipos:
- T2a – circular sem ornamento (1878 e 1887);
- T2c – com florão na legenda inferior circulado entre 1889 (no império) e 1897.
Por último, o clássico tipo T4b, com o ano grafado em 4 dígitos e legenda classica (E.do Rio), circulado entte 1900 e 1903, poucos anos antes da transferência de subordinação para MG.
ERJ 1340 – estação Ouro Fino (1872-1892)
A data de criação é de nota do DGC no Diario do RJ. No GP de 1880 também consta no RJ. A data de transferência para MG é a que o colega JFPS lança como DCA/MG.
Desta não tenho imagens.
ERJ 1341 – estação de Conceição (1871-1881)
A data de criação é de nota do DGC no Diario do RJ. Diferentemente das demais, o GP de 1880 a lança em MG. Mas o colega JFPS informa a data de 1881 como a de criação da agencia em MG. Sendo datas muito próximas, fico com a do colega.
Também não tenho imagens.
ERJ 1342 – agencia de Porto Novo da Cunha (1851-1871)
Porto Novo do Cunha, construído por volta de 1830, ficava próximo ao Arraial de São José d’Alem Paraiba que surgiu em volta de uma capela fundada pelo Pe. Miguel Antonio de Paiva.
Fato é que alguns quilômetros a montante, cruzava o rio uma rota comercial fluminense ligando a Côrte a MG. Nesse ponto, foi instalado um Registro para controle da passagem onde foi criada uma agencia dos Correios em 11 de julho de 1951 (data Nova Monteiro e publicação no Diario do RJ).
Em 10 de agosto de 1871 a EF D.Pedro II chegaria ao local inaugurando a estação de Porto Novo. Presumo que a agencia teria sido transferida para esse predio nesse mesmo ano de 1871, pois essa é a data de criação da agencia que consta (equivocadamente como sabemos) da Tabela de Agencias do Imperio de 1885.
Quanto aos carimbos, vejo que o PA 1378 registra P. NOVO DO CUNHA, do qual tenho peça sobre D.Pedro emissão de 1866. Como o carimbo não faz menção à estação, como o PA 1418 que apresento no verbete seguinte, presumo que este possa ser da agencia no registro.
Aos que consultarem o verbete do mestre R. Koester, na minha opinião ele foi superficial ao descrever a localidade. Comentários na Nota [5].
ERJ 1342A – estação de Porto novo do Cunha (1871-1885)
A data de criação é a de transferência que vimos no verbete anterior. No GP de 1880 também consta no RJ. A data de transferência para MG é a que o colega JFPS lança como sua criação em MG (1885).
O que os diferencia da agencia ERJ 1342 são os dizeres “EST.” no carimbo, indicando que se trata de uma nova agencia criada na estação – inaugurada em 1871. Provavelmente a agencia anterior foi transferida.
O primeiro carimbo está listado no PA 1418 sobre emissão 1866. Os exemplares que possuo são dessa emissão.
O segundo é o usual tipo T2. No caso, o subtipo T2b que possui legenda inferior – neste caso “( E )” de estação. As datas estão ilegiveis mas as emissões são de 1877 e 1882, datas próximas à transferencia da agencia para MG em 1885.
*
Para comparação, apresento um exemplar de 1898, com a agencia já transferida, o que a legenda (MINAS) deixa claro.
Agencias de divisa na Linha do Centro da Estrada de Ferro Leopoldina
Local 11 no mapa
Um pouco de história
A EFDPII chegou a Três Rios) em 1867. O projeto original previa que a linha continuasse a acompanhar o curso do rio Paraíba até Porto Novo mas um novo cenário econômico e a experiência adquirida na construção da ferrovia, recém estatizada, reacenderam o debate político, com outra corrente defendendo a continuação da linha para o norte, na direção de Juiz de Fora.
Prevaleceu, em princípio, o projeto original e a ferrovia seguiu rumo leste em 1869, chegando a Porto Novo em 1871. Nesse mesmo ano, o governo imperial constituiu em Londres uma nova empresa de capital misto, que viria a ser a Companhia E.F. Leopoldina, para construir o trecho entre Porto Novo (atual Além Paraíba) e a cidade de Leopoldina, cujo nome a empresa adotou. As obras da chamada “Linha do Centro” se iniciaram em 1873.
Mapa atual
Linha do Centro da EF Leopoldina
O Decreto imperial nº 4976 de 5 de junho de 1872 autorizava a EF Leopoldina a funcionar no país, aprovando seus estatutos. Em março de 1873 iniciaram-se as obras do primeiro trecho até Volta Grande, que foi inaugurado em 8 de outubro de 1874 com a presença do Imperador. Este trecho partia da estação de São José (d’Além Parahyba) e contava com as estações de Pântano (atual Antônio Carlos) e Volta Grande. Em 1875 foram inauguradas as estações de São Luiz (atual Trimonte), Providência e Santa Izabel (atual Abaíba) chegando a Recreio em 22 de maio de 1875. No mapa atual, está indicada no local 11.
As agencias
ERJ 1342B – Pantano (1.01.1875 – 15.07.1881)
A data de criação está numa nota do DGC publicada no Diario do Rio de Janeiro [2]; a de transferência é a data de criação em Minas Gerais informada pelo colega J.F. de Paula Sobrinho [1].
ERJ 1342C – Volta Grande (1.01.1875 – 15.07.1881)
A data de criação está numa nota do DGC publicada no Diario do Rio de Janeiro [2]; a de transferência é a data de criação em Minas Gerais informada pelo colega J.F. de Paula Sobrinho [1].
Com relação a imagens de carimbos, tenho exemplares do PA 1538 da emissão de 1866 mas que provavelmente circularam a partir de 1876 como indica PA.
ERJ 1342D – São Luiz (1.11.1875 – 15.07.1881)
A data de criação está numa nota do DGC publicada no Diario do Rio de Janeiro [3]; a de transferência é a data de criação em Minas Gerais informada pelo colega J.F. de Paula Sobrinho [1].
ERJ 1342E – Providencia (1875 – 15.07.1881)
A data de criação é a indicada no Relatorio das Agencias do Imperio de 1885. a de transferência é a data de criação em Minas Gerais informada pelo colega J.F. de Paula Sobrinho [1].
ERJ 1342F – Santa Isabel (1.11.1875 – 9.11.1875)
A data de criação está numa nota do DGC publicada no Diario do Rio de Janeiro (3); a de transferência é a data de criação em Minas Gerais informada pelo colega J.F. de Paula Sobrinho [1]. Achei estranho os poucos dias em funcionamento, mas é o que registram os documentos.
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Ramal de Pirapetinga
Em 1876, foi dada a concessão para o Major Antonio Alves Pereira da Silva construir uma ferrovia ligando a estação de Volta Grande a Santana de Pirapetinga. Em 1879 foi aberto o primeiro trecho e no ano seguinte a estrada chegou a Pirapetinga. Em 1885, a Leopoldina incorporou o trecho, que passou a ser um ramal. Em 12/08/1964, o ramal foi suprimido.
Em 8.10.1874 foi inaugurada na linha a estação de Volta Grande que seria mais tarde em 1880 a estação inicial do Ramal de Pirapetinga. No mapa acima e na tabela ferroviária estão marcadas as agencias “de divisa” das duas linhas. Vamos a elas:
ERJ 1342K – São Sebastião do Pirapetinga (1880 – 15.07.1881)
A data de criação é a do verbete do GP de 1880; a de transferência é a data de criação em Minas Gerais informada pelo colega J.F. de Paula Sobrinho [1]. Em 1938 foi renomeada Estrela d’Alva, nome atual.
ERJ 1342L – Santa Clara (26.02.1880 – 15.07.1881)
A data de criação está numa nota do DGC publicada na Gazeta de Noticias (RJ) [4]; a de transferência é a data de criação em Minas Gerais informada pelo colega J.F. de Paula Sobrinho [1]. Em 1898 foi renomeada Dr. Astolfo e Caiapó mais tarde.
Os poucos meses de operação no RJ tornam escassos os eventuais carimbos.
NOTAS E INFORMAÇÕES
Nota [1] livro “História Postal de Minas Gerais” publicado em 1997 pela Editora e Grafica O Lutador (MG). De autoria de Paula Sobrinho, José Francisco. Dou como exemplo o verbete Pântano, à pg. 348. Abreviações DIE: data de Inauguração da Estação )ele não tinha, mas sei que foi 14.09.1874; DCA: data de criação da agencia 15.07.1881 (a que utilizei neste trabalho).
Nota (2) edição de 30.12.1874 do Diario do RJ
Nota (3) edição de 29.10.1874 do Diario do RJ
Nota [4] edição de 26.02.1880 na Gazeta de Noticias RJ
Nota [5] Ao consultar mestre Koester, notei que ele foi muito superficial nesse verbete, que copio a seguir.
O verbete transmite a impressão que se trata de uma só localidade, o Arraial d’Alem Paraiba, onde havia duas estações e uma ponte de ferro. A data 1851 da primeira agencia está correta, porém ela nada tinha a ver com Alem Paraiba.
De fato, como detalhei no texto de abertura sobre Porto Novo, eram duas as localidades, separadas por quilômetros, cada uma com a sua estação e sua agencia postal, sendo que a ponte ficava mesmo em Porto Novo, contruída pelo governo fluminense em frente à estação original.
Talvez ele pudesse ter corrigido o texto se tivesse chegado à letra “S” de São José de Além Paraiba, que acabou sendo descrita posteriormente pelo Fábio
Por fim, na descrição dos carimbos há um êrro na leitura do carimbo da fig.93, que ele descreve como E. NOVO DO CUNHA quando de fato é P. NOVO DO CUNHA. Ou seja, não é da estação, mas provavelmente da agencia anterior no registro.
Perdeu-se a interessante história da agencia de divisa.
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Maravilha de imagens. História. Tenho fotos da estação de Chiador. Abçs
Prezado Jose Luiz,
obrigado pelos comentários. Você pode me enviar suas imagens que terei prazer em publicar.
Abrs.
Olá! Estou fazendo uma pesquisa genealógica. Você tem conhecimento e uma fazenda chamada Santa Thereza em Sapucaia, por volta de 1985 a 1905?
Veja se é essa: https://www.institutocidadeviva.org.br/inventarios/?p=817
Boa tarde, Achei interessante o que pude ver no site,porém, não consigo abrir nenhum tópico…
Sou tataraneta de James François Perret no postal… poderia, por favor , enviar-me fotos dessa carta? ficaria muito grata e feliz de achar qq coisa sobre ele.
Muito grata, Ana Weber
Olá, Ana Maria
Compartilhamos o interesse pela”carta Perret”, objeto de um estudo meu publicado pela imprensa especializada. Esse texto vc poderá, no meu site, ler neste endereço: https://agenciaspostais.com.br/?page_id=28659
Não entendi seu comentário “que não consegue abrir nenhum tópico”. Explique-me melhor que eu tentarei ajudar sua navegação.
Olá , obrigada pela resposta… então, quando clico no link há a mensagem ”
Parece que não encontramos o que você está procurando. Talvez a busca, ou um dos links abaixo, possa ajudar.
meu contato: anaweber13@***.fr
Muito grata
Bom dia,
Quando clico no link , este diz que não tenho acesso…
será possível me enviar por email uma cópia dessa carta?
Ja fiz a genealogia da minha família Perret mas faltam dados que não consigo . Moro na Suiça
Agradeço demais se puder enviar o conteúdo dessa carta.
Agradeço antecipadamente
Ana Maria Weber