MUNICÍPIO DE SUMIDOURO
Sua origem está ligada à Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Paquequer, criada em 31 de maio de 1843 e subordinada a Nova Friburgo. A freguesia foi transferida para o município do Carmo em 13 de outubro de 1881 e conseguiu sua emancipação em 10 de junho de 1890, com o nome de Vila de Sumidouro. Esta é a data oficial do município. Por um curto período, de 8/5 a 5/11 de 1892 a vila foi extinta, mas restaurada com o mesmo nome. Em 27 de dezembro de 1929 foi elevada à cidade.
AGÊNCIAS POSTAIS
REDE FERROVIÁRIA
O mapa atual do topo da página não permite uma visão adequada do traçado dessa ferrovia que, como veremos, atravessa os locais onde estão as principais agencias postais históricas do município. Para tanto, apresento um mapa de 1953.
A ESTRADA DE FERRO DO SUMIDOURO
O Ramal do Sumidouro tem origem no decreto n. 7046 de 18 de outubro de 1878 [1]. Nessa época falava-se em cruzar o rio por Porto Novo porem alterou-se o traçado para Melo Barreto (Entroncamento) no km 6 da E F Leopoldina (MG) a Sumidouro. Os trabalhos começaram em 1882 [2] e a ponte “de ferro” foi entregue em 30 de janeiro de 1885 (desativada, está ainda de pé).
Paquequer: a imagem acima mostra em primeiro plano a ponte em arcos sobre o rio Paquequer. Logo a seguir, um pedacinho da estação e em seguida a “Ponte de Ferro” sobre o Paraíba. A estação é de 25.07.1885 [5].
A estação “Carmo” foi inaugurada em 25 de julho de 1885 distante 2 km da Vila do Carmo. Em 1891 a estação foi renomeada “Bacellar” conforme o Relatório dos Correios desse ano – que também nos informa que o nome da agencia da vila não sofreu alteração. A estação voltaria a se chamar “Carmo” em 5 de outubro de 1944 [12]. Nunca possuiu agencia postal; havia um serviço de condução de malas com a sede.
A estação Barra do São Francisco é da mesma data.
Desde maio de 1885 ouvia-se falar de negociações para transferência do controle da EFS para a EF Leopoldina [4]. O fato é que, em 25 de julho de 1885 a Leopoldina publica uma tabela completa de horários de seus trens a vigorar naquela data. No quadro “Ramal do Sumidouro”, relaciona os horários das estações Paquequer, Carmo, S. Francisco e Sumidouro [5].
Por outro lado, uma nota no Diario de Noticias relata que em 16 de junho de 1885 “uma locomotiva chegava pela primeira vez à fazenda Bella Joanna, a última estação do Ramal do Sumidouro” [3].
Dessas informações se conclui que essa última estação referida na tabela pela Leopoldina por “Sumidouro” estava de fato na fazenda Bella Joanna, a 6 km da sede do município em Sumidouro. O mal-entendido de desfaz em nota publicada nos jornais em 1º de outubro de 1886 [4], cujos parágrafos iniciais estão na imagem abaixo.

Na minha opinião, a estação “Sumidouro”, tal como consta na tabela de 25.07, tinha por objetivo cumprir os prazos estipulados em contrato para inauguração do “ramal do Sumidouro” pois, de fato, essa estação já estava dentro do território do município (talvez ninguém disse que era para ser na sede do município). Não é a primeira vez que eu me deparo com essa situação no estado do Rio.
A “nova” estação Sumidouro foi inaugurada dia 28 de novembro de 1886 [6]. Essa mesma nota nos informa sobre o novo nome da estação Bella Joanna: “o novo trecho da via-ferrea, que acaba de ser inaugurado na mesma ocasião, parte da estação de Bella Joanna (…)”.
Bela Joana (Bella Joanna) é o nome da fazenda e do rio Bela Joana que a corta. Quem teria sido a bela Joana? Questão em aberto.
Em 1888 a Leopoldina inciou os trabalhos de ligação de Sumidouro com a Linha do Cantagalo na estação de Conselheiro Paulino. Em 15 de novembro de 1888 era entregue a estação de Barão de Aquino [9] e em 11 de março de 1889 o restante do traçado, que incluía as estações de Murinelly e Dona Mariana [10].
Barão de Aquino: homenagem a José de Aquino Ribeiro, Barão de Aquino (1837-1871), cafeicultor na região.
Dona Mariana, quem seria? Teria relação com a Rua Dona Mariana no Rio de Janeiro, aberta por volta de 1850? Essa Mariana era da família Simões da Silva, proprietária dos terrenos em Botafogo onde foi aberta a rua.
Murineli homenagearia José Arthur de Murinelly, natural do Rio de Janeiro, onde se formou em Engenharia em 1862 e mais tarde teria participado da construção do ramal [11].
O ramal foi desativado em 1967. Exceto Carmo, todas essas estações possuíram agencias postais. Falaremos delas a seguir.
***
Notas e fontes
[1] Gazeta da Tarde 18/10/1885
[2] Gazeta de Noticias 17/08/1882
[3] Diario de Noticias 22/06/1885
[4] De fato, essa transferência só seria oficializada pelo decreto 9636 de 4 de setembro de 1886, publicada no Diario Oficial em 27.09, cf nota na Gazeta da Tarde do dia 1º/10/1886.
[5] Jornal do Commercio 25/07/1885
[5a] Gazeta da Tarde ed. 01.10.1886
[6] Gazeta de Noticias ed. 01/12/1886
[7] Gazeta de Noticias ed.13/11/1886
[8] Recomendo a leitura do verbete “Sumidouro” do site estacoesferroviarias.com.br de Ralph Giesbrecht que tambem traz comentários sobre essas duas estações.
[9] O Fluminense de 14 .11
[10] estacoesferroviarias.com.br
[11] segundo o belíssimo blog O Trem Expresso, de Amarildo Mayrink.
[12] nota em Diario da Noite de 1º de outubro de 1944.
HISTÓRIAS, CURIOSIDADES E IMAGENS DAS AGENCIAS
SUMIDOURO
Sumidouro é o nome que se dá ao local em que curso de água “desaparece” da superfície através de uma abertura natural das rochas e penetra numa rede subterrânea de galerias podendo ressurgir mais à frente.
Conta a história que o rio
Paquequer apresentava esse fenômeno em algumas dezenas de metros no que é hoje o bairro de Nossa Senhora de Fátima em Sumidouro. O desmatamento e a enchente em março de 1952 alteraram o leito do rio e hoje o fenômeno não mais pode ser visto (imagem ao lado de A Manhã).
O local, conhecido na época por “Sumidouro das Pedras” está na rua José de Alencar que ladeia esse trecho do rio. A rua aliás homenageia o escritor que, diz a lenda local, teria ambientado na cidade seu romance O Guarani devido a coincidências entre seu texto e algumas atrações da região, como a cascata do Conde d’Eu, considerada a mais alta do estado do Rio.
Com exceção da agencia da sede, todas as demais agencias próprias dos Correios foram fechadas nos anos 1960. A última informação oficial aparece no GP de 1963. É possível que haja alguma relação com a desativação do ramal ferroviário de 1967.
ERJ 1394 – Sumidouro (1842 – )
A agência foi criada um ano antes da Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Paquequer. Portanto, bem mais antiga que a estação, que é de 1886. Houve antes outra com mesmo nome na localidade de Bela Joana, como vimos acima, mas sem agencia. Sumidouro é agencia pré-filatélica, criada em 1842, o que a torna a 44ª mais antiga do estado.
O mais antigo carimbo local está registrado no PA1506 sobre emissão 1866, a mesma da qual eu tenho um exemplar.
Sumidouro tem um segundo registro, o PA1507, também sobre emissão 1866. Não possuo exemplares eas reproduções que encontrei estão sobre ODB. Não sei se seriam autenticos.
Como é usual, segue o tipo T2, do qual tenho subtipos e variedades.
- T2a – tipo sem legenda inferior (1878)
- T2c – tipo circulado no império, com florão tipo1 (1887)
- T2c – circulados na república, com florão tipo2 (1890-1899)
O próximo é o tipo T4b ou seja, com ano grafado em 4 dígitos. Legenda (E. do RIO). Tenho exemplares de 1906 a 1940. Normalmente, nesse grande intervalo de tempo, os carimbos mudam para tipos T4f (década 1910-20) e T4g (década 1930-1940). Aqui, por um motivo qualquer, eles aparentemente mantiveram as mesmas dimensões, de modo que mantive o tipo inicial).
Carimbos regulares
Vale destacar o primeiro exemplar, que possui um raro carimbo tipo 14 cuja característica é possuir uma só orelha, do lado direito, que traz o estado (no caso, RJ ou ES). Possuo somente umas duas dezenas em toda a coleção. O primeiro ano em que circularam é justamente 1940.
ERJ 1395 – Bela Joana (1886 – 1963)
Como vimos no capítulo sobre a ferrovia, Bela Joana recebeu uma estação “Sumidouro” em 1885, então ponta de linha. No ano seguinte, a linha foi estendida até a sede do município e a estação foi renomeada Bela Joana em 28/11/1886. A agencia postal foi criada e instalada na estação nesse mesmo ano.
O primeiro carimbo é do tipo T2b ou seja circulado no império (1887) e com alguns algarismos na legenda inferior. No caso (EST). Trata-se de uma reprodução de RK. O segundo é da republica (1893) mas sua tipologia é identica ao anterior e bem diferente da série tipo T4 que mostrarei em seguida.
Seguem os tipo T4, dos quais tenho dois subtipos:
- T4a – ano em 2 dígitos, circulados no imperio. Mas podemos reparar que, nestes, a tipologia tem um corpo menor que o T2a anterior. Coisas da carimbologia
- T4b – ano em 4 dígitos.
ERJ 1396 – Barão de Aquino (1889 – 1963)
O primeiro é do tipo T2b, circulado no império com algarismos na legenda inferior. Trata-se de uma reprodução de RK.
Segue o tipo T4, do qual tenho dois subtipos:
- T4a – circulado na república, ano grafado em 2 dígitos, semelhante ao T2b (1890)
- T4b – ano grafado em 4 dígitos, com a legenda inferior (E. do RIO)
ERJ 1397 – Murineli (1890 – 1963)
ERJ 1398 – Dona Mariana (1890 – 1963)
Sem imagens
Três agencias comunitárias foram criadas em bairros em 2003 e estão ativas. Sem imagens.
ERJ 1398A – AGC Dona Mariana (2003 – )
ERJ 1400 – Campinas (2003 – )
ERJ 1401 – Soledade (2003 – )
© 2011-2025 www.agenciaspostais.com.br (atualizado novembro de 2025)













