Mapa atual (2009) que mostra as divisas de Valença com os municípios vizinhos; mais abaixo, apresento outro mapa com a localização das agencias.
MUNICÍPIO DE VALENÇA
Sua origem está ligada à Freguesia de Nossa Senhora da Glória de Valença, criada em 15 de agosto de 1807 (ou 1813) e subordinada ao Rio de Janeiro. Sua elevação à Vila de Valença deu-se em 17 de dezembro de 1823, sendo elevada à cidade em 29/09/1857. Em 31 de dezembro de 1943 foi renomeada Marquês de Valença retomando o nome anterior de Valença em 22 de julho de 1959.
Histórico dos distritos de Valença (em azul, nomes atuais) IBGE 2014
- Nossa Senhora da Glória de Valença (1807)
- Valença (Vila em 1823)
- Marquês de Valença (1943)
- Valença (1959)
- Santo Antonio do Rio Bonito (1839)
- Rio Bonito (1936)
- Conservatória (1938) Anexado a Barra do Piraí de 1943 a 1947
- Santa Isabel do Rio Preto (1851)
- Nossa Senhora da Piedade das Ipiabas (1852)
- Pandiá Calógeras (1892)
- Ipiabas (1923)
- Desmembrado e anexado a Barra do Piraí (1943)
- São Sebastião do Rio Bonito (1885)
- Pentagna (1938)
- Desengano (1892)
- Juparanã (1949)
- Barão de Juparanã (1950)
- São Sebastião do Rio Preto (1924)
- Rio Preto (1938)
- Parapeúna (1943)
AGENCIAS POSTAIS
REDE FERROVIÁRIA
Analisando a rede de linhas ferroviárias, me chamou a atenção o fato de que TODAS as agencias postais do municipio estiveram em algum momento em locais servidos por ferrovias.
- a Linha do Centro (EFCB) que vinha do Rio seguindo o rio Paraíba;
- a EF União Valenciana que partia da EFCB para o norte até a divisa com MG no rio Preto, o qual acompanhava até Santa Rita do Jacutinga;
- a EF do Sapucaí, que ligava Barra do Piraí a Santa Rita do Jacutinga em MG.
- a EF Rio das Flores, que a partir de 1910 foi adquirida pela Auxiliar e passou a ser conhecida por Ramal Afonso Arinos, ligava Valença a Rio das Flores, prosseguindo até Afonso Arinos (fora do mapa) onde se encontrava com a EF D. Pedro II. Não será mencionada neste trabalho, pois nenhuma de suas estações em território de Valença possuiu agencia. A estação Engº Durham é um exemplo.
O fato permite que as agencias sejam ordenadas e descritas na sequência das ferrovias, como se verá na sequência. O mapa Laemmert de 1953 abaixo tem a qualidade de mostrar o traçado original das linhas. Por isso eu o escolhi para plotar as agencias.
Mapa Laemmert de 1953
HISTÓRIA, CURIOSIDADES E IMAGENS DAS AGENCIAS
PARTE 1 – ESTRADA DE FERRO UNIÃO VALENCIANA
As planilhas a seguir são copiadas do menu ferroviário, onde estão listadas por linha
1º trecho – Desengano a Valença
A EF D. Pedro II avançava pela margem direita do rio Paraíba em direção à Minas Gerais e chegou em 1865 à Barão de Vassouras, estação que possuía um ramal para a cidade de Vassouras. Logo após essa estação, a linha cruzava o Paraíba e percorria um pequeno trecho em território de Valença, onde foi construída a estação de Desengano, sobre a qual falarei mais adiante. Logo depois, a linha voltou à margem direita, novamente em território de Vassouras. Ver o mapa ao alto.
É claro que Valença se apressou em construir um ramal que ligasse Desengano à sede do município. Em sessão da Câmara Municipal de 8 de janeiro de 1863 foi aprovado requerimento e formada comissão presidida pelo Barão do Rio Preto [1]. O decreto 3641 de 1866 autorizou a concessão e o tráfego até Valença foi aberto em 1871, ponta de linha por alguns anos.
Valença (Local 1 no mapa)
O nome da cidade homenageia o Vice-Rei Dom Fernando José, descendente da nobreza de Valencia na Espanha. A ocupação do território se inicia em 1789 quando D. Maria I o incumbiu de catequizar os índios Coroados e a distribuir sesmarias. A cidade ficou na rota dos tropeiros que desciam de Minas Gerais em direção à Côrte.
Teve seus tempos áureos com o ciclo do café, quando chegou a ser o maior produtor nacional, o que explica em parte a extensão da rede ferroviária e o grande número de estações próximas a fazendas. A igreja Matriz de Nossa Senhora da Glória atesta o esplendor dessa época [2].
A agência postal de Valença é de 1829, o que o torna a 16ª mais antiga pré-flilatélica do estado.
ERJ 1472 – Valença (1829-1943)
O primeiro carimbo está registrado no PA1531 sobre emissão 1843. Meu exemplar está sobre os verticais de 1850.
Valença é uma das poucas agencias do RJ a circular um carimbo francês (tipo T1). De só possuo uma reprodução de 1877.
Segue o tipo T2, do qual possuo alguns subtipos:
- T2a – sem legenda inferior, com nome “EST. DE VALENÇA” (1888)
- T2b – circulado no império, com caracteres ( 3 ) na legenda inferior e nome “VALENÇA” (1884 – 1886)
- T2c – idem, com florão na inferior, reprodução (1888)
Segue o clássico T4, circulado na república, do qual tenho vários subtipos (de fato, todos os subtipos com exceção dos T4c,d,e – que possuem layout com orelhas.
- T4a – título VALENÇA e rara legenda inferior “E. do RIO de JANEIRO” ao invés da clássica fluminense (E. do RIO) (1891-1895)
Com grafia “Cid. de Valença”
- T4a – variedade com título “CID. de VALENÇA” e legenda (E. do RIO). Ano grafado em 2 dígitos 1897-1899
- T4b – idem, com ano grafado em 4 dígitos. Diâmetros 24x14mm (1901-1908)
- T4f – idem, com D = 25,5 x13mm característicos desse subtipo (1911)
Com a grafia novamente “VALENÇA”
- T4b – ano grafado em 4 dígitos e D = 24X13mm
- T4f – D = 25,5×13,5mm
- T4f – variedade com D = 26,5×13,5mm (1919)
- T4g – D = 27,5x13mm, característico desse subtipo (1938)
O nome da agencia foi alterado para Marquês de Valença no decreto-lei de 1943. A estação acompanhou a mudança no mesmo ano.
O município retomou o nome original por lei estadual de 2.07.1959. Não encontrei informação oficial sobre a agencia, mas o guia postal de 1963 já registra “Valença, APT, ex- Marquês de Valença” o que nos faz crer que a agencia acompanhou a mudança entre 1959 e 1963. Vou adotar 1963 por ser um documento oficial.
ERJ 1473 – Marquês de Valença (1943-1963)
ERJ 1474 – Valença (1963 – )
Além dos carimbos da sede, há registro de mais três agencias na região metropolitana, inclusive uma unidade operacional. São elas:
ERJ 1475 – Princesa da Serra (1980-1981)
ERJ 1475A – ACF Shopping 99 (1995-2012)
ERJ 1509 – CDD Valença (2012 – ) (Não tenho imagens)
Chacrinha (Local 2 no mapa)
O comendador Manoel Pereira de Souza Barros adquiriu de Joaquim José dos Santos o engenho original em meados da década em 1840. Nas décadas seguintes, dedicou-se ao plantio de café. Seu filho, o tenente-coronel Manoel Pereira de Souza Barros trouxe muitas inovações para o negócio e participou da fundação da EF União Valenciana, da qual foi presidente em 1870. Em 1881 Souza Barros foi agraciado com o título de Barão da Vista Alegre. Nessa data também terminou a construção da nova sede, o “Solar da Chacrinha”.
Com a Abolição, veio a decadência que culminou com a venda de todas as fazendas. Levadas a leilão pelo Banco do Brasil, em 1901, as quatro fazendas são adquiridas pelos irmãos Álvaro e Horácio Mendes de Oliveira Castro. Os Oliveira Castro passam a fazer de Chacrinha o ponto de encontro da família (fonte Instituto Cidade Vida/INEPAC). Atualmente o Solar é a sede do Hotel Palmeira Imperial, cuja foto ilustra o artigo.
A data de abertura da estação é controversa. A linha foi aberta em 1871 e nessa época Souza Barros era o presidente da companhia. Assim, pode ter sido então aberta uma parada. Entretanto, as tabelas de horário da Cia. União Valenciana só a mencionarão em 1881 [3] como “Barros” e como Chacrinha só a partir de 1901, dando origem ao bairro homônimo. A agencia postal é de 1896, com o nome de “Chacarinha”, ativa até a década de 1960.
ERJ 1476 – Chacrinha (1896-1963)
Esteves (Local 3 no mapa)
A fazenda Santo Antonio do Paiol, também conhecida por Fazenda Esteves, ficava em terras de Francisco Martins Pimentel, cuja filha se casou com Manoel Antonio Esteves que recebeu a fazenda como dote. Este construiu uma nova sede por volta de 1850 (imagem). Com sua morte e posteriormente com o fim do ciclo do café, a propriedade entrou em decadência e foi doada a uma ordem religiosa (fonte ICV/INEPAC).
A estação é de 1871 e a agencia postal do mesmo ano, tendo sido instalada na estação.
ERJ 1477 – Esteves (1871-1963)
Esteves tem carimbo registrado no PA 1297 sobre emissão 1866, a mesma da qual tenho exemplar de 100Rs.
Segue o tipo T2a, sem legenda inferior e circulado entre o império e república (1888-1894)
Quirino (Local 4 no mapa)
Das localidades que tiveram estações nesse trecho, somente Quirino tem uma agencia ainda em funcionamento, sob a forma de AGC. Ei-la, no meio da estrada, solitária.
A agencia foi aberta em 1886 e instalada na estação homônima que foi inaugurada em 1871, hoje desativada; o prédio já foi demolido.
ERJ 1478 – Quirino (1886-1969)
ERJ 1478A – AGC Quirino (2000 – ) sem imagens
Desengano / Barão de Juparanã (Local 5 no mapa)
A estação “Desengano” da Linha do Centro, inaugurada em 1865, foi a primeira do município e a única da Linha do Centro em seu território. O prédio, como se vê na imagem, tinha um estilo majestoso provavelmente imaginando um futuro grandioso à localidade, que nunca se concretizou. Ela deve seu nome atual ao Barão de Juparanã, cuja família possuía várias fazendas à margem esquerda do Paraíba. Sua história está contada na nota [4] ao pé desta página.
A imponente estação de Desengano (imagem da B.N.)
O site estacoesferroviarias.com.br traz um texto que aqui reproduzo: “Porém, há uma história que diz que os valencianos, comandados pelo Barão de Juparanã, venceram a disputa com os vassourenses representados pela família Teixeira Leite. O Barão teria conseguido fazer a linha passar pelo território de Valença ao doar à E. F. D.Pedro II o terreno para a passagem da linha e construção da estação. Para comemorar a vitória, deu (à estação) o nome de Desengano pela decepção de seus rivais.
O prédio está bem conservado e hoje pertence à prefeitura. A foto abaixo é da Revista da Semana de junho de 1906 (Hemeroteca da BN); note-se o crescimento das palmeiras.
ERJ 1479 – Desengano (1857-1917)
Temos aqui o primeiro carimbo registrado no PA1289 sobre emissão 1866, a mesma dos meus exemplares.
Segue o usual T2, do qual possuo dois subtipos:
- T2a – sem legenda inferior, circulado no império (1885-1886)
- T2c – com um simpático florão, circulado na república (1891)
Por último, o T4a, com legenda “(EST.)” (1896-1897)
ERJ 1480 – Juparanã (1917-1941) desta não possuo imagens
ERJ 1481 – Desengano (1941-1952)
ERJ 1482 – Barão de Juparanã (1952-2010)
PARTE 2 – ESTRADA DE FERRO UNIÃO VALENCIANA
2º Trecho – Santa Ignacia a Rio Preto
Em contrato de 27.08.1877 o governo fez concessões à Cia. União Valenciana para o prolongamento da linha de Valença até o Rio Preto, nos limites com a Província de Minas Gerais. As obras foram iniciadas em maio de 1878 e o trecho até Santa Ignácia foi aberto em 15.10.1879.
Flores / Santa Ignacia (Local 6 no mapa)
A origem do nome do local é a estação com o nome primitivo de “Flores” que, anos depois, resolveram mudar para “Santa Ignácia”, em homenagem a D. Ignácia Maria de Jesus, proprietária da fazenda Boa Vista, onde foi construída a mencionada estação (wikipedia).
A estação “Flores” é de 15.10.79 alterado para Santa Ignacia em 1888. A agencia é de 1880 e foi instalada na estação.
ERJ 1483 – Flores (1880-1882)
ERJ 1484 – Santa Ignacia (1882-1948)
Tive certa dificuldade em interpretar os carimbos de Santa Ignacia. Acabei propondo uma solução de compromisso que me pareceu a mais coerente.
Começo com o tipo T2a, que não possui legenda inferior:
- T2a – circulado no império, uma reprodução que possui a legenda E.DE SANTA.IGNACIA. (sic) 1883
- T2a – variedade circulada na república, possui uma legenda ligeiramente diferente: E.DE SANTA.IGNACIA (sem o ponto final) 1891-1896
Segue o tipo T4 em dois subtipos
- T4b – com a legenda clássica (E. do RIO) e ano grafado em 4 digitos (1902)
- T4f – este tipo normalmente circula sobre as décadas seguintes. Normalmente, seu padrão pede diâmetros maiores, no mínimo 25x13mm. Neste caso, eles são menores e invariáveis até 1940 sobre emissão vovó, o que não deixa de ser uma exceção (eu disse no início que Santa Inácia era difícil…)
São Sebastião do Rio Bonito / Pentagna (Local 7 no mapa)
O Curato de São Sebastião do Rio Bonito, elevado a Freguesia em 29.03.1839, tornou-se distrito de Valença em 1885 e renomeado Pentagna em 15.12.1938 como homenagem ao recém falecido Dr. Humberto Pentagna que, quando prefeito, fundou ali a primeira cooperativa de laticínios do município.
O local foi também onde o mineiro Francisco Paulo de Almeida, Barão de Guaraciaba, adquiriu sua primeira fazenda em 1860. Detalhes de sua interessante história na nota [5] ao pé da página. Ele nomeou também uma estação da linha de Santa Isabel sobre a qual falarei mais adiante.
A estação “Rio Bonito” é de 1880, renomeada “Vila Pentagna” em 10.08.1939. A agencia postal é mais antiga, tendo sido criada em 6 de junho de 1861 e renomeada por volta de 1939, acompanhando a estação [8]. A imagem abaixo está no site “Estações Ferroviárias do Brasil” (acervo de Jorge Ferreira)
ERJ 1485 – São Sebastião do Rio Bonito (1861-1939)
Agencia antiga, está cadastrada no PA 1481 sobre emissão 1866, a mesma da qual possuo exemplar.
Segue o ususal tipo T2, do qual tenho dois subtipos:
- T2a – tipo sem legenda inferior, circulado no imperio, emissão 1876. O local é grafado “S.S. DO RIO BONITO”
- T2c – tipo com florão na legenda inferior, tem o local grafado “S. SEBAST. do RIO BONITO” e o original duplo círculo externo. (1884-1887)
O tipo T4a vem a seguir, com ano grafado em 2 dígitos e legenda (E.do RIO) 1896-99.
ERJ 1486 – Pentagna (1939-2000)
ERJ 1486A – AGC Pentagna (2000 – ) s/ imagem
Guimarães (Local 8 no mapa)
São poucas e imprecisas as informações sobre Guimarães. Do ponto de vista ferroviário, ela consta da tabela de horários da União Valenciana publicada na Gazeta de Noticias em 1.3.1881 (na de abril de 1880 não consta). Sobre a agenia postal, há uma nota em 16.12.1881 na capa do mesmo jornal informando o fechamento “da agencia do correio da estação de Guimarães”. Não encontrei imagens – se existirem, serão raras. A agencia nem é mencionada no trabalho de R. Koester. Mas o local está assinalado no mapa de 1953 como “Parada Guimarães”.
ERJ 1487 – Guimarães (1880-1881)
Não tenho exemplares.
Santa Delfina / Alberto Furtado (Local 9 no mapa)
A estação de Santa Delphina, nome de um riacho próximo, foi aberta em julho de 1880 já às margens do Rio Negro. No local havia uma pequena ponte de travessia para Minas Gerais, como se vê no mapa da Wikimapia. Em vermelho, a posição da estação indicada na Wikimapia.
A agencia postal “Santa Delphina” é do mesmo ano, e deve ter sido instalada na estação, embora não haja confirmação documental. Em 1914 ambas tiveram seus nomes alterados para “Alberto Furtado”, nome que homenageava um engenheiro da ferrovia. O prédio, caidinho, é um dos poucos remanescentes da pequena localidade.
ERJ 1488 – Santa Delfina (1880-1914)
Os primeiros carimbos são do tipo T2, do qula tenho dois subtipos:
- T2a – tipo sem leganda inferior, circulado no império (1885)
- T2c – tipo com florão na inferior, circulado na republica (1890-1895)
Segue o usual tipo T4, do qual possuo dois subtipos
- T4a – que posui o ano grafado em 4 dígitos e diâmetros clássicos 24x13mm Legenda inferior ilegivel (1904)
- T4f – diâmetros característicos do tipo 25×13,5mm (1907). Leg. (E.do RIO)
ERJ 1489 – Engenheiro Alberto Furtado (1914-1969)
Sem imagens
Rio Preto / Parapeuna – (Local 10 no mapa)
A partir de Santa Delfina a linha seguia paralela ao Rio Negro, divisa entre os estados, até chegar à estação terminal que foi inaugurada em 1880 e denominada Rio Preto. O nome da estação remete à sede do município de Rio Preto em Minas Gerais, localizada na margem fronteira à estação e ligada a esta por uma ponte de pedestres.
No local havia um pequeno povoado que, com o desenvolvimento trazido pela ferrovia, foi elevado em 1924 a distrito com o nome de São Sebastião do Rio Preto. Em 1938 o distrito foi renomeado Rio Preto como sua vizinha mineira e na década de 1940 a estação e o local foram renomeados Parapeúna, rio preto em tupi. Mais tarde a linha foi estendida a Santa Rita, como se verá no próximo bloco.
A cidade de Rio Preto possuía
agencia desde 16 de agosto de 1855 com acesso à estação que a servia pela já citada ponte que se vê na imagem ao lado (estaçõesferroviarias.com.br editado por Ralph Giesbrecht). A ponte foi mais tarde substituída por uma rodoviária de concreto.
O trecho ferroviário foi desativado em 1970 e a partir do GP de 1976 temos noticia de uma nova agencia “Parapeúna” instalada no antigo prédio da estação, indicada por uma plaquinha numa das portas. Em 2000 ela seria transformada em AGC.
ERJ 1490 – Parapeúna (1976-2000)
ERJ 1490A – AGC Parapeuna (2000 – )
Sem imagens
PARTE 3 – RAMAL DE JACUTINGA
3º Trecho – Rio Preto a Santa Rita de Jacutinga
A União Valenciana teve Parapeúna como sua ponta de linha por décadas. Em 24.06.1910 foi constituída a “Rede de Viação Fluminense” tendo por tronco a Linha Auxiliar e incorporando a União Valenciana e a EF Rio das Flores. Seu controlador era a EF Central do Brasil. Todo esse trecho, mais o Ramal de Vassouras, construído no final do século pela Auxiliar, passou a ser conhecido por “Ramal de Santa Rita de Jacutinga“. Ele seguiu pela margem sul do rio Preto, depois o cruzou até chegar a Santa Rita, onde se encontrou com a RMV. As estações fluminenses com agencia são:
São Luiz / Fernandes Figueira (Local 11 no mapa)
A fazenda São Luiz foi formada em terras adquiridas em 1839 pelo Marquês de Valença, Estêvão Ribeiro de Resende (1777—1856). Casado com Ilidia Mafalda de Sousa Queirós, dama de honra da Imperatriz, seu primogênito Luís Ribeiro de Sousa Resende (1827-1891 foi provavelmente quem emprestou seu nome à fazenda.
A estação foi construída em 1914 junto à sede e também batizada São Luiz. Nos anos 1940 seu nome foi mudado para Fernandes Figueira em homenagem ao médico Dr. Antonio Fernandes Figueira (1863-1928). Com a desativação do trecho nos anos 1970 o prédio abrigou uma escola municipal. A imagem atual do Street View acima não mostra mais o nome da escola na fachada, um indício de que ela também foi desativada.
A agência postal “São Luiz” foi criada em 1918 e renomeada em 1948 acompanhando a estação (fontes: institutocidadeviva.org.br/inventarios e estacoesferroviarias.com.br).
ERJ 1492 – São Luis (1914-1948)
Possuo dois carimbos do tipo T4 diferentes. Bem batidos, sobre o mesmo valor que os deixa bem legíveis, poderiam servir de padrão para diferenciação dos subtipos T4f e g:
- T4f – diâmetros 27×12,5mm, década de 1930, leg. inferior (E.do RIO) (1932)
- T4g – diâmetros 28,5x14mm, década de 1940, leg. inferior sem parênteses
ERJ 1493 – Fernandes Figueira (1948-1963)
sem imagens
Coronel Cardoso (Local 12 no mapa)
O coronel Manoel Joaquim Cardoso, importante político local, adquiriu no início dos anos 1910 a fazenda São Fernando situada às margens do rio Preto [6]. Visionário, ele se tornaria um dos maiores produtores de café do vale do rio Preto. Diversificou as atividades para a agropecuária e construiu uma usina hidroelétrica no vizinho rio São Fernando que ainda está em funcionamento.(imagem e textos ICV/INEPAC)
Forneceu o terreno para a construção da estação ferroviária que tomou seu nome e hoje é escola primária como se vê na imagem. A estação foi inaugurada em 1914 e a agencia postal no ano seguinte.
ERJ 1494 Coronel Cardoso (1915-1963)
Santa Clara / João Honório (Local 13 no mapa)
Imagem Wikimapia com os locais da fazenda e da estação (anotações do autor)
Como mostra a imagem, a estação de Santa Clara ficava um pouco distante da sede da fazenda Santa Clara já que a ferrovia não acompanhou o meandro do rio. Mas havia um acesso e ponte sobre o rio Preto, pois a imponente fazenda está no município de Santa Rita de Jacutinga; vale ler a nota [7]. Já mencionei os antigos proprietários da fazenda ao descrever a fazenda São Fernando no item anterior (ver nota 6).
A localidade deve seu atual nome ao Coronel João Honório de Paula Motta, que adquiriu a fazenda em 1924 do seu segundo dono, o Comendador Modesto Leal.
A agencia e a estação são de 1914, época da abertura da linha. Ambas foram renomeadas nos anos 1950. A imagem acima é a atual da estação. Um tanto descuidada, mas de uma beleza singela.
ERJ 1495 – Santa Clara (1915-1955)
ERJ 1496 – João Honorio (1955-1963)
Não possuo imagens de carimbos.
Barbosa Gonçalves (Local 14 no mapa)
Barbosa Gonçalves é a última estação da linha no município de Valença, aberta em 1914 (a imagem é do site estacoesferroviarias.com.br). Logo em seguida ela cruza o rio para atingir a ponta da linha em Santa Rita de Jacutinga em MG. Nessa cidade, ela encontrará a EF Santa Isabel do Rio Preto (RMV), sobre a qual falaremos a seguir. A estação é da época da abertura da linha, mas a agencia veio um pouco mais tarde em 1921.
ERJ 1497 – Barbosa Gonçalves (1921-1963)
Não possuo imagens.
PARTE 4 – ESTRADA DE FERRO SANTA ISABEL DO RIO PRETO
Quadro de agencias ferroviárias
A Cia. EF Santa Izabel do Rio Preto teve seus estatutos aprovados pelo decreto 7549 de 22 de novembro de 1879. As obras partiram de Barra do Piraí em 1881, passaram pela estação de Ipiabas no mesmo município e cruzaram a divisa com Valença.
Segue a descrição das estações com agencias postais no território de Valença, lembrando que as três primeiras estão descritas em Barra do Piraí.
Paulo de Almeida (Local 15 no mapa)
Segundo o site Estações Ferroviárias do Brasil, o nome da estação homenageia Francisco Paulo de Almeida, o Barão de Guaraciaba, bem-sucedido empresário e único negro agraciado com título de nobreza. Sobre ele comentamos na nota [5].
Uma das imagens de carimbo que possuo grafa a localidade como ‘Paula’ d’Almeida. Achei o fato curioso até descobrir que havia erro de grafia da legenda. A estação é de 1884 e a agencia também. Vale lembrar que o distrito ao qual pertence, Conservatória, esteve anexado a Barra do Piraí por quatro anos, de 1943 a 1947. É possível que apareça um carimbo assim identificado.
ERJ 1498 – Paulo de Almeida (1884-1963)
Santo Antonio do Rio Bonito / Conservatória (Local 16 do mapa)
O primeiro registro da localidade data do final do século XVIII como reserva dos índios Araris. Diversas histórias justificam a origem do nome – lugar onde foi implantada uma “conservatória” para registrar e catalogar os índios. Com a colonização, cresceu o povoado de Santo Antônio do Rio Bonito, batizado pelo rio que a corta. Mas a tradição foi mais forte e a povoação sempre foi conhecida por “Conservatória dos índios”, nome que acabou por adotar em 1938.
Santo Antonio do Rio Bonito foi o primeiro distrito de Valença, estabelecido em 1839. Seu desenvolvimento veio com o ciclo do café. Conta-se que o povoado foi um dos primeiros a ter seu traçado urbano projetado por um engenheiro, o italiano Cezar Capolino, contratado pelos fazendeiros. Outra tradição local são as serenatas, festejadas pelas plaquinhas instaladas nas fachadas das casas pelos irmãos Freitas nos anos 1950 e que registram nomes de músicas e seus autores. A rodovia RJ-137 que corta a cidade leva o nome dos irmãos.
O trem também tem tradição na cidade. A estação foi inaugurada em 1883 e hoje é uma rodoviária bem preservada. Na imagem ao alto, ao fundo vê-se a locomotiva Baldwin de 1910 instalada como uma escultura, que aparece na segunda imagem. Ambas são do Street View de 2021. A agencia postal é bem antiga, criada em 1849, e que continua em operação regular na cidade.
O IBGE informa que, pelo Decreto-lei Estadual 1056, de 31-12-1943, o município de Valença passou a denominar-se Marquês de Valença e, sob o mesmo Decreto, o distrito de Conservatória é transferido para Barra do Piraí, retornando em 20 de junho de 1947.
ERJ 1499 – Santo Antonio do Rio Bonito (1849-1938)
O primeiro carimbo está relacionado no PA1449 sobre emissão de 1866. Possuo duas peças, uma sobre emissão 1866 e outra sobre 1883.
Segue o tipo T2, do qual tenho subtipos:
- T2a – sem legenda inferior. Grafia do local “S.A. DO R. BONITO” (1882-1885)
- T2c – florão tipo1 na inferior. Grafia “S. ANT. do RIO BONITO” (1894-1895)
- T2c – florão tipo2. Grafia “S. ANTONIO do RIO BONITO” (1897)
Fecho com o tipo T4, do qual tenho dois subtipos separados por 32anos.
- T4a – diâmetros clássicos 24x13mm. Grafia do local “S.A. do RIO BONITO” e clássica legenda inferior (E.do RIO) entre parênteses
- T4g – diâmetros 29x14mm compatíveis com o subtipo 4g. Grafia do local “AG. Sto. ANTONIO de RIO BONITO” . Legenda inferior E.do RIO (1938)
ERJ 1500 – Conservatória (1938- )
O primeiro carimbo é o T14, um tipo raro que possui orelha só do lado esquerdo registrando a UF. No caso RJ.
Santa Cruz / Pedro Carlos (Local 17 no mapa)
A marca da localidade é a “Ponte dos Arcos” bela ponte ferroviária no trecho que vem de Conservatória e que está bem preservada. A estação foi inaugurada em 20 de junho de 1885 com o nome de “Santa Cruz” e renomeada Pedro Carlos por volta de 1890 – homenagem a um engenheiro da ferrovia. A agencia postal é de 1887, registrada no Relatório dos Corrreios de 1887 como “Estação da Cruz, EF Santa Isabel do Rio Preto”; foi instalada na estação e acompanhou a mudança de nome na mesma data. Desativada junto com a estação, foi reinstalada anos mais tarde sob a forma de AGC.
ERJ 1501 – Cruz (1887-1890)
ERJ 1502 – Pedro Carlos (1890-1963)
ERJ 1502A – AGC Pedro Carlos (2002 – )
sem imagem
Forquilha / José Leite (Local 18 no mapa)
Após deixar Pedro Carlos e descer a serra, a ferrovia seguia um traçado bem diferente da RJ-137 (confira no mapa de 1953 e no detalhe do Google Maps acima – clique para ampliar) e há um longo trecho sem estações até chegarmos a Forquilha (mais trade Leite de Souza). No mapa, assinalei os locais de Santa Isabel e de Leite de Souza, um local bem escondido que no início teve uma oficina ferroviária e hoje tem um punhado de casas, entre as quais a antiga estação, hoje residência.
A partir daí, a linha segue para o norte até encontrar o rio São Fernando, aquele mesmo do qual falamos na estação de Coronel Cardoso no local 12, seguindo o curso do rio até encontrar Santa Isabel (assinalei esse curso no mapa).
A estação é de 1886 e foi logo em seguida renomeada José Leite; mais tarde em 1936, Leite de Souza. Não identifiquei a origem dos topônimos. A imagem cima é do Google Maps, que mostra um atual povoado de meia-duzia de casas. A agencia postal “Estação da Furquilha” foi criada em 31 de janeiro de 1887 “na estação da EF Santa Isabel do Rio Preto” conforme Relatório dos Correios desse ano. Renomeada José Leite no ano seguinte, conservou esse nome até o fechamento da estação no final dos anos 1960.
ERJ 1503 – Estação da Furquilha (1887-1889)
ERJ 1504 – Jose leite (1889-1963)
Os do tipo T2a (com florão) são republicanos de 1890 e 1894; o tipo T4 pelo diâmetro de 28mm seria do tipo T4g, mas a emissão não confirma
Santa Isabel do Rio Preto (Local 19 no mapa)
A próxima estação da linha se chamou Joaquim Mattoso.
A data de abertura da estação Joaquim Mattoso está na Tabela de Horários de trens publicada pela EF santa Isabel do Rio Preto que informa abertura da “estação terminal da ferrovia” no dia 6.04.1886 (ed. de 25.04 de O Paiz RJ).
Por outro lado, o edital de condução de malas para o ano de 1889 publicado no Diario de Noticias em 10.11.1888 traz a informação da existência de uma linha entre Santa Isabel e a estação. O fato de a estação não trazer o nome da cidade e ter para ela uma linha de malas levanta uma bem fundada hipótese de a estação ter sido construída antes da cidade, possivelmente por dificuldades topográficas. A agência dos correios foi criada na cidade em 4 de maio de 1853, décadas antes da estação.
Uma pesquisa nos mapas me revelou que antes da cidade havia um baixio onde desaguava um afluente do rio S. Fernando. Assim, os acionistas devem ter decidido inaugurar uma estação temporária em 1886 e reestudar o traçado para a cidade. O mapa abaixo mostra o possível local onde ela deve ter existido.
No entanto, poucos meses depois, a linha foi incorporada pela mineira EF Sapucahy, Viação Ferrea Sapucahy que adquiriu também outras ferrovias fluminenses reunidas sob o nome de Linha da Barra. Entre 1892 e 1893 ela expandiu sua linha para o sul, inaugurando a estação de Santa Rita do Sapucahy e construindo as pontes que permitiram sua conexão com a antiga linha da EF Santa Isabel até Barra do Piraí. A estação Mattoso foi então reposicionada no centro da cidade e em 1935 renomeada com o nome da localidade. Ver nota [10] ao pé da página.
ERJ 1505 – Santa Isabel do Rio Preto (1853 – )
Dessa antiga agencia tenho vários subtipos do T2 e várias grafias do local. São elas:
- T2b – essa classificação, segundo meus critérios de carimbologia, deveria ser de tipos circulados no império que tivessem caracteres na legenda inferior. Não sei se parênteses vazios preenchem essa definição. Quando preenchi a etiqueta não achei, mas agora mudei de opinião. Grafia: “EST. DE Sta.IZABEL” (1882)
- T2a – sem legenda inferior, grafia “S.I. DO RIO PRETO” (1884)
- T2c – circulados no império com florão tipo1 e grafia “S. IZABEL DO RIO PRETO” (1887-1888)
- T2c – circulados na república com florão tipo2 e ano grafado em 2 dígitos. Grafia ligeiramente diferente “S. IZABEL do RIO PRETO”(1891-1898)
- T2d – idem, idem, ano grafado em 4 dígitos (1901)
Segue o tipo T4 com dois subtipos:
- T4b com grafia do local “AG. Sta. IZABEL e legenda clássica (E.do RIO) 1925
- T4g grafia “Sta. ISABEL R. PRETO” (com S pela primeira vez), diâmetros 28x13mm e legenda sem parênteses
Uma curiosidade ferroviária em Santa Isabel
A história ferroviária da região apresenta uma curiosidade sobre a construção da estação Joaquim Mattoso em 1886, construída em 1886 em local distante da cidade e que posteriormente seria realocada para o centro e receberia seu nome.
Essa história está contada na Linha 13 no menu ferroviário. Clique neste link para ser dirigido. Para adiantar um pouco o tema, copio o gráfico lá apresentado e que mostra a situação geográfica.
Ponte do Zacharias (Local 20 no mapa)

Ponte do Zacarias sobre o Rio Preto anotações do autor sobre Google Maps
A agencia postal na Ponte do Zacharias me levou a uma interessante viagem pela história, relacionada à ligação entre Santa Isabel e Santa Rita, com o prolongamento da ferrovia até aquela cidade por uma ponte sobre o rio Preto. A Ponte do Zacharias.
Fiz um extenso estudo que publiquei em História Postal aqui no site. Engloba a Ponte e Santa Isabel do Rio Preto.
Notas e informações
[1] O Barão do Rio Preto – Domingos Custódio Guimarães (S. João del Rei 1802 – Valença 1868) fez fortuna no comércio e depois fazendeiro de café no vale do Rio Preto. Sua fazenda “Flores do Paraíso”, hoje Paraíso (imagem acima), foi construída em 1853 e considerada a “jóia de Valença” (hoje no município de Rio das Flores e preservada pela família Belfort Carneiro da Silva). Imagem e texto do Instituto Cidade Viva.
[2] Foto do portalvalençarj.com.br
[3] A estação Chacrinha. Existem tabelas de horário publicadas na imprensa pela EF em 1871, 74, 76 77 e 1880 todas iguais à de 19 de maio de 1871 cuja imagem do Diario do RJ apresento; nenhuma delas traz “Chacrinha” ou “Souza Barros” (figura 1). A primeira a mostrar a estação é a de 01.03.1881 na Gazeta de Noticias, que a grafa “Barros” (figura 2). Foi essa a data que adotei. Quanto à Chacrinha, a primeira publicação ferroviária a apresenta-la foi a Estatistica das Estradas de Ferro da União e das Fiscalizadas pela União, edição de 1901. A data coincide com a compra da fazenda pela família Oliveira Castro que, dizem, pediu para mudar o nome da estação.
[4] Barão de Juparanã – Manuel Jacinto Carneiro Nogueira da Costa e Gama (Rio de Janeiro, 4.4.1830, Valença, 2.6.1876) foi um fazendeiro e político brasileiro, presidente da Câmara de Valença em 1858. Sua família possuía várias fazendas à margem do Paraíba, sendo a principal a Fazenda Santa Mônica onde D. Pedro II se hospedou diversas vezes e Duque de Caxias, parente da família, faleceu em 1880 (fonte ICV/INEPAC).
[5]
Francisco Paulo de Almeida – Barão de Guaraciaba (Lagoa Dourada-MG, 1826 – Rio de Janeiro, 1901), foi proprietário rural e banqueiro brasileiro, um dos mais importantes barões do café do segundo reinado. Titulado pela própria princesa Isabel, acumulou um enorme patrimônio no Vale do Paraíba. Suas fazendas se estendiam pelos estados do RJ e MG. No entanto, um detalhe o tornava diferente dos outros nobres. Ele era negro em um país escravocrata. Há estação e agencia postal em Valença com seu nome (ERJ 1498 – Paulo de Almeida)
Morou em Petrópolis por um tempo, onde adquiriu o famoso Palácio Amarelo, que depois vendeu para a Câmara Municipal, mudando-se para o Rio.
[6] A Fazenda São Fernando teve origem em terras da sesmaria ao Guarda-Mor Joaquim Diofrídio Fortes em 1804. A fazenda foi construída na primeira metade do século XIX pelo casal Carlos Teodoro de Souza Fortes e Isabel Henriqueta Fortes, primos de Diofridio.
São Fernando foi uma das maiores e mais bem equipadas fazendas de café da região do Vale do Rio Preto. A unidade de produção de café foi implantada em uma várzea, entre os rios Preto e São Fernando, seu afluente. O casal era senhor, também, da grandiosa Fazenda de Santa Clara, localizada mais adiante na linha na outra margem do rio Preto (ver nota 7). Souza Fortes foi agraciado, em 1887, com o título de segundo Barão de Santa Clara.
Por volta de 1915, a São Fernando foi adquirida pelo empresário de origem portuguesa, coronel Manoel Joaquim Cardoso sobre o qual falamos acima. Com a crise mundial de 1929 os negócios se complicaram e Cardoso se associa com um de seus maiores clientes formando uma empresa. Em 1935 seus sócios compram a sua parte e a empresa funciona até recentemente, estando desativada no momento.
[7] Em 1824 Francisco Fortes de Bustamante, filho do guarda-mor do registro de Rio Preto, foi agraciado com uma sesmaria onde montou a fazenda Santa Clara, concluída em 1856. Com sua morte, a fazenda ficou para sua viúva, Maria Tereza de Souza Fortes, viscondessa de Monte Verde e, com sua morte, para seu irmão Carlos Teodoro de Souza Fortes, que era o 2º Barão de Santa Clara. Sobre ele, já falamos na fazenda São Fernando no item 6. A propriedade foi depois adquirida pelo Comendador Modesto Leal, que na virada do século chegou a possuir mais de 30 fazendas na região. Em 1924 foi adquirida pelo coronel João Honório, cuja família é a atual proprietária.
Santa Clara é uma das maiores propriedades rurais do século XIX ainda existentes. Tem 6 mil m2 de área construída, 46 quartos e um mirante com relógio. Foi cenário da novela “Terra Nostra” da Globo em 1999.
[8] Nicolau Pentagna era imigrante italiano, industrial e agricultor, fundador do clã Pentagna em Valença. Seu sobrinho Humberto fez carreira política, foi prefeito local e
vice-presidente da província. Seu falecimento gerou grande reconhecimento do município, tendo sido homenageado com uma estátua em praça pública e rebatizando o distrito.
No Jusbrasil encontrei em 17.07.1939 o comunicado oficial do Ministro de Viação aos Correios e à EFCB informando-os sobre a mudança do nome do distrito de S. Sebastião do Rio Bonito para Pentagna. Com isso, a direção da ferrovia alterou o nome da estação de “Rio Bonito” para “Vila Pentagna” em 10 de agosto de 1939. Sobre a agencia não conheço a data, mas o GP de 1940 já nos informa da mudança.
[10] Sobre a estação de Santa Isabel do Rio Preto
O nome da estação: Joaquim Mattoso Duque-Estrada Camara foi eleito deputado federal pelo Espírito Santo com mandato em 1886 (na época, com sede no Rio). Em abril desse ano foi ele indicado diretor do Banco Auxiliar no Rio e em fevereiro de 1891 aparece como membro do conselho fiscal da Viação Ferrea Sapucahy (que adquiriu a EF Santa Isabel). Essa já é uma boa pista para o nome da estação. Outra é o nome de quem assinou a tabela de horários da EF Santa Isabel em 6.4.1886: José Mattoso, chefe do tráfego.
Registro Fiscal de MG em Joaquim Mattoso
Com base em registros históricos do final do século XIX, a estação de Joaquim Mattoso possuía vigia fiscal. Em 1897, há menção ao vigia fiscal Domingos Theodoro de Lacerda, lotado nesta estação.
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