7ª Secção

O Decreto 1692-A de 10 de abril de 1894 é o primeiro da era republicana a trazer uma revisão abrangente do Regulamento Postal. Dentre as novidades, a que mais nos impacta neste capítulo é a estrutura organizacional em oito seções ao invés das quatro anteriores

DECRETO Nº 1.692-A, DE 10 DE ABRIL DE 1894
Approva o regulamento dos Correios da Republica.
(…)
Art. 405. A Administração dos Correios do Districto Federal superintende tambem os correios do Estado do Rio de Janeiro e divide-se em oito secções.
(…)
§ A’ 7ª secção incumbe:
1º, receber, dar entrada e processar as reclamações ou queixas do publico relativas á expedição, recepção e distribuição das correspondencias, ou sobre qualquer outro serviço postal ou contra empregados do Correio;
(…)
5º, recepção, manipulação, distribuição, entrega, devolução e consumo das correspondencias cahidas em refugo nas repartições postaes do Districto Federal e do Estado do Rio de Janeiro;

Como vemos, basicamente funções administrativas. Entretanto, um novo decreto em 1896 altera radicalmente essas atribuições, acrescentando várias atividades de tráfego:

DECRETO N. 2230 – DE 10 DE FEVEREIRO DE 1896
Approva o regulamento dos Correios Federaes.
(…)
Art. 299. A Administração dos Correios do Districto Federal superintende tambem os correios do Estado do Rio de Janeiro e divide-se em oito secções.
(…)
§ 7º A’ 7ª secção incumbe:
1º, distribuição da correspondencia ordinaria na área central da cidade;
2º, recepção, abertura, conferencia e remessa das malas de e para as succursaes; remessa da correspondencia ás outras secções;
3º, recepção das correspondencias urbanas, sua marcação, apartação e distribuição na área central da cidade, e remessa ás succursaes;
6º, escolha e classificação das correspondencias cahidas em refugo e a fiscalisação dos serviços de distribuição domiciliaria e de collecta das caixas urbanas.

Como decorrência, o que se vê a partir de 1896 é uma avalanche de carimbos onde se lê nas legendas superiores Rio de Janeiro e sua sucessora Capital Federal  a partir de 1900 e nas demais legendas a menção às quatro distribuições diárias mais a noturna . Como veremos, mais de 70 tipos diferentes.


TIPOS DA DISTRIBUIÇÃO (1896-1914)


Tipo CRJ 281 em 4 distribuições diurnas + a noturna (1896-1899)

Esta série aparece em 1896 com abundantes carimbos relativos às quatro distribuições diárias, mais a noturna, de “correspondência ordinária na área central da cidade” – termos que copiei do 1º item das atribuições do decreto de 1896.

 

Tipo CRJ 284 em 4 distribuições diurnas + a noturna (1900-1902)

Em 1º de janeiro de 1900 é lançada uma nova série de tipos “republicanos” com a legenda Capital Federal [1] e datador já em quatro dígitos. É a sucessora da série CRJ 281 que circulou de 1896 a 1899 e, da mesma forma,  também está organizada em 4 distribuições mais a noturna

Vale notar algumas diferenças em relação à anterior, além da óbvia troca do datador por um de quatro dígitos para o ano.

  • As quatro distribuições diurnas tocaram a posição da informação do nº da distribuição da legenda inferior para as orelhas;
  • Já a distribuição noturna manteve essa informação na legenda inferior (“noite”) mas em compensação não substituiu Rio de Janeiro por Capital Federal como nas demais (não me perguntem por quê…).

Vale observar que as cinco distribuições no novo século trocaram o datador para quatro dígitos e também passaram a adotar

Tipos CRJ 285 a 289 em 4 distribuições diurnas + noturna (1902-1906)

  • Carimbos clássicos 24x13mm; legendas Capital Federal // 1ª a 4ª.D – 7aS e orelhas numeradas de 1 a 6

Sucessora da série 284 onde as quatro distribuições estavam indicadas nas orelhas, nesta série CADA UMA das cinco distribuições (considerando a noturna) possui diígitos de 1 a 6 grafados nas orelhas. Ou seja, um total de 30 carimbos diferentes.

Não consegui encontrar uma explicação oficial sobre esses seis dígitos. A explicação mais plausível é que tratava de um sistema de controle dos postos de trabalho.

Tipo CRJ 285 – 1a. distribuição

Bilhete postado na Succursal da Pça. Duque de Caxias, bairro do Cattete no Rio no dia 7 de setembro de 1903 (1ª Distribuição) sendo expedido no mesmo dia pela 1ª Distribuição da 7ª Secção. Seguiu para S. Paulo pela EFCB onde recebeu o carimbo Ambulante Noturno, 3a.Turma. Carimbo de recepção em S.Paulo pela 4ªSecção às 11h da manhã do dia 8.02.

 

Tipo CRJ 286 – 2a distribuição

 

Tipo CRJ 287 – 3a distribuição

 

Tipo CRJ 288 – 4a distribuição

 

Tipo CRJ 289 – distribuição noturna

Este tipo possui um digito na orelha esquerda e um “N” na direita, com o significado de “distribuição noturna”. Seria o sucessor do CRJ 283 cuja legenda inferior era 7aS – NOITE.

 


TIPOS BARRAS-DUPLAS (1907-1914)

Não bastasse a profusão de carimbos clássicos de 1896 a 1906, a partir de 1907 um novo tipo de carimbo repetirá a dose, utilizando carimbos barras-duplas [2] . A exemplo da anterior (CRJ 285 e ss.), a série apresentava originalmente quatro distribuições, mais a noturna, com dígitos especiais nas orelhas de 1 a 7 provavelmente indicando os respectivos guichês de atendimento.

Alguém poderá notar alguns exemplares tardios, até os anos 1930. Falarei sobre isso ao final deste bloco.

Tipo CRJ 291 – 1a. distribuição

Não possuo o CRJ 291.1 (guichê nº1)

CRJ 291.2

Trata-se de um envelope (inteiro) emitido em 1906 e postado na 7a.S do Correio Central do RJ e destinado à Alemanha. Não há carimbo de recepção.

CRJ 291.3

NOTA: Merece atenção o terceiro carimbo, um castanho de 500Rs série Vovó. A análise da sua filigrana indica o tipo “F” que foi emitido em 1924. O ano 1919 também não faz sentido: 10.IV.19.116 (com 3 dígitos de controle !) pois esse tipo só foi emitido em 1920. Minha experiência com essas séries registrou diversos exemplares que foram emitidos tardiamente em 1933. A maior parte deles compõe uma 5a. distribuição criada em 1933 e apresentada no tipo CRJ 296, onde construo a tese deste exemplar ter de fato circulado 1933.

O bilhete postal a seguir não tem nada a ver com essa história, sendo ilustração do tipo CRJ 291.3

CRJ 291.4

Deste, só possuo envelope

CRJ 291.6 (não possuo exemplares do CRJ 291.5)

 


Tipos CRJ 292 – 2a. distribuição

CRJ 292.1 (guichê nº1)

CRJ 292.2

 

 

CRJ 292.3

CRJ 292.4

CRJ 292.5

CRJ 292.6

CRJ 292.7

O guichê nº7 foi criado somente em 1933, juntamente com a 5a. distribuição – onde se encontra a maior parte dos carimbos de 1933. Ver a série CRJ 296 mais adiante.

 


Tipos CRJ 293 – 3a. distribuição

CRJ 293.1

Tenho ressalvas nessa peça por não ter sido circulada, princípio que adoto neste trabalho. A carta-bilhete é emissão de 1907 com carimbo de favor.

CRJ 293.2

CRJ 293.3

CRJ 293.4

CRJ 293.5

CRJ 293.6

CRJ 293.7

O guichê nº7 foi criado somente em 1933, juntamente com a 5a. distribuição – onde se encontra a maior parte dos carimbos de 1933. Ver a série CRJ 296 mais adiante.

 


Tipo CRJ 294 – 4a. distribuição

CRJ 294.1

CRJ 294.2

CRJ 294.3

CRJ 294.4

CRJ 294.5

CRJ 294.6

Não tenho conhecimento de um guichê nº7 CRJ 294.7

 


Tipos CRJ 295 – distribuição noturna

A distribuição noturna constituía de fato uma 5a.Seção. Esta foi de fato criada com esse nome somente em 1933 que apresento na série CRJ 296 mais à frente.

CRJ 295.1

CRJ 295.2

CRJ 295.3

CRJ 295.4

CRJ 295.5

CRJ 295.6

CRJ 295.7

O guichê nº7 foi criado somente em 1933, juntamente com a 5a. distribuição – onde se encontra a maior parte dos carimbos de 1933. Ver a série CRJ 296 mais adiante.

 


A série CRJ 296 – uma inesperada continuação em 1933


Introdução

A série de 4 distribuições mais uma noturna apresentada anteriormente ganhará uma inusitada continuação em 1933, após um intervalo de mais de 20 anos, quando as atribuições da 7a.S já tinham sido alteradas de distribuição para serviço de registro pelo Decreto de 1909.

Assim aparece uma 5a. distribuição – que não existiu em nenhum dos tipos anteriores da 7a.S – utilizando velhos carimbos ressuscitados e retocados.

Velhos sim, pois o datador original só possuía dígitos de ano até 1919. Assim, para colocar “33”,  tiveram que usar um espaçador cego ao lado do 3, como mostra o exemplo ilustrativo ao lado

 

Após essa breve introdução, segue a apresentação dos exemplares da 5a. distribuição:

CRJ 296.1

CRJ 296.2

A peça baixo chama a atenção pela denteação 9×9 nos dois selos, o que indica emissões em 1932 (RHM 240A e 238A). O carimbo é datado 17.VII.1933

CRJ 296.3

Do CRJ 296.3 possuo uma carta completa, com franquia mecânica tipo T105d, (muito rara – único exemplar que conheço, imagem cedida pelo colega especialista Mario Xavier Jr), que foi circulada na zona central do Rio. O franqueador esteve instalado na “Companhia Nacional de Seguros Sul America” e customizado com mensagem da empresa alegando ser “firme como o Pão de Assucar” (sic). Passou pela 7a.Secção central por ser registrada e foi distribuida pela 6a.S (v. carimbo no verso). Franquia de Rs 600 (200 porte e 400 de registro).

Única peça completa que conheço nos mostra o carimbo CRJ 296 sendo usado com função de registro. Mas por que não usaram um carimbo de registro regular da 7a.S?  Mistério.

O verso da carta em carimbo (quase ilegível) da 6a.S responsável pela distribuição dos registrados.

Continuo a apresentação da 5a.D (do guichê 4 não possuo exemplares):

CRJ 296.5

CRJ 296.6

CRJ 296.7 – não possuo exemplares, nem indício de que tenha sido utilizado. O que é no mínimo curioso, pois datados de 1933 existem carimbos do guichê 7 nas distribuições 2a. (CRJ 292.7), 3a. (CRJ 293.7) e noturna (CRJ 295.7). A lógica disso me escapa completamente. Veja o bloco seguinte.

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Complementando o tema da introdução desta série:

A emissão da 5a.distribuição não foi a única esquisitice do ano de 1933. Vários outros carimbos foram ressuscitados em outras distribuições, particularmente no “7º guichê” que ainda não tinha sido usado. Seguem imagens das distribuições 2ª, 3ª e noturna:

Outro exemplo, talvez mais estranho ainda, está na 1ª distribuição, no “guichê 3” – que já possuía exemplares anteriormente – onde aparece um exemplar da série vovó de 500 Rs totalmente deslocado .

Vou tentar apresentar o caso através da análise de fatos:

 

  1. a filigrana é do tipo F vertical, indicando emissão de 1924 (RHM 224).

 

 

 

 

2. o datador marca 10.IV.19.116 ou seja, ano 1919, o que é impossível – como sabemos pela filigrana (aliás, a vovó foi lançada só em 1920). Como explicar esse datador?

Trata-se de um datador antigo (Tipo 5e), projetado exclusivamente para a 7a.S, para cancelar peças transitadas na década de 1900 e início de 1910 (tenho registros de 1907 a 1913) pois já se projetava pelos decretos de 1909 e 1911 que estariam transferindo a atribuição da 7a.S.

O que fizeram os funcionários ao receber a peça tardia? colocaram o datador no ano máximo possivel, 1919, o que é no mínimo um mau procedimento. Mais tarde eles descobriram que poderiam colocar um digito cego pra quebrar o galho (mas, por que não se utilizou um carimbo regular da 7a.S?).

Com base nos fatos, estamos falando de uma peça transitada entre 1924 e 1933 com porte registrado pois passou pela 7a.S. O selo é de 500Rs, mas como é avulso não sabemos se havia outros na carta. Se, para fazer sentido com as demais peças, tenha sido em 1933, o porte seria de 600Rs.

É a melhor alternativa para explicar essa curiosidade. Melhor que isso, só mesmo chamando Sherlock Holmes, ou talvez Hercule Poirot, que é mais da época.

 


DECRETOS de 1909 e 1911 COM MUDANÇA DE ATRIBUIÇÕES

Um novo regulamento foi publicado no Decreto nº 7653 publicado em 11 de novembro de 1909 e detalhado dois anos depois pelo Decreto nº 9080 de 3 de novembro de 1911. Os principais impactos na 7a.Secção foram a extinção do serviço de distribuição, substituído pelo serviço registrado.

A responsabilidade pela distribuição passa para a 2a. Secção que anteriormente estava dedicada a serviços administrativos. A data em que a nova estrutura foi implantada só saberemos pelos carimbos. Constato que eles desaparecem da 7a.S na passagem de 1913 para 1914 e reaparecem logo em seguida na 2a.Seção também com carimbos barras-duplas e suas variantes em 4 distribuições mais a noturna, organizados em 6 guichês.

A atribuição da 7a.S passa a ser textualmente

§1º Registro de todas as correspondencias com e sem valor “.

Sobre a data de implementação das novas atribuições, encontrei na imprensa uma nota ilustrativa relatando o movimento do primeiro ano. Segundo ela, o novo chefe da seção “de exportação de registrados” assumiu em 16 de maio de 1910 e também informa que pelo setor, em sete meses, transitaram 147.750 cartas com valor e 756.288 sem valor (J. Commercio, 19.01.1911).

Uma pena que, com tamanho movimento, eu tenha tão poucas peças desse período.

Registro com valor

Os primeiros carimbos específicos aparecem em 1911, cuja legenda inferior não dá margem a dúvidas: REG.com VALOR

CRJ 297.2 (1911)

CRJ 298.1 (1919)

São duas matrizes diferentes – o que se reconhece facilmente pelas dimensões 28×15,5mm no primeiro e 27x14mm no segundo.

Chama a atenção a legenda superior “Sub-Diretoria do Tráfego”, departamento que foi criado no mesmo decreto de 1909. Seu uso em legendas é raríssimo.

Registro simples

Por falar em raridade, o proximo carimbo é dessa turma. Legenda “Tráfego Postal”, que tem semelhança com os tipos anteriores, embora a correspondência tenha registro simples. Infelizmente a legenda inferior (… secção-noite) escondeu a seção. Por semelhança, e pela atribuição da seção, creio que o lugar dele é aqui na 7a.

Envelope postado na Av. Central (Rio), registrado, com destino a Buenos Aires. Remetente Leopold B. Werner, fundador da célebre Tecelagem Werner em Petrópolis.

CRJ 299 (1915)

O serviço demorou a apresentar carimbos com legenda de “registro”, que só irá aparecer em 1921, como veremos adiante. Ao invés disso, a primeira série traz a nova legenda 7a.S. EXP. – acrônimo para “exportação de registrados”, segundo depreende-se da nota da imprensa mostrada acima, mas provavelmente expedição seja seu real significado.

CRJ 300 (1910)

O primeiro carimbo está datado de 23.05.1910 e tem ainda legenda Rio de Janeiro, que será alterada na próxima série

CRJ 301 (1910-1918)

Nesta série de duas turmas a legenda superior é D. FEDERAL. Trata-se de outra legenda pouco usual – esta é a primeira vez que aparece em legenda superior no Rio de Janeiro e só será usada nesta 7a.S (com uma única exceção na 6a.S). Penso ser uma marca para um serviço diferenciado.

CRJ 302 (ca. 1918)

Mesmo layout anterior, mas com dimensões maiores 27×15,5mm

Série M e T (manhã e tarde)

Aqui a legenda “EXP.” seria substituída pela de turnos – manhã e tarde. Mantem-se no entanto a legenda superior D. Federal.

CRJ 304 (em 3 turmas) 1913-1919

CRJ 305 (suponho que também em 3 turmas)

Aqui uma outra novidade: a legenda inferior é “7a.S BRASIL“. Mais uma inovação da 7a.S , que não voltará a aparecer. Note-se que esse carimbo foi aplicado sobre selos oficiais, como o último do tipo anterior. O catalogo RHM 2016 taz uma observação sobre eles, que indicaria seu uso em registro com valor:

os selos de taxas elevadas foram empregados na remessa de valores que, além do porte por peso, pagavam um seguro de 2% sobre o valor.”

Vale registrar aqui o uso de carimbos da 7a. seção na cor verde e sem datadores no serviço de censura implantado em 1917 por Aviso ministerial. Veja matéria mais adiante no CRJ 319 que traz o histórico desse departamento.

 

 


1921 – Novo Regulamento


Em 1921 tivemos um novo Regulamento, apenso ao Decreto 14722 de 16 de março. Como novidades, resumo:

Art. 362 – A DGC terá uma quarta Sub-Directoria, a de Fiscalização e Estatística, mantendo-se as anteriores de Expediente, Contabilidade e Trafego Postal.

Art. 377 – A Tesouraria, setor da Contabilidade, terá como responsabilidade o Registro da correspondencia com valor declarado enviando á 7ª Secção do Trafego Postal a que tiver de ser expedida;

Art. 375 – Cabe à 7a.Secção o Registro da correspondencia sem valor e a Expedição nacional e internacional de toda a correspondencia registrada com e sem valor

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Tipo CRJ 307.2 – 7a.S REG.-SIMP. – 2a.turma (1921)

Vimos que o decreto de 1921, alterando (na verdade, reduzindo) as atribuições da 7a.S, foi publicado em 16 de março daquele ano. Pois bem, esta carta foi postada sob registro em 17 de março, ou seja, já sob o novo regulamento. Vou listar as peculiaridades do seu carimbo:

  • a legenda é a antiga “D.Federal”, herança que será mudada logo a seguir para o anterior Rio de Janeiro.
  • a legenda inferior “7a.S.- REG.- SIMP.” já reflete a nova atribuição – registrada sem valor, ou seja, simples.Trata-se da primeira vez que a 7a.S menciona o registro simples.

 

Tipo CRJ 308.1 – REGISTRO – 1a.turma (1924)

Este tipo inaugura o uso de “registro” na legenda inferior, uso que terá vida breve até 1926. Também é a primeira da coleção que traz a marca “R” com o nº impresso

Tipo CRJ 308.1 – REGISTRO – 2a.turma (1926)

Tipo CRJ 309.1 – REGISTRO – 1a.turma (1926)

 

 


TIPOS TRÂNSITO DE REGISTRADAS (1927-1946)

O texto abaixo foi copiado do Relatorio dos Correios de 1936, com a descrição do trabalho nesta última fase da 7a. seção.

 

Tipos CRJ 311 (1927-1930)

Os carimbos com legenda “registro” foram abandonados e permancem as etiquetas “R

 

Tipos 312

Nessa imagem acima mostro um certificado de registro, com carimbo da 7a.Secção

Tipo CRJ 312.5a – 5a.turma tarde franquia

Este último foi franqueado com máquina genérica “Rio de Janeiro” provavelmente no próprio banco e passou pela 7a.S para registro.

Tipo CRJ 312.5b – 5a.turma tarde (variante)

 

Tipo CRJ 312.8 – 8a.turma noite (1931)

 

Tipo CRJ 313.5 – 5a.turma tarde (1939-1940)

 

Tipo CRJ 314.5 – 5a.turma tarde (mensagem propaganda)

Tipo CRJ 316 (1946)

Tipo CRJ 317 (1940)

Como é de conhecimento, no inicio dos anos 1940 a estrutura por “secções” implantada no regulamento de 1865 foi paulatinamente desativada.  Esse é o caso da 7a.s com esse carimbo do serviço de registro; há raras peças tardias.

 


POSTA RESTANTE


Fechando a página da 7a.S, apresento o seu único carimbo “de serviço”.

A atribuição consta no regulamento apenso ao Decreto 2230 de 10 de fevereiro de 1896. Textualmente: “Recebe, da 8a. Secção, correspondencia ordinaria destinada à Posta Restante, Assignantes e Districtos” (creio serem rurais).

O carimbo é uma coisa completamente fora de qualquer padrão. Triangular, com legendas nos três lados. Só o datador é padrão, em 3 linhas com ano em 2 dígitos. Postado em Londres em outubro de 1899, transitou por Bordeaux e foi recebido em 14 de novembro e encaminhado à Posta Restante.

CRJ 318

 

 

CRJ 318A

Postado no Rio, foi encaminhado à Lafayette em Minas. Não entendi porque transitou pela Posta Restante. O carimbo é o mesmo, porem com datador atualizado para quatro dígitos.

Este outro Postcard é bem curioso. O cartão postal mostra o American College em Constantinopla. O missivista, provavelmente um americano, postou-o em 31 de outubro de 1904 em uma das três agencias mantidas pela Austria em Constantinopla (não sabemos em qual, pois o o carimbo está ilegível – ver nota do Yvert abaixo) território do então Império Otomano. Seu destino estava claramente identificado como “Brazil, Indiana, U.S. America” – localidade até hoje existente nesse estado americano.

Mas o operador postal cismou de remetê-lo para o Brasil, onde chegou em 20 de novembro, recebida pela 1a. turma da 4a. Secção. Os cinco carimbos da agencia Central revelam o barata-voa que essa carta provocou. Passou até pela Posta Restante da 7a.Secção e finalmente deve ter sido reenviada para os EUA onde no verso há um carimbo de recepção em New York em 22 de dezembro de 1904. Não sobrou espaço para o carimbo de recepção em Brazil, infelizmente.

Junto ao scanner da peça, posicionei um carimbo austríaco da minha coleção parab servir de referencia de dimensões para o carimbo triangular da Posta Restante (o selo tem 21 x 18mm).

 

As informações sobre o selo postal e seu carimbo no Yvert & Tellier

 


SERVIÇO DE CENSURA POSTAL


As informações a seguir são baseadas no trabalho “Correspondência Brasileira Censurada 1917-1937” de autoria do filatelista Rubem Porto Jr, estudioso do tema [4]

Em decorrência da declaração de guerra à Alemanha em 26 de outubro de 1917 a censura postal brasileira foi instituída em 5 de novembro de 1917, conforme Aviso de Gabinete de Augusto Tavares de Lyra, Ministro da Viação e Obras Públicas. Segue uma transcrição resumida do texto (a nota [3] traz a integra):

“Tendo o Governo resolvido fazer a censura postal da correspondência de ou para súditos alemães, naturalizados ou não, recomendo-vos:
(…)
c) que a censura de que se trata seja exercida com particular cuidado em relação à correspondência de ou para o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e quaisquer núcleos de população alemã de outros pontos do país, como Petrópolis e Juiz de Fora”

No dia 6 de novembro de 1917 foram postas em prática as instruções para execução do serviço de censura, conforme relatado pelo Ministro de Estado da Viação e Obras Públicas no governo de Epitácio Pessoa, o Sr. José Pires do Rio.

A Diretoria Geral dos Correios decidiu por sua vez atribuir o Serviço de Censura a um setor da 7ª Secção do Correio Central do Rio. Não existe documentação sobre essa decisão, mas que está explicitada com o uso dos carimbos especiais de cor verde e sem datador com a legenda “D. Federal” para marcar as cartas analisadas.

Mais um reforço à teoria do uso oficial do setor está na nota publicada em 21.12.1917 do Diario Oficial trazendo o Decreto 12761 de 19.12.1917 onde “se abre o crédito de XXX para occorrer às despezas com a censura postal e telegraphica em consequencia do estado de guerra com a Allemanha“.

 

Carimbos

CRJ 319.1 1a. Turma (1917)

As peças abaixo que ilustram esse tipo têm como destino Rio Grande (RS) onde chegaram em 26 de novembro. Foram também vistoriadas pela Censura Postal na 1a.T da 7a.Secção do Correio Central do DF, onde receberam o carimbo de inspeção (sem datador) e a marca LIVRE, ambos na cor verde.

 

A primeira carta foi postada na 3ª Secção do Correio Central do Rio de Janeiro em 7 de novembro de 1917. Lembro que as instruções para execução do serviço de censura foram publicadas no dia 6 de novembro de 1917, ou seja, no dia anterior à postagem desta carta, o que a torna parte do primeiro grupo a passar pela censura no DF.

A segunda foi postada em S. Paulo em 8 de novembro de 1917 com destino a Rio Grande (RS). Transitou pela censura no DF, num dos primeiros grupos a transitar pelo novo Serviço.


CONFERENCIA (1922)


Antes de apresentar a próxima peça, vale mencionar o que reza o Regulamento de 1921 sobre esse serviço:

“Capítulo VI, Art. 92: A conferencia divide-se em conferencia de malas e de correspondencia.
§ 1º. A primeira é o confronto de sua quantidade, numeração e qualidade com as declarações constantes das guias ou notas que as acompanharem, e bem assim o exame de seu estado e os respectivos fechos, na occasião do recebimento e na presença do portador;
§ 2º A segunda é o exame de todos os objectos contidos nas malas afim de se verificar o seu acondicionamento, seu estado, se foram observadas as formalidades regulamentares e bem assim o confronto da quantidade e da natureza, dos mesmos objectos com a menção feita dos documentos que os devem acompanhar;
§ 3º A competencia para conferencia de malas cabe:
a) Na Sub-Directoria do Trafego Postal, nas Administrações, succursaes, agencias especiaes e correios ambulantes, aos respectivos chefes de turmas;
§ 4º A competencia para a conferencia da correspondencia cabe:
a) na Sub-Directoria do Trafego, nas Administrações, succursaes, agencias especiaes e correios ambulantes, a dous funccionarios préviamente designados;

Mais adiante, no Art.375, temos a descrição das atribuições das seções da Sub-Directoria do Trafego Postal:

  • na 6ª Secção:

“1º. Distribuição no perimetro urbano central de toda a correspondencia registrada sem valor declarado; 2º. Recebimento e abertura dos volumes de correspondencia, registrada com e sem valor declarado, procedentes da Republica ou do exterior; 3º. Conferencia, marcação, manipulação e lançamento dessa especie de correspondencia;”

  • na 7ª Secção não há menção.

***

A peça abaixo é correspondência oficial do Diretor Geral dos Correios postada em janeiro de 1922 e que, como se vê no carimbo, passou pela 2a.Secção da Sub-Diretoria de Fiscalização e Estatística, o que está de acordo com o Regulamento de 1912, em seu Art. 373, onde as atribuições desse setor estão assim descritas:

“2ª SECÇÃO

1º. Preparo da correspondencia com o Ministro da Viação e Obra Publicas e as Autoridades, sobre o serviço que lhe competem, com os Sub-Directores do Trafego, do Expediento e da Contabilidade, o Administradores, os Chefes de Secção o do Succursaes e os Agentes do Correio;”

Em seguida, o carimbo do verso em 28 de janeiro nos informa que transitou pela 2a.T da 7a.S CONF (conferência). Com base no exposto no Regulamento, posso concluir que não há base para o procedimento de conferencia de correspondência registrada ter sido feito pela 7a.S, pois esta seria de competência da 6a. Secção. No entanto, no documento relativo à 7a.S do Relatório Postal de 1936 que apresentei mais acima, entre as funções é descrito a “conferência de registrados”. De qualquer modo, é uma correspondência oficial da Diretoria dos Correios.

**

Tipo CRJ 304.2 – 7A.S.CONF. 2A.T  (1922)

Carta do Diretor Geral dos Correios postada em janeiro de 1922 e recebida em Praga em 16 de fevereiro do mesmo ano. Registrada sob o nº60.

 

 


Notas e informações

Nota [1] O tipo Capital Federal foi o primeiro claramente “republicano” a circular no Correio Central. Utilizados na 2aS, 3aS, 4aS e 7aS em diferentes épocas entre 1890 e 1910. Um painel completo sobre esse tipo está no menu Estudos de Carimbologia.

Nota [2] Os carimbos barras-duplas foram utilizados em todas as seções do Correio Central (com exceção da 6a.S) nas décadas de 1910 e 20. Na 7aS eles possuem um datador especifico (só encontrado aqui) que, além de dia/mês/ano acrescenta também posições para dígitos de controle. Mais controles? para que eles seriam usados? Não faço ideia. O carimbos usado aqui na sétima são do tipo “5e” com barras espessas e volutas duplas. Um painel completo sobre esse tipo está no menu Estudos de Carimbologia.

Nota [3] Fac-simile do Aviso

 

Nota [4] Artigo ” Correspondência Brasileira Censurada: da Primeira Guerra Mundial (1917) ao Estado Novo (1937)”  autoria de Rubem Porto Jr.


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