MUNICÍPIO DE PIRAÍ
O Curato de Santana do Pirahy foi criado em 15 de outubro de 1811 e deu origem à Freguesia de Santana do Pirahy em 17 de outubro de 1817, subordinada a São João do Príncipe (atual Rio Claro). Em 6 de dezembro de 1837 foi elevada à Vila de Santana do Pirahy, desmembrada de S. João do Principe. Elevada à cidade em 17 de outubro de 1874, seu nome foi simplificado para Pirahy (resumo do site do IBGE).
- História dos distritos (em azul, os nomes atuais)
Sant’Anna de Pirahy (Freguesia 1817) Sant’Anna de Pirahy (Vila 1837), Pirahy (Cidade 1874)
São João Batista do Arrozal (1839), Arrozal (1938),
São José de Cacaria (1850), São José do Bom Jardim (1873), Monumento (1938)
Pinheiro (1916), desmembrado como município (1995)
Santanesia (1943)
AGÊNCIAS POSTAIS
REDE FERROVIÁRIA
A Estrada de Ferro Piraiense: um pouco de história
A E F Pirahyense foi inaugurada em 1883 ligando Piraí a Barra do Piraí. Seu traçado segue o rio de mesmo nome. O mapa postal de 1888 representa os roteiros de malas, as agencias e as estações; consulte as convenções de notação nas notas [1].
Sempre me intrigou a existência de duas estações Santana, sendo a mais conhecida e importante a da EFDP II – no mapa apresentada como S. Anna com a bandeirinha que indica agencia postal de 3a. classe [1]. Existe uma segunda, às vezes referida por Santana RMV, que é a estação inicial da EF Pirahyense. Minha pesquisa resultou no mapa detalhado que apresento abaixo [2] que mostra as duas estações:
Sant’Anna da EFDPII: a ferrovia EFCB atual está claramente identificada ao centro do mapa e a estação, abandonada, está na imagem abaixo. Inaugurada em 1864, veja sua história na nota [3].
Sant’Anna da EF Pirahyense: não há vestígio dessa estação; estimei sua localização baseado em relatos de viajantes [4]. Seu leito é o mesmo da estrada de rodagem vista em laranja. Estação inicial da EFP inaugurada em 1883, ela não possuía conexão com a homônima vizinha; seu prolongamento até Barra do Pirai, em paralelo com a EFCB, só aconteceria em 1896. Sua história está na nota [5].
Estabelecida a localização de ambas as estações Santana, retomo a história. Vimos que a EF Pirahyense foi inaugurada em 1883 com estação terminal na estação de “Santana RMV”. Faltou evidentemente uma ligação direta com a EF D. Pedro II, que assim exigia uma baldeação até a Santana da EF D.Pedro II.
Em 1885, a ferrovia foi comprada pela EF Santana, que não resolveu o assunto. Mas 1889 a mineira VRF Viação Ferrea Sapucaí, que já havia adquirido a EF Santa Isabel do Rio Preto, comprou também a EF Santana com intenção de futuramente expandi-la para o sul até um porto de mar. Para isso, conseguiu autorização da então EFCB para utilizar em paralelo sua faixa de privilégio e construiu a ligação ferroviaria até Barra do Piraí, onde se entroncaria com o antigo trecho da Santa Isabel em 29 de dezembro de 1896 [7]. A antiga estação Sant’Anna passou a ser conhecida por Santana-RMV.
O quadro acima apresenta os desdobramentos da VRF, que foi consolidada até a formação da RMV – Rede Mineira de Viação em 1931. O projeto de ligação com portos de mar nunca se concretizou.
Notas e Informações sobre o texto da EF Piraiense
[1] Mapa Postal de novembro 1888, editado pela Diretoria Geral dos Correios (fonte: Hemeroteca da BN). Suas informações representam os roteiros de malas que, neste caso, seguem pelas ferrovias em tela. Note que a Piraiense está marcada como bitola estreita enquanto a EFDPII, que aparece à direita, está em bitola larga. Segue fac-simile das convenções.
[2] imagem Google Maps, com desenhos e textos adicionados pelo Autor. A divisa entre os municípios é a discreta linha pontilhada vermelha no canto inferior esquerdo que separa o distrito de Santanésia em Piraí e o bairro de Santana da Barra de Barra do Piraí.
[3] imagem do antigo prédio da estação de Sant’Anna, inaugurado em 07/08/1864. A agencia postal foi criada nesse edifício em 06/09/1864. A estação seria renomeada Santanesia em 27/03/1946. Isso é um mistério. Desde 1943 Santanésia é um distrito do município de Piraí (como se vê no mapa); por que a EFCB daria o mesmo nome a uma tradicional estação em Barra do Piraí? Em 02/09/1949 isso foi corrigido e a estação foi novamente renomeada para Santana da Barra, nome do bairro atual de Barra do Piraí (que aliás pode ser lido na parede da estação). Está abandonada.
[4] Os relatos de viajantes vindo do Rio pela D. Pedro II dizem que “um pouco antes de chegar à estação Sant’Anna, via-se à esquerda, na margem do rio (NA: rio Santana) a pequena estação da Pirahyense”.
[5] A estação de Santana era a inicial da Pirahyense inaugurada em 1883. Ela não tinha conexão física com a vizinha Sant’Anna da linha do centro, havendo necessidade de baldeação. Em 1889 foi vendida à EF Sapucahy, que também adquiriu a EF Santa Isabel do Rio Preto, com planos de ligar Minas ao litoral. Em 29/12/1896 [6] conseguiu licença para estender seus trilhos até Barra do Piraí onde mais tarde os entroncou com os de Santa Isabel. Seus planos de chegar ao litoral não prosperaram. Mais tarde isso foi feito pela RMV. Detalhes no capitulo de Estações Ferroviarias.
[7] Data: http://www.estacoesferroviarias.com.br/rmv_linha_barra/santana.htm
HISTÓRIA, CURIOSIDADES E IMAGENS DE AGÊNCIAS
A agencia postal da sede é de 31 de outubro de 1832 o que a torna uma agencia pré-filatélica, sendo a 27ª mais antiga do estado. No entanto, duas outras agencias em seu território original também são pré-filatélicas, a saber: São João Baptista do Arrozal, criada poucas semanas depois em 29/12/1832 (28ª mais antiga) e que está descrita mais adiante nesta página e Dores do Piraí, de 1841, cuja interessante história está contada no munícipio de Barra de Piraí ao qual atualmente pertence.
Piraí (Pirahy, sede do município, posição 1 no mapa)
Piraí tem seu nome ligado ao rio homônimo, que em tupi significa “rio dos peixes”, e também ao rio Paraíba, já que ambos estiveram na rota dos tropeiros em direção às Minas Gerais. A origem da cidade está ligada à capela de Santana, construída por volta de 1770 e origem da Igreja Matriz de Sant’Anna.
A história do nome da agencia postal tem documentação insuficiente. Sabemos por Nova Monteiro que ela foi criada em 1832 com o nome de Sant’Anna de Pirahy. Os documentos que analisei permitem supor que uma nova agencia da “VIlla de Pirahy” seria criada por volta de 1840. Ver documentação na Nota [1] ao pé da pagina.
ERJ 976 – Sant’Anna de Pirahy (1832 – 1840)
Não se conhece carimbos pré-filatélicos de Pirai. O primeiro está registrado como no RHM 2016 nº P-RJ-41 com o nome de S. Anna de Pirahy. Bunselmeyer registra quatro exemplares em seu livro, dos quais reproduzo dois. Não consta do PA.
ERJ 976 – Pirahy (1840 – )
O registro no PA 1404 informa sobre emissão 1854. Koester cita Nova Monteiro como o tendo visto sobre olhos-de-boi, carimbo que deve ser raro, já que Bunselmeyer não o encontrou. Meus exemplares estão sobre emissões de 1850 e 1866.
Segue o tipo T2 em dois subtipos
- T2c – com florão na legenda inferior. Este, tipo1, é do império (1885-1886)
- T2c – variante com florão tipo2. (1897-1898) ano em 2 digitos
- T2d – florão tipo2, datador em 4 dígitos (1900)
O tipo T4 tem representação discreta na minha coleção através de envelope inteiro postado em 1908. O carimbo é tipo T4b com ano em quatro digitos.
Os carimbos regulares a seguir já apresentam a legenda “PIRAí”, utilizando um tanto tardiamente as recomendações dos acordos ortográficos anteriores.
Monumento, antigo distrito de São José de Cacaria, posição 2 no mapa
A freguesia de São José de Cacaria foi criada em 4 de maio de 1850 subordinada a Itaguaí e em 1854 transferida para o município de São João do Príncipe. Renomeada São José do Bom Jardim em 29 de novembro de 1873 foi transferida para Piraí em 8 de dezembro de 1890, onde é seu 2º distrito. Foi renomeado Monumento em 15 de dezembro de 1938, nome atual.
ERJ 977 – São José da Cacaria (1856-1875)
Esta agencia está registrada no PA 1464 sobre emissão de 1866, a mesma do meu exemplar.
ERJ 978 – São José do Bom Jardim (1875-1940)
O tipo T2 abre a agencia. Dele, tenho só um subtipo com uma variante
- T2c – florão Tipo1, circulado no império (1889)
- T2c – florão Tipo2, na república (1899)
ERJ 979 – Monumento (1940-1957)
ERJ 980 – AP Monumento (1996-1999)
ERJ 981 – AGC Monumento (1999 – )
Desses três, não possuo carimbos, somente sua interessante história:
O nome Monumento deriva do histórico monumento rodoviário construído em estilo art-déco e inaugurado em 1938, o mesmo ano em que o distrito foi renomeado. A imponente construção com uma torre de 35m de altura abrigava quatro painéis de Portinari com o tema Construindo uma Rodovia e não por acaso teve sua pedra fundamental assentada em 1928 pelo presidente Washington Luís, cujo lema era “Governar é Abrir Estradas”. Está fechado e abandonado desde 1978, mesmo após ter sido tombado pelo INEPAC em 1990; atualmente corre ação pública movida pelo MPF pleiteando sua restauração pela União.
Em outubro de 2000, as obras de Portinari foram retiradas para restauração e levadas para o Museu Nacional de Belas Artes no Rio, onde se encontram desde então.
Curioso é que o bairro é até hoje referido por Cacaria e o time local de futebol é o Cacaria Futebol Clube, cujo estádio fica em Vila Monumento, à beira do rio Cacaria.
Arrozal, distrito (antigo São João Batista do Arrozal – local 3 no mapa)
Distrito de Piraí criado em 1839 sob domínio do clã Souza Breves. José de Souza Breves destacou-se com sua fazenda de arroz e, já no ciclo do café, seu filho Comendador Joaquim José de Souza Breves recebeu o epíteto de “Rei do Café”. Sua agência postal é pré-filatélica, criada poucas semanas depois da sede em 29/12/1832 o que a torna a 28ª agencia mais antiga do estado (ver também Saco de Mangaratiba).
ERJ 982 – São João Batista do Arrozal (1832-1890)
O carimbo mais antigo não consta no PA mas sim no RHM enciclopedico em seu Grupo 4. Eu o possuo como uma reprodução do livro de Bunselmeyer datado de 1848 (conforme anotado na peça).
O seguinte consta no PA 1212 sobre emissão 1866, a mesma do exemplar da minha coleção.
O último que possuo é tipo T2a (império sem legenda) de 1884.
ERJ 983 – Arrozal do Piraí (1890-1941)
Trata-se de agencia da república e os primeiros tipos são T2c com forão na inferior.
Seguem o tipo T4a com a extensa legenda Freguesia do Arrozal do Pirahy e legenda (E.do Rio)
ERJ 984 – Arrozal (1941 – )
Estações da E F Piraiense
Henrique Nora (antiga Ponte de Cimento, estação – posição 4 no mapa)
ERJ 985 – Ponte de Cimento (1877-1894)
Tipo T2a, sem legenda, circuldo no imperio(1884)
ERJ 986 – Henrique Nora (1894-1923)
Tipo 4a, com ano em dois digitos (1897)
ERJ 987 – Coronel Joaquim Ovídio (1923-1944)
ERJ 987A – Henrique Nora (1944-1963)
Não possuo imagens
Rosa Machado, estação (posição 5 no mapa)
ERJ 988 – Rosa Machado (1885-1958)
Tipo T2c com florão, circuado nos últimos dias do imperio.
ERJ 989 – AGC Rosa Machado (2002 – )
Ribeirão das Lages (posição 6 no mapa)
A agencia AGC Ribeirão das Lages está localizada na simpática Vila Santa Rosa, construída pela Light no bairro de Fontes, próximo às usinas hidroelétricas e à represa de mesmo nome no município de Rio Claro.
ERJ 990 – AGC Ribeirão das Lages
Não possuo carimbos
Santanésia, distrito (posição 7 no mapa)
ERJ 991 – Santanesia (1951-1999)
ERJ 992 – AGC Santanesia (1999 -)
Tomazes (Thomazes, posição 8 no mapa)
Um local cuja agencia mereceu um carimbo francês tipo T1 merece a pesquisa de sua história. Segundo o site marcopolo.pro.br, na fazenda de Domingos Alvares Louzada foi levantado em 1772 um oratório elevado a curato por provisão de 15/10/1811. Uma nova igreja foi construída em 1832, data gravada num entablamento junto à porta, no Arraial dos Thomazes.
O site brevescafe.net, de autoria de José Maria Campos Lemos datado de 2007-2012 nos informa que o Arraial de São José dos Thomazes surgiu na década de 1830 nas terras da família Thomaz da Silva. Suas fazendas tiveram grande desenvolvimento com a chegada da cultura do café e da construção da estrada que as ligavam a portos no litoral atravessando a serra do Mar.
No Google Maps, a capela original de São João Baptista e São José dos Thomazes pode ser vista no meio do mato em imagem de 2023 de Jean Santos intitulada “Igreja Thomaz”.
A construção da EF D.Pedro II começou a mudar a geopolítica do local com a inauguração da estação de Sant’Anna às margens do rio Piraí em 1864. Posteriormente, dessa estação partiu a EF Piraiense inaugurada em 1883. Com isso, as rotas de café deixaram de cruzar Thomazes e o declínio da cultura acelerou a decadência do local onde só resta a igreja como lembrança.
ERJ 993 – Thomazes (1877-1963)
A Freguesia de Thomazes está registrada no PA 1308 sobre emissão de 1878, a mesma da qual possuo reprodução.
O próximo é um escasso francês T1, do qual tenho reprodução de 1885
Segue um exemplar T2a com florão na legenda inferior. Reprodução
Para fechar, exemplares T2c com florão na inferior. (1897)
As últimas três reproduções são do acervo de F. Piccinini.
NOTAS E INFORMAÇÕES
[1] Sobre a transição do nome da agencia de Sant’Anna para “Pirahy” analisei os documentos seguintes:
A nota abaixo está na sessão de 13.11.1840 do Ministerio do Imperio publicada no Correio Official (https://memoria.bn.gov.br/DocReader/DocReader.aspx?bib=749443&pesq=%22pirahy%22&pasta=ano%20183&hf=memoria.bn.gov.br&pagfis=8725)
A Vila de Pirahy foi criada em 6 de dezembro de 1937, desmembrada de S. João do Principe. A nota acima nos informa que o presidente da provincia do RJ encaminha officio ao ACG solicitando a criação de uma agencia na Villa de Pirahy. Supõe-se que a anterior tenha sido suprimida em algum momento entre 1837 e 13.11.1840 Não encontrei a data em que ela foi de fato criada, mas a nota seguinte dá uma pista:
Em 14 de abril de 1840 o Palacio do Rio de Janeiro, ao relacionar as agencias da Provincia, inclui a Villa de Pirahy, o que não faz muito sentido em relação à nota anterior. Salomonica-mente, adotei “ca.1940”.
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