“Serviço Imperial”

A marca postal S+I+DECAMPOS tem aparecido nos catálogos RHM, pelo menos desde 2008, no capítulo referente a carimbos pré-filatélicos sob nº P-RJ-05 com a observação de que se conhece uma única peça do tipo.

Como me dedico especialmente à carimbologia do Estado do Rio, perguntam-me vez por outra se tenho informações sobre ela, o que eu vinha negando. Numa revisão recente do site em 2021, voltei a me debruçar sobre o tema.

Orientei minhas pesquisas para o significado da abreviatura ( S+I+ ). Dentre as alternativas, a que me pareceu mais adequada foi “Serviço Imperial” até porque também aparecia assim em Portugal. No entanto, esse epíteto aparece relacionado uma grande variedade de coisas, tais como meio de transporte ou até serviço de porcelana.

Um documento finalmente atraiu minha atenção. Foi publicado pelo Anuário do Museu Imperial de Petrópolis em 1942. Trata-se da “Instrução para o Correio Público estabelecido entre esta capital e as vilas de Jundiaí, São Carlos, Itú e Sorocaba.”

O artigo “Vinte Hum” desse documento reza (sic): “Somente as cartas e papéis dirigidos pelas Authoridades constituídas ou pelos seus Secretarios, ou Escrivaens, que houverem por objecto o Serviço Imperial, e Nacional, serão isentos de taxas, e para o que se deve expressar nos subscriptos o titulo da Authoridade, que os dirigir (…)” Está assinado e datado “Sam Paulo, vinte e cinco de Novembro de mil oitocentos e vinte e quatro – o Secretario do Governo Joaquim Floriano de Toledo.

O grifo (meu) remete naturalmente ao detalhado capítulo “Marcas de Isenção de Porte” que está à pg. 21 do Vol. I do catálogo RHM de selos do Brasil 59ª edição de 2016. Os tipos descritos sob o nº MIP-m4 e MIP-m4A se referem exatamente ao Serviço Imperial e Nacional. Mais adiante, à pg. 23, são reportados exemplos de serviço COM SUFIXO. Finalmente, à pg. 27, trata-se de marcas de isenção aplicadas por carimbo. A pergunta que fica é: o carimbo S+I+DECAMPOS não deveria estar classificado nessa seção do catálogo ao invés dos pré-filatélicos?

Enderecei essa questão ao Peter Meyer, editor do referido catálogo, que me enviou o seguinte comentário:

(…) “a peça que está na minha coleção foi escrita no dia 19 de fevereiro de 1836 para Benavente com porte de 100 réis e carimbos ITAPEMERIM + S+I+DECAMPOS (apagado). Tudo indica ser Serviço Imperial e entraria no capítulo de marcas de isenção postal caso seja encontrada uma peça isenta de porte com este carimbo. Como eu faço (ou procuro fazer) o catálogo apenas com peças que me são apresentadas pessoalmente, eu não faria esta mudança”.

Com a questão em suspenso, conforme opinião do colega, eu incluí a imagem nos carimbos de serviço de Campos acompanhada por este artiguete de esclarecimento.

(cópia da página de carimbos de serviço Campos atualizada nesta data de 27.02.2022)

Dez anos de agenciaspostais.com.br

Prezados amigos,

Neste dezembro, o site agenciaspostais.com.br está comemorando 10 anos de atividade. Nesses anos, aprendi muito com o seu crescimento, que se tornou muito maior do que eu imaginava, já que havia definido como escopo somente dois estados relativamente pequenos, o Rio de Janeiro e o Espirito Santo.

O que mais mudou com o tempo e a pesquisa foi a percepção de quanto a criação de cada agencia postal refletia o ambiente político, geográfico, econômico e histórico no qual ela tinha nascido. O que rendeu inúmeras e saborosas narrativas sobre pessoas, locais, fazendas, empresas, estradas de ferro…

Os números atuais são cerca de 3.500 agencias postais, 8.000 carimbos diferentes e 25.000 páginas no site.

Neste ano de 2021 me dediquei especialmente ao interior do estado do Rio. Hoje, cada uma das 1.700 agencias fluminenses tem no site uma descrição do local geográfico, datas de funcionamento e sua história político-econômica. Além, é claro, de todos os carimbos que encontrei por ela utilizados nestes últimos dois séculos. O site está cada vez mais próximo do seu subtítulo “História Postal do Rio de Janeiro através de suas agencias e seus carimbos”.

Este é um trabalho aberto a todos, sem fins lucrativos e feito com muita dedicação. Selecionei dois dos 92 municípios como exemplo do trabalho feito:


Valença

Valença


Silva Jardim

Silva Jardim


Meus agradecimentos aos colegas que me apoiaram. Ano que vem tem mais!

 

As freguesias históricas no rio Macacu

Veja na página do município de Itaboraí história detalhada sobre as freguesias históricas da região do baixo curso do rio Macacu, entre as mais antigas do estado do Rio. Entre elas, Aldeia de São Bernabé (mapa abaixo), Vila Nova de São José d’El-Rei,  Tamby, Porto das Caixas, São João de Itaborahy e Santo Antonio de Sá. Esta última já tinha matéria no menu História Postal/municípios extintos.

Na parte alta do curso do rio Macacu, no município de Cachoeiras do Macacu, veja também a história das freguesias de Santíssima Trindade e Santa Anna, esta última com carimbo de letras “S. ANNA” sobre olho-de-boi (imagem abaixo).

Caxoeira da Limeira

Acabo de publicar no menu História Postal matéria sobre essa localidade às margens do rio Itabapoana na divisa do município de Campos dos Goitacazes com o estado do Espírito Santo.

Com origens nas Capitanias Hereditárias, passando pelo ciclo do café, o local foi conhecido por Porto da Limeira, Cachoeira da Limeira e Limeira do Itabapoana. Hoje desaparecido.

Vale a leitura. Clique aqui.


 

Santana de Macabu em Macaé

Santana de Macabu e Cabiunas (ERJ 585 a ERJ 588)

Introdução

Não encontrei o topônimo “Santana de Macabu” (na grafia da época Sant’Anna de Macabú) em documentos históricos ou geográficos. Em contraste, a referencia a uma agencia com esse nome na literatura postal é relativamente extensa e na ferroviária há também informações sobre uma estação “Sant’Anna”. Sobre estas discorrerei a seguir. Continue lendo