Paty do Alferes

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MUNICÍPIO DE PATY DO ALFERES

Sua origem é a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Paty do Alferes, estabelecida a 11 de janeiro de 1755 e por sua vez originária do curato de mesmo nome criado em 1739. Elevada a município em 4 de setembro de 1820 foi no entanto extinta em 15 de janeiro de 1833, sendo sua sede transferida para Vassouras, que passa à condição de sede do município. Mais de um século e meio depois, em 15 de dezembro de 1987, volta a ser emancipada como município de Paty do Alferes.

Ver mais detalhes em Histórias abaixo.

AGÊNCIAS POSTAIS

 

REDE FERROVIÁRIA

 

Um pouco mais de história

A freguesia de Conceição do Alferes foi elevada ao posto de vila por um alvará expedido pelo rei Dom João VI em 4 de setembro de 1820. Entretanto, apesar das fazendas de café cada vez mais prósperas, a sede do povoado não progredia, como resultado da disputa política entre os dois maiores proprietários da região, o capitão-mor Manuel Francisco Xavier, das fazendas Cachoeira e da Freguesia e o sargento-mor, depois padre, Inácio de Sousa Vernek, da Fazenda Piedade. A briga familiar, que durou até 1824, fez com que vários colonos deixassem a região.

Enquanto isso, o crescimento urbano ocorria mais acelerado na então freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Vassouras, na beira da recém-aberta Estrada da Polícia, outra importante rota comercial. Houve então um acordo político e a sede da Vila foi transferida para Vassouras em 15 de janeiro de 1833 que foi elevada a Vila e à qual Paty passaria a estar subordinada, na condição de distrito, até a constituição do município em 1987.

A E.F. Melhoramentos (Linha Auxiliar)

Em 1898 a linha foi construída no território de Paty, vindo de Miguel Pereira (nessa época também distrito de Vassouras) e cruzando Paraíba do Sul até a estação central dessa cidade. Seu traçado é aproximadamente o mesmo da Estrada Real descrita acima. Como vimos na tabela da rede ferroviária, foram construídas várias estações nessa linha, das quais quatro chegaram a ter agencia postal. São elas Paty do Alferes, Arcozelo, Barro Branco e Avelar.

O Caminho Real

O município foi importante rota comercial no caminho de Minas Gerais. Por exemplo, a famosa Estrada Real cruzava seu território e várias agencias estavam a ela vinculadas. O Caminho Velho utilizava o porto de Paraty, cruzava o Vale do Paraiba em São Paulo e seguia até Ouro Preto. Caminho difícil e inseguro, foi substituído pelo Caminho Novo, que partia do porto de Pilar na Baia de Guanabara e passava por Paty do Alferes. Concluído em 1707, logo revelou a inadequação do traçado na subida da serra. Foi substituído pela chamada Variante do Proença em 1724.

Esta partia do Porto da Estrela (próximo a Pilar, e o mesmo local de onde partiria a futura EF Mauá mais de um século depois) e seguia por Petrópolis, Pedro do Rio e Secretário cruzando a divisa de Paraíba do Sul com Minas Gerais no Registro de Pampulha, dotado de um Posto da Guarda da alfandega imperial. Abaixo o mapa de 1892 no qual indiquei em rosa o caminho original e em azul a variante.

Aos interessados em aprofundar o conhecimento sobre a estrada Real, há uma matéria extensa publicada no menu Estrada Real neste site.

Estrada Real

 

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História dos distritos

  • Paty do Alferes (1755) distrito subordinado a Vassouras
    • Alto Sucupira (15.10.1906);
    • Paty do Alferes (11.09.1909);
    • Pati do Alferes (1943);
    • Paty do Alferes (1989) separa-se de Vassouras como Município.
  • Avelar (1989) separa-se de Vassouras como distrito de Paty o Alferes

HISTÓRIAS, CURIOSIDADES E IMAGENS DE AGÊNCIAS


 

Paty do Alferes (local 1 no mapa)

A foto é da estação em 1950 (imagem de estacoesferroviarias.com.br). Note a semelhança com a de Bueno na foto da revista Careta na Nota [1]

Resumindo a introdução histórica, Paty originou-se do movimento trazido pelo Caminho Novo no começo dos anos 1700. A freguesia é de 1755 e tornou-se sede do município em 1820. A atividade comercial no entanto concentrou-se em volta das grandes fazendas e a sede não prosperou, enquanto a vizinha povoação de Vassouras tornou-se o núcleo mais importante da região e a sede do município foi transferida para Vassouras em 1833.

O próximo movimento importante foi a chegada da EF Melhoramentos. A estação de Paty do Alferes foi inaugurada em 11 de abril de 1897. Passou a ser chamada “Bueno” de 29.05.1907 a 25.02.1910. Ver nota [1]. Essa mudança certamente está relacionada ao esvaziamento político de Paty pela decisão de Vassouras transferir a sede do seu 3º distrito de Paty do Alferes para Alto Sucupira de 15.10.1906 a 11.09.1909.

A agencia postal é uma das dez mais antigas do estado. Não tenho informação de que ela tenha sido também transferida nesse período.

ERJ 926 – Paty do Alferes (1829 – )

Vamos aos carimbos da sede do município:


Arcozelo (local 2 no mapa)


Arcozello remonta ao apogeu do ciclo do café. Era a antiga Fazenda da Freguesia, uma das propriedades do Capitão-Mor Manoel Francisco Xavier, que durante muitos anos foi dos grandes produtores de Paty do Alferes (um dos fazendeiros da rixa familiar mencionada anteriormente em Paty). Nessa fazenda, em 1838, ocorreu uma revolta de escravos liderada por Manoel Congo, considerada a maior do vale do Paraíba. Pelas mãos do Embaixador Paschoal Carlos Magno, transformou-se na “Aldeia de Arcozelo”, um centro cultural que hoje é administrado pela Funarte. A fazenda está arrolada pelo Instituto Cidade Viva; a imagem é desse site.

Arcozelo estava também na rota da Estrada real e na linha da EF Melhoramentos, cuja estação “Arcozelo” foi inaugurada em 1898. Roseiral é bairro de Arcozelo. Entre este e o Centro Cultural ficava a antiga estação.

ERJ 927 – Arcozelo (1926-1935)
ERJ 928 – Roseiral (1929-1935)
Não possuo carimbos.


Barro Branco (local 3 no mapa)


O mapa acima é o Rensburg, de 1867 (Hemeroteca da BN). permite localizar várias localidades mencionadas neste texto, entre as quais Barro Branco.

A estação Barro Branco (ou parada) foi inaugurada em 1898 e renomeada “Bueno de Andrada” em 25.02.1910 quando recebeu o nome da estação de Paty. A esse respeito, ver nota [1].

ERJ 929 – Barro Branco (1898-1903)


Avelar (local 4 no mapa)


A estação de Avellar foi inaugurada em 23.8.1898 junto com a linha e merece pela curiosidade um comentário um pouco mais detalhado. Recebeu o nome de “Avellar”, em homenagem a Joaquim Ribeiro de Avellar, Visconde de Ubá (Paty do Alferes, 1821-1888) que teria cedido terras para a construção da linha. A família era proprietária da fazenda do Pau Grande, uma das mais bonitas e grandiosas da região. O parágrafo a seguir é baseado em matéria da página de Paraíba do Sul.

O curioso é que Avellar era antes o nome de uma estação na Linha do Centro, no chamado “Desvio da Boa Vista”, município de Paraiba do Sul. Ela foi inaugurada como “parada do Barão” em 1884 mas logo depois renomeada “Avellar”. Em 1º de novembro de 1897 foi novamente renomeada, agora como “Boa Vista.

A Fazenda da Boa Vista teve como primeiro proprietário o Comendador Manuel Joaquim de Azevedo, que construiu um engenho no local. Teve uma única filha, que se casou em 1831 com João Gomes Ribeiro de Avellar, homem de importante família de fazendeiros e políticos de Paty do Alferes e futuro Barão e Visconde da Parahyba (Rio de Janeiro, 1805 – Paraíba do Sul, 1879) que a transformou em grande produtora de café. A sede foi construída em 1834 e é considerada uma das mais belas do Vale do Paraíba.

Como se vê, parece-me que o ramo patiense dos Ribeiro de Avellar tinha preferência e requisitou o sobrenome. Quem se interessa pela história em Paraiba do Sul pode acessar abaixo:

Paraiba do Sul

Carimbos:


Sucupira (local 5 no mapa)


Mapa Postal 1930. A mala vinha pela Auxiliar até Andrade Costa e daí por estafeta ao destino. Com ela vinha a de Sertão (Paraíba do Sul).

Trata-se de local fora do eixo principal da estrada real e da ferrovia, que acompanhavam o rio Ubá. O local está marcado no mapa de 1867 apresentado no verbete Barro Branco logo acima. Hoje não mais consta dos mapas.

Sabemos que em 15.10.1906 a sede do 3º distrito de vassouras foi transferida para Alto Sucupira, só retornando ao original em 11.09.1909. Quanto à agencia, consta no Relatorio 1895 das Agencias do Império como criada em 1882. Acrescentei a data de 31/08 da nota de nomeação do agente abaixo.

ERJ 932 – Sucupira (1882-1963)


Notas e Informações

 

[1] A estação “Bueno” mereceu longa pesquisa. As informações levam a crer que tenha sido uma homenagem da EFCB a Antonio Manuel Bueno de Andrada, membro da família Andrada do Patriarca da Independência. Engenheiro formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro, fez carreira legislativa por S. Paulo e participou da construção da EF Araraquara – onde foi homenageado com a estação Bueno de Andrada. Esta foi inaugurada em 1898, não por acaso a mesma época da construção da Melhoramentos em Paty.

Seu bom relacionamento deve ter aproveitado a transferência da sede do distrito para reivindicar um novo nome para a estação. Eu creio que ela deve ter se chamado Bueno de Andrade, embora a imagem da estação da revista Careta na edição de 18.12.1909 mostre na parede a legenda “Bueno”. Mas nota-se que é uma pintura feita meio às pressas, sem o “de Andrade”. A imprensa do Rio não registrou o fato, e ela foi revogada poucos meses depois. Vamos aos fatos:

A nota acima foi publicada em 4.3.1910 pela Gazeta de Noticias. Ela informa que pela ordem 4.313 a estação da cidade volta ao nome anterior de “Paty do Alferes”. Também que o nome “Bueno” agora passa a renomear a parada Barro Branco mais adiante na linha. (Volto a esse bueno mais adiante). Essa nota foi publicada em várias folhas. A da Gazeta acima me parece a mais completa e oficial e, além disso, traz uma segunda e importante informação: “fica revogada a ordem 4.023 de 29.05.1907 Que ordem seria essa? Só pode ser a que mudou o nome da estação. Portanto, agora sabemos também a data da primeira mudança.

Faltava-me a data de publicação da decisão 4.313. Isso nos é informado por outra nota oficial e complementar à anterior pois traz a data em que a ordem foi expedida, 25.02.1910, e está assinada pelo sub-diretor da EFCB (O Paiz, edição 26.02). Agora sabemos ambas as datas.

Mas a estação chamava-se Bueno ou Bueno de Andrade? Reexaminando a imagem da revista Careta, ela é de 1909 e a matéria da publicação se refere ao Congresso de Vias de Transporte, que se realizou no Rio no segundo semestre de 1909. A foto, que reproduzi acima, tem como legenda “o trem que conduz o Ministro e os congressistas”. Isso remete à nota abaixo do Correio da Manhã de 13.12.1909 onde o Ministro da Viação envia um telegrama ao presidente “procedente da estação de Bueno de Andrade”. Portanto, isso indica que a Bueno da foto é oficialmente Bueno de Andrade, que seria renomeada Paty do Alferes dentro de poucas semanas.

Vale acrescentar que a arquitetura da estação Bueno vista na foto remete à de Paty. Note as duas janelinhas em losango ao alto. Só resta saber por que eles abreviaram para “Bueno”. Mas nada disso afetou o nome das agencias postais…


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