2ª Secção

 


Parte I – Tipos Regulares do Império (1880-1889)


O Decreto 3.443 de 12 de abril de 1865 apresenta pela primeira vez uma estrutura organizacional em quatro seções e atribui à 2ª Secção a responsabilidade pela tesouraria e pelo serviço de registro, ou seja, sem atividades operacionais. Isto será alterado pelo decreto 4743 de 23 de junho de 1871, quando a tesouraria é incorporada à 1ª Seção e passam a ser atribuídas à 2ª as atividades de coleta e distribuição da correspondência.

No entanto, de 1865 até 1880 não encontramos nenhum carimbo com legenda que identificasse a “secção” reponsável pelo trânsito daquela correspondência. As primeiras que conheço com identificação são exatamente as da 2a. secção, datadas de 1880, sobre bilhetes postais. De fato, descobri que os bilhetes postais foram criados através de dois decretos imperiais:

  • Decreto 7695 de 28 de abril de 1880 criando os bilhetes de 50 Rs para o interior do país e de 80 Rs para o exterior.
  • Decreto 7841 de 6 de outubro de 1880 criando os bilhetes de uso urbano no valor de 20 Rs.

Não se seria uma coincidência de datas, mas as duas primeiras peças que apresento foram postadas logo a seguir em 6 de dezembro de 1880. Elas representam o primeiro registro de legendas com identificação do setor responsável. A seção faz sentido, pois o decreto imperial nº 4743 de 23 de junho de 1871 atribui à 2a.S a coleta e a distribuição da correspondencia, que manteria por todo o período imperial.

A nota [1] ao pé da página, traz alguns dados históricos da imprensa sobre o Bilhete Postal.

 


Vamos às imagens (as não identificadas são todas do fantástico acervo de Klerman Lopes). Nota-se que não há um padrão ao longo da década. Há diferenças nos diâmetros, na tipologia e nas legendas. Destaco os cinco tipos principais:

Tipo CRJ 50A (1880)

As duas peças que possuo são de posta urbana utilizando a primeira série de bilhetes postais simples emitidos em 1880 no valor de 20 Rs, registrados no RHM respectivamente por BP-1 (F-1) e BP-2 (F-2) (ver a introdução da Parte I acima).

Outra peculiaridade desses bilhetes está na carimbologia. O carimbo é o único que conheço com essas caraterísticas. Eu o classifiquei como T1c, ou seja, uma variante do tipo francês com o característico diâmetro 21×0 mm, que é um formato muito peculiar que só aparece em dois outros tipos da “agencia 1º de março” nos anos 1860. Ao invés do (*), o 2A.

 

Tipo CRJ 51 (1881)

Uma única imagem, fragmento de Bilhete Postal de 1881 (acervo E.S.)

 

Tipo CRJ 52 (1882-86)

Esse tipo não manteve padrão definido em seus carimbos, apresentando diversas variações de formato e tipologia; tentei pelo menos organizá-los em três famílias de diâmetros que se sucederam no tmpo:

CRJ 52:  21x12mm (1882)
CRJ 52a: 24-25×13-14mm (1883-1886)
CRJ 52b: 22x12mm (1884)

A peça mais antiga é de 1882 do livro de E.S.

Tipo CRJ 52

 

 

Tipo CRJ 52a

 

Tipo CRJ 52b

 

Tipo CRJ 53 (1883-1889)

Esse tipo não guarda padrões de formatos e tipologia com exceção da legenda inferior ( 2A. ) sob a qual apresento as diversas peças em ordem cronológica.

Há diversas pequenas diferenças entre eles, não suficientes para abrir novos tipos. Mas saliento o primeiro exemplar (1883) onde o ª de 2ª está sublinhado.

Há pouca informação sobre as atribuições das seções nos anos 1880. Percebe-se no entanto que as peças têm sempre carimbos das duas seções operacionais: a 2a. e a 4a. Observando as datas dos carimbos, percebe-se que na correspondência urbana (os bilhetes postais são da coleção do autor) a coleta é da 2aS e a distribuição da 4aS. No entanto, na correspondência externa, a 4aS. faz a recepção e a 2aS. a distribuição.

Todos os bilhetes postais a seguir são da coleção do autor.

 

Tipo CRJ 54 (1889)

O último tipo imperial traz novidades advindas do regulamento de 1888 – que atribuiu à 1ª secção atividades operacionais pela primeira vez. Dessa forma, reúne-se nessa peça cinco marcas postais. O carimbo “Correio Urbano” (postado portanto no município neutro) e os da 4aS (no verso) e 1aS no dia 7 e o CRJ 54 da 2aS no dia 8. Não me atrevo a explicar o trajeto entre as três seções. Completa a peça a marca da 1A. distribuição. Lamento a falta do carimbo de recepção em Nova Friburgo.


 


Parte II – Serviço Registrado no Império (1878-1888)


O serviço de “classe de cartas registradas” foi criado pelo Decreto 3.443 de 12 de abril de 1865 em seu artigo 15 e elencado nas atribuições da 2a. Secção no artigo 8º. No entanto, ele só será inaugurado em 1º março de 1867 segundo nota  assinada pela 3a. Secção em 27 de fevereiro e publicada em 28 de fevereiro pelo Correio Mercantil (v. imagem de trecho). A nota também nos informa que “deixará de segurar cartas mas em substituição registrará as endereçadas para toda a província do RJ e para as principais cidades do país”. Os seguros continuarão para as demais localidades.

 

Tipos regulares em vermelho utilizados no serviço registrado (ca. 1872-1875)

As primeiras cartas que encontrei com o numero de registro manuscrito trazem na recepção da Corte os carimbos regulares da época mas na cor vermelha. Tenho exemplares assim carimbados de 1872 a 1875, que assumi serem da seção de registrados (imagens abaixo).

Fragmento de carta com registro nº 34 com carimbo de recepção CRJ 28 na cor vermelha em 12 de fevereiro de 1872.

Carta postada em S. Paulo em 15 de dezembro de 1875 e registrada sob o nº 4.930 com carimbo de recepção CRJ 29 na cor vermelha em 17 do mesmo mês.

Os primeiros carimbos que encontrei com legenda específica “REGISTRADO” são de 1878 na característica cor vermelha, como se vê nas imagens mostradas mais abaixo.

***

Tipo CRJ 56 (1878-1883)

Tipicamente com legenda superior “REGISTRADO” e inferior “RIO DE JANEIRO” entre florões, tiveram formatos variados entre 25 e 30mm, sempre na cor vermelha. Os  fragmentos são de diversas fontes e a maioria das cartas apresentadas na sequencia cronológica são do acervo K.L.

Carta postada em 9 de janeiro de 1880 com carimbo de franqueamento em vermelho e destino a Buenos Aires.

Postada em 3/11/1880 em Diamantina, com carimbo de recepção “registrado” no Rio de janeiro em 16. Reparem que esse carimbo é bem diferente do anterior, embora do mesmo ano.

Postada na corte com destino a Cuiabá recebeu marca oval de “registrado” e um carimbo francês de 22/06/1883 na frente do envelope, além do circular vermelho no verso que também traz mais selos para completar a franquia de S300.

 

Tipo CRJ 57 (1881-1888)

A partir de 1881 aparece um novo carimbo com legenda “RIO DE JANEIRO” na superior e serviço registrado ( S.R. ) na inferior. Uma profusão de formatos que não me parece justificar a divisão em subtipos. As imagens a seguir mostram selos e fragmentos da coleção do autor e na sequencia peças do acervo K.L. apresentadas em ordem cronológica. Carimbos pretos também aparecem.

 

Esta última, postada em maio de 1888 na Corte, com destino à Alemanha, é uma das derradeiras peças do serviço registrado na 2a. secção. O regulamento de 1888 o aponta na 3a. Secção (embora, adianto, eu não tenha conhecimento de nenhuma peça com esse carimbo).


Parte III – República, 1º tempo (1891-1894) “Capital Federal”


O Decreto nº 368-A, de 1º de Maio de 1890 é o primeiro da Republica, trazendo em seu bojo um novo regulamento – que revoga o de 1888.

Nele aparece primeira vez o termo “Capital Federal” ao se referir ao município. Isso deu origem ao grupo de carimbos com CAPITAL FEDERAL na legenda superior. Eles  têm personalidade própria, sendo bastante homogêneos no formato e tendo circulado (discretamente) de 1890 a 1894 nas 2a., 3a. e 4a. Secções.

Tipo CRJ 58 (1890)

Coube à 2a. secção o privilégio de circular o primeiro exemplar – com a legenda “CORREIO da C. FEDERAL” em 30 de dezembro de 1890. É o único exemplar entre todas as seções a trazer essa legenda e a circular em 1890. O carimbo de recepção está meio apagado, mas é da 1a. secção e a da distribuição é o nosso 58.

Tipo CRJ 59 (1891-1894)

Esse foi o tipo mais representativo do modelo “capital federal”, tendo circulado em quatro distribuições diárias (peças da coleção do autor).

Observações:

No CRJ 59.3 apresento uma variante sem data. Ela está mencionada no livro de Matrizes do MPT, numero 112. Não conheço exemplares circulados.

No CRJ 59.4 há um bilhete curioso. Correspondência urbana postada pelo Consulado da Itália no dia 3 (carimbo ilegível, provavelmente da 1a secção) e distribuída pela 4a.D da 2a secção no mesmo dia, convidando-o a comparecer para urgente comunicação. No entanto, alguém escreveu no dia 4: “Não me deram informações” e há novo carimbo da 2a.D do dia 4. Não sei o que dizer sobre o manuscrito “C 315”.


Serviços Administrativos (1894-1914)

A primeira fase da república, título desta Parte III, teve vida curta com poucos exemplares circulados, como vimos. Seu fim se deve ao novo decreto republicano nº 1692-A de 10 de abril de 1894 que traz um novo regulamento postal que amplia o numero de seções de quatro para oito com consequente reordenação das responsabilidades. A 2ª Seção volta a responder por atividades administrativas e assim não circularão seus carimbos pelos próximos 15 anos.

Denominei o inicio das atividades de “2º tempo”.


Parte IV – República, 2º tempo, “Distribuição” (1914-1929)


Os carimbos da 2a.Secção só voltaram a circular com a publicação de um novo decreto nº 9.080 de 3 de novembro de 1911. Nele, as atribuições da seção voltam a ser operacionais, abrangendo a recepção e distribuição da correspondência ordinária.

Regulamento a que se refere o decreto n. 9.080, de 3 de novembro de 1911

SUB-DIRECTORIA DO TRAFEGO E DOS SERVIÇOS POSTAES DO DISTRICTO FEDERAL
    Art. 341. Incumbem ás (oito) Secções desta Sub-Directoria, a 1ª das quaes sob a direcção do secretario, cada uma das outras sob a direcção de um chefe, e todos elles immediatamente subordinados ao respectivo sub-director (…)

2ª Secção
    1º Recebimento, abertura e conferencia das malas entradas por via quer maritima, quer terrestre, quando não servidas pelo Correio ambulante, manipulação das correspondencias ordinarias contidas nessas malas e suas remessas ás outras secções;
    2º Recebimento, abertura, conferencia e remessa das malas de e para as Succursaes e Agencias do Districto Federal;
    3º Recebimento da correspondencia urbana, sua marcação, apartação, distribuição na área central da cidade (…)

Tipo CRJ 51 a CRJ 64 Barras-Duplas (1914-1929) 

Os carimbos regulares só voltam a aparecem em 1914, com a atribuição de distribuição transferida da 7a.S onde esteve de 1907 a 1913. Manteve-se o mesmo tipo de carimbos Barra Duplas lá utilizados, com uma pequena variação no datador (agora tipo 5d) sem as posições extras para dígitos de controle.

Da mesma forma que na 7aS, havia quatro distribuições diárias + uma noturna.  Nas orelhas, os carimbos apresentam os algarismos de 1 a 6, possivelmente a identificação dos postos de trabalho na seção. Na noturna, as orelhas direitas mantem a identificação “N” (noturna, ou noite).

Acima é a série noturna da qual eu falava, com o “N” na orelha direita. Seguem peças da minha coleção  ilustrativas do mesmo tipo.

 

Na 1ª distribuição, nota-se a ausência de exemplares (dos guichês) nº 2, 3, e 4 possivelmente inoperantes na 1ª distribuição.

É curioso que na 3ª distribuição estejam novamente novamente fechados os mesmos guichês da 1ª. Seguem peças da coleção:

A carta acima, com destino à Genebra na Suíça, foi postada em 1916 no meio da 1a. guerra e passou pela censura como se vê na marca postal.

Prolíficos, os carimbos barras-duplas circularam até 1929.


Parte V – Tipos regulares (1922-1944)


Tipos regulares clássicos (1922-1927)

O decreto seguinte tem o nº 14.722 de 1921 e inclui um novo regulamento. Embora não traga mudanças expressivas às atribuições da 2ª.Secção, pode ser a origem do aparecimento dos carimbos regulares “clássicos” (tipo 4b – circulares, datadores em 3 linhas com o mês alfabético). Estes aparecem em quatro turmas entre 1922 e 1927. São pouco comuns.

Tipo CRJ

Tipos regulares (1929-1941)

O grupo seguinte de regulares são do tipo10 (diâmetros na faixa dos 30mm e datador em uma linha com mês em romanos); circularam amplamente em quatro turmas. Bem mais comuns, são encontrados de 1929 a 1945, ou seja, os prováveis sucessores dos barras-duplas (peças da coleção do autor).

Há duas séries distintas. Na primeira, o diâmetro do carimbo é 31,5 x 20 mm e o “DE” da legenda superior tem o mesmo corpo do restante da legenda. Na segunda, o diâmetro do carimbo é 31,5 x 18 mm e o “de” da legenda superior tem o corpo menor.

Primeira série:

Na segunda série, o diâmetro do carimbo é 31,5 x 18 mm e o “DE” da legenda superior tem o corpo menor, como se vê nas duas páginas a seguir:

O envelope Sudeletro abaixo é o último que conheço da 2a. seção. Circulado em agosto de 1941, está franqueado em 1$600 (tarifa nacional expressa) com o selo de 200 Rs do Centenário de Portugal emitido em dezembro de 1940.

Mesmas características da série anterior.

As peças a seguir mostram os últimos carimbos regulares da 2a. secção:

Por volta de 1940, a estrutura em seções do correio central é desativada e a 4a. seção centralizará a operação do correio central com as séries “Colecta” que em 1962 dará origem à nova agencia “Central do Rio de Janeiro” (clique para ver).

**

Registro no entanto com ressalvas duas peças que trazem “2a. Secção” e que podem gerar dúvidas. A primeira é um FDC da agencia temporária MRJ 136A (ACM Centenário) no Centro do Rio onde apresento peça semelhante e a descrevo em detalhe. Resumindo o que lá está, as peças circularam de fato mas, como é registrada, o uso do carimbo da 2a. secção é indevido, pois ela não era mais a responsável por esse serviço desde o ano anterior. Por sua vez, o certificado que acompanha a peça está carimbado no guichê do serviço aéreo (para uma correspondência urbana!). Ou seja, um FDC mal ajambrado.

A segunda peça é publicitária onde mal se distingue 2.S na orelha esquerda. Infelizmente só tenho um fragmento que não permite análise mais detalhada. Esse tipo de carimbo, o T13P, circulou em várias agencias e, se houver interesse, veja matéria no menu carimbologia.

Seguem as imagens, mas sem numeração, uma vez que não as reconheço como da 2a. seção.


Parte V – Tipos especiais e de serviço


Apresento os serviços na sequencia do quadro acima:

Serviço Expresso CRJ 81 a CRJ 85:  foi atribuído à 2ª Seção pelo Regulamento de 1921 utilizou carimbos específicos de 1928 a 1942, quando a responsabilidade passou para a 4ª Secção.

Vale destacar o CRJ 81 em duas turmas que abre as imagens do serviço expresso. É um raro exemplo de carimbo octogonal que só foi usado nesta série da 2a. Secção.


Serviço Aéreo CRJ 91: carimbos de serviço aéreo são bastante comuns na 2a. secção entre 1930 e 1932, quando a Portaria de 1933 criou a 9ª Secção com a atribuição de centralizar o processo de serviço aéreo.


 

Conferência CRJ 93: responsabilidade atribuída à 2a. Secção do regulamento: “recebimento, abertura e conferencia de malas destinadas ao Rio de Janeiro (…)” 

De fato, são carimbos raros e só conheço esse exemplar da 2a.turma em 1941:


 

Assinantes CRJ 94 e 95: raros exemplares, entre os regulares circulados entre 1928 e 1940 e mecânicos propagandísticos entre 1940 e 1942.

Os propagandísticos serão apresentados mais abaixo.


 

Posta-restante CRJ 96 (do francês: poste restante) a correspondência que é enviada sob essa rubrica a uma agencia dos correios onde permanece até que seja reclamada por seu destinatário, mediante pagamento de uma taxa, ou decorra o prazo para levantamento da mesma.vO regulamento de 1921 atribui esse serviço à 2a. Secção.


 

Refugo CRJ 97: o serviço trata da correspondência cujo destinatário não foi encontrado e que fica à disposição do emitente por algum tempo. O regulamento de 1921 o atribui à 2a. Secção:

  1. Escolha e classificação da correspondencia cahida em refugo;

São raros os carimbos conhecidos. Este envelope tem ainda um segundo carimbo mais estranho ainda: “RIO DE JANEIRO – REFUGO” que talvez possa ser atribuído diretamente ao Diretor Geral. A investigar.


 

EXP-SUCCRJ 98: confesso não ter ideia do significado; nada encontrei nos Regulamentos Postais. Fica o registro para posterior esclarecimento.

 


Parte VI – Carimbos Mecânicos


Esse tipo de carimbo está apresentado em detalhes no menu principal. Clique no quadro para ser direcionado.

Carimbos Mecanicos

Um carimbo desse tipo é composto de duas partes: à esquerda, o datador com local e data da postagem e à direita, a “flâmula” linhas paralelas que obliteram o selo postal.

O datador traz ao centro o dia, mês e ano. Como veremos, há tipos com a hora de postagem (como no exemplo acima) e outros com os turnos (manhã, tarde ou noite). A flâmula traz letras

Carimbos mecânicos obliteradores na 2a. Secção (1914-1940)

CRJ  101 a 103

O tipo 92 é conhecido por “carimbo de rolo” onde um cilindro gravado com uma imagem sem fim imprime o carimbo e a flâmula em sequencia. O datador mostra a hora e a flâmula tem letras (I e C no caso).

O carimbo 93 já não usa rolo, mas sim uma estampa fixa aplicada sempre no mesmo local.

O tipo 93a já não trazem as letras, sinal de outro tipo de máquina. O tipo 94 traz o turno no lugar da hora de postagem.

Como curiosidade, o envelope “álbum-carta postal” desdobra-se como uma flor na parte de trás, formando um quadrado com quase o triplo do tamanho onde são impressas imagens turísticas na frente e publicidade no verso, além de espaço reservado para o texto.

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Carimbos mecânicos propagandísticos (1928-1951)

 

Esse tipo particular de carimbo obliterador apresenta mensagens publicitárias acopladas ao datador circular e que funcionam como obliteradoras. A 2a.Secção foi uma das primeiras a utilizá-lo no Brasil e provavelmente a que fez uso mais extensivo, com nada menos de onze tipos utilizados até 1951.

CRJ 105 – “O Brasil Exporta o Melhor Café do Mundo” (1928-1931)

A próxima página é uma curiosidade, que complementa a apresentação do tipo, resultado de garimpagem de selos individuais com fragmentos de mensagens. Eles foram agrupados pelas respectivas datas de emissão das filigranas (as etiquetas indicam o tipo de carimbo, neste caso o T101a).

O quadro assim formado ajuda a estabelecer o período de circulação do tipo. Neste caso temos a mensagem em exemplar com filigrana K de 1931 (seta em amarelo), data posterior às peças da minha coleção. De fato, ela poderia também indicar a existência de peças circuladas antes de 1928, já que há exemplares sobre emissão de 1920. Continuarei a busca.

A próxima página é um raro subtipo de carimbo (T 101b), que a data das filigranas indica como sucessor do 101a. A montagem ilustrativa que produzi com a ajuda dos exemplares com fragmento de mensagem mostra que o datador está montado de cabeça para baixo e possui nova legenda “2a.SEC”. Vejam as setas em magenta (clique na imagem para ampliar). estranho, não? Alguém teria uma peça circulada?

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CRJ 106 – “Feira de Amostras – Junho” (1929)

O carimbo T 102 é propaganda da  II Feira de Amostras realizada de 29 de junho a 29 de julho de 1929 no Distrito Federal. Péssima qualidade das peças disponíveis na coleção que trazem os turnos da tarde e da noite.

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CRJ 107 “Rio de Janeiro Saison d’ Été” (1929-1931)

A próxima página é um raro subtipo de carimbo (T 103b), que a data das filigranas indica como sucessor do 103a. A montagem ilustrativa que produzi com a ajuda dos exemplares com fragmento de mensagem mostra que o datador está montado de cabeça para baixo e possui nova legenda “2a.SEC”. Vejam as setas em amarelo (clique na imagem para ampliar). estranho, não? Alguém teria uma peça circulada?

Tudo igual à variante do tipo 105 mais acima. Mas a imagem neste caso é do Karl Wittig em © ArGe BRASILIEN e.V. – Forschungsbericht 58 (2005)

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CRJ 108 “O Brazil Produz o Melhor Café” (1932-1933)

Notem que a data de 1933 deve-se a um exemplar sobre selo comemorativo do ano.

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CRJ 109 “Ask For Brazilian Coffee” (1946-1954)

Neste tipo a data de 1954 deve-se a vários exemplares da série bisneta.

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CRJ 110 – “Visite a Feira Internacional de 1935” (1935)

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CRJ 111 – “A Instrução e o Trabalho” (1935-1941)

Há quatro variações de carimbos no CRJ 111 numeradas de T 119a – 199d. Compreendem datador e legenda inferior, como veremos nas imagens.

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CRJ112 – “O Correio Aéreo é o Mensageiro Mais Rápido” (1941-1942)

Apesar de as peças serem todas de 1941, não se pode desprezar os fragmentos sobre emissão de 1942.

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CRJ 113 – “Rio The Wonder City” (1940)

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CRJ 114 – “Auxilie o Correio” (1941-1952)

 


Notas  e Informações

[1] sobre o Bilhete Postal. Achei curioso que nenhum órgão de imprensa brasileira pesquisado na hemeroteca da BN tenha noticiado a iniciativa dos Correios. O que encontrei foram duas (duas!) notas na imprensa sobre alguém recebendo um BP em 1880. Uma delas de Machado de Assis. Copio abaixo.

Jornal da Tarde (SP) ed. de 6/12/80

Gazetinha (RJ) ed. de 20/12/1880


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