Quissamã

MUNICÍPIO DE QUISSAMÃ

Sua origem é antiga, estando ligada ao Curato existente na localidade de Furado, criado em julho de 1692. Em 1749 foi estabelecida no local a Freguesia de Nossa Senhora do Desterro de Quissamã, com subordinação a Macaé. Em 12 de janeiro de 1755 foi renomeada para Freguesia de Quissamã. Dois séculos mais tarde, em 4 de janeiro de 1989 é emancipado e desmembrado de Macaé sob o nome de Município de Quissamã.

AGÊNCIAS POSTAIS

HISTÓRIA, CURIOSIDADES E IMAGENS DE AGÊNCIAS

A ESTAÇÃO SANTA FE DE MACABU (ERJ 1023 A 1025)

Começo por apresentar um fac-símile do verbete “Entroncamento” no trabalho pioneiro de R. Koester [1].

Faço-lhe no entanto uma ressalva. A citada agencia Santa Fé (30/07/1869), no meu entender, refere-se à homônima Santa Fé criada na estação do ramal de Porto Novo do Cunha que foi inaugurada alguns dias antes em 27/07/1869. Em situação idêntica, está a vizinha estação de Chiador, na mesma linha e com as mesmas datas de estação [2] e agencia [3]. Consequentemente, a primeira menção à agencia Santa Fe de Macabu aparecerá em 1875, como veremos a seguir.

Alguns dados: a EF Macaé e Campos inaugurou seu primeiro trecho, de Imbetiba a Macaé, em 02/08/1874 e o segundo, até a “estação de Macabu” – como referida no texto – em 11 de outubro de 1874 [4]. A agencia postal “Santa Fe de Macabu” foi criada “na estação” em 16 de dezembro de 1875 [5], v. imagem a seguir.

O Globo, ed. de 17/6/1875 (Hemeroteca BN)

A EF Barão de Mauá foi licitada em 1876 e a construção se iniciou em 5 de dezembro de 1877 [6]. O projeto previa junção com a EFMC em uma nova estação apropriadamente nominada “Entroncamento”. Dela partiria também o ramal de Quissamã. Neste ponto há uma controvérsia. Seria essa a mesma “Santa Fé de Macabu”? A resposta pode estar em uma minúscula notinha em um desconhecido “O Cruzeiro” – jornal que circulou no Rio de Janeiro somente no ano de 1878 [7]. Veja a imagem:

O Cruzeiro, ed. 26/10/1878 (Hemeroteca BN)

Na nota, vemos que a Cia. EF Macaé e Campos em 26/10/1878 pleiteou – no que foi foi atendida – a transferência da estação Santa Fé de Macabu do km. 49 para o 47. Essa informação também consta do trabalho de R. Koester citado acima. Na imprensa, uma nota de viagem a Campos em 27/11/1878 relata que o “trem parou na estação de Santa Fé do Macabu para receber água” [8]. Este é talvez o último registro da estação nesse local.

A distância do deslocamento proposto também faz sentido quando a medimos no mapa. A cerca de três quilômetros da atual posição, seguindo a linha, está a ponte sobre o rio Macabu, às margens do qual estaria a estação originalmente. Está assinalado como nº5 no mapa.

A agência postal, contudo, continuou a se chamar “Santa Fé de Macabu” até que, em 29 de dezembro de 1886, uma pequena nota na imprensa informa que a agencia foi renomeada “Estação do Entroncamento” [9].

Nota: é bom notar que a estação foi renomeada “Quissamã” em nota da Leopoldina nos jornais em 14 de setembro de 1892. Os Correios não acompanharam essa mudança, provavelmente porque já existia agencia postal com esse nome nessa cidade desde 1855.

Finalmente, em 5 de agosto de 1897, o nome de agencia foi alterado para Conde de Araruama [10], acompanhando a estação [11]. A agencia fechou por volta de 1985 [12].

Veja imagens dos carimbos na coleção, abaixo.

Notas (as citações e imagens da imprensa são da hemeroteca da B.N.):

[1] Carimbologia do Brasil Clássico de R. Koester publicado pelo Clube Filatélico do Brasil.
[2] Gazeta de Noticias, ed. 30.06.1869
[3] idem [1]
[4] Diario do Rio de Janeiro edições de 5/8 e 14/10 respectivamente
[5] Nota da Diretoria dos Correios em O Globo, ed. de 17/6/1875
[6] A Formação das EF no Rio de Janeiro, Helio Suevo, 2004
[7] O Cruzeiro, ed. 26/10/1878
[8] O Cruzeiro, ed. 27/11/1878
[9] Gazeta de Noticias, ed. 29/12/1886 (nota não-oficial)
[10] Diário Oficial da União
[11] Nota da EF Leopoldina na Gazeta de Noticias, ed. 6/8/1897
[12] agenciaspostais.com.br

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O ENGENHO CENTRAL DE QUISSAMÃ

 

Penso que vale, pela sua importância histórica, explorar um pouco mais a região. De fato, vimos acima que a pequena Santa Fé foi de repente atravessada pela EF Macae a Campos em 1875 e escolhida para estação inicial da EF Barão de Araruama em 1879, A ferrovia possuía um ambicioso projeto de se entroncar com a EF Cantagalo no vale do Paraíba, após atravessar Trajano de Morais. Em tempo: ela só chegou a Trajano.

No início do século XIX a família  Carneiro da Silva, ligada ao clã do Visconde de Araruama, possuía sete engenhos de açúcar em fazendas na região, funcionando isoladamente. Os “engenhos centrais” foram uma evolução dessa indústria, processando, em uma usina central, o produto de diversos fornecedores. O Engenho Central de Quissamã foi inaugurado em 12 de setembro de 1877 como o primeiro engenho cooperativado do Brasil, com a ilustre presença de Dom Pedro II e da Imperatriz.

Era a época da revolução Industrial e das estradas de ferro. A própria companhia se encarregou de construir em 1878 um ramal ferroviário de 35 km ligando Conde de Araruama ao Engenho e também a Quissamã. Diversos sub-ramais a conectavam com os maiores produtores. Chegou a operar três locomotivas, das quais duas podem ainda ser vistas nas ruínas do engenho, desativado nos anos 1980. A imagem acima (do site mapadacachaca.com.br) mostra a torre do relógio e o lema da companhia.


A FAZENDA MANDIQUERA

Selecionei essa fazenda como representante da imponência das sedes das antigas propriedades (imagem: www.mapadecultura). O palacete ficava próximo à ferrovia e não distante do engenho central. Não por acaso, foi erguido nessa mesma época, 1875. Foi residencia de Bento Carneiro da Silva, Conde de Araruama, filho mais velho do 1º Visconde de Araruama, a cujo casamento compareceu também o Imperador. Está sem moradores desde os anos 1930.


Carimbos de Quissamã

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